2AM, e me deparo com uma caneta e o meu diário me encarando. As minhas pálpebras se fechando e abrindo em um ritmo desacelerado, os punhos latejando devido á minha mau caligrafia torta. Passo os olhos no que estava escrevendo, e confesso, sem muito orgulho, que era sobre Lee, de novo.

Qualquer ser que lesse aquelas palavras escritas sob a minha mesa, iria ter os mesmos pensamentos que até a minha própria pessoa, no fundo, sabe: "Ela não possui limites mesmo; depois de tudo que Lee fez com ela, ela ainda se importa!"

O que não passa de uma verdade. Em anos passados, em um dia específico, me lembro de estar sentada em um dos bancos de frente pro lugar em que frequentávamos e assim eu observava as pessoas. Prestava atenção em cada detalhe das relações sociais de cada um, imaginando como seria os pensamentos de cada indivíduo em relação ao próximo; tudo isso, porque me encontrava magoada por algum menino que um dia eu já gostara. Lee fora o único que reparara que eu não estava em um dos meus melhores dias. Sentara do meu lado, e começou a me questionar, perguntando o tal motivo por eu estar assim. O motivo era tão vergonhoso, por um menino! E mesmo assim, ele quis saber. Questionara até que eu o respondesse. Ao ouvir, apenas balançou a cabeça, e me disse bonitas palavras (as quais não me recordo), e o meu dia se seguiu melhor.

Em meio ás palavras passadas, bagunçadas do meu diário, há um trecho que diz o seguinte: "Vamos falar sobre o Lee. De início: eu não estou apaixonada por ele, mas o admiro. Ele é como um melhor amigo pra mim, não sei eu em relação a ele. Seu abraço é um dos melhores, sério. Caso estejas mal, ou quase em lágrimas, se estiveres estranha, ele irá notar, vir até você e fazer de tudo para que você sorria para ele, e claro que você acabará caindo no riso. Lee, nada menos, fará simplesmente você esquecer dos seus problemas. E eu vou falar isso pra alguém? Claro que não. Só para o leitor desse pequeno trecho."

Lembro-me de ter escrito esse trecho sobre Lee no mesmo dia em que aquilo ocorrera. E a partir desse dia, me dei conta em que eu saberia que eu sempre poderia contar com Lee, e que meu carinho por ele seria eterno.

Contudo, sabemos que o tempo passa, páginas de calendário são passadas pra próxima sem que nos demos conta. E eu nem me dera conta que nesse tempo todo, Lee fora uma pessoa em que eu tive aqueles momentos de pura gozação, de sentimentalismo.

Em uma das viagens em que fizemos juntos, lembro de observar Lee várias vezes tirando onda de nossos amigos. Uma das melhores memórias que tenho, é de quando estávamos sentados no meio do campo. Sem muito nos importar com os insetos a nossa volta (óbvio, em exceção: EU) e havia uma formiga enorme caminhando próximos ao nossos dedos do pé. Eu estava sentada nos pés de Lee, cansada de estar de pé. Ele pegou a formiga em um dos gravetos e eu comecei a gritar. Demos risada depois, e logo menos a nossa boa conversa, em um grupo de amigos, fluía normalmente de novo. De baixo do sol ardente, discutindo sobre um futuro distante.

E no mesmo dia, no fim da tarde, ele se encontrava na mesma posição em que ele me encontrara naquele dia no banco: sentado, observando as pessoas. Eu fui a quem reparou seu estado, e sua expressão facial não muito comum a ele, cabisbaixo. Sentei ao seu lado, em silêncio. O questionara, até que ele me contasse o ocorrido: também por uma garota. E tentei fazer o mesmo papel que ele, o conforta-lo. O que não pareceu dar muito certo.

Na realidade, nunca achei que Lee gostasse muito de mim. Mas quando me dei conta em que o tempo havia passado, percebi que na real, ele MANTEVE um carinho pela minha pessoa.

Porém, eu havia descoberto isso não em uma das melhores maneiras. O que ocorrera foi que, eu e Lee nos distanciamos. Nunca entendi muito bem o motivo. E o tempo passava, nossos caminhos não se cruzavam. De repente a gente nem se falava mais.

Sonhara muito com ele. Lembro-me do primeiro sonho, em que nos encontrávamos em uma chácara, e assim ele discutia comigo. Dizia que não gostava de mim, que queria distância, que eu já não era a mesma pessoa em que ele havia conhecido. Ele não olhou para mim, e saiu andando. Sentei no chão e me debrucei em lágrimas.

Mal eu sabia que, meses depois de ter tido esse primeiro sonho, ele se tornaria realidade.

Sonhara com o Lee diversas vezes. Ele me pedindo desculpa, ou voltávamos a conversar repentinamente, ou ele brigando comigo. Coisas que aconteceram ou coisas que no meu subconsciente, eu sabia que eram as coisas que eu mais queria que acontecessem.

Não que eu demonstrasse muito isso, mas sempre fui uma pessoa que consigo (na maioria das vezes) disfarçar os ocorridos com brincadeiras sem o menor sentido. E foi que eu fizera por muito tempo. Quando Lee passava diante de mim, eu fazia alguma piada sobre outra coisa, na tentativa de não me incomodar com aquilo.

O que pode ter sido a causa que sonhei com ele (e ainda sonho, em menor frequência) por tantas repetidas vezes, diversas vezes na semana. Mentia pra mim mesma, achando que isso não me afetaria depois. Que não me causaria um sofrimento interno.

Mesmo eu não sendo a total pessoa em que eu fora, Lee também não é mais. Mal ele sabe que nada disso fora pra prejudica-lo, assim como é o pensamento dele. Nunca fizera nada para que o prejudicasse.

Gostaria eu que Lee tivesse ao menos essa noção.

Lembro de uma vez, em que era uma madrugada, e estávamos todos ao vento, usando pijamas e cobertores, conversando sobre assuntos que ocorrem por esse mundo confuso e bagunçado em que vivemos. Lee estava deitado em meu colo, sendo folgado como sempre. Havíamos esquecido de nossa rotina acumulada, e já nossas intrigas que já apareciam raramente em alguns momentos. Fora a última vez em que realmente conversamos.

Ele fora uma pessoa muito importante pra mim. Me ensinou muita coisa e fez parte de muitas fases. E num piscar de olhos, eu não vejo mais ele ao meu lado. Gostaria de reverter, entender, compreender, perdoar, ficar de bem. Acabar com esse sentimento ruim. Minhas tentativas foram em vão; não importam mais.

Por mais que eu tente negar, eu não o odeio. Odiar é algo muito forte. E quem muito odeia, também é capaz de muito amar. Eu apenas odeio o fato das coisas se encontrarem da forma que está.

Como dizem, a esperança é a última que morre. Mas parece uma morte tão próxima.

Não conseguiria odiar alguém que já me fez tão bem, apesar dos desprezos. E foi exatamente o que você fez comigo. E você foi embora como se não houvesse nada.

Lee, olha eu aqui outra vez! Não é possível que alguém mude tanto assim, por inteiro.

E eu sempre vou me importar, mesmo que não estejamos nos falando, estivermos distantes.

E apesar de rir e fingir que não me importo, eu me importo sim! Tem dias que gostaria de ser diferente, mas isso é impossível. Estou preso ao caráter com qual nasci, e mesmo assim tenho certeza de que não sou má pessoa. Faço o máximo para agradar a todos, mais do que eles suspeitariam num milhão de anos. (Anne Frank)

E assim.. Lee foi morar na casa da saudade.

A porta está destrancada.

Gostaria eu de poder noticiar ele disso.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!