Casamento Forçado
21 Me desculpa?
3ª Pessoa
A batida frenética da música eletrônica que tocava na festa já estava irritando a Mônica. Ela nunca fora de gostar de festas. Mônica pegou seu celular e olhou para o horário. Já eram três da madrugada.
– Vou tomar um ar fresco. — Falou Mônica um pouco alto no ouvido da Magali para o entendimento da mesma.
– Tudo bem. — Falou ela alto no ouvido da amiga voltando a dançar.
Mônica passou com dificuldade entre as pessoas que cheiravam a bebida alcoólica e pelos casais que quase se comiam no meio da pista. Aquela luz colorida que piscava estava fazendo ela ficar tonta. Ela achou a porta do jardim que tinha no interior do terreno e foi até lá. Ela abraçou seu corpo quando a brisa fria da madrugada percorreu seu corpo fazendo ela se arrepiar.
– Quem é? — Falou o Fabinho tampando os olhos da Mônica
– Fabinho, eu sei que é você. — Falou ela. Ele destampou os olhos dela e abraçou fortemente a amiga.
– Ai, minha coluna. — Falou a Mônica tentando sair do abraço do amigo. Ele finalmente soltou ela. Ela agradeceu mentalmente por conseguir respirar novamente.
– O que está fazendo aqui? — Questionou ele. — Tem uma festa lá dentro.
– Aquela música já está me irritando. — Falou ela andando entre as árvores.
– Passa os anos e você continua careta. — Falou ele. Ela por usa vez deu um tapa na cabeça dele. — Ouch... — Falou ele passando a mão na cabeça. Quando começou a cair algumas pancadas de chuva.
– Vamos entrar? — Perguntou ela. — Está chovendo.
Os dois entraram novamente no clube.
– Antes de ir embora me da a honra dessa dança? — Falou Fabinho se curvando e a Mônica se pôs a rir.
– Claro, senhor. — Falou ela se curvando entrando na brincadeira.
O Fabinho se aproximou da Mônica e pousou suas mãos na cintura da dela. Ela colocou as duas mãos na nuca dele. Começaram a dançar a música Payphone que tocava no momento. Os dois dançavam como se existisse uma bolha invisível que fazia eles não prestarem a atenção e nada que estava acontecendo ao redor. Eram só os dois.
Os dois eram amigos desde crianças, tinham uma forte ligação, eram quase irmãos de sangue. Passaram os anos e eles viraram adolescentes quando ela descobriu que o Fabinho teria que se mudar para Paris, ele ganhou uma bolsa em uma das principais escolas de lá. Mônica não pode negar que sofreu muito com essa separação. Mesmo sendo amizade de um homem com uma mulher não tinha malicia entre os dois. Depois de vários anos ele voltou para a sua cidade natal. Mônica ficou muito feliz com isso.
– Vamos embora? — Perguntou o DC para a Mônica com um sorriso falso. Ele não sabe o porque mas não suporta o Fabinho. Mônica assentiu.
– Tchau — Respondeu ela dando um beijo na bochecha do Fabinho.
Mônica e DC passaram com dificuldade entre as inúmeras pessoas que tinham ali. Mônica correu para o carro para evitar a chuva que agora estava forte.
O caminho do clube até a casa deles era muito longo, eram horas e horas de estrada.
Mônica encostou sua cabeça na janela. Já se podia ver os clarões seguidos pelos barulhos ensurdecedores. Mônica nunca gostou de trovões. Ela se encolheu em seu assento enquanto via a paisagem pela janela. DC se concentrava na estrada. Com essa chuva batendo no vidro dificultava a sua visão na estrada. Quando ele olha no painel do carro vê que a gasolina está acabando. "Droga... Tudo menos isso" pensou ele. Olhou ao redor e estava em uma rua deserta e não tinha nenhum posto de gasolina por perto.
– Não vai dar para chegarmos em casa. — Falou o DC nervoso e a Mônica o encarou
– Como assim? — Questionou ela
– A gasolina acabou.. — Falou ele e a Mônica se desesperou. Como se uma lampada se acendesse na cabeça da Mônica ela abriu o porta-luvas do carro e pegou seu celular.
Sem sinal.
Ela se desesperou, estava dentro de um carro no meio do nada com uma enorme tempestade no lado de fora do carro. E o pior ainda... Estava junto do DC.
– Vamos ter que esperar a tempestade passar. — Falou ele na maior naturalidade fazendo a Mônica sentir seu rosto esquentar por causa da raiva.
"Eu que não fico aqui presa nesse carro junto com ele." Pensou a Mônica abrindo a porta do carro e saindo do mesmo.
Ela andava sem rumo pela estrada de terra. A chuva molhou completamente ela. Seu vestido estava colado em seu corpo e seu cabelo estava liso e encharcado. Quando o céu se iluminou a Mônica levou um susto. Droga! Por que existe trovão mesmo?
O DC saiu do carro em direção a Mônica.
"O que essa louca está fazendo?" Pensava ele enquanto andava em direção a ela.
Mônica andava sem rumo, nem ela mesma sabia o que estava fazendo. Só queria ficar longe dele... Nem ela sabia dizer o por quê. Ela foi tirada de seus pensamentos com um braço a puxando.
Ela se virou para trás vendo o DC todo molhado. Seu cabelo estava para baixo pingando nas pontas. Sua camisa branca estava transparente deixando seus musculosos a mostra. " Que homem é esse?" Pensou Mônica.
"O que estou estou pensando? Ele me incomoda desde que me conheço por gente, ele só é um pouco bonitinho... Deve ser uma pequena atração." Pensou Mônica tentando se convencer.
– Vamos, está frio. — Falou DC pegando a mão da Mônica e foi puxando ela para o carro. Mônica se sentou no banco de passageiro e abraçou seu próprio corpo tentando se aquecer.
– Me desculpa... — Falou DC interrompendo o silêncio que reinava no carro.
– Pelo o que? — Perguntou a Mônica
– Por sempre te incomodar. — Falou ele olhando para baixo. Ele nunca foi de pedir desculpas. Aquilo estava sendo difícil. — Desculpa por te xingar, te empurrar na piscina na sua festa de quinze anos, jogar tinta na sua cara... — Ele foi interrompido pela risada da Mônica. Engraçado como toda raiva que ela sentia sumiu de uma hora para a outra. Ele tinha esse poder sobre ela.
– Você esqueceu da vez na reunião de família que você colocou pimenta na minha comida... — Falou a Mônica rindo e ele teve que rir lembrando da cena.
– Só se você me desculpar por ter quebrado seu boneco favorito aos cinco anos e furado sua bola de futebol. — Falou a Mônica e o DC arregalou os olhos.
– Foi você... — Falou ele e ela gargalhou.
– Me desculpa por ter ligado para sua mãe e estragado sua noite com a Carmen. — Falou ela e ele gargalhou. — Por ter jogado água gelada em você...
– Eu te perdoo. — Falou ele interrompendo a Mônica
– Eu também. — Falou Mônica
Só então Mônica percebeu a distância dos rostos quando a respiração dele bateu em seu rosto. DC se aproximou dela e selou seus lábios. Mônica ficou confusa mas não recusou. Pelo contrário ela aprofundou o beijo. Mônica começou a se lembrar da Carmen, da Maria, da Denise... Ela interrompeu o beijo e ele encarou ela confuso.
– O que foi? — Perguntou ele
– DC eu te conheço bem... — Falou ela trincando o maxilar. — Você brinca com o sentimento das garotas. Eu não vou fazer parte dessa lista.
DC abaixou a cabeça, ela estava certa. Ele sempre brincava com o sentimento das garotas. Mas dessa vez era diferente... Ele nem pensava em fazer algum mal a ela. Ele se questionava o por quê. Ele nunca se importou com os outros. O que estava acontecendo com ele?
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