Casamento Forçado

19 Não finja se importar!


– Mamãe não vai deixar que nada de errado aconteça com você. — Falei olhando minhas mãos enquanto passava pela barriga.

Isso só pode ser um pesadelo muito ruim. Quando eu fechar meus olhos eu vou acordar em minha casa com o amor de meus pais e o vou ter o Nimbus vivo. Isso não pode ser real. A realidade não pode ser tão dura comigo.

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Magali

Não sei por quanto tempo fiquei ali sozinha conversando com o meu pequeno filho que estava em meu ventre.

– Não precisamos dele meu amor. — Falei acariciando minha barriga. — Assim que você nascer vamos sair desse lugar. — Falei sorrindo em meio as lágrimas. — Mas isso vai ser um segredinho nosso.

Escutei alguns passos vindo do corredor e tratei de secar minhas lágrimas.

– A minha mãe e a sua vem jantar hoje aqui. — Falou ele na porta do meu quarto. — A Mônica também vem...

– Vou me arrumar e já vou. — Falei seca me levantando da cama e fui em direção ao banheiro.

Me despi e liguei o chuveiro, deixei a água quente escorrer pelo meu corpo como se isso fosse levar meus problemas embora. O box do banheiro já estava ficando embaçado indicando que eu já estava muito tempo ali. Desliguei o chuveiro e me sequei rapidamente e coloquei uma roupa solta para não marcar a minha barriga. Um vestido com listras em preto, branco e vermelho. Como era muito curto coloquei uma meia-calça preta e calcei uma bota. Olhei para o espelho e tentei desembaraçar o ninho de rato que eu chamo de cabelo. Céus! Isso está um horror.

– Morreu ai dentro? — Falou uma voz na porta do banheiro. — Elas já devem estar chegando.

– Já estou indo. — Falei, olhei para o meu cabelo e dei de ombros, deixei ele solto, não vai dar tempo de amarrar.

Desci as escadas e todos já estavam na mesa de jantar conversando, respirei fundo e me dirigi até lá.

– Oi. — Falou a Mônica se levantando da mesa e me dando um abraço apertado. Como eu adoro os abraços dela, me faz sentir... Segura.

– Oi. — Falei me sentando ao seu lado e notei em sua roupa. Ela vestia uma blusa estampada, uma jaqueta preta e um short da mesma cor. Ela é perfeita, bem diferente da minha situação agora.

Cumprimentei todos os presentes na sala. O DC, a mãe do Rubens e minha mãe.

Começamos a comer e a minha mãe e a minha "sogra" a Joana não paravam de falar sobre nós dois.

– Meu filho só pode ser louco de engravidar uma menina de dezessete anos. — Falou ela chocada.

– Homens só pensam com a cabeça de baixo. — Falou minha mãe e eu escutei a Mônica e o DC rindo baixo. Dei um olhar mortal pros dois que abaixaram a cabeça e tomaram um pouco de vinho. — E a minha filha que abriu as pernas pra ele? — Senti minhas bochechas pegarem fogo, eu deveria estar igual um pimentão.

– Por que vocês não usaram camisinha? — Falou Joana encarando o Rubens. — Em postos de saúde são de graça.

– Foi um deslize. — Falou Rubens

– Você é um professor de biologia, não deveria ter esses deslizes. — Falou minha mãe.

– Chega isso é constrangedor. — Falei para elas pararem de falar. — Não precisam falar sobre a minha vida sexual.

– Constrangedor é eu ter uma filha grávida aos dezessete anos. — Falou ela

– Chega! — Falei irritada. — Eu sei que tenho dezessete anos e ele tem vinte e três. Sei que fomos irresponsáveis e inconsequentes, mais nada disso vai tirar o fruto disso da minha barriga.

– O que é uma pena. — Resmungou o Rubens e eu encarei ele incrédula. — O que foi? Eu não quero ter esse bebê.

– Na hora de fazer você quis. — Falei irritada. — Quer saber? Pra mim esse jantar acabou. — Falei me levantando da mesa e saí correndo para o quarto.

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Mônica

A Magali saiu correndo

– Estão felizes agora? — Falei irritada.

– N-não era a nossa intenção. — Falou a Joana

– Eu vou atrás dela. — Sussurrei para o DC que assentiu.

Saí pela casa e abri alguns quartos e não achei nada. Abri outro quarto e não vi nada mais eu escutei uma voz baixinha, entrei no quarto e fui até o banheiro vendo a Magali sentada no vaso sanitário que estava com a tampa fechada chorando.

– Ele não quer o bebê. — Falou ela chorando

– Claro que ele não quer. — Falei revirando os olhos. — Droga, como você transa com ele sem camisinha Magali?

– Eu me esqueci! — Falou ela soluçando. — Será que posso ter o colo da minha amiga? — Falou ela chorando eu cheguei perto dela e abracei ela.

– Onde fomos parar? — Perguntei — Forçadas a casar.

– Estamos no fundo do poço.

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Cheguei em casa preocupada em deixar a minha amiga lá sozinha naquela casa. Coloquei meu pijama e me joguei na cama, pensando como a vida dela estava ruim... E eu reclamando da minha...

– Que briga... — Falou o DC saindo do banheiro apenas box e se jogando na cama.

– Dá pra colocar um pijama? — Falei puxando o fino lençol

– Minha falta de roupa te incomoda? — Falou ele sorrindo debochado. Que raiva.

– Claro que não. — Falei devolvendo o sorriso debochado.

– Tem certeza? — Falou ele subindo em cima de mim e começou a beijar meu pescoço e eu me arrepiei. Eu estava gostando mas ele não precisava saber.

– Pode parar? — Falei tentando sair de baixo dele. Ele deu uma gargalhada gostosa e se deitou. Senti uma contração na minha intimidade. Sério que eu estava... exitada com o DC?

Haha, que piada. Deve ser outra coisa. Me virei para o lado ignorando as contrações e adormeci.

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Magali

Não estava conseguindo dormir. Que fiasco de jantar, tudo na minha vida da errado. Meu namorado me trai, meu melhor amigo morre, descubro que estou grávida de um homem mais velho e casado e ele está comigo por obrigação.

Senti um cheiro de café vindo do vizinho. Quem toma café de noite? Esse cheiro fez meu estômago se remexer. Não... De novo, não!

Sai correndo e fui até o banheiro vomitando o pouco que eu tinha jantado.

– Você está bem? — Falou uma voz vindo da porta, me virei e vi o Rubens me encarando preocupado.

– Desde quando você se importa? — Perguntei lavando minhas mãos e minha boca.

– Você está pálida. — Falou ele

– Pode parar. Sua mãe não está aqui não precisa fazer esse teatrinho. — Falei nervosa. — Não finja se importar comigo ou com meu filho que isso não é verdade. Você só se importa com você mesmo.