Casamento de Julho
18 Comemoração
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO VII – CASAMENTO DE JULHO
CAPÍTULO XVII — COMEMORAÇÃO
O campeonato terminou um pouco mais das onze horas da noite. A todo momento, eu exibia um sorriso orgulhoso ao ver a felicidade e a emoção que Damon exibia ao encarar o pupilo. Eu não entendia nada sobre boxe e, sendo sincera, não era um esporte que eu gostava de acompanhar. Nunca fui muito fã de esportes violentos e por causa disso, eu só assisti umas duas ou três lutas de Damon desde que éramos crianças.
Ainda assim, eu não podia negar que havia sido uma disputa emocionante. Joseph havia mostrado uma habilidade absurda. Foi como se eu estivesse vendo uma versão mais magra e jovem de Damon. Ele ganhou a luta com tanta facilidade e agilidade que eu nem mesmo tive tempo de entender o que estava acontecendo quando o apito anunciando o fim da luta soou pelo ginásio e levou o público a loucura.
Observo Damon pelo canto do olho, enquanto ele dirigia com um sorriso singelo no rosto. Mais uma vez eu me pegava pensando em como Damon conseguia ser tão absurdamente bonito. Eu perdi as contas de quantas mulheres ficaram se jogando para cima dele somente essa noite e, mesmo odiando admitir, talvez Cait tivesse razão. Eu provavelmente não conseguiria me controlar e acabaria revelando em algum momento sobre nosso relacionamento ainda não definido. Talvez fosse isso que me deixasse tão insegura.
Damon sempre foi muito popular com as garotas, assim como os outros rapazes da família Barton. Sendo sincera, eu nem mesmo posso julgá-las. Se eu não convivesse com eles desde que nasceram, eu provavelmente também acabaria me derretendo por eles. Apesar de que eu estou me derretendo por Damon em diversos sentidos, então de certo modo, eu acabei me tornado uma das seguidoras. Mas eu não sou de ferro também. Quem poderia resistir a um homem lindo, forte, inteligente, amoroso e que se dá tão bem com crianças?
— O que foi? Você está tão calada e pensativa. — Comenta Damon, observando-me pelo canto do olho. — Aconteceu alguma coisa? Você nunca fica calada por tanto tempo.
— Cala a boca. — Resmungo, rindo. Ele ri, mas ainda parece preocupado. — Não foi nada. Eu estava apenas lembrando o quão impressionante foi a luta de Joseph. Ainda não consigo acreditar que você é mesmo um bom treinador. Eu achei que você apenas ficava de pernas para cima, rodeado pelas mães dos alunos, enquanto mandava eles brincarem. Ou talvez, seu aluno fosse apenas muito talentoso, já que as mães das crianças parecem ter muita intimidade com você.
— Engraçadinha. — Damon revira os olhos, mas acaba sorrindo orgulhoso. — Apesar de atualmente Joe ser muito talentoso, ele era um garoto bem rebelde quando mais novo. Não foi fácil convencê-lo a seguir as regras. Assim como a maior parte das crianças que eu treino, ele veio de uma família bem conturbada. Pai traficante, violento e ausente. A mãe tem que trabalhar em dois empregos para sustentar os cinco filhos. Joe é o mais velho e é o que mais sofre com as agressões do pai. É por isso que tenho tanto orgulho dele. Ao invés de se entregar a raiva, ele transformou todos os sentimentos negativos dele em uma oportunidade de melhorar de vida e tirar sua família dessa situação através do esporte. E hoje, ele deu o primeiro passo para se tornar um boxeador profissional.
— Isso é mesmo incrível. – Comento, sorrindo com sinceridade. – Então temos mais um motivo para comemorar hoje.
— Sim. – Concorda Damon, sorrindo como uma criança animada. Relembro então o que eu havia planejado e sinto meu corpo inteiro tremer de excitação. – Estou ansioso para saber o que você preparou. Hoje de manhã você disse que teríamos um jantar especial.
— Eu tenho certeza de que você vai amar. – Afirmo, sorrindo misteriosa.
Felizmente, não demoramos a chegar em casa. Ele estaciona o carro e quando entramos, sinto o nervosismo me atingir. Respiro fundo e retiro minha jaqueta, tentando manter o controle da situação. Essa não era hora de me apavorar.
— Por que não vamos ao seu quarto? – Pergunto, fechando a porta de entrada da sala.
— Por quê? – Questiona, observando confuso.
— Só vem. – Resmungo, impaciente, enquanto puxo o rapaz pelas escadas.
Assim que chegamos ao seu quarto, fecho a porta e o empurro contra ela. Puxo seu pescoço e nossas bocas se chocam de maneiras intensas. Surpreso pelo ataque repentino, ele demora alguns instantes para me corresponder, mas quando o faz, toda a mesma loucura que compartilhamos em nosso primeiro beijo retorna. Nossos corpos agem por impulso e quando menos dou por mim, já estou em seu colo, sendo pressionada contra a parede.
— Espe... — Interrompo sua tentativa de falar, voltando-o a beijar intensamente. Ele corresponde, mas logo me empurra levemente para me encarar. — Nós não íamos ter um jantar especial?
— E teremos. — Respondo, sorrindo maliciosa.
— Então não deveríamos ir comer primeiro? — Pergunta Damon e eu desço de seu colo, rindo de sua ingenuidade. Afasto-me do rapaz, dando um meio sorriso, enquanto o encaro com luxuria. Para que ele entendesse aonde eu queria chegar, começo a desabotoar vagarosamente os botões de minha blusa, revelando a lingerie sensual que eu havia comprado justamente para essa ocasião.
— Você está olhando para o prato principal. — Respondo, tirando minha blusa por completo.
Sinto meu corpo se aquecer só com o olhar lascivo que eu recebia de Damon, completamente fissurado em meu sutiã preto de renda arrastão. Retiro minhas botas calmamente e fixo meus olhos nos de Damon, enquanto desabotoo o cinto e abaixo minha calça. Ele me encarava com os olhos arregalados e sua respiração parecia falhar. Sorrio satisfeita ao ver como o meu pequeno show parece mexer e muito com Damon.
Quando finalmente revelo também minha calcinha, a cinta liga e a meia 7/8 com renda preta, vejo-o arfar e engolir em seco. O volume em sua calça demonstrava que ele estava tão animado para o que iria acontecer quanto eu e isso me aliviava. Ainda que essa não fosse a minha primeira vez, eu estava nervosa. Muito nervosa, mas não pelo que aconteceria em si.
Eu estava nervosa porque sabia que depois do que estávamos prestes a fazer, tudo mudaria entre nós. Até o momento, nós temos mantido nosso relacionamento contido a amassos no carro, provocações e comentários recheados de segundas intenções. No entanto, a partir do momento em que nos tornarmos um, será tarde demais para voltar atrás de toda essa loucura em que estamos envolvidos há uma semana.
Era um passo e tanto em que eu estava dando. Principalmente quando o mundo parece torcer contra nós. Nossos pais jamais aceitarão nosso relacionamento. Para a sociedade, nós deveríamos nos ver como irmãos. Nós ainda precisamos lidar com o fato de que Kai parece estar disposto a fazer qualquer coisa para ter Damon definitivamente em suas mãos, inclusive me usar de isca.
Ainda assim, diante do olhar luxurioso de Damon, eu não conseguia evitar sentir aquele desejo de ir em frente, de ignorar todos os avisos e alertas de minhas mente. Eu queria isso. Eu o queria como nunca desejei outro homem antes. Então, fazendo exatamente o oposto do que eu provavelmente deveria fazer, sorrio para Damon e o encaro, expondo toda a minha libido. Eu não podia voltar atrás.
— E então? Está esperando o que para aproveitar o banquete? – Questiono, jogando minha calça em qualquer lugar do quarto.
Sorrio ansiosa e não demoro a ser surpreendida por Damon que se aproximar a passos largos. Em questão de segundos, eu sou erguida pelo moreno, que me beija lascivamente. Passo minhas pernas em volta de seu quadril e suspiro ao sentir suas mãos apertarem minhas coxas com possessividade.
Em meio ao beijo afoito e impaciente, Damon anda até a cama e me joga sobre o colchão. Ele tira a blusa e os sapatos que usava e se deita sobre mim. Passo meus braços por cima de seus largos e musculosos ombros, puxando-o para mais perto de mim. Sua boca encontra o caminho até a minha e novamente sinto suas mãos contornarem o meu corpo com luxuria. Seus dedos pareciam brasa quente, queimando minha pele e me causando arrepios.
Impaciente e ansiando por mais contato com sua pele, desço minhas mãos pelo seu tronco, arranhando a pele de seu peito. Damon estremece e isso me faz sorri em meio ao beijo. Ao chegar ao cós de sua calça, desfivelo o cinto e o desabotoo o botão da calça jeans. Nós nos afastamos e enquanto ele retira a incomoda peça de roupa, delicio-me com a visão incrível do corpo definido de Damon. Ainda que não fosse a primeira vez a vê-lo sem camisa, eu ainda me perdia no peito trabalho, os braços musculosos e o abdômen que exibia tanquinho. Nada era exagerado. Damon parecia ter sido esculpido por um artista renascentista talentoso.
Meus olhos param na tatuagem em sua costela. Eu nunca imaginei que kanjis japoneses pudessem ser tão sexys. Desço mais o meu olhar e suspiro ao ver a cueca preta marcada. Nossos olhos se encontram mais uma vez e sou hipnotizada pelas orbes cerúleo de Damon. Ele me encarava com desejo, ansiedade e... amor. Diante de seus olhos, eu me sentia única. Damon fazia eu me sentir desejada e amada. Era um sentimento que eu nunca havia experimentado antes com qualquer outro homem.
Ele volta a subir na cama e contorna a cinta liga em minha cintura. Prendo minha respiração, seduzida pelo sorriso malicioso em seus lábios. Em uma tortura prazerosa, ele vagarosamente retira o acessório e beija minha barriga, causando arrepios em minha pele. Cada ação parecia ser calculada para despertar ainda mais desejo em mim. Não havia pressa.
Seus toques eram delicados, mas ao mesmo tempo marcantes. Ele parecia saber exatamente onde me tocar para fazer meu corpo se aquecer. Suas mãos deslizam pelo cós de minha calcinha e a desliza pelas minhas pernas. Damon sorri ladino e morde a barra de uma de minhas meias, puxando-a para baixo. Ele repete o mesmo movimento com a outra, mantendo os olhos fixos sobre os meus. Quando estou livre de minhas meias, ele deixa beijos na parte interna de minhas coxas, fazendo com que eu suspirasse longamente.
E então sua língua toca aquele ponto que me trazia tanto prazer. Arqueio minhas costas e levo minhas mãos aos fios negros de seu cabelo, mordendo meu lábio para não deixar que um grito escapasse de minha boca. Os movimentos intensos me levavam a loucura. Fecho meus olhos, sentindo cada ínfima célula de meu corpo estremecer, contorcendo-se sobre o controle de Damon.
— Olhe para mim. – Ordena com a voz firme e rouca. Abro meus olhos e vejo seu sorriso de lado. Aquilo é o bastante para fazer minhas pernas fraquejarem. – Eu quero ouvir sua voz. Não se prenda.
— Damon. – Sussurro e novamente sou inundada por todo aquele prazer avassalador.
Era alucinante, enlouquecedor. Gemidos e palavras desconexas escapam de minha boca sem que eu tivesse qualquer poder sobre mim. Em alguns momentos, quando sua boca me possuía com maior intensidade, eu não conseguia evitar proferir gritos impróprios, completamente estonteada. Nenhum outro homem no mundo havia me dado tanto prazer como Damon me dava naquele momento. E não demora muito para que o primeiro orgasmo venha, trazendo uma sensação indescritivelmente prazerosa por todo o meu corpo.
— Uau. – Sussurro, arfando.
Damon sorri satisfeito ao se afastar. Minha mente estava em branco e minhas pernas fracas. Tudo o que eu conseguia fazer era sorrir e o encarar, fascinada com a forma como ele conseguia me ter em suas mãos. Ele então volta a me beijar. Dessa vez mais calmo e terno, ele desliza as mãos pelas minhas costas e desprende o fecho de meu sutiã. Cravo minhas unhas em suas costas, com expectativa do que estava por vir.
Ele joga a peça de roupa para longe e passa a beijar e brincar com meus seios. Novamente, meu corpo se excita com os toques de Damon. Ele era cuidadoso, mas ao mesmo tempo era tão controlador e expressivo. Seus olhos tomados pela luxúria estavam mais escuros e transmitiam tantos sentimentos que fazia meu coração descompassar algumas batidas.
Completamente entregue a seus comandos e estímulos, eu apenas permitia que meus gemidos sôfregos ecoassem pelo quarto. E então, eu me sentia impaciente mais uma vez. Aquela tortura só me fazia ansiar por mais. Eu precisava de mais. Eu queria mais de Damon e de seu corpo. Eu precisava sentir mais daquele amor que me dominava e me enlouquecia. Eu tinha que tê-lo por completo.
— Damon... por favor... – Imploro, chorosa. Ele me encara, ainda mordiscando meu mamilo. Damon sorri e se afasta, mas usa suas mãos para massagear meus seios.
— Logo agora que eu estava saboreando o meu banquete da noite. – O comentário malicioso combinado com seu olhar libertino me fazem suspirar.
— Não me faça implorar. – Resmungo, puxando-o de encontro a minha boca.
Em meio ao beijo eufórico, Damon estica a mão na gaveta superior da mesinha de sua cabeceira. Ele a abre e puxa de lá uma camisinha. Nós nos afastamos e com seus olhos presos em mim, ele rasga a embalagem com os dentes e se livra de sua cueca. Observo-o colocar a camisinha, sentindo meu corpo arde de desejo.
Não demora muito para que ele se coloque entre minhas pernas. Nossos olhos permanecem presos um no outro. Havia aquele ar de ansiedade entre nós. Desejávamos aquilo há muito tempo. Ele se inclina, pressionando seus lábios contra os meus, com uma delicada doçura, enquanto me invadia lentamente.
E aquela sensação era surreal. A pressão dentro de mim era inexplicável. Minhas pernas se apertam em torno de seu quadril. Minhas unhas se cravam em seus ombros. E então ele recua e se move contra mim novamente, sinto espasmos percorrer todo o meu corpo. O ritmo acelera e em nada se comparava ao que eu sentia naquele instante. Damon agarra minhas coxas com uma das mãos, enquanto a outra se apoiava no colchão. Uma fina camada de suor se forma em nossas peles.
— Damon... – Suspiro, chamando sua atenção. Ele sorri e intensifica seus movimentos. – Eu te amo.
— Eu... também te amo. – Ele responde, pressionando sua testa na minha. – Muito.
E então, nossos ruídos se tornam mais altos. Seus movimentos eram rígidos e intensos. Eu sinto mais uma vez aqueles fortes tremores dentro de mim, mas dessa vez muito mais avassalador e aniquilador. Meu corpo atinge o ápice com intensidade e não demora muito para que um urro gutural de prazer escape da garganta de Damon.
Seu corpo desaba sobre o meu e ofego pelo peso. Depois de alguns instantes, controlando a respiração, Damon rola para o lado e encara o teto branco, tendo apenas o som forte e desregular de nossas respirações ecoam. Minha mente ainda estava letárgica pelo recente orgasmo, mas eu não conseguia parar de sorrir.
— Isso foi... uau... – Ele sussurra, rindo.
— Foi incrível. – Concordo, entrelaçando nossas mãos. Damon me encara com toda aquela doçura e amor que me fazia querer chorar de felicidade. Tudo havia sido tão especial e intenso.
— Obrigado. – Damon agradece e eu o encaro confusa. Meus pensamentos ainda estavam lentos demais. Ele deixa um beijo demorado em minha testa e acaricia meu rosto com delicadeza. – Obrigado por me amar.
— Eternamente. – Sussurro, beijando calmamente seus lábios. Sorrio e me aproximo mais, deitando-me em seu peito.
Ele me aconchega e puxa o lençol que estava no chão para nos cobrir. Aos poucos, o cansaço recai sobre nós e não demora muito para que nos entregássemos ao mundo dos sonhos, completamente satisfeitos e apaixonados.
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