Casamento de Julho
1 Prólogo
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VII – CASAMENTO DE JULHO
PRÓLOGO
Elena estava atrasada. Terrivelmente atrasada. Não que ela estivesse animada para conhecer o novo namorado da mãe depois que a mulher decidiu de uma hora para outra viajar a Las Vegas. O grande problema não foi Isobel ter ido viajar com o namorado desconhecido, ainda que isso já fosse desesperador para Elena. O que realmente deixou a jovem furiosa foi descobrir sobre a viagem somente quando ela estava lá.
Era por ações inconsequentes como essas que Elena sentia que na verdade ela era a mãe e não o contrário. Mesmo amando Isobel, a jovem às vezes gostaria que a mulher fosse um pouco mais pé no chão. Não que Isobel fosse uma péssima mãe. Pelo contrário, sempre cuidou muito bem de Elena e trabalhou duro para sustentar as duas e ainda superar as perdas do marido e da irmã, que eram suas bases. Elena sabia que não foi fácil para Isobel lidar com tudo e ainda cuidar da filha entrando na adolescência.
Ainda era impressionante pensar em como a mãe deu a volta por cima, superou todas as dívidas e dificuldades com um sorriso amoroso no rosto. Elena tem muito orgulho da mulher forte que é sua mãe, no entanto, se ela pudesse mudar alguma coisa em Isobel, com certeza seria o dedo podre de sua mãe para escolher namorados. Desde a morte de seu pai, Elena tem assistido a mãe entrar em diversos relacionamentos terríveis com homens detestáveis. O último, inclusive, roubou todo o dinheiro de Isobel, fez uma dívida gigantesca com o nome dela e por muito pouco elas não passaram fome.
Para não perder o ateliê da mãe, que era a principal fonte de renda das duas, Elena passou a procurar emprego e teve que largar a faculdade de medicina dos sonhos. Sua família de coração ainda tentou ajudá-las, mas se tinha uma coisa que mãe e filha tinham em comum era o orgulho. Não importava o quão difícil a situação estivesse, elas se recusavam a pedir ajuda.
Foi então que Clint Barton, seu tio de coração e um dos grandes amigos de sua mãe ofereceu a chance de Elena ganhar um bom dinheiro fazendo uma das coisas que mais ama fazer: dançar. Ela prontamente aceitou. Com o salário que ganhava ao ser garçonete e dançarina da maior casa burlesca da cidade, Elena conseguia pagar as dívidas da mãe e ainda ajudar a colocar comida dentro de casa.
Depois dessa terrível experiência, a jovem tinha esperanças de a mãe ter aprendido a lição sobre entregar seu coração tão facilmente a homens de sorrisos bonitos e cantadas baratas. Mas para a infelicidade de Elena, lá estava ela, esbarrando em diversos desconhecidos, depois de ter estacionado o carro distante, enquanto seguia para o luxuoso restaurante onde a mãe havia marcado para almoçarem e apresentar formalmente o novo Don Juan que Isobel conheceu há dois meses e que tem escondido devotamente de Elena desde que começaram a namorar.
Para a sua sorte, o elevador do prédio comercial chega ao térreo no momento em que ela entrou na luxuosa construção. Elena respira fundo e passa as mãos pela saia do vestido, tentando se recompor. Ela escuta uma voz masculina gritar para que segurassem o elevador. A jovem olha para frente e ver a imagem da última pessoa no mundo que ela gostaria de encontrar naquele momento. Instintivamente, ela aperta o botão para fechar as portas, freneticamente, e sorri aliviada quando consegue escapar nos últimos segundos.
Elena ainda escuta um grito frustrado e batidas nas portas antes do elevador seguir para o último andar do prédio, onde se encontrava o mais luxuoso restaurante da cidade. Ela não consegue evitar um sorriso satisfeito em seus lábios ao imaginar a expressão frustrada de Damon Salvatore a ser deixado para trás. Assim como ela, o rapaz odiava chegar atrasado. E pela forma como ele correu para pegar o elevador, ela sabia que tinha destruído as chances de Damon chegar a tempo em seu compromisso. Elena sabia que era errado, mas era bastante satisfatório ver o irritante rapaz irritado.
Damon é a personificação de tudo o que Elena abomina. Um brutamonte de quase um e oitenta de altura, olhos azuis maliciosos, língua ferina e um verdadeiro cafajeste, que coleciona uma gigantesca lista de mulheres com quem já dormiu. Para a infelicidade da garota, eles se conhecem desde que eram crianças. Sendo membros da família Barton e tendo inúmeros amigos em comum, onde quer que tivesse uma reunião de família, eles sempre acabavam se esbarrando. Não era segredo para ninguém que eles se odiavam e que passavam mais tempo se provocando do que agindo como os dois adultos responsáveis que eles deveriam ser.
Assim que as portas do elevador se abrem de frente para a entrada do luxuoso restaurante, Elena respira fundo e se aproxima da hostess que sorri educada.
— Boa tarde. Eu irei almoçar com Isobel Flemming. Creio que ela já esteja na mesa com seu acompanhante. — Informa Elena a hostess do luxuoso restaurante.
— Um instante, por favor. — Pede a funcionária do restaurante, encarando a tela do computador. Ao encontrar o nome de Isobel, a hostess sorri e encara Elena. — Eles estão na mesa sete. Me acompanhe, por favor.
Elena estremece ao ouvir o número ser proferido pela mulher. Supersticiosa, a garota nunca gostou do número sete. Os piores acontecimentos da sua vida sempre envolveram esse número. Começando por seu pai, que morreu no dia sete de julho de dois mil e sete, às sete horas e sete minutos. Desde então, o número passou a ser um presságio de que algo muito ruim para acontecer em sua vida.
Tentando afastar a insegurança e os pensamentos negativos, ela passa a prestar atenção na hostess que a guiava pelas mesas do lugar. O restaurante era extremamente refinado. A vista da cidade pelas janelas que rodeavam o local era de tirar o fôlego. Elena respira fundo e não demora a reconhecer a mãe, que acenava animada para a filha. O namorado da mãe estava virado de costas para ela e Elena tem a impressão de que aquele cabelo castanho claro e os ombros largos do homem eram familiar.
Isobel se levanta com um sorriso ansioso e corre até a filha, antes que a hostess anunciasse a presença da jovem. Sentindo saudades da mãe, Elena corresponde ao abraço com a mesma intensidade. Mesmo com personalidades tão distintas, elas eram grudadas uma na outra, como melhores amigas. Então havia sido muito difícil para Isobel passar tanto tempo longe da filha.
— Eu senti saudades. — Sussurra a mulher no ouvido de Elena, que a aperta mais contra si.
— Eu também senti. — Confessa Elena, afastando a mãe. A jovem lança um olhar repreendedor para a mãe, que se encolhe, envergonhada. Elena bufa e dá um tapa no braço da mulher. — Como pôde viajar para Las Vegas com um desconhecido por uma semana sem me dizer nada?
— Desculpa, Leninha. Eu sabia que você não me deixaria ir, então preferi ir primeiro e depois avisar. — Responde Isobel, encarando a filha com os olhos pidões. Elena revira os olhos e suspira. — Eu prometo que essa é a última vez que faço isso.
— Além dos mais, ela não viajou com um desconhecido. — Anuncia o homem, que estava sentado de costas para Elena. Ele se levanta e finalmente revela seu rosto, surpreendendo a garota, que arfa e arregala os olhos.
— Tio Giuseppe? — Sussurra Elena, incrédula. Ela alterna o olhar entre a mãe e o homem por quem ela sentia um grande carinho. — Vocês... você é o... Oh, Deus!
— Elena Gilbert! — A voz de Damon ecoa furiosa pelo salão do restaurante. Elena se vira para encarar seu maior e mais antigo inimigo, esquecendo momentaneamente sobre o relacionamento da mãe. — Você vai me pagar! Como pôde fechar a porta do elevador quando eu claramente pedi para que segurasse?
— O que? Eu? Como pode me acusar assim sem provas? — Ironiza Elena, apenas pelo gostinho de ver o rosto de Damon assumir a coloração avermelhada de raiva.
— Deixa de ser cínica, garota! Eu vi você apertando freneticamente o botão do elevador para que ele fechasse e me deixasse para trás. — Esbraveja Damon, furioso.
— Eu não me lembro de ter visto você. — Responde Elena, dando de ombros. Ela estava adorando ver o estado descontrolado de Damon.
— Não pense que isso vai ficar assim. Eu vou... — Damon começa a se aproximar de Elena, mas para ao notar a presença de Isobel Flemming. — Tia Isobel?
— Damon, querido! — Isobel corre até o rapaz e o abraça apertado. Ignorando Elena e sua evidente insatisfação com a cena, Damon corresponde ao abraço com intensidade. Eles se afastam e Isobel puxa o rosto do jovem, que se abaixa para receber o beijo na testa. Isobel acaricia o rosto de Damon com carinho. — Como pode você ter crescido tanto e continuar o mesmo garoto de olhos doces?
— E não importa quantos anos passem, você continua sendo a mulher mais bonita e elegante que eu conheço. — Fala Damon em tom galanteador, fazendo Isobel ri e abraçar o garoto mais uma vez.
— Algumas coisas nunca mudam. — Comenta Isobel com o tom de voz nostálgico.
— É. Tipo a Elena continuar a mesma garota irritante, que ninguém se sentava perto por ser piolhenta demais. — Provoca Damon, lançando um sorriso convencido ao lembrar uma fase da vida de Elena que ela preferia esquecer.
— É. Tipo o Damon continuar sendo a mesma criança de dois anos em idade mental. Quando você vai deixar de ser um moleque e passar a agir como um homem da sua idade? — Retruca Elena com o mesmo tom usado por Damon. Ele se afasta de Isobel e Elena é quem se aproxima dessa vez, pronta para peitar o rapaz.
— Escuta aqui, sua...
— Já chega, Damon. — Giuseppe interrompe o rapaz, surpreendendo-o. Damon desvia o olhar de Elena para o homem.
— Pai? Desde quando você está aqui? — Pergunta Damon, confuso. Nesse instante, Elena se lembra do motivo de estar naquele luxuoso restaurante.
— É melhor nos sentarmos. Já chamamos mais atenção do que deveríamos. — Recomenda Isobel, abraçando Damon e Elena para conduzi-los até a mesa.
Contrariados, os dois jovens se sentam o mais afastados possíveis. Giuseppe observa a cena, sentindo as primeiras pontadas da dor de cabeça que viria. Ele sabia que não seria fácil contar ao filho e a Elena sobre seu relacionamento com Isobel, mas ao ver a reação dos jovens, ele soube que a situação seria muito mais difícil do que ele havia imaginado.
— O que está acontecendo aqui? – Questiona Damon, não querendo acreditar em todos os sinais que a situação apresentava. – Você disse que eu conheceria sua nova futura esposa. Onde ela está?
— Ela está bem aqui. – Responde Giuseppe, passando um dos braços em volta de Isobel, enquanto a mão livre fica por cima da linda mulher.
— O quê? – Sussurra Damon, rindo. – Está bem. Podem sair. Muito engraçado, pessoal. Eu quase cai nessa. Onde estão?
— Damon, querido, o que você está dizendo? – Questiona Isobel com cautela. Sempre se deu bem com o rapaz, mas sabia que por trás de todo aquele corpo grandioso e olhos ferozes havia um jovem sensível de coração gigantesco.
— As câmeras escondidas dessa pegadinha. Onde elas estão? – Continua Damon, olhando em volta. – Vamos lá, pessoal. Apareçam!
— Não há câmeras escondidas. – Afirma Giuseppe e Damon encara o pai com uma expressão indecifrável. – Isobel e eu estamos juntos, filho.
— Então você está me dizendo que passou uma semana em Las Vegas com a tia Isobel? Que a mulher que você tanto escondeu nos últimos meses era ela? – Balbucia Damon e não demora para que ele voltasse a rir. – Isso só pode ser brincadeira. Tem que ser. Quer dizer, isso é...
— Olha para eles, idiota. Por acaso eles parecem estar brincando? Eles estão namorando. – Responde Elena, expondo toda a sua insatisfação. – E resolveram fugir para Las Vegas para ficar brincando de casalzinho.
— Inacreditável. – Resmunga Damon, suspirando inconformado. – Não acham que estão velhos demais para agirem como loucos sem pensar nas consequências?
— Vocês agem como se isso fosse o fim do mundo. – Comenta Isobel, decepcionada com a atitude de Damon e Elena.
— E é. – Afirma a garota, encarando a mãe com repreensão. – Vocês não podem ficar juntos. Não faz sentido algum. Então vamos parar com essa loucura enquanto ainda não fizeram nenhuma besteira.
— Eu não acredito que vou dizer isso, mas concordo com a irritante. Vamos esquecer que essa loucura aconteceu aqui, almoçar e seguir nossas vidas. – Responde Damon, fazendo sinal para que o garçom se aproximasse.
— Nós não estamos pedindo a permissão de vocês. – Responde Giuseppe, apertando a mão da mulher ao seu lado em busca de força. – Esse almoço é apenas para avisá-los sobre o que irá acontecer de agora em diante.
— O que quer dizer com isso, tio Giuseppe? – Pergunta Elena, cautelosa.
— O que ele quer dizer, é que nós duas vamos nos mudar para a casa de Giuseppe e que iremos realizar uma cerimônia de casamento no fim do mês para oficializar nosso casamento. – Fala Isobel, surpreendendo a filha e o enteado.
— Oficializar... – Começa Damon, incrédulo.
— O casamento? – Completa Elena, tão atordoada quanto o rapaz. Ao assimilar o que a mãe havia dito. – Vocês enlouqueceram?! Casamento?
— Vocês só se conhecem há dois meses! Como podem estar falando sobre casamento? – Continua Damon, alternando seu olhar entre o pai e Isobel. Ele bufa e nega, veemente com a cabeça. – Não mesmo! Vocês não vão fazer isso. Essa loucura está indo longe demais.
— Eu já disse que não viemos pedir permissão. – Afirma Giuseppe, tentando não alterar o tom de voz.
— Céus! Isso só pode ser um pesadelo. – Resmunga Damon, batendo o punho contra a mesa.
— Mamãe, por favor. Vamos parar com isso, está bem? – Elena pega na mão da mãe e a encara com um sorriso preocupado. – Nada de casamentos. Pelo menos, não por enquanto. Vocês nem mesmo se conhe...
— Nós já nos casamos, Elena. Em Vegas.
Isobel interrompe a filha, exibindo a aliança em seu dedo anelar da mão esquerda. Giuseppe faz o mesmo, mostrando o anel em seu dedo assim como a esposa. Damon e Elena ofegam sem acreditar.
— A partir de hoje, vocês serão irmãos. – Giuseppe fala, tentando soar animado e tudo o que o casal recebe são os olhares incrédulos de seus filhos. – E então? Não vão nos parabenizar?
Notas finais
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Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646
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