Casamento por obrigação
12 Capítulo 12
Um pouco mais cedo, naquela mesma manhã, Betty, sem poder conciliar o sono, havia levantado cedo e ido à escola preparar as aulas. Depois de um tempo chegou Karina que, torceu o nariz ao vê-la.
—Já estou terminando. –disse Betty
—Como se me importasse!
—Talvez se importe! A primeira aula é sua, não é?
—Sim.
—Então, fica à vontade, isto é se teve tempo de preparar a aula!
—O que pensa que é? Só porque passou algum tempo na cidade se acha melhor que eu?
—Não me acho melhor que ninguém! Só me preparo e me dedico e gosto do que faço! Dedico-me a tudo que me proponho a fazer, asim, me preparo muito para dar aulas...
—Se dedica às aulas pelos alunos ou por Armando?
—Não sei o que quer dizer. -disse Betty, desviando o olhar.
—Será que não? ´-encarando-a -Ou por que ele não se importa com uma fedelha adolescente como você?
—Que eu saiba ele não se importa é com você!
Karina riu debochado.
—Isto mesmo!
—Não viu o que estávamos fazendo aqui nesta mesa?
—Vi. E achei uma baixaria fazer isto na escola, mas não podia esperar mais de quem vejo!
—Tem inveja não? Sabe que ele jamais iria ficar assim com uma criança como você!
—Talvez não, pois não tenho interesse, mas pelo que sei tampouco ficaria contigo mais, pois sabe que tipo de mulher é!
—Ora sua!
—Shiu!
Logo, os alunos chegaram e Karina engoliu a raiva.
Quando Armando chegou, Betty já estava dando aulas. Ele se tranquilizou, temia muito as reações das duas. sobretudo, que Karina maltratasse Beatriz, estava acostumado a protegê-la e sabia que a ex vivia provocando-la com bobagens, como se Betty pudesse ter ciúmes dele que era como um irmão mais velho para ela na cabeça dele).
No intervalo, ele vai atrás dela.
—Fui até sua casa buscá-la, mas já tinha saído.
—Tinha aulas para preparar e vim mais cedo.
—Podia ter me avisado.
—Para quê?
—Beatriz, somos amigos! Sempre fomos!
—As coisas mudam, professor Armando, o senhor não é mais o mesmo! –disse olhando Karina que olhava com cara de raiva para ela. –Sua namoradinha está com muita raiva, é melhor que deixe de falar comigo.
—Jamais deixaria de falar contigo! Quanto à Karina, apenas continua aqui na qualidade de professora, não temos mais nada!
—Mas parece que ela não entendeu.
—O que quer dizer?
Karina se aproxima deles com cara de poucos amigos e Betty se afasta.
Após terminar as aulas, Betty pega seus livros e vai para casa.
Mas não queria chegar em casa tão cedo e ter que aguentar a cantilena de seu pai, assim que resolveu dar uma volta pela fazenda. Estava um dia de muito calor, assim que não podia resistir á tentação de tomar um banho no rio.
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Betty olhou para os lados. Não havia ninguém ali. Assim que soltou seus longos cabelos da fita, deixando-os cair sobre os ombros. Tirou o vestido, ficando só com a camiseta, sutiã e shortinho que usava por cima da calcinha. O suficiente para tomar um banho refrescante de rio.
Estava de olhos fechados flutuando sobre as águas. Pensava em Armando, imagina que tomavam banho de rio, quando uma voz grave interrompeu seus pensamentos.
—Olha só o que temos aqui! -disse uma voz masculina
—Não sabia que os empregados também podiam ter certas regalias! –disse Marcela –Lógico que isto tudo vai acabar quando eu for a dona!
—Não aja assim, Marcela. Sabe que Beatriz nunca foi uma empregada para os Mendoza! –disse Daniel, lançando olhares para Betty, que se cobria, colocando o vestido molhado.
—Você é muito petulante! O que pensa que é? -perguntou Marcela
Betty nada falava pois estava assustada, não esperava que alguém a flagrasse ali, ainda mais os Valência. Só desejava que Armando estivesse ali para defendê-la.
—Não vai me responder?
—Marcela! Deixe Beatriz em paz! Não fez nada demais! Quem não tomaria um banho refrescante no rio neste calor?
“Daniel Valência a estava defendendo? Desde quando?”
-Confesso que eu mesmo me atreveria a tomar este banho junto com ela!
—Ora, Daniel!
—Isto não vai ficar assim! Vou falar à Margarida e vai contar a seus pais! –disse com maldade.
—Dona Marcela, por favor.
—Deixe, Beatriz! Marcelinha não vai falar nada. Não fez nada demais, hein?
—Como não vou falar?
—Deixe comigo, Beatriz! Eu vou falar com Marcela! Ouviu, Marcela, não vai falar nada. –disse se afastando de Betty e pegando Marcela pelo braço.
—Vou falar assim! Sabe que odeio esta menina desde que era horrorosa! E ainda mais agora que voltou arrumaDINHA e está trabalhando com Armando na escola!
—Do seu noivo cuide você! De Beatriz cuido eu!
—Está interessado nesta... nesta... Que nojo, Daniel!
—Ela está bem interessante!
—É uma fedelha!
—Isto a torna ainda mais interessante! Posso sentir! Sabe que gosto de meninas assim!
—Quer dizer que teria algo com ela?
—Algo sério? Nunca!
—Ufa!
—Não . sério não. Mas... sabe do que gosto. Ela tem algo que me atrai!
—Não pode ter nada que atraia um homem como você!
—Sim, é virgem. Gosto de descobrir, de ser o primeiro!
—Está querendo dizer que...
—Deixe-a em paz que tenho propósitos para ela!
—Posso fazer isto por você agora, mas depois de me casar com Armando, muitas coisas vão mudar!
—Se casares com Armando, irmãzinha não creio que Beatriz ainda esteja aqui, mas se ainda estiver pouco me importa o que fará com ela, até lá já vou... Estamos conversados!
Assim, Marcela engoliu sua raiva.
—Ela não vai falar nada, te disse. –disse Daniel dando o braço à Betty, que não teve outra opção que aceitar já que Daniel estava sendo gentil com ela.
Os três foram em direção à casa dos Mendoza, pois Marcela estava ansiosa para ver Armando como deixou bem claro durante a conversa no caminho. Betty estava que se explodia de ciúmes. Só queria chegar no sofá da casa de seus pais e torcer que seu pai não estivesse para aguentar a cantilena.
—Não vai entrar? –perguntar Daniel
—Não tenho muita coisa para fazer em casa.
—Não está mais morando aqui com os Mendoza?
—Não. Voltei para a casa de meus pais!
—Ao menos se deu conta de onde é seu lugar!
—Neste caso, te levo a sua casa! –ofereceu-se Daniel.
—Não precisa se incomodar, Senhor Valência!
—Senhor Valência é meu pai!
—Desculpe, seu Daniel!
—Para que tanto formalismo?
—Ela sabe qual é seu lugar, Daniel!
-No momento seu lugar é aqui ao meu lado. Sente frio? -disse Daniel, tirando seu colete para colocar sobre os ombros dela.
Não era cavaleirismo e sim interesse.
Neste momento, Margarida saiu de casa e ao encontrar Beatriz a abraçou, para raiva de Marcela. Era evidente que a futura sogra tinha carinho pela moça.
—Entre, Beatriz! Estava com saudades!
—Melhor não, dona Margarida! Meus pais me esperam.
—Por favor, Beatriz!
—Sim, Beatriz! –pediu Daniel. –segurando a mão dela.
Neste momento chegou Armando.
—O que está acontecendo aqui?_____
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