Casa, crias e outras coisas mais

3 CAPÍTULO 3 - ESTHER: Nada Aconteceu Como Era Pra Acontecer


— Eu tenho uma coisa para te contar, mas você tem que prometer que isso vai ficar em segredo. _ sussurrei para Bruna no banco de trás do táxi.

— Claro né! Você sabe que pode me contar tudo. _ respondeu Bruna.

— Eu estava atrás da porta ouvindo uma conversa entre o Pete a Lari, e descobri que o Pete...

— Então moças, a tarifa fica em vinte e sete reais. _ interrompeu o taxista parando o carro.

— Vinte e sete? Até parece que a gente viajou de um estado para outro, um absurdo isso! _ Bruna exclamou para o homem.

— Apenas faço meu trabalho, moça. _ respondeu o taxista.

Tirei de minha bolsa o dinheiro e entreguei ao taxista, descendo logo do carro. Sem me recordar sobre o que estava falando com a Bruna, entramos em um beco escuro, de mãos dadas com Bruna pude perceber um pouco longe uma porta , era uma das saídas esquecidas do Hospital Manguart.

— Você está pronta? _ perguntei pra Bruna com um tom confiante.

— É só ir, bora! _ respondeu ela enquanto me puxava pela mão.

Ao cruzarmos a porta, saímos no que parecia uma dispensa de limpeza do lugar. E lá estava, como combinado, uma caixa de isopor cheia de bolsas de sangue. Nosso único objetivo era pegar a caixa e sair dali o mais rápido possível.

-II-

— Onde você colocou a caixa? _ perguntei à Bruna na mesa do café.

— Relaxa, eu escondi no porão, e você sabe, ninguém vai lá. _ respondeu Bruna.

— Assim espero, estou bastante nervosa por causa disso.

— Imagino, eu também estou assim.

Estava com as mãos tremendo, meu coração pulsava tão forte que parecia que iria explodir.

— Mas me fala, você acha mesmo que ele vai descobrir? _ perguntei em um tom um pouco apavorado.

— Fica calada, esquece isso! Finja que nada aconteceu sua imbecil! _ exclamou Bruna pra mim.

Em uma fração de segundos, Ítalo surgiu na cozinha. Foi o bastante para eu derramar minha xícara de café com o susto...

— O que foi? Viu um fantasma? _ perguntou ele com um sorriso irônico no rosto.

— Na verdade ela nunca presta atenção no que faz. Desastrada ela! _ disse Bruna com um sorriso.

— Vocês sabem o que aconteceu com a Bella? _ perguntou Ítalo. — ela estava no quarto chorando ontem a noite, fiquei preocupado.

— Deve ter sido algo que a Maressa fez, não se preocupe com isso. _ respondi curiosa.

— Tudo bem. _ Ítalo deu as costas, sem nem ao menos se despedir.

Após a saída de Ítalo, com o coração na mãe, vejo Maressa correndo pelada pelo quintal e vindo em nossa direção, através da janela da cozinha.

— Eu to louca, mas de amor! _ gritava Maressa nua.

Espantadas sem saber o que estava acontecendo, Bruna e eu continuamos sentadas a mesa...

— Mas o que é isso Mare? _ perguntou Bruna.

— Creio que nada que eu faça precise de uma explicação, principalmente para algo tão insignificante como você. Faça o favor e deixe-me em paz. Ou cortarei sua língua e arrancarei seus olhos.

— Nossa Maré, não precisa falar assim com ela. _ defendi Bruna.

— Você também, querida irmãzinha, _ disse Maré em um tom irônico — não tem nada que se meter onde não é chamada.

Mare nos deu as costas e foi em direção a sala. Sem nem ao menos entendermos o que havia acontecido, sabiamos que era o momento de irmos para o quarto. E assim foi feito, nos levantamos da mesa e seguimos em direção ao nosso quarto.