Casamento de Julho
20 Parceria
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VII – CASAMENTO DE JULHO
CAPÍTULO XIX — PARCERIA
O dia estava irritantemente quente e úmido. Em meio ao clima veranil insuportável, o tráfego de pessoas pelas avenidas movimentas da cidade tornavam o ambiente ainda mais exaustivo. No entanto, nada disso parecia ser o suficiente para tirar o sorriso de meu rosto, enquanto eu andava pelas lojas do centro da cidade, em busca de alguma livraria que tivesse os livros que eu irei usar no próximo semestre da faculdade.
Uma semana se passou e eu sentia como se estivesse vivendo em um sonho. Mesmo em meio a brigas e estresses por causa da proximidade com o casamento de nossos pais, dormir e acordar ao lado dele tem sido uma das melhores experiências de minha vida. Aos poucos, eu descobria lados de Damon que nunca imaginei que existisse, ainda que nos conhecêssemos praticamente desde que nascemos. Ele também me fazia revelar lados meus que eu também não conhecia.
Era por isso que eu não conseguia parar de sorrir. Eu nunca me senti me senti tão feliz. Era como se eu tivesse finalmente encontrado o meu lugar. De forma surpreendente, eu já não conseguia mais imaginar meu futuro sem ter Damon incluso em meus planos. Viver essa rotina familiar em casa também despertava desejos que nunca tinham passado pela minha cabeça antes e o mais estranho de tudo isso é que eu gostava dessa pessoa que eu me tornava ao lado dele.
Sorrio com o pensamento. Eu nem mesmo conseguia acreditar em como minha vida tinha mudado nos últimos meses. Bebo um pouco mais do milk-shake de tamanho gigante, observando a intensa movimentação, sem realmente me importar com o vai e vem apressado dos pedestres. Eu me sentia calma e relaxada. E é então que eu ouço o som exagerado de meu celular vindo da bolsa. Sorrio ao ver o nome de Caroline junto a uma foto nossa brilhando na tela.
— Resolveu lembrar que eu existo, traidora? – Provoco ao atender a ligação. – Aposto que está fazendo a festa em Los Angeles.
— Bem que eu queria. Acha mesmo que eu não estaria enviando fotos com os artistas se eu estivesse aproveitando LA? Elena, você e eu conhecemos sua mãe o suficiente para saber que ela me expulsaria daqui se eu usasse o celular em período de expediente. Felizmente, estamos conseguindo adiantar as roupas e acho que estaremos de volta antes do prazo final. – Resmunga Caroline do outro lado da linha. Acabo rindo, enquanto jogo o copo de milk-shake no lixo. – Agora para de ser dramática e me conta como vão as coisas. Quero saber de todos os detalhes desses últimos dias. Eu não acredito que meus melhores amigos começaram a namorar logo quando eu estou há mais de três mil quilômetros de distância. Eu esperei vinte anos por isso e vocês escolhem justo as datas em que eu não estou presente para confessarem o amor de vocês que todo mundo já sabia.
— Não estamos namorando. – Corrijo, sem conseguir segurar o sorriso de felicidade em meu rosto.
— Ai, Elena, você vai mesmo jogar essa para cima de mim? Logo eu que conheço vocês dois desde que éramos crianças? – Ironiza a loira, fazendo com que eu risse ainda mais. – Anda logo. Eu quero saber os detalhes. Vamos aproveitar que eu finalmente tive uma folga para saber mais sobre a sua vida amorosa, já que a minha tem sido inexistente.
— Você é muito fofoqueira. – Comento e ela bufa. Rio mais uma vez e suspiro, sem esconder o quanto eu me sentia feliz. – Ah, Carol. Eu nem sei explicar, sabe? Tudo tem sido como um sonho. É claro que eu sabia que ele era carinhoso. Mesmo quando dizíamos nos odiar, ele sempre teve muito cuidado comigo. Mas agora... ah, agora ele se tornou ainda mais incrível.
— Uau. Olha só para você. Toda apaixonada por Damon Salvatore. Como o mundo dá voltas, não é mesmo? – Brinca a garota, rindo. – Só falta me dizer que vocês pararam de brigar.
— Também não é para tanto. Ainda não estamos no fim do mundo. – Respondo irônica e ela gargalha alto. – Mas a gente diminuiu bastante as brigas. Agora só brigamos umas cinco vezes ao dia e depois de acumular toda a raiva, a gente desconta em sexo de reconciliação. E é realmente incrível.
— Eu imagino. Damon sabe mesmo como satisfazer uma mulher. – Comenta a Caroline, rindo.
— Às vezes eu me esqueço que vocês já transaram. – Resmungo, um pouco desanimada.
— Ai, Elena, desculpa. Eu não devia estar brincando com isso. Desculpa mesmo. Mas não se preocupe. O que houve entre Damon e eu naquela noite foi só coisa do momento. Você sabe que eu se eu pudesse voltar no tempo, eu jamais teria dormido com Damon. – Afirma minha amiga de infância, demonstrando todo o seu arrependimento. Suspiro e encaro o céu limpo de Hawkins. – Eu juro que eu nunca mais vou falar em nada relacionada a isso. Por favor, me desculpa.
— Não precisa se desculpar. Você não fez nada de errado. O problema sou eu. – Confesso, encarando o sinal de trânsito fechado. – Por mais que eu tente, às vezes eu não consigo ignorar o passado de Damon, sabe? Eu sei que não deveria me importar tanto, mas eu não consigo evitar essa insegurança que eu sinto. Toda vez que penso em quantas garotas já passaram na vida dele, eu sinto que... que ele pode me trocar a qualquer momento por uma mulher muito melhor do que eu, porque convenhamos, Damon pode ter quem ele quiser.
— Não seja boba. Ele realmente pode ter qualquer mulher que ele quiser, mas ele escolheu você. A única mulher de todas as centenas com quem ele dormiu que ele quis dormir mais de uma vez e ainda disse que te ama. Damon nunca disse isso a ninguém, Elena. Você é especial para ele e sabe disso. – Caroline expõe a única coisa que me faz ignorar todas as paranoias. – Você é a exceção da regra idiota dele, Elena.
— Eu sei. Eu só... – Antes que eu explicasse sobre a minha insegurança, sou interrompida pelo suspiro alto de Caroline.
- Você só está pensando demais em detalhes que não valem a pena. Você é Elena Gilbert. Damon seria um grande idiota se ousasse te trocar por um rabo de saia qualquer. Você é a mulher mais linda, sexy, inteligente, divertida, determinada, trabalhadora e amiga que eu conheço. Você é uma Barton! Isso por si só já te garante estar muito acima de qualquer outra mulher. Não existe ninguém melhor do que você. — Afirma Caroline com tanta convicção que acabo rindo. — Então para de gastar suas energias com essas paranoias e recupere todo o tempo que perdeu tentando matar Damon fisicamente e o mate de tanto tesão.
— Obrigada. Você é mesmo a melhor. – Agradeço, sentindo-me um pouco melhor. Avisto a livraria e apresso meus passos. – O que seria de mim se não fosse por você?
— Ah, sua vida seria horrível. Você não teria essa pessoa incrivelmente linda, divertida, talentosa e deslumbrante que eu sou. Não são todos que tem a oportunidade única de ter Caroline Elizabeth Forbes. A incrível garota que foi capitã das líderes de torcida do Auradon High School, estudante de honra da escola, líder dos comitês de dança e embelezamento da Auradon, líder do programa de reciclagem e ainda ganhei o título de Miss Auradon em 2012, 2013 e 2014. Você definitivamente tem a melhor amiga do mundo. – Responde a loira com todo aquele tom brincalhão que ela sempre usava quando tentava se vangloriar sobre as suas vitórias no ensino médio.
— E a mais metida tam.... au. – Arfo ao esbarrar com alguém que saia da livraria. Ao levantar o rosto, surpreendo-me ao reconhecer Stefan. Eu não o via desde a última vez que ele e Damon discutiram atrás do Hawkeye, então eu não sabia como reagir com a presença do rapaz.
— Elena? Nossa! Eu sinto muito. Você está bem? – Questiona o rapaz, encarando-me com intensidade.
— Elena? Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa? – Ouço Caroline perguntar preocupada do outro lado da linha. Continuo com os olhos fixos em Stefan que sorri e parecia querer dizer alguma coisa.
— Carol, eu preciso desligar. A gente conversa mais a noite, pode ser? Eu vou estar de folga hoje, então podemos fazer uma chamada de vídeo. – Sugiro, sem desviar o olhar de Stefan.
— Tudo bem. Até de noite. – Despede-se Caroline com a voz desconfiada. Desligo a ligação e dou um sorriso sem graça, sem saber como cumprimentar o rapaz.
— Oi Stefan. Que surpresa te encontrar por aqui. – Comento, um pouco desconfortável com a situação.
— Eu também estou surpreso em te ver. Estava agora mesmo pensando em você. – Revela com um tom levemente sedutor.
— Estava? – Repito, encolhendo-me, enquanto aperto o celular em minha mão e a alça de minha bolsa.
— Sim. — Afirma Stefan, colocando as mãos no bolso. Ele me lança um sorriso lateral e seus olhos me observavam com atenção. Se isso tivesse ocorrido alguns meses atrás, eu provavelmente estaria morrendo de amores pelo charmoso rapaz a minha frente, mas agora, tudo o que eu conseguia sentir era um estranho desconforto e meus instintos gritando para que eu fosse embora. – O que acha de irmos tomar um café? Eu acho que vi uma cafeteria muito boa aqui perto. Se não for muito incomodo, eu queria conversar com você.
— Hã... eu... – Pondero sobre essa oferta. Eu provavelmente não deveria ir, mas estava curiosa para saber o que Stefan queria comigo. Ele nunca pareceu dar importância a minha existência, mas ultimamente tem tentado de todas as formas se aproximar de mim. Constatar isso só desperta ainda mais a minha fome de descobrir o que provocou tanta mudança em Stefan e é exatamente por causa disso que decido aceitar o convite. – Tudo bem.
— Ótimo. Vamos lá. – Responde Stefan, passando a mão pelas minhas costas para me conduzir até a cafeteria que ele havia comentado.
Como ele tinha dito, próxima a livraria onde esbarramos havia uma cafeteria que exalava o aroma de café de longe. O silêncio entre nós era tão pesado que eu me sentia deslocada. Stefan, por outro lado, não demonstrava se incomodar com a situação. Ele exibia uma expressão neutra e pensativa que causava ainda mais curiosidade.
Assim que chegamos em frente à cafeteria, Stefan abre a porta para mim e o som de sino ecoa pela loja. Um dos garçons da cafeteria nos recepcionar e nos conduz para uma mesa mais reservada, assim como Stefan havia tomado a liberdade de solicitar. E a passos cautelosos, aproximo-me da mesa e me sento quando ele puxa a cadeira de forma cortês.
— Obrigada. – Agradeço, assim que me sento. Coloco minha bolsa na cadeira e o observo se acomodar a minha frente. – E então? Qual foi o motivo de você querer conversar comigo?
— Você é sempre tão impaciente, Elena. – Comenta Stefan, rindo. Ele pega os cardápios que estavam sobre a mesa e me entrega um deles. – Vamos primeiro fazer nossos pedidos, em seguida, nós conversamos.
— Ah, claro. – Concordo, sorrindo sem graça. Noto o garçom ao nosso lado, esperando apenas para anotar nossos pedidos. – Eu vou querer um Macchiato com chantili e um pedaço de torta de limão.
— Eu quero apenas um Americano, por favor. – Pede Stefan, pegando o cardápio de minha mão. Ele então entrega o meu e o dele ao garçom.
— Um Macchiato com chantili e um pedaço de torta de limão para a senhorita e um Americano para o senhor. — Repete o garçom com uma expressão séria e assentimos, concordando. – Certo. O pedido de vocês em breve estará pronto. Com licença.
O homem então se afasta e eu volto a encarar Stefan com curiosidade. Eu queria respostas, mas ao mesmo tempo estava hesitante para descobrir. Stefan então coloca seus olhos sobre mim e parece pensar um pouco no assunto que iria me falar e essa demora estava começando a me deixar inquieta e preocupada.
— Como tem sido essa experiência de morar com Damon? – Questiona Stefan, brincando com o porta-guardanapos da mesa. Ele dá um pequeno sorriso e encara as próprias mãos. – Não deve estar sendo fácil.
— Bem... – Sorrio, assim como vinha fazendo todas as vezes que eu era questionada como é morar com Damon quando nós dois, teoricamente, devemos nos odiar profundamente. – Intensamente exaustivo. Damon tem tirado todas as minhas energias.
— Entendo. – Comenta Stefan com o tom de voz pensativo e eu tenho vontade de rir. Ele definitivamente não entendia nada do que eu estava falando. – Isso é bom.
— Mesmo? – Questiono confusa, sem saber aonde ele queria chegar.
— Sim. Quer dizer, não para você, mas para o que tenho em mente. – Explica Stefan e isso me deixa ainda mais confusa. – Eu tenho uma proposta a fazer e espero que possa me ouvir antes de tomar uma decisão.
— Tudo... bem. – Concordo, hesitante. Eu realmente precisava saber o que Stefan estava aprontado. – Que proposta você tem para mim?
— Por acaso o nome Lily Wersching é familiar para você? — Questiona Stefan e eu nego, sem fazer a mínima ideia de quem ele estava falando. – E Lillian Graham? Por acaso você se lembra?
— Está falando da tia Lilly? – Pergunto, surpresa. – A mãe de Damon?
— Exatamente. – Afirma Stefan, sorrindo animado.
— O que tem a tia Lilly? – Indago, sentindo um mal pressentimento ao falar sobre a mulher que abandonou ao filho quando ele tinha apenas seis anos. Desde que ela foi embora, o nome dela meio que se tornou algo proibido na família Barton, já que tio Giuseppe e Damon não permitiam que falassem sobre a mulher. Por isso, eu realmente estava surpresa por Stefan saber sobre ela. – Como você... sabe sobre a tia Lilly?
— Impressionada? – Questiona Stefan, dando um sorriso discreto. – De qualquer forma, como você sabe, Lillian Graham é a mãe biológica de Damon. Ela foi embora a quase vinte anos atrás e desde então, ninguém nunca mais teve notícias sobre ela. Tio Giuseppe e Damon nunca falam sobre ela, então não sabemos o que aconteceu. Mas, alguns dias atrás, Lillian Graham entrou em contato comigo.
— O quê? – Sussurro, surpreendendo-me com a informação.
— Depois de deixar tio Giuseppe, ela foi para Londres e se tornou uma atriz de renome. Apesar do sucesso, ela está arrependida de ter abandonado Damon e de nunca ter contado a mídia que tem um filho. Lillian resolveu voltar para Hawkins e quer reconquistar o amor de Damon. – Explica Stefan e novamente, sinto aquele sentimento de alerta me incomodando.
— Ela... está arrependida? – Eu não conseguia acreditar naquelas palavras. Stefan assente, concordando. – Por que agora? Por que ela não procurou por Damon antes? Por que ela demorou tantos anos para estar de volta?
— Isso não faz diferença alguma, Elena. Você não está prestando atenção no que realmente é importante nessa história. – Stefan exibe um brilho perigoso em seus olhos. Fecho os punhos e o encaro em desconfiança.
— E o que é realmente importante? – Pergunto com cautela.
— Essa é a nossa chance de nos livrarmos de uma vez por todas de Damon. – Responde e demoro alguns segundos para assimilar o que ele tinha acabado de dizer. – Nenhum de nós dois gostamos de Damon. A presença dele em nossas vidas só nos trouxe dor e sofrimento. Por causa dele, minha mãe morreu e você também teria se afogado se eu não tivesse te salvado naquele dia depois que vocês dois brigaram por ele ser um grande desgraçado. Como você mesma diz, ele é um demônio. Nossas vidas seriam muito melhores se ele não estivesse por perto. Então, a proposta que eu tenho para fazer é uma parceria.
— Parceria? – Repito, incrédula. Eu não conseguia nem mesmo ter uma reação diante de tanta amargura e maldade com a qual Stefan se referia a Damon. Pela primeira vez desde que nos conhecemos, eu senti medo de Stefan, medo da pessoa manipuladora e cruel que ele me mostrava naquele momento. Ele parecia mesmo disposto a fazer qualquer coisa para machucar Damon.
— Isso. A essa hora, Lillian Graham deve estar indo atrás de Damon para propor que ele vá morar com ela em Londres. Então, tudo o que devemos fazer é convencer Damon a aceitar a oferta. Eu tenho certeza de que ele vai ouvir você. Basta mostrar a ele que essa é uma chance única que ele sempre esperou de viver com a mãe dele. E quando ele concordar, todos os nossos sonhos vão se tornar realidade. Você poderá finalmente viver sozinha com a sua mãe e o tio Giuseppe. Assim, você não vai mais precisar lidar com o babaca do Damon. E eu terei a minha tão sonhada liberdade e ganharei a chance de me aproximar mais de tio Giuseppe. Finalmente poderei me tornar realmente filho dele. – Responde Stefan e um forte desespero assume o meu corpo. – O que você me diz?
— Tia Lilly está indo agora mesmo para a mansão Salvatore? – Pergunto, alarmada. Estranhando minha reação, Stefan assente, confuso.
— Sim. Por quê...
— Droga! – Levanto-me de uma vez, pegando a minha bolsa. No mesmo instante, o garçom aparece com o nosso pedido. – Eu tenho que ir.
— O quê? Você tem que ir? Ir para onde, Elena? – Questiona Stefan, atordoado.
Sem me importar com os chamados de Stefan em busca de explicações, corro para fora da cafeteria em direção ao meu carro. Meu coração parecia prestes a sair pela boca e o forte medo do que poderia acontecer nesse inesperado encontro me fazia ficar ainda mais tensa. E diferente da forma como percorri as calçadas do centro mais cedo, empurro as pessoas que passavam na minha frente, ignorando seus xingamentos e olhares furiosos. Tudo o que eu precisava naquele momento era garantir que Damon ficaria bem.
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