Casamento por obrigação
38 Capítulo 36
Betty saiu da casa do tio-avô atordoada. Não podia acreditar em tudo o que ouvira da boca do velho Lázaro; se não tivesse lido aquelas escrituras antigas com os próprios olhos, jamais acreditaria. Suas tias haviam confirmado que, embora estivesse um pouco idoso e debilitado, Lázaro sabia muito bem o que dizia quando o assunto era o passado da Fazenda Laços.
— Não leve a mal o que o papai disse do Armando Mendoza, Bettica — cochichou a tia na porta. — Ele odeia o sangue dos Mendoza desde sempre. Mas olhe... não perca esse homem por nada nesta vida!
— Como assim, tia Maria?
— Ora, ele é um rapaz muito atraente e percebe-se de longe que vocês têm alguma coisa escondida.
— Mas eu... — Betty tentou desversar, o coração dando um salto.
— Não adianta mentir para mim, Beatriz Aurora! — riu a tia, dando-lhe um tapinha carinhoso no ombro.
Beatriz ficou completamente vermelha. Será que era tão visível assim a noite de paixão que haviam passado no hotel? Será que o seu corpo exalava que ela não era mais uma menina inocente, e sim uma mulher que conhecera o fogo?
Ao chegar perto do jipe, a recepção de Armando foi fria.
— Você demorou, Betty. O tempo está mudando e está ficando frio na Capital — resmungou ele, ajeitando a jaqueta de couro sem olhar nos olhos dela.
— Desculpe, Armando. É que o Tio Lázaro queria conversar muito.
— E do que tanto as vossas mercês falaram lá dentro, afinal?
— Assuntos de família — respondeu ela, seca.
— E não pode me contar? Afinal de contas, eu quero saber por que aquele velho me olhou com tanto ódio e por que odeia tanto o sobrenome dos Mendoza!
— Como eu já disse... é um assunto de família, Senhor Mendoza — ela disparou, olhando-o fixamente no fundo dos olhos.
Era a primeira palavra que dirigiam um ao outro desde a madrugada de entrega. Armando resmungou alguma coisa impaciente e Betty resmungou outra de volta, virando o rosto para a janela do veículo.
"Depois de nos amarmos como ontem e de eu me entregar como nunca nenhuma outra mulher se entregou para ele, ele mal consegue olhar na minha cara", pensava Betty, com o peito apertado de mágoa. "Será que tudo o que o Tio Lázaro falou sobre a fraude dos Mendoza é verdade? Até o Seu Roberto, a quem tenho como um segundo pai, é um canalha? E a Dona Margarida também sabe dessa sujeira toda?"
Enquanto o motor do jipe roncava pelas ruas de Bogotá, Armando também se afogava em seus próprios pensamentos torturados.
"Agora, além do velho tio esquisito, a Betty também ficou esquisita e nem quer falar comigo. O que será que aquele velho tem contra a minha família? Meu pai vai ter que me explicar essa história tim-tim por tim-tim quando voltarmos para Filandia. Mas lógico que ela não quer falar contigo, Mendoza... Depois de ter abusado da inocência dela no quarto, a moça acorda e ouve sei lá que tipos de absurdos sobre o seu sobrenome!"
Ao estacionarem na frente do hotel, Armando tentou ditar as ordens de patrão.
— Pegue as suas coisas de pressa, Betty. Iremos dar baixa no hotel agora mesmo e partir de volta para a fazenda antes do anoitecer.
— Que vá o senhor sozinho, se quiser, Senhor Mendoza! — rebateu ela, empinando o queixo. — Eu irei cumprir o meu combinado e vou visitar minhas amigas Aura Maria e Camila na casa da diretoria.
— Não, senhora! O que você pensa que está fazendo? Nós já ficamos tempo demais nesta Capital! — esbravejou ele, batendo no volante.
— Ora, patrãozinho, até que não... — interveio Freddy do banco de trás, ajeitando o chapéu. — Da outra vez que viemos fazer negócios, nós ficamos cinco dias inteiros na rumba!
— Cala a boca, Freddy! Ninguém te chamou na conversa! — rugiu Armando, furioso. — Betty, nós vamos voltar!
— Eu irei ver minhas amigas hoje, queira o senhor ou não!
— Beatriz! Eu não estou brincando com você!
— Tampouco eu estou brincando, Armando!
— Eu prometi aos meus pais que voltaria hoje para estarmos amanhã cedo gerenciando a colheita na fazenda!
— Pois o senhor pode voltar com o jipe e com os capatazes — Betty deu de ombros, com um sorriso altivo. — Tenho certeza absoluta de que o senhor e a excelente professorinha Karina darão conta de cuidar das aulas da escolinha muito bem sem mim.
— Você não vai ficar nesta cidade grande sozinha, não senhora!
— O senhor esquece que eu vivi cinco anos seguidos nesta Capital? Esquece que posso muito bem ficar hospedada na casa da Camila, no apartamento da Aura Maria ou com a minha madrinha, a tia Cata? Tenho muito onde cair morta, Senhor Mendoza! Pode dar baixa no quarto do hotel. Eu combinei com a Camila que iríamos jantar na casa dela hoje, por acaso o senhor não se lembra?
Lógico que ele havia esquecido com tanta confusão acontecendo de uma vez só. Por se tratar da casa de sua própria irmã, o caubói perdeu todos os argumentos; seria a desculpa perfeita para mantê-la sob os seus olhos sem levantar as desconfianças do Seu Hermes.
— Está bem... — bufou Armando, rendido à teimosia da menina-mulher. — Ficaremos mais esta noite na cidade, mas amanhã cedo eu te levo por bem ou por mal de volta para a fazenda.
— Se eu quiser ir, Armando... Pois eu já sou maior de idade e o senhor não tem domínio nenhum sobre as minhas vontades.
Armando bufou, cruzando os braços. A filha do caseiro havia se tornado uma fortaleza indomável. Iriam ficar mais um dia em Bogotá, só isso, nada mais que isso. A Fazenda Laços precisava dele, e o seu coração precisava de distância daquela tentação.
Mais tarde, no apartamento de Camila Mendoza...
— Pensei que vocês não fossem vir mais! — exclamou Camila, abrindo a porta com um sorriso largo.
— É que eu tive que ir visitar o meu tio-avô Lázaro e a casa dele fica um pouco longe do centro, Cami — explicou Betty, deixando as sacolas no sofá.
— A Aura Maria já chegou faz tempo, está ali na cozinha atacando os doces! — avisou a irmã de Armando.
— Betty! Minha rainha! — gritou Aura Maria, correndo para o saguão.
As três se abraçaram forte e começaram a dar pulinhos de alegria no meio da sala, rindo alto. No canto da porta, Mário Calderón observava a cena e soltou uma risada, cutucando Armando com o cotovelo.
— Essas três quando se encontram parecem crianças de escola, não é, irmão? — riu Mário.
— São crianças... — murmurou Armando, com o olhar fixo em Betty, o peito apertado.
Betty não gostou nada do comentário. Empinou o nariz de porcelana, jogou os cabelos negros cacheados para trás com desprezo e encarou o noivo de Marcela.
— Falou o bebezão da roça, o santo do altar — provocou ela, com a voz carregada de ironia.
— Ih, tomou no calo, irmão! — divertiu-se Mário.
— Deixem de bobagens vocês dois! — cortou Camila, puxando as amigas pelo braço. — Vamos para o meu quarto de uma vez, os homens que fiquem conversando na sala.
As três mulheres marcharam em direção ao corredor, deixando Armando, Mário, Freddy e Wilson sem fala no meio da recepção. No quarto, assim que trancaram a porta, a fofoca começou.
— Betty... você precisava mesmo ter trazido esse Freddy com vocês de Quindío? — reclamou Aura Maria, jogando-se nas almofadas.
— Pensei que você gostasse do capataz, Aura Maria! Ele passou a viagem inteira suspirando por você.
— E eu gosto, amiga! O peão é forte e tem pegada... mas eu não quero ficar que nem você, sofrendo e sonhando com amor à distância! Ai... me desculpe, Betty! Falei sem pensar.
— Não precisa pedir desculpas, Aura Maria. Você tem toda a razão do mundo — suspirou Betty, abaixando os olhos para o vestido de veludo. — Eu sou uma verdadeira idiota por ficar sonhando acordada com quem não merece.
— Espera aí... nada deu certo entre você e o meu irmão ontem à noite no hotel? — perguntou Camila, surpresa. — Você não vestiu aquela camisola de seda transparente que eu comprei para seduzi-lo? Poxa, Betty... se o Armando não funcionou, era melhor ter ficado com o triplepapito do francês! O Michel estava caidinho por você na faculdade.
— O Mandinho ficou com muitos ciúmes na recepção, Cami! — revelou Aura Maria, animada. — Até arrancou a nossa amiga da pista de dança no colo, parecia um bicho do mato protegendo a caça! Eu pensei que...
Betty deixou um sorriso doce e vitorioso escapar pelos lábios, lembrando-se do calor dos lençóis e da boca faminta dele no seu corpo. Olhou para as duas amigas e respirou fundo.
— Posso contar um segredo para vocês? Mas jurem que não vão gritar.
— Sim! Conta de uma vez! — implorou Camila.
— Nós... nós fizemos... amor ontem à noite no quarto — confessou Betty, ficando vermelha como uma manga madura.
As duas amigas deram um salto da cama, batendo palmas e dando pulinhos de euforia.
— Para mim foi um momento de amor verdadeiro, meninas... — ponderou Betty, com uma ponta de tristeza na voz. — Mas temo que para ele tenha sido apenas mais uma noite de farra, mais uma aventura na cidade grande.
— Conta tudo! Tim-tim por tim-tim! Não esconda nenhum detalhe! — pediu Aura Maria, sacudindo os ombros da amiga.
Betty, então, abriu o coração e contou em detalhes a noite intensa que teve nos braços de Armando Mendoza, para o delírio e a felicidade das confidentes.
— A primeira vez sempre dói um bocado mesmo, amiga, é normal do corpo — consolou Aura Maria, com a sua experiência da Capital. — Mas o importante é que você ainda sentiu o prazer lá no fundo!
— Sim... o Armando foi... ele gritava de prazer nos meus braços, meninas — sussurrou Betty, corando.
— Pois agora que a barreira quebrou, não dói mais nada, querida! Daqui para a frente é cada vez melhor! Você vai desfrutar muito desse caubói. Suba nele, seduza-o pelos cantos da fazenda, faça amor debaixo do feno, nos estábulos, em todos os lugares! Comece com os beijos escondidos!
— Aura Maria, pelo amor de Deus, fale baixo! — repreendeu Camila, rindo. — Mas você se empolgou demais!
— Ai, me empolguei mesmo, mas é a verdade! — riu a recepcionista. — Mas o que foi, Betty? Por que essa cara murcha agora?
— Não sei... o Armando está muito frio comigo desde que amanheceu. Ele mal consegue olhar na minha cara, me trata feito uma desconhecida perante os capatazes.
— O quê?! Aquele imbecil fez isso depois de tudo? — Camila fechou a cara, revoltada com o irmão.
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Enquanto as mulheres colocavam o assunto em dia no quarto, Camila veio até a cozinha preparar alguns petiscos e arepas com queijo para todos comerem. Mário Calderón, que era um observador nato das rumbas e dos sentimentos, havia percebido a forma tensa e carregada de eletricidade com que Armando e Betty se olhavam na sala. Assim que teve uma oportunidade, puxou o Mendoza pelo braço para a varanda do apartamento, longe dos capatazes.
— Conte-me a verdade agora mesmo, Mendoza, e não ouse esconder nada de mim! — disparou Mário, cruzando os braços.
— Eu não sei do que você está falando, Calderón! Deixe de bobeira.
— Está escrito com letras garrafais nos olhos de vocês dois, irmão!
— Nos olhos de quem, homi?
— Nos seus e nos da Betty! Há uma faísca queimando essa sala!
— Xiu! Fale baixo, Mário! Os peões estão logo ali na copa!
— Ninguém está escutando a gente aqui fora, mas vamos até o jardim do prédio se você preferir. Desembucha de uma vez, arriero!
Armando soltou o ar com força, encostando-se na grade de ferro da varanda, completamente derrotado pelos próprios instintos.
— Eu não sei o que dizer, Mário...
— A Betty voltou do quarto com a Camila com um brilho diferente no olhar, irmão. Vai me dizer que... finalmente...
— Seu safado, rato de cana! Eu não sei como você consegue farejar essas coisas... — Armando passou a mão pelo rosto, envergonhado. — É um dom maldito que você tem.
— É um dom de quem te conhece desde moleque, Mendoza! Diga-me de uma vez: você finalmente cedeu à paixão pela filha do contador?
— Que paixão coisa nenhuma, Mário! Eu não sei o que é isso! — mentiu ele para si mesmo. — Mas eu cedi ao desejo sim... eu confesso. Eu não consegui me controlar, Calderón! Eu juro que tentei ser o santo protetor, mas eu pifei! Eu não podia ter feito aquilo, Mário! Não podia! Mas ela estava... ela estava irresistível naquela camisola de seda...
— Eu posso imaginar muito bem, irmão. A Betty voltou da Capital parecendo um espetáculo de mulher.
— Uma uva madura, Mário! Eu estou desejando o corpo daquela moça desde o primeiríssimo dia em que ela pisou de volta na Fazenda Laços! — confessou Armando, com os olhos escurecidos pelo peso da lembrança.
— Eu bem que avisei! — Mário abriu um sorriso de canto, com cara de safado.
— Mas eu não podia ter passado da linha, Mário! Eu não podia! Como diabo eu ia resistir com ela se esfregando no meu peito, implorando para que eu a fizesse mulher, jurando que queria ser só minha? Eu não resisti... eu sou um fraco! Ela era tão pura, tão doce, tão cheia de sonhos românticos... Eu sou um safado, um rato de cana completo! Eu tinha a santa obrigação de protegê-la das garras do mundo, mas acabei sendo eu o animal que se aproveitou de sua inocência!
— Pare com esse moralismo de igreja, Armando! A Betty já é maior de idade! Ela tem dezoito anos, estudou na Capital, foi para a Espanha... ela sabia perfeitamente bem o que queria quando bateu na porta do seu quarto! Você não se aproveitou de ninguém, foi uma entrega dos dois!
— Você não a conhece como eu conheço, Calderón! A Betty não é uma dessas mulheres da rumba que sabem jogar! Ela lê livros de amor, ela idealiza as coisas! E agora? O que vai ser da vida dela?
— Agora o quê, homi?
— Ela está marcada para sempre, Mário! Ela não vai mais poder se casar com um homem de bem, de cabeça limpa, porque um depravado feito eu tirou a pureza dela num quarto de hotel de madrugada!
— Ela também quis, Armando! Tire esse fardo das costas, você não forçou nada!
— As coisas não funcionam desse jeito para as mulheres direitas do interior, Calderón! A Betty confiava em mim desde a infância, eu sou um homem feito, rodado, e ela era apenas uma menina pura na minha frente.
— Uma menina deliciosa que te deixou completamente maluco, pelo que posso comprovar por essa sua cara de ressaca! Não me olhe com essa cara de bravo, Mendoza! Você sabe muito bem que é a mais pura verdade! Cada um teve exatamente o que quis naquela cama!
— Ela merecia coisa melhor, Mário... Merecia se casar com um homem de bem, manter-se pura para um rapaz trabalhador que pudesse mimá-la, cuidá-la e realizar os seus sonhos.
— Mas que eu saiba, pelas fofocas da fazenda, ela está prometida em noivado para o Daniel Valência por causa da imposição do pai dele, não é? Só nisso você já saiu na vantagem, irmão! Você venceu o Daniel mais uma vez! Papou a noivinha dele antes do altar! Ou por acaso você preferia que a primeira vez da Betty fosse nos braços frios daquele asqueroso do Daniel?
Armando travou, o maxilar cerrado de ódio só de imaginar o Valência tocando na pele de porcelana de sua Bettica.
— Eu nem sei o que diabo o Daniel Valência quer fazendo um acordo para noivar com a Betty... Aquele homem é um gelo, não liga para mulheres, só pensa em ações e poder! Tem caroço nesse angu, Mário!
— Pode ter certeza absoluta de que tem alguma falcatrua por trás desse interesse repentino dos Valência pela filha do contador. O Daniel não precisaria de um noivado de fachada para levar uma virgem para a cama se fosse só por desejo! Ele quer alguma coisa que os Pinzón têm. Mas isso agora não importa... O que importa é que a Betty te adora desde sempre, irmão.
— Não diga bobagens...
— Sempre te adorou, Armando! Por isso mesmo nós zoávamos e tirávamos sarro dela quando éramos adolescentes pelos estábulos, porque sabíamos muito bem que aquela feia desajeitada babava e limpava o chão por onde o "Seu Armandinho" passava!
— Eu não estou falando do Daniel, Mário... Estou falando que a Betty merecia um homem bom para o futuro dela, alguém que pudesse dar uma vida feliz a ela.
— E esse homem pode muito bem ser você, Armando!
— EU NÃO, CALDERÓN! Você enlouqueceu de vez?! Sabe perfeitamente bem que eu não poderei me casar com a Beatriz!
— E por que não, homi? Quem te proíbe?
— PORQUE EU ESTOU COMPROMETIDO COM A MARCELA! POR CAUSA DA MALDITA DÍVIDA DA FAZENDA! POR CAUSA DESSE CASAMENTO ARRANJADO DE FAMÍLIA, É UM COMPROMISSO DE HONRA DO MEU PAI!
— Pois não case, simples assim! Mande a Marcela e os Valência para o inferno!
— Sabe muito bem que se eu quebrar o acordo, nós podemos perder a Fazenda Laços inteira e até a nossa parte nas ações da Ecomoda! Meu pai vai à ruína!
— Pois levemos esse contrato e essa dívida antiga a um bom advogado da Capital, Armando!
— O Daniel já trouxe o Doutor Olarte para a fazenda e ele destrinchou o papel, disse exatamente que não há saída legal, que a garantia são as terras!
— O Daniel trouxe o Olarte, e você realmente acreditou na palavra daquele rábula que trabalha para os Valência? Sempre tem uma brecha na lei para salvar uma propriedade, Armando! Sempre!
— Não creio que tenha, Mário... A verdade nua e crua é que, gostando ou não, eu tenho que cumprir o meu martírio e casar com a Marcela para salvar o meu pai. E agora... eu arruinei o futuro da Betty no meio desse tiroteio!
— Que eu saiba, meu amigo, a Betty deve estar muito feliz e realizada neste momento. Qualquer mulher que passa uma noite nos braços do Tigre de Quindío sai radiante!
— Você não pode imaginar o quanto, Mário... — um sorriso involuntário e terno brotou nos lábios de Armando, os olhos brilhando ao lembrar do cheiro de frutas vermelhas. — Ela é doce... tão romântica...
— Então, se a Betty era pura até ser sua, se ela ainda é uma menina sonhadora e você está completamente laçado por ela... realize os sonhos da menina, limpe a sua barra e case-se com ela de uma vez!
Armando ficou completamente chocado com a audácia do amigo. Casar-se com a Betty? A ideia bateu no seu peito e, para a sua própria surpresa, não pareceu de todo mal. Eles se conheciam desde a infância, combinavam em tudo na fazenda, e as lembranças da noite passada ainda estavam marcadas a fogo na sua pele.
— FICOU MALUCO DE VEZ, CALDERÓN? EU JÁ TE DISSE QUE TENHO QUE ME CASAR COM A MARCELA PELO BEM DA MINHA FAMÍLIA!
— Sabe muito bem que você não suporta as cobranças da Marcela, Armando! E que ela nunca foi pura e santa como os pais dela vendem pela sociedade!
— Eu sei, eu sei... mas a farsa já está montada.
— Tenha a consciência limpa de um homem de verdade, Armando! Case-se com a Bettica, assuma a responsabilidade e limpe a honra da moça como um cavalheiro de bem faria!
Armando sorriu por um breve segundo, a ideia de ter a Betty para sempre nos seus braços aquecendo o seu coração. Mas logo a realidade da ruína bateu e ele balançou a cabeça de forma negativa, afastando o sonho.
— Se eu me casar com a Betty, Mário... o meu pai perderá a Fazenda Laços para os credores e a minha mãe morrerá de desgosto no hospital. Eu não posso ser o carrasco dos meus pais.
— Para tudo tem um jeito nesta vida, Mendoza! Nós vamos descobrir o que os Valência estão tramando por trás desse noivado.
— Não há jeito, Mário... Gostaria muito que tivesse, mas não há.
— E como vai ficar a situação entre vocês dois amanhã no jipe de volta para a roça?
— Mal consigo olhar na cara dela sem sentir que sou o maior canalha da Colômbia, Mário... Mal consigo respirar perto dela.
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