Casamento Forçado
33 Perdão
Notas iniciais
– Bem... A Magali... — Falou ele arrumando os óculos.
– Como está a minha melhor amiga? — Perguntou agora a Mônica se levantando da cadeira. — Fala logo! — O médico ficou em silêncio. Não estava gostando desse mistério todo.
– A paciente teve uma parada cardíaca. — Falou ele e todos ficaram assustados. — Com isso ela teve queda de pressão, diminuição da frequência cardíaca e respiratória.
– O que aconteceu depois? — Perguntei assutado.
– Ela não respondeu as massagens cardíacas. — Falou ele e a mãe da Magali começou a chorar.
– E-ela morreu? — Perguntou a Mônica assustada.
– Eu recorri ao eletrochoque e ela respondeu na terceira tentativa. — Falou ele e eu suspirei aliviado. — Agora ela está dormindo, deve estar exausta. Ela é uma mulher muito forte e guerreira.
– Sim, ela é. — Falei sorrindo.
– Vocês já podem ir ver o bebê. — Falou ele. Eu, a Lina e a Mônica fomos até o berçário do hospital onde ficava os bebês. — É aquele ali com o cobertor roxo. — Falou ele apontando para uma caminha de bebê.
Me aproximei e vi um bebê lindo. Ele tinha os olhos caramelos iguais o da Magali e o cabelo castanho claro igual o meu. Como pude duvidar que ele não era meu? É uma cópia minha e dela. Ele estava usando um macacão azul e estava todo enrolado em um cobertor.
– Pega esse garotão, papai. — Falou a Mônica sorrindo. Eu fiquei receoso, era tão pequeno, parece que vai quebrar ao meio.
– Tenho medo de machucar ele. — Falei e a Mônica pegou ele no colo.
– Não vai machuca-lo. — Falou ela colocando o bebê nos meus braços.
– A Magali já acordou. — Falou o médico. — Vocês levam o bebê até lá para a amamentação.
~♥~
Monique
Estava vendo televisão quando a campainha toca. Me levanto e abro a porta.
– Oi. — Falou o homem na minha frente. Arregalei os olhos e abracei ele.
– Pai! — Falei apertando o abraço.
– Que saudades que eu estava de você. — Falou ele. — Nunca mais foge de casa sem falar comigo.
– Me desculpa. — Falei. — A Annie estava enchendo minha cabeça e...
– Ah... Falando nela eu estou me divorciando. — Falou ele se sentando no sofá. — Não aguentava mais aquilo.
– Me desculpa pelo o que vou falar mas estou muito feliz com essa noticia. — Falei e ele riu e a campainha tocou novamente. Eita! Hoje é o dia. Fui até a porta e vi a Luísa na porta.
– Oi Luísa! — Falei. — Entra.
– Oi filha. — Falou ela com um sorriso no rosto e meu pai se virou encarando ela.
– Ah... Deixa eu apresentar vocês. — Falei. — Essa é a Luísa. E Luísa esse é meu pai. — Falei e vi seu sorriso se desmanchar.
– Ah... Seu pai adotivo. — Falou ela. — Eu sou a mãe biológica dela. — Falou ela apertando a mão dele. É minha impressão ou está um clima tenso aqui?
– Não me considero pai adotivo. — Falou ele. — Afinal, eu criei ela, logo, sou o verdadeiro pai dela.
– Não de sangue. — Falou Luísa. — O verdadeiro mesmo é o meu marido.
– Sim, e ela conheceu a menos de uma semana. — Falou meu pai irritado. Com certeza está com ciúmes deles.
– Porque pessoas como você me separaram dela com a droga de seu dinheiro. — Falou ela irritada.
– Olha aqui... — Falou meu pai
– GENTE! Eu ainda estou aqui! — Falei chamando a atenção deles. — Parem de brigar.
– Mas... — Luísa tentou falar.
– Vocês dois são importantes, está bem? — Falei para eles pararem com essa briga idiota. — Eu fui gerada por você. — Falei apontando para a Luísa. — E eu fui criada com o seu amor e carinho. — Falei apontando para o meu pai. — E eu sempre serei grata por vocês terem feito isso por mim.
~♥~
Magali
Abri meus olhos lentamente e fechei assim que a claridade entrou em contato com eles. Senti uma dor em meu abdômen, levantei a camisola do hospital e vi um corte em minha barriga. Espera... Um corte na minha barriga?!
Tentei vasculhar a minha mente tentando lembrar o que aconteceu. Isso estava parecendo um corte de cesariana. Cesariana?
– Oi amiga, como você está? — Falou a Mônica quando abriu a porta.
– Estou bem. — Falei sorrindo.
– Oi, mamãe. — Falou Rubens segurando um bebê no colo. Era meu filho. Que criança linda. Estendi os braços e ele colocou o bebê no meu colo.
– Victor. — Falei.
– Então o nome dele vai ser Victor? — Perguntou ele enquanto fazia carinho no ralo cabelo do bebê.
– Não gostou? — Perguntei.
– É um nome muito bonito. — As lágrimas começaram a descer dos olhos do Victor, ele começou a chorar.
– Acho que alguém está com fome. — Falou minha mãe. A primeira amamentação. Estou nervosa. Será que doí? O pior já passou mesmo...
Puxei a camisola para baixo e o Victor começou a mamar. Doeu um pouco no inicio mas depois se tornou uma sensação maravilhosa.
– Filha, tem uma pessoa que quer falar com você. — Falou minha mãe.
– Quem? — Perguntei
– Eu, filha. — Falou meu pai entrando no quarto.
– O que você quer aqui? — Perguntei enquanto dava o bebê para a enfermeira. — Já não me humilhou o bastante?
– Filha, eu vim pedir desculpas. — Falou ele
– Eu pedi desculpas também. — Falei me lembrando da briga.
– Eu sinto muito. — Falou ele. — Mas tente entender meu lado...
– Sim, deve ser horrível ter uma filha vagabunda em casa, não? — Perguntei me lembrando das palavras duras que ele me dirigiu na nossa briga. Ele se aproximou de mim e se agachou fazendo um carinho no cabelo do bebê.
– Ele é lindo. — Falou ele e eu sorri com essa cena.
– Quer pegar? — Falei e ele pegou a criança no colo.
– Eu trouxe um presente para esse garotão. — Falou meu pai colocando ele sentado nas minhas pernas e pegou um gorro e colocou na cabeça dele.
– Eu te perdoo. — Falei baixinho.
– O que? — Perguntou ele.
– Eu te perdoo, pai. — Falei abraçando ele.
Eu perdoei ele porque você se torna maduro e forte quando perdoa. Só os fracos carregam o peso e a magoa.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Fale com o autor