Casamento por obrigação
30 Capítulo 31
Já era de madrugada quando Armando chegou acompanhado de Freddy, que como sempre cantarolava.
-Xiu. Olha o barulho, Freddy!
-A vida é bela, seu Armando, as mulheres nos amam.— riu o capataz, tropeçando nas próprias botas.
— Ha haha! Disso eu não posso duvidar, homi...
Mas a risada de Armando morreu na garganta. Ao ouvir o barulho dos passos dele, Betty levantou-se da cama, secando as lágrimas do rosto de porcelana, e abriu a porta do quarto que ficava bem em frente ao dele.
Ao ouvir que ele chegava, Betty levantou-se, secando as lágrimas e abriu a porta do quarto que ficava bem em frente a dele.
Freddy e Wilson estavam bêbados demais para perceberem, mas Armando viu quando ela chegou e ficou prostrada bem a sua frente com a dor nos olhos e parou rapidamente de dar risada.
-Betty...
A moça apenas virou-se, entrou e bateu a porta.
______
Armando foi para seu quarto, mas diferente de Fredy e Wilson que dormiam satisfeitos, não conseguiu dormir, estava chateado consigo mesmo. Assim, decidiu bater à porta do quarto dela.
-Betty!
-Não quero falar contigo!
-Betty, precisamos conversar.
-Não quero falar contigo, já disse!
-Trouxe o desjejum!
-Não quero comer nada!
-Betty, hoje combinamos que a levaria à faculdade!
-Deixa que eu vou sozinha!
— Para quê isso, Betty? — Armando insistiu, perdendo a paciência. — Eu prometi ao Seu Hermes que ia te cuidar nesta viagem. Teremos o jipe à nossa disposição. Abra essa porta!
-Está bem!
Betty só aceitou porque queria chegar bem e com estilo, mas durante o trajeto, diferente da outra vez não quis ficar ao lado de Armando, preferindo ir no banco de trás. Freddy e Wilson ficaram no hotel para recuperar as forças.
Na faculdade...
— Olá, Aura Maria! — chamou Betty, forçando um sorriso.
— Não acredito! Betty?! — a recepcionista levantou-se da mesa com os olhos arregalados.
— Sim, sou eu! Jo jojo!
— Mas que linda, minha amiga! — Aura Maria deu uma voltinha ao redor da moça para conferir o figurino moderno. — Que mudança! E vejo que veio muito bem acompanhada...
Aura Maria olhou para o homem alto e forte de jaqueta de couro que vinha logo atrás.
— Ah... você já conhece o Senhor Armando Mendoza, não? — disse Betty, com a voz formal e distante.
Armando travou o maxilar, fechando a cara na hora. Em todo o tempo em que se conheciam, desde que ela era uma menininha correndo pelos campos de algodão, ela nunca, jamais, o havia chamado de "Senhor Armando". Aquilo soou como um tapa no orgulho do caubói.
— Que bom que veio, Betty! Todo mundo na faculdade anda perguntando de você pelos corredores! Vai voltar a estudar com a gente este semestre? — perguntou Aura Maria.
-Gostaria, mas infelizmente não posso. Minha mãe está dodói e a escolinha não posso deixá-la abandonada, os alunos precisam de mim.— Tem certeza que é só por isso que você está com essa cara de quem chorou a noite toda? — perguntou Aura Maria, astuta, olhando de relance para Armando.
— Sim. É só cansaço da viagem.
— Hum... Podemos falar a sós ali no arquivo?
— Sim, claro.
— Se o senhor quiser um café enquanto espera, Seu Armando, temos uma máquina aqui no canto — ofereceu Aura Maria, com o seu jeito coquete.
— Não, grato — respondeu ele, de braços cruzados, a aura pesada.
— Tem chocolate quente também... Daquele bem tradicional, com queijo santa-ferreño legítimo dentro! Oh, uma delícia para espantar o frio da Capital!
— Creio que prefiro este, então — cedeu ele, sentando-se no sofá de recepção.
Aura Maria pediu para uma das copeiras trazerem o chocolate fumegante. Deixaram Armando ali, bufando no sofá enquanto pescava os pedaços de queijo derretido no fundo da caneca à moda colombiana, e as duas correram para o corredor dos fundos para fofocar.
— O que está acontecendo entre vocês duas, Betty? Você está fria feito uma pedra de gelo com o seu caubói! — disparou Aura Maria.
— Ele nunca foi e nunca será o meu caubói, Aura Maria! — Betty desabafou, sentindo os olhos marejarem de novo.
— Eu nunca te vi desanimada assim. O que houve?
— O que houve é que eu vivi um sonho bobo. Mas acabou.
— As coisas andam ruins entre vocês na fazenda?
— Na verdade... eu achei que estavam boas. Eu fiz parte do que você me aconselhou a fazer lá na roça. Eu tomei a iniciativa e o beijei no celeiro.
— Hum... E ele? Correspondeu?
— Retribuiu com muita força. Depois me deu uma bronca dizendo que eu era uma menina, mas outro dia nós nos escondemos e eu o beijei de novo.
— Estou gostando de ver! É assim que se faz!
— Depois disso... nós começamos a nos beijar quase todos os dias, escondidos atrás das plantações de café.
— Êeee... E qual o problema então, criatura?
— O problema é que, mesmo me beijando daquele jeito selvagem, ele continuava mantendo o noivado com a Dona Marcela Valência.
— Mas e as outras mulheres da rumba?
— Com as outras ele parecia ter parado. Até deu um fora daqueles na professorinha nova do vilarejo. Ao menos pelo que eu sabia... até ontem, ele não andava com mais ninguém além de mim e da noiva.
— Isto já é um excelente sinal, Betty! Mostra que você tem poder sobre ele. O ideal agora é tirar essa tal de Marcela do caminho de uma vez.
— A Marcela não me preocupa tanto, Aura Maria. Eu sei que ele não gosta dela, que é um casamento por obrigação. Ai... o problema de verdade é que o Armando é um homem muito fogoso, muito ardente.
— Ui! E desde quando isso é um problema, minha amiga? — riu a recepcionista.
— É um problema crônico quando eu não tenho experiência alguma de vida!
— Espera aí... Quer dizer que vocês ainda não fizeram "coisinhas" debaixo do feno?
— Eu queria! Eu tentei me entregar ontem à noite no quarto do hotel! Mas ele me resistiu. Me empurrou para o lado.
— Ele resistiu a você? Então ele não é fogoso coisa nenhuma!
— É sim, Aura Maria! Só que com as outras mulheres! Comigo ele paga de santo!
— Aí eu já não estou entendendo mais nada, Betty!
— Ele me empurrou e disse que eu sou uma menininha pura, que não é justo que eu comece a minha vida íntima justo com um homem rodado como ele. Disse que eu mereço um cavalheiro que me ame, que seja só meu, e que ele precisa se casar com a Marcela ou a família dele estará arruinada.
— Ai, amiga... Você tinha que ter insistido mais, usado as armas que a Camila comprou!
— Eu fiz tudo o que eu sabia e o que a minha inexperiência permitia! Mas... eu tinha tanta ilusão com essa viagem para a Capital... Eu achei que no hotel nós ficaríamos juntos de verdade. Só que ontem... ontem ele me botou para fora do quarto dizendo que ia dormir cedo por causa do cansaço... e depois saiu escondido de farra com o Freddy e o Wilson, aqueles peões sem vergonha da fazenda!
— Ai, não, Betty... Não me diga.
— E eu sei muito bem que ele não foi só beber na birosca, Aura Maria! Ele voltou quase ao amanhecer, todo desalinhado, com cheiro de rumba, perfume barato e marcas de beijo! Ai, que ódio do Armando Mendoza! No mínimo ele foi parar naqueles prostíbulos de luxo da cidade!
— Se ele chegou nesse estado na madrugada... infelizmente você tem razão. Mas o que você pretende fazer agora?
— Não sei. Só sei que tenho que arrancá-lo da minha mente. Tenho que esquecê-lo de uma vez por todas!
— E vai desistir do seu caubói assim tão fácil? Você não me dizia que era louca por ele desde que era uma menininha desajeitada?
— E até jurei para mim mesma que ele seria meu! Mas a verdade bateu na minha cara ontem. Um homem depravado como o Mendoza nunca será de uma mulher só, ainda mais de uma menina caipira como eu. Mesmo que eu consiga levá-lo para a cama um dia, eu jamais prenderia o coração dele. O Armando não tem dona! Veja a noiva dele... no fundo, eu tenho até pena da Marcela Valência.— Tem certeza que é só por isso que você está com essa cara de quem chorou a noite toda? — perguntou Aura Maria, astuta, olhando de relance para Armando.
— Sim. É só cansaço da viagem.
— Hum... Podemos falar a sós ali no arquivo?
— Sim, claro.
— Se o senhor quiser um café enquanto espera, Seu Armando, temos uma máquina aqui no canto — ofereceu Aura Maria, com o seu jeito coquete.
— Não, grato — respondeu ele, de braços cruzados, a aura pesada.
— Tem chocolate quente também... Daquele bem tradicional, com queijo santa-ferreño legítimo dentro! Oh, uma delícia para espantar o frio da Capital!
— Creio que prefiro este, então — cedeu ele, sentando-se no sofá de recepção.
Aura Maria pediu para uma das copeiras trazerem o chocolate fumegante. Deixaram Armando ali, bufando no sofá enquanto pescava os pedaços de queijo derretido no fundo da caneca à moda colombiana, e as duas correram para o corredor dos fundos para fofocar.
— O que está acontecendo entre vocês duas, Betty? Você está fria feito uma pedra de gelo com o seu caubói! — disparou Aura Maria.
— Ele nunca foi e nunca será o meu caubói, Aura Maria! — Betty desabafou, sentindo os olhos marejarem de novo.
— Eu nunca te vi desanimada assim. O que houve?
— O que houve é que eu vivi um sonho bobo. Mas acabou.
— As coisas andam ruins entre vocês na fazenda?
— Na verdade... eu achei que estavam boas. Eu fiz parte do que você me aconselhou a fazer lá na roça. Eu tomei a iniciativa e o beijei no celeiro.
— Hum... E ele? Correspondeu?
— Retribuiu com muita força. Depois me deu uma bronca dizendo que eu era uma menina, mas outro dia nós nos escondemos e eu o beijei de novo.
— Estou gostando de ver! É assim que se faz!
— Depois disso... nós começamos a nos beijar quase todos os dias, escondidos atrás das plantações de café.
— Êeee... E qual o problema então, criatura?
— O problema é que, mesmo me beijando daquele jeito selvagem, ele continuava mantendo o noivado com a Dona Marcela Valência.
— Mas e as outras mulheres da rumba?
— Com as outras ele parecia ter parado. Até deu um fora daqueles na professorinha nova do vilarejo. Ao menos pelo que eu sabia... até ontem, ele não andava com mais ninguém além de mim e da noiva.
— Isto já é um excelente sinal, Betty! Mostra que você tem poder sobre ele. O ideal agora é tirar essa tal de Marcela do caminho de uma vez.
— A Marcela não me preocupa tanto, Aura Maria. Eu sei que ele não gosta dela, que é um casamento por obrigação. Ai... o problema de verdade é que o Armando é um homem muito fogoso, muito ardente.
— Ui! E desde quando isso é um problema, minha amiga? — riu a recepcionista.
— É um problema crônico quando eu não tenho experiência alguma de vida!
— Espera aí... Quer dizer que vocês ainda não fizeram "coisinhas" debaixo do feno?
— Eu queria! Eu tentei me entregar ontem à noite no quarto do hotel! Mas ele me resistiu. Me empurrou para o lado.
— Ele resistiu a você? Então ele não é fogoso coisa nenhuma!
— É sim, Aura Maria! Só que com as outras mulheres! Comigo ele paga de santo!
— Aí eu já não estou entendendo mais nada, Betty!
— Ele me empurrou e disse que eu sou uma menininha pura, que não é justo que eu comece a minha vida íntima justo com um homem rodado como ele. Disse que eu mereço um cavalheiro que me ame, que seja só meu, e que ele precisa se casar com a Marcela ou a família dele estará arruinada.
— Ai, amiga... Você tinha que ter insistido mais, usado as armas que a Camila comprou!
— Eu fiz tudo o que eu sabia e o que a minha inexperiência permitia! Mas... eu tinha tanta ilusão com essa viagem para a Capital... Eu achei que no hotel nós ficaríamos juntos de verdade. Só que ontem... ontem ele me botou para fora do quarto dizendo que ia dormir cedo por causa do cansaço... e depois saiu escondido de farra com o Freddy e o Wilson, aqueles peões sem vergonha da fazenda!
— Ai, não, Betty... Não me diga.
— E eu sei muito bem que ele não foi só beber na birosca, Aura Maria! Ele voltou quase ao amanhecer, todo desalinhado, com cheiro de rumba, perfume barato e marcas de beijo! Ai, que ódio do Armando Mendoza! No mínimo ele foi parar naqueles prostíbulos de luxo da cidade!
— Se ele chegou nesse estado na madrugada... infelizmente você tem razão. Mas o que você pretende fazer agora?
— Não sei. Só sei que tenho que arrancá-lo da minha mente. Tenho que esquecê-lo de uma vez por todas!
— E vai desistir do seu caubói assim tão fácil? Você não me dizia que era louca por ele desde que era uma menininha desajeitada?
— E até jurei para mim mesma que ele seria meu! Mas a verdade bateu na minha cara ontem. Um homem depravado como o Mendoza nunca será de uma mulher só, ainda mais de uma menina caipira como eu. Mesmo que eu consiga levá-lo para a cama um dia, eu jamais prenderia o coração dele. O Armando não tem dona! Veja a noiva dele... no fundo, eu tenho até pena da Marcela Valência.
-Eu não. Pelo pouco que conheci.
-Ela é arrogante e tudo, mas o ama e acha que ele será dela apenas por um casamento forçado, mas nunca será! Ele pode estar com ela, mas seu corpo sempre estará com as outras.
-Mas ao menos desfruta.
-Sim, mas... jamais conseguiria nem o que terá. Ele não se casaria comigo e se casar com ela vai ser pela fazenda e dinheiro, e é o que não tenho. OJojo!
-E se tivesse?
-Não seria capaz de obrigar um homem a casar-se comigo por isso!
-Se é que vai se casar com ela só pela fazenda? Ele não tem dinheiro?
-Tem. -Betty percebeu que falou demais -Melhor deixar esta história para lá! Tenho que arrancar de minha mente e meu coração Armando Mendoza!
-Ai amiga, o único jeito é se apaixonando por outro.
-Vai ser difícil, mas...
-E já pode começar. Desde que foi para a roça a turma do Román não para de perguntar de você!
-Ai, Aura Maria que ideia! Não os suporto!
-Eu sei, mas para ver como está requisitada. E não foi só eles que perguntaram, mas também um certo francês.
-Michel.
-Ele mesmo! Queria até saber seu endereço para ir atrás de você.
-E você não deu, não é?
-Claro que não! Mas ele anda perguntando para mim e dona Catalina. Ai, Betty ele é tão divino e já que quer esquecer o caubói, por que não dá uma chance?
-Disse que quero esquecê-lo, mas não sei se vou conseguir. E não quero magoar Michel.
-Ai, Betty é só ser franca com ele, dizer que gosta de outra pessoa, mas que pode dar uma chance. Ai, vai amiga. Vocês ficariam lindos juntos.
-Não sei, ainda mais vai demorar para que eu volte para a Capital e como vamos namorar à distância?
-Deve falar isso para ele também. Quer que eu ligue para ele?
-De jeito nenhum. Não vou ficar muito tempo, hoje ou no máximo amanhã vou embora!
-Tão rápido! Nem vamos matar a saudade. Hoje, combinei de sair com as meninas para caçar rapazes, poderia vir conosco. Ah, vamos Betty! Elas já devem estar sabendo que está aqui, sabe como é a fofoca nos corredores da faculdade! E vão ficar tristes se não sair conosco!
-Está bem! Se o senhor Armando aceitar que fiquemos mais um dia na cidade, porque vim com ele.
-Está bem. Fale com ele. E vamos ver as meninas.
_____________
Não foi necessário irem ver as meninas, pois Marina e Sandra já estavam na recepção, não só por saberem da visita de Betty, mas por conta da visita de Michel. Michel já não era mais aluno do intercâmbio, trabalhava em uma escola de idioma e frequentemente prestava serviço para a faculdade. Depois passava por Aura Maria para saber se a recepcionista sabia de alguma coisa. E desta vez teve sorte.
-Aura Maria! Betty! Já sabíamos que estava aqui e olha só quem veio!
-Bonjour, Betty!
-Michel!
-Betty, que bom revê-la! Não imagina como estava com saudade! -disse abraçando-a.
-Ulalá!
-Se um papito desses me abraça assim desmaio na hora.
-Em seus braços.
-Estávamos exatamente falando de você, Michel. -disse Aura Maria
-Ah isto muito me alegra. O que falavam de mim?
-Aura Maria!
-Ah é verdade, Betty!
-Hoje é a noite iremos sair. Vai vir conosco, não, Betty? -perguntou Mari
-Ai, Mari, não sei, não depende de mim.
-Como não? Que estresse!
-Acaso está casada ou o quê? -perguntou Sandra
-Casada? Imagina me casar. É que não vim sozinha.
-Hum...
-Quem é triplepapito?
-Não é o que estão pensando! Como sabem estou passando um tempo na fazenda que meus pais trabalham e o meu... digo, o filho do patrão de meus chefes me trouxe para visitá-los e resolver assuntos na capital. Depende que ele permita.
-Ah, mas temos que colocar em dia. Peça para ele. Não pode voltar já.
-Fico triste que tenha que voltar tão logo, mon chèrie! -disse Michel, beijando a mão dela.
-Ora, Michel, por que não vem conosco? Assim poderá conhecer melhor a noite bogotana acompanhado de belas senhoritas como nós.
-Será um prazer!
-Ai Betty! Melhor que ligue para seu patrão e peça para dar mais uns dias!
Aura Maria fez sinal.
-Na verdade, ele está aqui.
Armando sentando no confortável sofá da recepção ouvia suas amigas se entusiasmarem com a visita de Betty e todo o entusiasmo baboso de Michel para cima dela.
-Este é Seu Armando, filho do dono da fazenda onde meus pais trabalham.
Armando se levantou e as meninas abriram caminho para ver aquele homem forte e enorme com sua camisa quadriculada com dois botões abertos que revelavam parte de seu peitoral. Seus bíceps, mesmo cobertos pela manga da camisa destacavam-se. Era a figura de um homem forte, alto, viril, rústico, que mesmo arrumado contrapunha-se à elegância europeia de Michel. Sandra se abanou.
"Que homem!"
Mariana pouco se abalou. A única que sabia que Betty babava por ele era Aura Maria e já havia marcado que era proibido, mesmo que Betty dissesse que queria esquecê-lo. Era o homem da amiga. Sabia que um amor não se esquecia assim, por isso, procurava não se apaixonar.
-Muito prazer!
-Estava falando com minhas amigas. Creio que é melhor que o senhor volte para a fazenda hoje.
-Realmente é necessário!
-Eu sei, mas ainda não visitei o Tio Lázaro e as meninas estão com saudade de sairmos. Mas o senhor pode voltar!
-De jeito nenhum! Seu pai só deixou que viesse à cidade para buscar o remédio de sua mãe e ver seu tio! Como vai permitir que fique na cidade sozinha?
-Ai ainda está nessa de obedecer a seu pai?
-Eu vou ficar!
-Pode ficar em minha casa, Betty. Onde está hospedada? -perguntou Mari
-Em um hotel.
-Já sou maior de idade, seu Armando, irei ficar com minhas amigas.
-E poderemos sair esta noite.
-Se ficar, será um prazer acompanhá-las.
-E você quem é?
-Michel Doinel, amigo de Betty. E das meninas, claro. -disse oferecendo a mão a ele.
Armando franziu a testa. Olhou Michel de cima abaixo. O homem era do tipo da cidade, refinado, um homem como Betty merecia, sendo tão doce e delicada.
"Certamente um sedutor que se aproveita de seus modos para educadamente aproveitar de jovens indefesas como Betty!" -pensou consigo mesmo
Armando muito a contragosto, retribuiu o gesto, apertando com força a mão do francês, a ponto de doer.
-Ai. -suspirou Sandra — Pode vir também. -disse para Armando.
Aura Maria tentou remediar, mas o convite estava feito.
-Pensando bem, vou ficar. Ainda temos que ir a seu tio Lázaro.
Betty não acreditou, Armando ficaria mais uns dias na cidade, só por causa dela. Antes, isto lhe iria deixar feliz, mas agora não. Estava ali para vigiá-la, por conta da saída com as amigas, por causa de Michel, para controlá-la. Para quê? Se não a queria, se ia de farra com seus amigos. Por que ela não podia se divertir?
-Seu Armando, quero falar a sós. -disse puxando-o pelo braço
Enquanto, Aura Maria e Mari puxaram Sandra, deixando Michel sozinho na recepção
-Você não devia tê-lo convidado, Sandra!
-Ora, mas por quê?
-Estamos indo para nos divertir.
-Para caçar!
-Não convém irmos já acompanhadas.
-Vocês convidaram o Michel.
-É diferente.
-É um bombom francês e eu convidei este exemplar másculo de nossa terra. Fiz mal?
-Ai, você não entende!
-Disse que eu deveria ser mais atirada, e resolvi convidá-lo. Não entendo o que fiz de mal. -disse Sandra.
-Nem posso te falar. -disse Aura Maria
-É que se vamos aprender a caçar não deveríamos levar a caça. -disse Mariana
-Isso. Ia ensinar as manhas para vocês, mas já vão levar a carne. -disse Aura Maria
-Ah, melhor garantir. Ou o homem que Betty trouxe não é um bombonzão como diz?
-Um bombomzaço! Apesar de não ser meu tipo. -disse Mari
As três riram. Voltando para a recepção para fazer companhia a Michel
-Por que você aceitou o convite?
-Acaso atrapalho algum planinho com o estrangeiro?
-O senhor não tem compromissos na fazenda?
-Por que está me tratando assim?
-Porque meu pai tem razão, devo manter a distância. O senhor é filho do patrão dele.
-Sempre fomos amigos.
-Sabe que não quero só amizade.
-Isto é por ontem não é?
-Não sei, será?
-Betty.
-Me largue. -sentia a pele queimar ao contato dele.
-Melhor que volte hoje para a fazenda. Precisam do senhor lá mais que aqui. Tem sua professorinha, a noiva e as camponesas, todas com saudades.
-Que fiquem! Eu vou ficar aqui. Não pense que vai ficar sozinha na cidade, não senhora!
-Não estarei sozinha, estarei com minhas amigas.
-E seu amiguinho.
-Não é problema seu.
-Não sabia que estava tão internacional assim.
-Se o senhor quer ficar, que fique!
-Viemos juntos e vamos voltar juntos, estou aqui para cuidá-la!
-Está bem, voltemos juntos. Mas não ouse aceitar o convite de Sandra.
-Por quê? Fui convidado. Ou não quer ser visto com um caipira como eu e sim com seu francês?
-Quem sabe? Melhor que vá encontrar seus amigos com as damas para passar suas noitadas de prazer.
-Eu irei contigo e suas amigas.
-Me deixa em paz, seu Armando!
-Estou aqui para cuidá-la. E vou sim com vocês!
Betty saiu bufando. Não havia como demovê-lo de acompanhá-la.
_____
Assim, à noite, Aura Maria, Sandra e Mariana foram ao bar que a primeira costumava caçar e Armando levou Betty e Freddy.
-Está particularmente bela.
-Mas não para o senhor.
-Agora, quer ser uma iguaria francesa?
Ela ia lhe dar um tapa, mas ele segurou sua mão.
-Está bela, Betty.
-Sou apenas uma menininha idiota para você.
-Só quero protegê-la, não merece um tipo como eu.
-Eu sou crescida para decidir o que quero. Mas aceito. Se o senhor não quer, que me deixe levar minha vida.
-Não, quer dizer...
-O senhor não sabe o que quer.
-Quero...
-Não quero ser só sua amiga!
Ele a solta.
Ao saber que iriam encontrar Aura Maria, Freddy se animou e resolveu ir. Não havia esquecido da bela e sedutora mulher da cidade, a qual amou ao ar livre nos campos da fazenda, como disse. Wilson também resolveu ir.
Betty estaria mais que vigiada e se a intenção das meninas era caçar, já estavam indo com a refeição pronta.
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