Uma semana passou-se após o incidente com Daryl e sua amante. Malmente o vi nesse período de tempo, e isso me fazia sentir-me pior do que já estava.

Tudo o que eu queria era um pouco de atenção. Não queria afeto e nem carinho, queria poder conversar com alguém e queria que alguém me entendesse e esse alguém eu pensava que era ele. Mas percebe-se que ele não está nem aí para o que acontece comigo, enquanto eu me preocupo onde ele possa ter ido.

O clima tenso e triste dessa casa já me dominava. Este lugar é carregado de dor e tristeza. Desde pequena, papai dizia que eu era especial. Uma esponja que suga sentimentos e essa maldita esponja está me fazendo chorar agora.

Lágrimas foram derramadas aqui, sangue também. Eu agarrava minhas pernas em sentido de abraço, tentava sentir-me mais aquecida, e nada funcionava. Chorava por mim, pela minha desgraça, a saudade do meu pai, do meu irmão e da minha pequena Sofie. Nem pude me despedir deles.

Era um dia fresco e até agora eu só conhecia a sala de jantar e meu quarto. Precisava explorar essa casa e sair da rotina monótona que eu havia feito.

Visto calça e regata e calço um tênis confortável. Desço as longas escadas e me deparo com Dalila polindo os móveis e tapeçarias.

Ela sorri para mim, acho que ela tentava me acolher em seu sorriso frio e falso. Ela também estava triste.

Tomo meu café apressadamente. Não espero mais por Daryl, pois sei que ele não virá. Perguntei-me o quanto ele e sua amante riam de mim enquanto trepavam, e isso me despertava muito ódio. Afastei os maus pensamentos e levantei-me. Hoje eu teria uma aventura por este castelo!

Olhei cuidadosamente cada canto do jardim e cada lugar do andar térreo. Nada de interessante.

Subi as escadas para o segundo e terceiro andar, fuçando os quartos e nada mais uma vez. O sótão só escondia coisas velhas e defeituosas, coisas sem interesse.

Logo me lembro de uma porta escondida entre os galhos secos do que chamavam de jardim: Um porão?

Fui à velocidade de bala, com esperança de que lá houvesse algo que me interessasse. E o que encontrei foram somente livros velhos sobre mitologias idiotas, espadas e facas.

Meti-me entre os livros a procura de algum que me interessasse. Obtive sucesso em minha busca. Passei minhas mãos por capas velhas e empoeiradas de livros antigos, e meus olhos brilhavam. Peguei alguns e os levei para meu quarto.

Ao entrar me assusto com a presença rara de Daryl. Ele estava sem camisa, aparentemente se trocando para sair.

Eu o olhava, pois ele era bonito. Pálido e com músculos torneados e um abdômen de dar inveja a qualquer um. Seus braços musculosos que traçavam grossas veias até as mãos. Em seu abdômen havia uma fina linha de pelos loiros, quase imperceptíveis devido o seu tom de pele, e aquilo me fez imaginar onde aquela fina linha poderia parar e eu corei perante o pensamento.

Ele sorri satisfeito já percebendo que eu o comia com os olhos.

— Gostou do que viu ratinha?

Eu continuava olhando, mas agora com olhos vazios.

— Pelo visto já andou fuçando por aí não é?

Respirei fundo antes de respondê-lo.

— Eu me sinto muito só aqui, então fui procurar por algo que me entretece. Achei esses livros.

Por um momento, pensei que ele ficou mais branco do que já era.

— Livros?

— Sim, os do porão.

— Ah, são só livros velhos. Uma ratinha como você não entenderia o que eles dizem.

— Agora me chama de burra?

— E não é o que você é?

— Olha só, seria melhor você ter ficado sumido. Se quiser ir se divertir com sua amiguinha, tudo bem, eu não me importo com isso, afinal você não significa nada para mim. – Ele estreita os olhos. – Vamos honrar o acordo de que eu finjo que não te conheço e você faz o mesmo.

Ele se aproximou e começou a me rodear, analisando-me. Puxava meus cabelos os levando até o nariz e inalando o cheiro que vinha deles.

— Você é uma ratinha insolente não é mesmo? E se eu não quiser? O que você irá fazer? – Ele passava suas frias mãos em minhas costas. Eu tentava ignorar aquele sentimento elétrico dentro de mim e com muita luta consegui suprimi-lo.

— Creio que deixarei você conversando sozinho, como vou fazer agora. Esperarei até que você se retire dos meus aposentos.

Fui em direção à porta.

— Seus aposentos? Que eu saiba este é meu quarto, e esta é minha casa e você é minha.

— Engraçado não é? Todos os dias eu acordo com um lado da minha cama fria, por quê? Porque meu marido está se esfregando com uma qualquer, quando ele tem uma mulher em casa! Sim, esta casa pode ser sua, mas eu não te pertenço. Acho que você se esqueceu de me fazer sua. – Falo com desdém.

Ele me olha com fúria devido a minha resposta insolente e eu me encolho.

Ele marcha em minha direção e eu penso que vou ser estapeada, mas na verdade sou arremessada para a cama.

Meu cérebro para e eu me pergunto como ele conseguiu realizar tal feito e isso me estremece de medo.

Ele rasga minhas roupas com facilidade e o desespero me domina. Lágrimas brotam em meu rosto e nos dele eu só consigo ver diversão.

Ele se diverte com meu desespero.

Ele sorri debochado pelo que vê.

— Nada mal ratinha, nada mal. Acho que posso até te tratar melhor depois de ver você assim. – Eu chorava e não conseguia fazer nada. Nenhum movimento sequer.

Ele me beija forçadamente me deixando sem fôlego para respirar. Mordo sua língua e consigo sentir o gosto do sangue em minha boca. Ele grita.

Ele se levanta e me encara com as mãos na boca contendo o sangue.

— Você gosta de morder é? E de ser mordida? – Parece que o sangue estanca e ele vem novamente para cima de mim em um ato rápido que meus olhos não conseguiram acompanhar.

Eu sinto uma dor fina em meu ombro e sinto um líquido quente descer e molhar o forro da cama.

A dor se intensifica e eu grito e berro.

Ele se separa de mim com um olhar satisfeito, veste sua blusa e saí do quarto me deixando seminua e com uma ferida.

Olho de relance para o machucado e vejo que foi uma mordida profunda. Dói e ao mesmo tempo arde. Como ele foi capaz de fazer isso com uma mulher? Será que ele age do mesmo jeito com a tal Victória? Acho pouco provável afinal ela é a “mulher” dele.

Grito por ajuda e logo Dalila aparece no quarto e treme a me ver naquele estado. Ela corre para minha cama.

— Senhora o que aconteceu?

— Me ajude, por favor, Dalila. – Foi o que eu pude dizer antes que o mundo ficasse preto.

XXX

Acordei e tudo continuava escuro, acho que já é noite. Vejo Daryl encostado na parede de braços cruzados, olhando-me e seus olhos são vazios. Dalila entra no quarto e leva um susto perante a presença dele e rapidamente consigo ver desprezo nos olhos de Dalila.

— Dalila, o que houve?

— Você desmaiou criança, e agora está muito fraca. Trouxe essa sopa para você comer já que ficou horas desmaiada.

Toco o ferimento em meu ombro e vejo que foi enfaixado, mas ainda sinto dor.

Ela se senta na beira da cama e me ajuda a sentar-me. Coloca umas almofadas atrás de minhas costas para que fiquem sustentadas.

Eu não consigo tirar meus olhos de Daryl, e ele faz o mesmo até que Dalila desvia a minha atenção para ela e sua sopa.

— Vamos criança, você precisa de alimentar.

Ele se foi.

— Dalila o que foi que aconteceu aqui? O Daryl me mordeu não foi? Eu não estou ficando louca.

— Shiii... – Ela cobre minha boca. – Não deixe ele ouvir isso.

— Ele já está longe Dalila! Não precisa temer.

— Existem muitas coisas que pelo visto você não sabe sobre o patrão.

Abaixei minha cabeça concordando e pensando o que de tão grave eu não sabia.

Dalila se foi, Daryl se foi e eu estou nesse escuro e frio quarto... Sozinha.