– Você não pode deixar isso atrapalhar sua amizade com ela. — Falei tentando defender mas ela apenas negou

– Ela vai estar matando uma criança. — Falou ela. — Isso é horrível! Mas horrível é que a criança é filho dela! — Eu apenas assenti

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Mônica

Acordei do meu sono perturbado com o barulho irritante do meu despertador, me sentei na cama e desliguei ele. Me levantei e fui até o banheiro e me olhei para o meu reflexo, eu estava uma morta-viva, meus cabelos estavam despenteados, meus olhos estavam vermelhos e tinha olheiras pretas por baixo dele, resultado das minhas noites mal-dormidas. Enchi a banheira e voltei para a frente do espelho.

– Eu estou horrível. — Falei e escovei meus dentes, entrei na banheira e tomei meu relaxante banho. Saí da água quentinha e me enxuguei. Fiz uma maquiagem para esconder meu estado deplorável.

Já se tinha passado um mês da data do acidente e o Nimbus ainda estava em coma. O DC não dorme mas em casa, ele dorme com a mãe no hospital e eu fico para cuidar da casa e pegar matéria na escola. A Magali ainda está com a ideia maluca de abortar seu filhos, mas eu consegui convencer ela a esperar alguns meses, eu tenho que dar um jeito nisso. Peguei a primeira roupa que vi. Uma blusa de frio branca com uma frase em inglês e uma calça legging preta com bolinhas brancas, peguei meu relógio e uma touca em cor vinho e saí correndo até a cozinha pegando uma maça e fui para o meu carro. Peguei o meu fone sem fio e coloquei. Disquei o número do DC na tela do meu carro.

– Alô? — Falou ele

– Oi? Como o Nimbus está? — Perguntei preocupada e entrando no asfalto.

– Na mesma, não tem melhoras nem pioras. — Falou ele suspirando. — Só ali deitado.

– Vai dar tudo certo. — Falei suspirando. — Tem que dar...

– Eu já não sei de nada. — Falou ele baixo. — Eles vão desligar os aparelhos daqui a um mês. Não sei se vai dar tempo.

– Nunca mais fala isso, ouviu? — Falei. — Ele vai sair dessa e ainda vamos rir dessa situação toda. Ele vai acordar sem nenhuma sequela.

– Preciso ir. — Falou ele e eu murmurei um tchau e finalizei a chamada. Avistei o prédio da escola e estacionei sem vontade nenhuma. Droga, como eu iria me concentrar em atividades escolares com isso tudo acontecendo? Bufei e saí do carro.

Andei pelos corredores e peguei meu livro de Português e de Matemática. Quando virei pro lado vi a Magali se aproximando, me virei e comecei a andar ignorando ela.

– Mônica... — Falou ela me puxando pelos braços. — Precisamos conversar.

– O que você quer Magali? — Falei batendo meu pé freneticamente no chão, visivelmente impaciente e nervosa. Ela me puxou meu braço para o banheiro e fechou a porta principal. Encarei ela e vi o moletom que eu dei a ela ano passado, sorri com aquilo e ela encarou o seu próprio moletom e sorriu para mim.

– Ele disfarçou a minha barriga? — Perguntou ela e eu revirei os olhos.

– Disfarçou... — Falei

– Olha você tem razão... — Falou ela olhando para baixo. — Essa não é a melhor escolha.

– Ainda bem que você caiu em si. — Falei alegre. — Eu já estava preocupada, aquela não era a minha amiga.

– Eu sei que fiz mal. — Falou ela. — Me desculpa...

– Claro que eu desculpo. — Falei e abracei ela. — Já contou para o Rubens? — Falei e ela se separou bruscamente de mim e eu encarei ela confusa. Depois eu entendi. — Não... Você não vai esconder um filho do pai.

– Essa é a minha vida! — Falou ela. — Eu não vou contar para ele.

– Magali, imagina o sofrimento dele de ficar sem o filho... — Falei e ela fez sinal para eu parar.

– Não começa! O sofrimento dele é ter que se prender a uma família que ele não gosta.

– Quem garante que ele não vá gostar? — Perguntei e ela riu irônica

– Ele tem uma mulher maravilhosa e um filho... — Eu arregalei os olhos. — ELE TEM UM FILHO. — Ela gritou chorando.

– V-você nunca me disse isso. — Falei baixando o olhar e ela saiu correndo. Franzi o cenho e vi ela entrando na cabine e vomitando muito, entrei na cabine e levantei os cabelos dela.

– Eu não aguento mais isso. — Falou ela chorando e vomitou de novo.

– Calma. — Falei acariciando os cabelos dela. Ela se levantou e foi lavar a boca.

– Magali eu vou falar com o Rubens. — Falei saindo do banheiro com ela gritando meu nome. Ela estava atrás de mim e eu acelerei meu passo e esbarrei em alguém. Me levantei e vi que era o Rubens.

– Olha pra onde anda. — Falou ele pegando alguns livros que caíram no chão.

– É com você mesmo que eu quero falar. — Falei puxando seu braço para a sala de professores que estava vazia. — Se senta ai. — Falei e ele se sentou na cadeira

– O que vocês querem? — Falou ele. — Eu tenho aula agora.

– Queremos falar sobre o seu filho. — Falei e os olhos dele marejaram

– Que brincadeira de mal gosto é essa? — Falou ele limpando as lágrimas que escorriam pelos olhos dele. — Meu filho morreu á dois anos atrás com leucemia. — Quando escutei aquilo arregalei os olhos olhei para a Magali que teve a mesma reação que eu. — Depois disso meu casamento está uma droga! Já estamos a um passo do divórcio. — Falou dando de ombros como se não se importasse com o seu casamento.

– Fala agora Magali. — Falei e ela abaixou o olhar e ele olhou confuso para nós.

– Euestougrávida. — Falou ela bem rápido e eu dei um tapa na cabeça dela.

– EU ESTOU GRÁVIDA. — Falou ela pausadamente e ele arregalou os olhos.

– COMO ASSIM?! — Falou ele se levantando. — Como isso pode acontecer? — Falou ele colocando a mão na cabeça. — Você não toma anti-concepcionais? Pilula do outro dia?

– AH... Agora a culpa é da Magali. — Falei irritada. — Sabia que existe camisinha? — Falei e ele me olhou irritado.

– Como posso ter certeza que é meu? — Falou ele e a Magali olhou indignada para ele.

– Você é um cretino mesmo. — Falou ela brava. — Você sabe que eu era virgem, seu idiota! — Falou ela estapeando o peito dele. Eu fui saindo de fininho da sala, e fui embora, deixei uma mensagem para a Magali e entrei no carro. Fui para casa e abri a porta. Me deparei com o DC sentado no chão na frente do sofá chorando. Me aproximei dele.

– O que aconteceu? — Perguntei preocupada

– Você não deveria estar na escola? — Perguntou ele se levantando e começou limpar as lágrimas com a manga da camisa.

– Não mude de assunto. — Falei me aproximando dele. — Me conte o que aconteceu?

– O Nimbus.... -Falou ele chorando e eu limpei as lágrimas dele com minha mão. — E-e-e-ele não resistiu. — Falou ele chorando mas ainda e eu abracei ele sentindo meus olhos marejarem.