ROMANCES MENSAIS

LIVRO VII – CASAMENTO DE JULHO

CAPÍTULO I — MUDANÇAS

— Nós nunca seremos irmãos! — Exclama Damon, expondo meus pensamentos.

— Eu não acredito que vou dizer isso, mas eu concordo com Damon. — Digo, sentindo o gosto amargo de ter que admitir algo assim em voz alta. Mesmo sendo ciência de que isso é extremamente infantil, existem três coisas que eu nunca digo, a não ser em casos de vida ou morte: 1. Em hipótese alguma eu admito que Damon está certo; 2. Ele nunca ouvirá da minha boca que eu o acho bonito. Isso seria humilhante demais; 3. Concordar com Damon. E aqui estou eu, concordando com ele. A cada minuto que se passa mais eu estou odiando esse casamento. — Como vocês puderam cometer uma loucura dessa de se casar em Las Vegas?

— Será que é pedir demais para que vocês fiquem felizes pela nossa felicidade e aceitem a nossa decisão? — Resmunga minha mãe, frustrada.

— É sim. — Falamos Damon e eu ao mesmo tempo.

— Vocês namoram há dois meses! Como puderam se casar assim? — Questiona o demônio ao meu lado, visivelmente irritado. — Não tem como a gente aceitar essa história desse jeito. Vocês sabem que nós dois nos odiamos desde sempre. Não podem aparecer assim, da noite para o dia, esperando que a gente aceite a decisão de vocês.

— E como foi que vocês começaram a namorar? Por que não me disse nada, mamãe? — Indago, sentindo minha mente se encher de perguntas.

— Eu sempre achei sua mãe uma mulher muito atraente e gentil, Elena. Foi então que eu tive a chance de me sentar ao lado de Isobel no avião para irmos a ilha Thunderbolts para o casamento de Aaron e Brooke. Como eu imaginava, sua mãe era uma mulher divertida e um coração maravilhoso. Foi incrível perceber que tínhamos tanto em comum. Nós passamos a viagem inteira conversando e nos conhecendo melhor. Na ilha, enquanto vocês se divertiam com a família Barton, nós passamos a sair juntos para visitar os pontos turísticos da cidade, já que Isobel só tinha ido uma vez a ilha. — Conta tio Giuseppe, sorrindo docemente para minha mãe. Eu odiava o fato de ver que ele realmente estava apaixonado por ela. Seria muito mais fácil se ele só sentisse atração por ela.

— E conforme nos conhecíamos, mais apaixonada eu me sentia por Giuseppe. Ele era tão gentil, bonito e adorável. Nós tínhamos tanto em comum. Nós dois temos filhos incríveis que fazem parte da família Barton, amamos o outono, tivemos muitas desilusões amorosas, acreditamos em amor à primeira vista, somos românticos incuráveis e sentimos que fomos destinado um ao outro. E então, na noite da festa a fantasia, nós bebemos demais e acabamos indo para a praia ver as estrelas e assistir o Sol nascer. No meio daquele clima romântico naquela ilha paradisíaca, nós nos beijamos e eu senti que encontrei o amor da minha vida. Foi tudo tão incrível! A gente fez amor e...

— Não! Para! Por favor, sem detalhes! – Imploro, preferindo não saber como foi a primeira vez dos dois na praia. Isso seria traumatizante demais.

— Ele me completa, Leninha. Como nenhum outro homem. Ao lado de Giuseppe, eu sinto as mesmas borboletas no estômago que eu sentia com seu pai. – Revela minha mãe e eu posso sentir a sinceridade em suas palavras. Abro e fecho a boca algumas vezes, sem saber o que dizer. Tio Giuseppe sorri e beija a testa de minha mãe com carinho.

— E eu amo a Isobel como eu nunca amei ninguém, filho. Eu sei que você tem todos os motivos para não confiar em mim e que já me casei quatro vezes...

— Cinco... – Damon tenta corrigir o pai, mas eu sabia que a conta estava errada. Conhecia tio Giuseppe bem o bastante para me lembrar de todos os casamentos que ele fez.

— Seis. – Digo, suspirando.

— Enfim, eu sei que já me casei mais veze do que deveria, mas você conhece a Isobel. Você sempre me disse que ela era muito especial e que a adorava. Mas eu realmente a amo. Até mais intensamente do que amei a sua...

— Eu acredito em você, pai. – Damon suspira, frustrado. Ele encara o pai e minha mãe, parecendo estar vivendo o mesmo dilema que eu. – A tia Isobel é incrível. É uma mulher divertida e que eu admiro muito. O problema é que você são emocionados demais. Por acaso você conhece a palavra namoro? Ela serve para as pessoas se conhecerem melhor e descobrirem se realmente querem passar a vida delas ao lado uma da outra. Mas você sempre se apressa demais. Eu adoro a tia Isobel e eu amo você, pai, e é por isso que não quero que nenhum de vocês se machuquem. Além disso, Elena e eu nos odiamos. Nós sempre evitamos ficar perto um do outro, porque toda vez a gente acaba perdendo o controle e somos expulsos dos lugares. Acha mesmo que vamos conseguir viver debaixo do mesmo teto? Nós iremos nos matar nas primeiras horas.

Permaneço calada, porque me recusava a concordar com Damon pela segunda vez. Era uma questão de honra. Ainda assim, ele resumiu bem a nossa situação. Eu amo tio Giuseppe. Ele sempre cuidou de mim e me ajudou muito quando meu pai morreu. Mesmo nossos pais não tendo contato um com outro por causa de suas vidas agitadas e pelos constantes relacionamentos fracassados, eles nunca tiveram muito contato.

Por isso, era surreal demais para nós acreditar que por causa do quase casamento do desgraçado do Aaron com a falsa da Brooke tenha resultado no relacionamento dos dois. Como se já não bastasse todas as tragédias que essa festa ocasionou, agora eu teria que lidar com o fato da minha mãe ter se tornado a sétima esposa de Giuseppe Salvatore. Estremeço, irritada pelo número sete aparecer novamente na minha vida. Eles tinham que nos contar sobre isso logo no sétimo mês do ano?

— Damon, vocês não acham que já está na hora de vocês superarem essa briguinha infantil de vocês? Esse é o momento de mudanças, querido. Nós dois amamos vocês também e sabemos o quão especial vocês são. – Começa minha mãe e eu conheço o olhar gentil que ela direcionava a Damon, enquanto pegava em sua mão. Algo de muito ruim estava para vir. – É por isso que Giuseppe e eu tomamos uma decisão.

— Não. – Fala Damon, negando veemente. – Não mesmo.

— O quê? Nós nem falamos nada. Por que já está negando? – Questiona tio Giuseppe, encarando o filho com repreensão.

— Porque todos os meus instintos estão gritando que vocês vão dizer alguma coisa que eu não vou gostar. E tio Clint me ensinou que eu sempre devo confiar nos meus instintos. Então, o que quer que vocês estejam planejando, eu não quero me envolver. – Responde Damon, determinado.

— Que pena. Você não tem escolha. – Afirma tio Giuseppe, deixando o filho indignado. – Eu ainda não esqueci da festa que você deu na mansão enquanto eu estava fora em abril, Damon.

— Ah, pai! Isso já faz três meses? Eu já pedi desculpas! – Resmunga Damon e eu acabo sorrindo, satisfeita por vê-lo encrencado. A festa havia sido tão extravagante que até mesmo apareceu na televisão.

— Não foi o suficiente. Eu ainda estou pagando caro por suas ações inconsequentes. Portanto, você vai nos ajudar você querendo ou não. – Responde o mais velho, mostrando que Damon não tinha escolhas.

— E o que é que vocês querem que ele faça? – Pergunto, sorrindo ainda mais ao ver o olhar furioso de Damon sobre mim.

— Ele não. Nós. – Corrige minha mãe e logo sinto aquela pressão em minha nuca. O zumbidinho em meu ouvido, alertando-me que eu deveria correr enquanto ainda dava tempo. – Você e Damon serão responsáveis por organizar a nossa cerimônia oficial de casamento.

— O quê? – Questiona Damon e eu juntos. – Não!

— Sim. Vocês vão. Essa é uma ótima oportunidade para vocês se entenderem e aprenderem a trabalhar juntos. Damon será meu padrinho de casamento e Elena a madrinha de Isobel. Portanto, vocês serão os responsáveis por fazer a cerimônia ser um sucesso. – Responde tio Giuseppe e o desespero me atinge.

— A cerimônia será apenas para os nosso amigos mais próximos. Não me levem a mal. Eu amei me casar com Giuseppe, mas eu senti falta de ter a nossa família e amigos lá. Por isso, decidimos que quando voltássemos, nós organizaríamos uma cerimônia de verdade. Planejamos nos casar em outubro, aproveitando o melhor da nossa estação do ano preferida. – Revela minha mãe, sorrindo animada. – E como eu estarei ocupada fazendo meu vestido de noiva e Giuseppe não teve sorte ao organizar os últimos casamentos dele, decidimos que deixaremos a responsabilidade nas mãos dos nossos padrinhos.

— Estão dizendo que nós temos três meses para organizar o casamento de vocês? – Sussurra Damon, parecendo incrédulo com a novidade. – Eu não entendo muito de organização de casamento, mas eu tenho certeza de que as pessoas têm mais tempo para cuidar disso.

— Como Elena e Isobel vão mudar para nossa casa amanhã, será mais fácil para vocês começarem a acertar os detalhes. Os dois nos conhecem muito bem, então não tenho dúvidas de que vocês vão se sair muito bem. – Responde tio Giuseppe, parecendo tão animado quanto a minha mãe.

— Espera! É sério? Nós iremos mesmo nos mudar para a casa de vocês? – Questiono, desesperada. Isso não podia ser real.

— É claro que é sério. Nós nos casamos. É natural que marido e mulher morem na mesma casa com os filhos. Como a casa de Giuseppe é maior, nós iremos para lá amanhã mesmo. Isso também vai ajudar mais vocês a aceitarem que agora vocês são irmãos.

— Nós não somos irmãos. – Resmungo, mal-humorada.

— Elena Gilbert! – Minha mãe me repreende com o seu tom duro. Encolho-me, intimidada. – Isso não está aberto a discussão. Nós iremos nos mudar para a casa dos Salvatore, realizaremos o casamento e vocês vão organizar a cerimônia.

Depois disso, Damon e eu não tivemos muita escolha além de ouvir por mais de uma hora sobre como eles pensavam que seria nossa vida de agora em diante. Tio Giuseppe e minha mãe pareciam tão felizes, que não dissemos mais nada. Estávamos em choque demais para conseguir assimilar tudo. Assim, após almoçarmos naquele restaurante chique, Damon e eu tivemos que ir embora para cada um seguir para suas vidas.

Infelizmente, descemos no elevador juntos. Atordoados demais para até mesmo nos implicarmos, permanecemos em silêncio até chegarmos ao térreo. Nem mesmo me dou ao trabalho de encarar o rapaz. Saio do elevador com os passos apressados em meio a multidão que passavam pelo local em horário de pico. No entanto, paro de andar ao sentir alguém me puxar pelo braço. Encaro Damon e me solto, irritada, fazendo questão de me afastar o mais rápido possível. Eu não queria conversar com ele.

— Elena! Você não pode deixar a nossa filha desse jeito. Eu entendo que você não me queira mais, por estar apaixonada por outro homem, mas não desconte em nossa filha. Já basta ela ter que te ver se entregando cada vez mais ao mundo das drogas e ficar meses sem ver a mãe. Hannah precisa de você. — O grito de Damon e sua atuação chama a atenção de todos que passavam pelo local. Olho para ele, completamente confusa e possessa.

— O que você pensa que está fazendo? — Questiono entredentes, aproximando-me a passos largos de Damon.

— Você precisa sair do mundo das drogas, Elena. — Damon segura meus pulsos e encara meus olhos como se realmente estivesse falando a verdade. As pessoas passam por nós e me encaram com repreensão. — Hannah é apenas uma criança. Nossa menina precisa ter a mãe presente. Ela chora todas as noites perguntando se você a ama. Eu não posso mais suportar isso.

— Cala a boca, maldito! — Puxo meus braços e deixo vários tapas em seu peito definido. Vejo um brilho divertido passar pelos seus olhos. Viro-me para a multidão que assistiam a cena com interesse e olhares julgadores. — É mentira. Não acreditem em nada do que ele está dizendo!

— Você tem coragem de dizer que estou mentindo depois de ter me traído e ido embora com um traficante de drogas como se nosso casamento e a nossa linda filha fossem nada demais? — Damon continua a farsa e até lágrimas o desgraçado começa a derramar. — Você era a pessoa mais importante para mim. Como pôde nos deixar assim?

— Filho da puta! — Grito, batendo nele mais vezes. Eu sentia meu sangue fervendo de raiva. Como ele conseguia ser tão falso?

— Eu vou embora. Você sabe onde nos encontrar. Mas não se esqueça, amanhã é o aniversário da Hannah. Ao menos ligue para nossa filha para desejar feliz aniversário, já que o ano passado você apareceu dias depois completamente drogada e ainda bateu nela. Seja uma mãe pelo menos uma vez na vida. — Encena Damon, passando as mãos pelo rosto para limpar as lágrimas de crocodilo. Vejo um sorriso satisfeito nos lábios de Damon, ao se aproximar de mim. — Divirta-se!

— Você me paga, Damon Salvatore. — Brando, vendo-o se afastar, fazendo a sua cara de pobre coitado com as lágrimas em seus olhos.

— Que vergonha! — Comenta uma senhora, fazendo questão de esbarrar em meu ombro ao passar por mim.

— Eu vou matar esse demônio. — Vocifero, apertando meus punhos, enquanto sigo em direção ao meu carro, que infelizmente havia ficado longe demais. Como consequência, preciso lidar com os olhares repreendedores e os xingamentos do público que havia sido convencido do showzinho de Damon.

[...]

— Eu definitivamente vou cometer um assassinato ainda hoje. — Resmungo, entrando no camarim agitado do Hawkeye, a casa burlesca onde eu trabalho. Algumas das dançarinas do Beauty Swans já estavam em seus trajes de super-heroínas, o tema da semana.

Cait e Ally me encaram confusas, enquanto eu me jogo no sofá com o corpo completamente tenso. As duas trocam olhares e se aproximam de mim. Caitlin Snow é a dançarina principal do Hawkeye e a que está a mais tempo na casa. Com sua personalidade forte e inteligência fora do normal, ela logo se tornou uma das minhas melhores amigas assim que eu entrei para o grupo, dois anos atrás. Allycia Dawson é a cantora de voz de anjo. É a mais nova da equipe e com toda a sua doçura e otimismo, ela conquistou a todos e se tornou também uma amiga muito especial.

— O que aconteceu? — Pergunta Ally, sentando-se ao meu lado.

— Minha mãe se casou em Las Vegas com o novo namorado. — Conto de uma vez e minhas melhores amigas arfam, surpresas.

— É sério isso? — Questiona Cait com os olhos arregalados. Assinto, frustrada. — Mas ela não estava namorando há somente dois meses?

— Sim. — Choramingo, levando as mãos ao rosto, sentindo minha cabeça doer só em pensar nisso. — Mas o maior problema não é esse.

— Se casar em Las Vegas com alguém que ela só conhece há dois meses não é o maior problema? — Indaga Ally, dando um riso incrédulo. — Estou até com medo de perguntar qual é o maior problema nessa história.

— Minha mãe se casou com o tio Giuseppe! — Desabafo e novamente vejo os olhos de minhas melhores amigas quase dobrarem de tamanho. — Isso mesmo. Ela se casou com o pai do maldito do Damon. E ainda nos mudaremos amanhã mesmo para a casa deles. Ou seja, eu terei que morar debaixo do mesmo teto que o demônio.

— Uau! — Sussurra Cait, encarando-me sem reação.

— Elena! — Gwen, uma das dançarinas aparece com uma capa de vestidos preta. Ela sorri e me entrega a capa. — A sua fantasia. A Heather pediu para te entregar.

— Obrigada. — Agradeço, dando um fraco sorriso para a garota, que sorri em resposta e se afasta para se arrumar. Levanto-me e respiro fundo, tentando afastar um pouco dos sentimentos negativos que me consumiam naquele momento. — Eu vou colocar a minha fantasia.

— Tudo bem. Eu vou terminar de me arrumar. — Afirma Ally, sorrindo compreensiva. Ela usava uma peruca curta cor de rosa chiclete assim como a capa, o cinto e a calça legging que ela vestia. Ally também tinha uma máscara extravagante prata, luvas que iam até os cotovelos, botas cano alto e vestido prateados.

Vou para um dos trocadores do camarim e visto o macacão, as botas, as luvas e a máscara da minha fantasia de Mulher Gata. Infelizmente, eu não conseguia fechar o zíper do macacão, então saio do provador para pedir ajuda. Cait termina de passar o batom preto de sua personagem e desvia o olhar do espelho para me encarar. Ela usava uma calça suplex cirrê preta azulada, um collant da mesma cor com uma espécie de estrela dourada no peito. Havia também uma capa nas costas e uma bota de cano alto pretas. Em seu rosto, uma máscara em um tom de azul petróleo metalizada. A peruca branca de Nevasca, o nome de sua personagem, completavam o look com o batom preto em sua boca. Ela estava realmente bonita e sensual.

— Poderia fechar para mim? — Peço e ela assente, aproximando-se. — Por que de todos os homens do mundo, minha mãe tinha que escolher justamente o pai de Damon? Dessa vez, minha mãe passou de todos os limites do dedo podre. E o pior disso é que ela já se casou!

— Mas não era você que dizia que o pai do Damon era a única parte boa dele? Que ele é um homem bom, honesto e muito gentil? – Questiona Cait, confusa. Bufo e concordo.

— E ele é. Tio Giuseppe é uma pessoa incrível. O problema é justamente o filho dele. Eu vou me mudar para a casa deles e terei que conviver com o demônio. A gente vai acabar se matando. – Resmungo e ela ri, negando.

— Deixa de ser exagerada, Elena. Vocês nem ficam em casa. Barry me disse que o Oliver passa mais tempo na casa de Oliver do que na dele. E você também estuda e trabalha. Acho que vocês raramente irão se encontrar. – Comenta minha melhor amiga, sorrindo gentil.

— Cait, eles irão fazer uma nova cerimônia de casamento e querem que Damon e eu sejamos os responsáveis por organizar a festa, já que somos padrinhos do casamento. – Explico o meu desespero e Cait ri, divertindo-se. – Eu estou falando sério.

— Tudo bem. Talvez isso torne as coisas mais complicadas. Mas talvez essa seja a oportunidade...

— Não completa essa frase. Não completa! Se eu ouvir mais alguém me dizendo que essa é a oportunidade para Damon e eu nos darmos bem, eu juro que enfio o salto fino da minha bota nos olhos da pessoa! – Esbravejo e ela levanta as mãos em sinal de redenção.

— Está bem. Desculpa. – Lamenta Cait, mas eu ainda conseguia ver o risinho divertido saindo de seus lábios.

Desvio o olhar de Cait para Ally, que estava quieta, encarando o colar que recebeu do ex-namorado, que é também o meu primo. Eles terminaram recentemente e parecia estar sendo bastante difícil para eles. A garota fecha os olhos e respira fundo, antes de abri-los e esconde o colar em sua roupa. Provavelmente tentaria se concentrar para a primeira apresentação da noite. Faço sinal para Cait prestar atenção em Ally. Ela suspira, preocupada. Não sabíamos mais o que fazer para alegrar a garota.

— Ally? – Chama Cait, encarando a garota com preocupação.

— Sim? – Responde Ally, dando um sorriso gentil. Cait se senta na penteadeira no lado direito de Ally.

— Está tudo bem? – Pergunta Cait, analisando-a.

— Está sim. – Afirma Ally, sorrindo.

— Você tem certeza? Pareciam tão melancólica, enquanto encarava o seu colar. – Cait, procurando alguma forma de arrancar de Ally o que se passava em sua mente.

— Eu só... – Suspira a mais nova, dando de ombros. — Eu nunca pensei que seria tão difícil esquecer ele, Cait. Por mais que eu tente. Por mais que eu coloque todas as minhas forças para arrancá-lo de meu coração, eu não consigo. O que eu deveria fazer?

— Ally... — Cait suspira, parecendo não saber o que dizer. — Sinceramente, eu não sei. Eu ainda o acho um idiota por te fazer sofrer ao te deixar quando você mais precisava do apoio dele, mas ao mesmo tempo eu entendo os motivos dele. Ainda que de uma maneira bem estúpida e totalmente ineficiente, ele apenas está tentando te proteger dos paparazzis e de toda a loucura que envolve a família dele. E bem, é nítido o quanto ele te ama.

— No meu lugar, o que você faria, Cait? – Pergunta a garota, encarando-a com esperança.

— Ela provavelmente morreria esperando Barry tomar uma atitude, porque é orgulhosa demais para dar o braço a torcer em uma situação como a que você se encontra. — Respondo, sentando-me na penteadeira do lado esquerdo de Ally. Vejo Cait revirar os olhos e cruzar os braços, encarando-me insatisfeita. Coloco a máscara de Mulher-Gata no rosto e a encaro pelo reflexo do espelho. — O quê? Eu disse alguma mentira? Quanto tempo demorou até você finalmente dar o braço a torcer e admitir que todo aquele ódio sem sentido que sentia por Barry não passava de amor reprimido?

— Você é irritante. — Bufa Cait, sem poder argumentar contra mim. Ally ri, divertindo-se com nossas implicâncias. — E não sei do que você está me acusando. Você não pode falar nada. Há quanto tempo você tem odiado Damon sem nem ao menos ter uma boa razão?

— Eu posso te dar inúmeras razões para odiar Damon. Na verdade, só nesse momento eu já tenho pelo menos umas cinco em minha cabeça. — Retruco, virando-me para Cait. As duas garotas me encaram, esperando as minhas razões para odiar Damon. — Número um: ele é um mulherengo de primeira classe. Número dois: ele é um grosso mal-educado. Número três: ele não consegue levar nada a sério. Para ele, tudo é brincadeira. Número quatro: ele acha que o mundo gira em torno dele. Não conheço ninguém mais egocêntrico do que ele. Número cinco...

— Número cinco: você é completamente apaixonada por ele. – Responde Ally, fazendo Cait rir. Encaro-a, sem acreditar na palavras proferidas por minha amiga.

— O quê? Ficou maluca? — Questiono, negando veemente.

— Ah, vamos lá, Elena. Admite que você é apaixonada por ele. Que toda essa teimosia e esse desprezo ilógico que tem por ele são apenas as suas falhas tentativas de mascarar seus sentimentos. — Insiste Cait, aproximando-se de mim com um sorriso divertido em seus lábios.

— No dia em que eu me apaixonar por Damon Salvatore, vocês podem me internar em um manicômio, porque eu enlouqueci de vez. – Resmungo, encarando Cait com meu pior olhar. Cait e Ally gargalham, divertindo-se com a minha repulsa ao pensar no assunto.

— Ah, eu acho melhor você se preparar, porque daqui alguns meses, quando você e Damon estiverem juntos, eu farei questão de jogar na sua cara o que você me disse. — Afirma Cait. Bufo e lanço o meu olhar de “cala a boca ou eu vou quebrar seus dentes”.

— Eu realmente amo vocês. – Comenta Ally, rindo com lágrimas nos olhos. Bufo mais uma vez, ainda indignada, mas ao ter as mãos de Cait sobre meus ombros, acabo suspirando, dando-me por vencida. — Eu não sei o que seria de mim sem vocês.

— Nós também amamos você. – Declaro, sorrindo para a garota. — E é por isso que mesmo querendo matar o Austin, você deve ir atrás dele. Deixe o orgulho de lado e, depois de destruir a cara dele, exponha o que você está sentindo. Mostre para ele que vocês foram feitos para ficar juntos e que ele se afastar de você não vai fazer a mídia te deixar em paz. Você já foi exposta. É tarde demais para mudar isso.

— Eu... – Ally tenta dizer alguma coisa, mas antes que ela continuasse, nossa conversa é interrompida pela coreógrafa das Beauty Swans.

— Cinco minutos, meninas! — Grita Heather na porta do camarim. — Apressem-se! Vistam suas capas e confirmem se seus sapatos estão firmes, principalmente os seus, Emma!

— Sim, senhora! — Grita Emma, uma das integrantes do Beauty Swans.

— Continuamos essa conversa depois. – Aviso, deixando claro que ela não escaparia de nossa conversa. Ally suspira e balança a cabeça, concordando.

— Roxy Rocket! Vamos! Você precisa se posicionar no piano. — Alerta Heather, encarando a nossa cantora principal. Ally se levanta e assente, concordando.

— Nos vemos no palco. — Despede-se Ally e Cait e eu sorrimos. O show estava para começar.