Casamento Forçado
23 Eu te odeio e te amo
"Amor não é se envolver com a pessoa perfeita,
aquela dos nossos sonhos.
Não existem príncipes nem princesas.
Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.
O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser."
– Desconhecido
~♥~
Magali
Agora é oficial estou ferrada. Nenhuma roupa disfarça mas a minha gravidez. Eu sabia que uma hora ou outra isso iria acontecer... Não poderia esperar até as férias não? Eu só tenho roupas justas. Assim não dá.
– Está pronta? — Perguntou o Rubens. Nós sempre vamos mas cedo do que o normal para ele corrigir provas e trabalhos.
– Não. Vai indo na frente. — Falei e ele assentiu saindo do quarto.
Peguei meu celular e disquei o número da Mônica.
– Alô?– Falou a Mônica
– Oi Mônica. Preciso de ajuda. — Falei
– O que foi?– Perguntou ela bocejando.
– Eu preciso da roupa mas larga que você tiver na sua casa. — Falei
– Para que isso agora?
– Já estou com quase com cinco meses de gestação. — Falei e ela bufou.
– Sério Magali? Para de tentar esconder essa barriga. Gravidez é uma coisa maravilhosa.
– Não na adolescência com seu professor... — Falei
– Ta bom.– Falou ela bufando.
– Estou te esperando.
~~~
Mônica
Droga! Essa obsessão da Magali em esconder a gravidez está me tirando do sério.
Gravidez deve ser uma coisa maravilhosa. Uma vida nascendo dentro de você. Ter o privilégio de dar luz a uma nova vida e criar uma vida. Tantas mulheres que rejeitam os filhos enquanto existem mulheres que queriam ter a oportunidade de ter pelo menos um.
Saí da banheira e me sequei rapidamente. Peguei a minha roupa e vesti. Uma blusa preta, uma saia rosa, meu sapato preto e meu rosário que ganhei de meus pais em uma viagem a Roma.
Fui até meu closet tentando achar uma roupa larga para a Magali. Procurei um pouco e achei o vestido de minha mãe que ficava um pouco largo em mim. Dobrei e coloquei na minha bolsa.
– Vai sair? — Perguntou o DC se espreguiçando sentado na cama. — Ainda falta para começar a aula.
– Vou na casa da Magali antes. — Falei. — Tchau.
Desci as escadas e fui até a cozinha pegar uma maça. Fui comendo ela pelo caminho e entrei no meu carro. Liguei o rádio e estava tocando a música Hot.
– You make me so hot... — Fiquei cantarolando baixinho enquanto dirigia. -... Make me wanna drop...
Avistei a nova casa da Magali e estacionei o carro. Entrei na casa e fui até o quarto dela.
– Oi. — Falei batendo na porta.
– Finalmente. — Falou ela — Trouxe o que eu pedi?
– Sim. — Falei jogando o vestido em direção dela. Ela pegou o vestido no ar e colocou indo se ver no espelho.
– Perfeito. — Falou ela
– Pode ficar para você — Falei
– Valeu. — Falou ela sorrindo. — Já falou com o DC?
– Falei o que? — Perguntei então me lembrei da conversa de ontem. — Só falta a coragem... — Falei abaixando o olhar.
– Se joga. — Falou ela.
– Até ontem nós eramos inimigos. — Falei. — Tenho medo do que ele vai dizer. E se ele rir de mim? Se ele me humilhar?
– E se ele corresponder? — Falou ela me cortando. — Você nem parece a Mônica que eu conheço. Cadê a garota confiante que não tem medo de nada?
– Eu não consigo. — Falei cabisbaixa. — Ainda tem o Cebola...
– Para! Pode parar. — Falou ela — Você tem que parar de pensar nos outros por um momento, só por um momento pense em você. Ele já é grandinho, ele vai suportar isso. — Quando eu ia falar ela me interrompe novamente. — Se você não falar com ele a Carmen fala... — Opa.
– Não fala dessa vaca. — Falei irritada. — Ele não ficaria com ela.
– Porque não? — Perguntou ela sorrindo
– Por... por... — Falei tentando achar algum motivo. Olhei para o meu celular e já estava no horário. — Já está na hora da escola.
– É incrível o poder que você tem para mudar de assunto. — Falou ela rindo. — Vamos.
As aulas passaram lentamente. Eu não consegui prestar a atenção em nenhuma palavra que o professor dizia lá na frente. Estava pensando no que fazer.
Depois de tediosas horas o tão esperado sinal tocou. Recolhi meu material e coloquei na mochila. Andei pelo corredor que estava lotado de alunos loucos para saírem do colégio. Senti meu celular tocar. Abri a minha mochila e peguei ele.
"Coragem.
– Magali"
Sorri ao ler a mensagem. Droga, quem estou tentando enganar? Eu estou apavorada. Beijei o meu rosário. É agora ou nunca.
~~~
Magali
Mandei uma mensagem para a Mônica. Esses dois tem que se resolver, eles são perfeitos juntos só eles que não percebem.
– Com licença? — Falou alguém puxando meu braço me virei e vi a diretora.
– O que deseja? — Perguntei
– Poderia me acompanhar até minha sala? Por gentileza? — Perguntou ela e eu segui ela pelo corredor que já estava quase vazio.
– O que eu fiz de errado? — Perguntei assim que entrei na sala dela.
– Vou direto ao ponto. — Falou ela se sentando. — Como vão suas notas em biologia?
– Vão boas... — Falei
– Vão boas por que você tem aulas particulares com o seu professor? — Perguntou ela
– Oi?
– Magali, é inevitável não escutar o assunto na escola. — Falou ela e eu respirei fundo. — É verdade que você está grávida dele?
– Com licença mas a senhora não tem nada a ver com a minha vida pessoal. — Falei braba. Quem ela pensa que é?
– Calma. — Falou ela. — Aqui tem um grupo de ajuda e conversa com adolescentes grávidas, se você quiser vinr... — Falou ela me entregando um papel rosa.
– Talvez eu venha. — Falei
– As reuniões são todos os sábados. — Falou ela sorrindo. — Te espero aqui.
– Se for só isso estou de saída.- Falei dobrando o papel e colocando na mochila. — Tchau.
Só que me faltava um grupo de ajuda. Parece que eu estou com uma doença ou algo do tipo. Eu só estou grávida. Que droga!
~~~
Mônica
Estava no estacionamento da escola esperando a Magali. Essa garota morreu lá dentro? Peguei meu celular e mandei uma mensagem para ela.
"Magali, vem logo se não eu vou embora sozinha.
– Mô"
Se passaram alguns minutos e ela respondeu.
" Calma! Não vai embora! A diretora que me chamou para se meter na minha vida.
– Maga"
Essa diretora era um pé no saco. Que mulher chata. Bloqueei meu celular e guardei o mesmo.
– Desculpa a demora. — Falou a Magali ofegante.
– Você correu no estado que você está? — Perguntei
– Mônica... Eu só estou grávida, não estou aleijada. — Falou ela abrindo a porta do passageiro. Depois eu que sou a teimosa, abri a porta do carro e entrei nele. A Magali ligou o rádio e começou a trocar as estações.
– Da para deixar uma música? — Perguntei
– Calma, estou tentando achar uma música legal. — Falou ela trocando de estação novamente. Então ela deixou em uma música que logo reconheci. Fiquei cantando algumas partes baixinho.
I could stay awake just to hear you breathing
Watch you smile while you are sleeping
– Já pensou no que vai falar para o DC? — Perguntou ela
I could stay lost in this moment forever
Every moment spent with you
Is a moment of treasure
– Não! O que eu faço? — Perguntei parando em um semáforo que estava vermelho. — Chego nele e falo: "Não sei como aconteceu mais eu te amo?" , "Estou apaixonada por você?" ou "Me beija?" — O carro de trás buzinou e eu vi que o semáforo já estava verde. Acelerei o carro e virei a esquina.
Don't wanna close my eyes
I don't wanna fall asleep
'Cause I'd miss you, baby
– Na hora você saberá como agir. — Falou ela sorrindo
And I don't wanna miss a thing
'Cause even when I dream of you
The sweetest dream would never do
– E se eu me magoar? — Falei receosa
I'd still miss you, baby
And I don't wanna miss a thing
– Se ele te magoar podemos arrancar o brinquedinho dele e dar para os tubarões comerem. — Falou a Magali e eu olhei para ela com os olhos arregalados. — Que foi? Só foi uma ideia. — Eu comecei a rir. Só ela mesmo para me fazer rir nessa hora.
Depois de um tempo na estrada estacionei o carro na frente da casa dela. Desliguei o rádio.
– Tchau. — Falei e dei um beijo na bochecha dela.
– Até mais. — Falou ela abrindo a porta do carro.
– Quer ajudar para sair? — Perguntei preocupada.
– Mônica, eu estou grávida não invalida. — Falou ela revirando os olhos. — Tchau e boa sorte!
Esperei ela entrar na casa, eu sei que ela está só grávida mas eu me preocupo com ela. Depois que ela sumiu da minha visão liguei o carro e fui para casa. Depois de poucos minutos vi a minha casa. Respirei fundo e coloquei o carro na garagem no lado do carro dele.
Abri a porta do carro, sai da garagem e respirei fundo entrando dentro de casa.
– DC? — Chamei e ninguém me respondeu. Subi as escadas e entrei no quarto ele estava na sacada do quarto sentado. Juntei um pouquinho da coragem que eu tinha e fui até a sacada.
– Podemos conversar? — Perguntei um pouco receosa
– Sim... — Falou ele confuso. — O que foi?
– Como eu posso começar? — Suspirei alto. — Quando eu te vi pela primeira vez na escola eu era bem bobinha, infantil. — Falei limpando uma lágrima que escorreu dos meus olhos. — Eu achei que você era meu príncipe encantado como nos contos de fadas. Céus... Eu era muito bobinha. Daí eu fui falar com você e nós discutimos. — Falei rindo me lembrando da nossa primeira briga.
– Eu me lembro, foi o dia que eu ganhei minha primeira coelhada. — Falou ele e eu ri.
– Desde então somos meio desafetos. — Falei respirando fundo. — Quando eu descobri que teria que casar com você meu mundo desabou. Como eu iria ficar em uma casa sozinha com você?
– Onde você quer chegar? — Perguntou ele claramente confuso.
– DC eu... — Eu travei. Eu imaginava a cena dele me humilhando ou rindo de mim. — Eu te amo, você não sabe como é sufocante ter que fingir para todos que eu não me importo com você, ou que eu não me importo quando a Carmen dá em cima de você. Isso é sufocante. — Falei chorando. — Eu te odeio por você ser tão irritante, odeio saber que você ficou com a metade das garotas da escola e odeio admitir que elas são mais bonitas que eu... — Falei olhando para meus pés, não tinha coragem para olhar para ele. — Eu te odeio e te amo ao mesmo tempo.
Me sentei no sofá que tinha ali e apoiei minha mão em meu rosto. Não queria olhar para o rosto dele. Até que o silêncio foi quebrado por ele rindo. Meus olhos marejaram e eu senti meu coração se despedaçar. A Magali tinha razão, porque ele não ficaria com a Carmen? Ela é linda, bem diferente de mim.
– Eu sou uma idiota mesmo. — Falei me levantando. — Esquece o que eu disse. Eu não sabia onde eu tava com a cabeça quando eu falei isso tudo. — Falei indo em direção a porta de vidro para sair o mais rápido possível dali. Quando o DC me puxa pelo braço.
– O que você quer? — Falei puxando meu braço. — Me humilhar mais ainda?
Então eu me virei e ele estava bem perto de mim, sua respiração batia em meu rosto. Ele se aproximou e selou nossos lábios, logo depois aprofundou o beijo. Nesse momento senti meu estomago se revirar. Uma explosão de sentimentos. Se eu pudesse congelaria o tempo nesse momento. A maldita falta de ar nos fez separar. Encarei seus olhos negros.
– Eu também te amo. — Falou ele abraçando.
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