Casamento Forçado
3 O beijo
Eu estava deitada em minha cama e Magali estava deitada em cima de minhas pernas enquanto eu fazia um carinho em seu cabelo e tentava acalma-la.
– Calma Magali, não é o fim do mundo.
– Como ele pode fazer isso? — Falou chorando. — Ele podia ter falado comigo, sabe? Ter me dito que não gostava mais de mim e estava com outra garota... Não ter me traído de uma forma tão sórdida. Não quero nunca mais ter que olhar para a cara dele!
– Magali já são seis horas e cinquenta minutos precisamos nos arrumar para ir a escola.
– Não, não e não! — Falou ela escondendo o rosto em meu pescoço. — Não! Eu não vou ir para a escola e ver a Amanda me olhar com superioridade.
– Superioridade? — Eu perguntei. — Abrir as pernas para pessoas comprometidas faz alguém superior?
– Não, mas... — Falou Magali comendo um pedaço de seu bombom
– Mas nada! Vamos. — Falei me levantando e jogando uma toalha para ela. — Vamos! Largue esses bombons e vai tomar banho.
Magali levantou murmurando e foi em direção ao banheiro, entrei no outro banheiro coloquei minha banheira para encher me despi e tomei um relaxante banho.
~~~
–Magali! Vai demorar muito ai dentro?! — Falei batendo na porta do banheiro pela milésima vez.
– Eu não vou sair! Estou um caco. — Falou Magali e eu revirei os olhos. — Meu cabelo está bagunçado e meus olhos estão vermelhos e olha essas olheiras. Que horror!
– Magali desde quando você se importa tanto com sua aparência? — Falei fazendo careta e ela abriu a porta. Ela estava vestida com uma roupa totalmente preta e realmente seu cabelo estava todo bagunçado preso em um rabo de cavalo torto, com enormes olheiras. — Que roupas são essas?!
– Ué... Meu humor está ruim. Vou usar roupas assim para expressar. — Falou e eu bufei.
– Vem logo, eu vou escolher outra roupa e a senhorita nem tente falar que não! — Falei puxando seu braço. — Mostre para a Amanda e para o Quim que você está por cima.
Ela assentiu e se sentou na cadeira em frente a minha penteadeira.
Peguei minha escova de cabelo e desprendi o cabelo dela penteando o mesmo.
– Eu quero meu cabelo preso. — Falou Magali e eu bufei e assenti.
Fiz um rabo de cavalo alto quando acabei de pentear o cabelo dela. Peguei uma bandana vermelha e coloquei em seu cabelo.
– Acabou? — Falou Magali se levantando.
– Não! Ainda falta a maquiagem. — Falei mostrando os pinceis a ela.
– Ah Mônica! Maquiagem não. — Falou fazendo biquinho e eu ri
– Nem tente fugir. — Falei pegando meu estojo
Assim que terminei virei puxei ela pelos braços colocando ela de frente ao meu enorme espelho que vai até os pés.
– M-meu Deus! — Falou Magali levando a mão até a boca. — Eu estou linda!
– Está mesmo!
Ela estava usando uma saia preta e uma blusa de ombro caído branca. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto com uma bandana vermelha e sua maquiagem os olhos estavam bem marcados pelo delineador e uma sombra fraquinha e seus lábios estavam marcados pelo batom vermelho.
– Você também não está fraca não amiga. — Falou Magali rindo
Eu estava usando um vestido preto com um casaco branco e um colar. Meu cabelo estava em um coque alto cheio de tranças prendendo o coque. Minha maquiagem era um delineador contornando meus olhos caramelados e uma sombra rosinha.
– Vamos causar. — Falei fazendo nosso toque de mãos.
~~~
Descemos do carro e eu me virei para a Magali.
– Se você ousar manchar essa obra prima que eu fiz em você por um idiota e uma vadia como o Quim e a Amanda eu estrangulo você, ouviu bem? — Falei a ameaçando
– Vou tentar. — Falou e eu entreguei para ela o seu cappuccino enquanto eu bebia o meu
– Tentar não! Você não vai derramar mais nenhuma lágrima por eles! — Falei. — Levanta a cabeça e bola pra frente. — Ela assentiu e seguimos para dentro da escola.
Entramos na escola e todos os olhares foram até nós. Com certeza já sabiam do acontecimento do dia anterior. Algumas pessoas começaram a cochichar entre si.
Chegamos em nossos armários e pegamos nossos livros de biologia que seria nossa primeira aula.
Quando íamos saindo chegou a Amanda com sua turminha Penha, Carmen, Maria Melo e Denise.
– Olha só... Se não é a corna e a perdedora. — Amanda falou e eu trinquei o maxilar com raiva quase amassando o copo de cappuccino que estava em minhas mãos.
Quando eu ia falar algo Magali da um passo para frente.
– Prefiro ser corna e perdedora e ter dignidade e não ser uma vadia como você que abriu as pernas para meu ex-namorado na primeira oportunidade. — Falou com raiva e ao nosso redor já havia várias pessoas assistindo a discussão.
– Olha como você fala comigo, corna! — Falou Amanda rindo e alguns alunos começaram a rir.
– Repete o que você disse, vagabunda. — Falou Magali.
– Eu te chamei de C-O-R-N-A! — Falou Amanda com um sorriso triunfal que não durou muito tempo depois que Magali jogou seu cappuccino quente quase cheio na cabeça de Amanda, todos os alunos começaram a rir.
– Pense duas vezes antes de bancar a popularzinha para cima de mim, vadia! — Falou Magali indo em direção a sala e eu a segui.
– Você não deveria ter feito aquilo. — Falei para a Magali que virou e me encarou com raiva.
– Como assim Mô?! Ela me chamou de corna na frente de todos. — Falou com raiva
– Você gastou um cappuccino com creme de avelã e chantilly em uma vagabunda. — Falei e Magali começou a rir. — Não desperdiça comida com uma nada.
E assim entramos na sala rindo, chegamos atrasadas por causa da confusão, Magali se sentou do lado de Maria Cascuda. Corri meus olhos pela sala e me sentei na única carteira que sobrou do lado da Isadora. O professor Rubens começou a passar algumas matérias no quadro e eu estava copiando.
– Como sabem esse é o último ano escolar de vocês... — Falou Rubens. — Ano de escolhas e decissões, então vamos falar sobre qual emprego vocês vão seguir quando saírem daqui. — Você... — Falou apontando para Carmen. — O que você quer ser quando se formar?
– Eu quero ser estilista e estudar na França, Paris! — Falou batendo palminhas e dando um gritinho.
– E você Mônica... O que quer ser?
– Eu gosto muito de matemática, vou seguir uma carreira relacionado a isso... — Falei pensando. — Talvez engenharia.
– Ótima escolha. — Falou sorrindo
Enquanto ele falava com as outras pessoas alguma coisa se chocou contra minha cabeça. Me virei e vi uma bola de papel no chão, me abaixei e peguei ela e li o que tinha dentro.
" GOSTA DE MATEMÁTICA? ENTÃO RESOLVE ESSA QUESTÃO. EU + VOCÊ + MINHA CASA DEPOIS DA AULA = ?? "
Revirei os olhos bufando e me virei o encarando. Eu tinha que admitir ele estava lindo, ele usava uma blusa preta e uma calça vermelha e um all star branco.
Então peguei minha caneta e escrevi. " PRIMEIRO RESOLVE A MINHA CONTA. MINHA MÃO + SUA CARA = ?? " Terminei e joguei nele, quando o professor virou.
– O que é isso na sua mão? — Perguntou ele ao DC
– Um papel.. — Falou e eu bufei
Ele se aproximou e puxou o papel leu e arregalou levemente os olhos e olhou feio para nós dois.
– Já para a diretoria os dois. — Falou apontando para nós dois.
Sai da sala bufando, quando chegamos no corredor eu virei para o DC
– Obrigada! Mais uma suspensão causada por você. — Falei batendo palmas.
– De nada Mônica. — Falou sorrindo debochado me virei de novo indo em direção a diretoria.
– De novo os dois aqui? — Falou a diretora
– Pois é... — Falei me sentando na cadeira e o DC fez o mesmo. — Estávamos com saudades da nossa querida diretora.
– Dispenso suas ironias senhorita Sousa. — Falou ela e eu fiz uma careta odeio quando me chamam pelo sobrenome.
– Temos que acabar com essas brigas constante de vocês! — Falou ela exaltada. — Quase todo dia estão aqui pelas brigas e pegadinhas que fazem um com os outros.
– Aonde você quer chegar? — Perguntou DC
– Vocês vão limpar o banheiro masculino e feminino hoje a tarde. — Eu e DC arregalamos os olhos e nos encaramos e depois voltamos a encarar a diretora.
– Não! — Falamos eu e DC juntos
– Isso não é uma escolha, é uma ordem. — Falou brava. — Agora saiam da minha sala.
Sai da sala batendo forte a porta.
– Obrigada mesmo DC! Vou ter que limpar aquela nojeira por sua causa! — Falou
– Deixa de ser fresca Mônica. — Falou ele revirando os olhos entediado.
– Vou te mostrar a fresca. — Falei e comecei a bater em seu peitoral, tentando me parar ele pegou meus pulsos e me prensou no armário.
– Para Mônica. — Eu não parei, comecei a me debater tentando sair.
– ME SOLTA SEU RESTO DE ABORTO, FILHO DA MÃE, DESGRAÇADO! — Falei
– PARA DE GRITAR!! — Falou gritando
– VOCÊ TAMBÉM ESTÁ GRITANDO! — Falei gritando
Percebi a aproximação exagerada do nossos rostos, seu nariz estava quase tocando o meu, olhei para a sua boca e depois para seus olhos escuros, ele foi aproximando e tocou meus lábios, começamos um beijo com luxúria, diferente dos beijos com o Cebola que eram apenas com carinho. Travamos uma batalha que não havia vencedor e nem perdedor. Ele levou suas mãos a minha cintura e eu levei as minha mãos a sua nuca. Depois que terminamos o beijo encarei seus olhos de me toquei o que acabei de fazer. EU TRAI O CEBOLA. Com esses pensamentos saí correndo em direção ao banheiro.
Cheguei no banheiro fui em direção a pia abrindo a torneira molhando minhas mãos colocando em minha nuca tentando tirar esse calor insuportável. Olhei em meu reflexo e lembrei do meu beijo com ele.
– Mônica, o que você acabou de fazer sua louca? — Falei olhando meu reflexo no espelho.
Fale com o autor