Casa Ao Lado
1 Crise e Primeiro Dia.
Notas iniciais
Bem, vamos ao que interessa!
Minhas aulas haviam voltado há exata uma semana e eu já me preparava para dormir quando escutei os gritos rotineiros no andar debaixo. Tentando ignorar o fato – que fazia parte das minhas noites durante alguns meses – acomodei-me em minha cama buscando rapidamente pelo meu travesseiro o levanto até meu ouvido da maneira que pude. Eu apenas não queria escutar.
Meus pais, Charlie e Renée, estavam em um tipo de crise. Eles estavam casados há quase vinte anos, mas esse tempo não fora o suficiente para que “apenas uma crise” – de acordo com Alice – fosse evitada.
O problema era que isso com certeza os afetavam e consequentemente afetava-me também. Mas, o pior de tudo, era que eu me tornei um ser totalmente esquecido e ignorado naquela casa. Sendo assim, restavam-me meus melhores amigos, em particular Alice e Edward.
- Que cara é essa, Bella? – Alice, minha melhor amiga, vizinha e irmã gêmea do meu melhor amigo Edward, perguntou-me já sabendo a resposta enquanto eu colocava alguns livros para dentro do meu armário.
- O de sempre. – Respondi simplesmente. Eu não gostava muito de falar sobre o assunto.
- Não fica assim, vai? – Cutucou-me na costela com o cotovelo e eu deixei escapar um sorriso – Isso vai passar.
- O que vai passar? – Edward perguntou se juntando a nós. Era incrível a capacidade de ele aparecer em determinados lugares sem ser anunciado.
- A Bella, os pais dela continuam brigando e eu disse que isso vai passar.
- Brigando? Eles estão em guerra, isso sim! E o pior de tudo é que eu tenho que aguentar calada, eu não aguento mais! – Desabafei emburrada, agora apoiando minhas costas em meu armário recém-fechado.
- Vem cá, peste, ou vamos nos atrasar para a aula. – Edward me puxou pela mão e logo em seguida passou o braço pelo meu pescoço, dando-me uma leve chave de braço – para me irritar, típico dele – até chegarmos à única aula que tínhamos os três juntos, biologia.
Assim que passamos pela porta da classe Edward se juntou com Heidi, seu par na aula de biologia e atual namorada. Eles estavam juntos há quase um mês, e admito que eu sempre me sentia estranha quando os dois estavam juntos na minha presença, era um fato que havia surgido um tanto curioso.
Sentei-me com Alice mais para o fundo da sala como de costume, já me sentindo emburrada por ser “trocada” por Heidi. Idiota, eu sei, eles eram namorados, mas o fato realmente me magoava de tal forma que eu não entendia como classificar.
Observei Edward dar selinhos em Heidi, e só percebi que estava olhando a cena como uma perfeita sadomasoquista quando o professor Greene adentrou na sala e o chamou a atenção pelos beijos.
Alice, por sua vez, limpou a garganta levemente e isso me fez olha-la pela primeira vez na aula de biologia.
- O que foi aquilo? – Ela perguntou-me arqueando uma sobrancelha perfeita.
- Aquilo o quê?
- Nada, Bella. – Finalizou o assunto olhando para o professor Greene que agora dava inicio à matéria.
Como eu sabia que não adiantaria discutir com ela para obter uma resposta, deixei passar e deixei toda a minha concentração fluir na aula.
Minha ultima aula na escola havia chegado ao fim e os alunos já estavam sendo dispensados, sem perder tempo fui até minha picape ao intuito de chegar logo em casa para adiantar meus trabalhos escolares. Quando estava saindo do estacionamento observei pelo retrovisor uma coisinha minúscula de cabelos espetados correndo atrás do meu carro e parei instantaneamente.
- O que foi Alice? – Perguntei enquanto ela se debruçava na minha janela.
- Posso ir com você? O Edward vai com a Heidi hoje. – Ela disse num sorriso amarelo.
- Entra aí!
Alice não conseguia me enganar. Era óbvio que ela não ia com a cara da namorada de Edward, mas ela nunca deixou isso exatamente claro para mim e nem para ninguém. Ela também não era o tipo de pessoa intrometida – o que me surpreendia pelo seu jeito serelepe.
- Quer entrar? – Perguntei para Alice.
- Sim, eu preciso te contar uma coisa também.
Estacionei meu carro no lugar de sempre e entramos em minha casa, ao longe eu pude ver o volvo de Edward estacionando na garagem da casa ao lado.
- Mãe? – Gritei assim que entrei em casa.
- Para de gritar, Isabella! – Renée respondeu-me aparentemente da cozinha.
- Eu só queria avisar que cheguei. – Murmurei entrando no cômodo com Alice logo atrás de mim.
- Oi Renée. – Alice a cumprimentou de longe com a voz energética, como ela sempre era.
- Oi. – Minha mãe a respondeu friamente com a cara enfiada em algum livro de receitas e eu me senti mal pelo tratamento.
Há dois anos, quando os Cullen tornaram-se nossos vizinhos, minha mãe tratava Edward, Alice e Emmett, seu irmão mais velho, como seus filhos. Porém com o tempo a relação deles foi esfriando por culpa de Renée – até hoje eu não consigo entender o porquê – e desde então é difícil à vinda deles até minha casa. Era de certo modo desconfortável o tratamento frio que meus amigos recebiam de minha própria mãe.
Abri o armário e peguei um pacote de biscoitos recheados, coloquei dois copos nas mãos de Alice fui até a geladeira pegando uma caixa de suco, então subimos até meu quarto.
Alice colocou os copos em cima da escrivaninha e literalmente se jogou na minha cama cruzando as pernas no ar e apoiando o queixo em suas mãos. No meu quarto havia duas janelas, uma que dava de frente para a rua e uma janela lateral, que dava de frente para o quarto de Edward.
Abri as duas janelas já que apesar do clima um pouquinho ensolarado em Forks, estava bastante abafado – tempo raríssimo por aqui.
- Você viu os alunos novos que estraram na escola? – Alice perguntou-me com os olhos misteriosamente brilhantes.
- Hm, quais seriam? – Perguntei sentando ao lado dela com as costas apoiadas no travesseiro, era bem difícil entrarem alunos novos em Forks High School.
- Os Hale. – Seu sorriso era estonteante.
- Mais detalhes, por favor. – Perguntei agora interessada.
Eu ouvi murmúrios na escola sobre essa nova família que havia se instalado na nossa pequena e monótona cidade, contudo não dei importância para o fato.
- O nome dele é Jasper Hale, está no mesmo ano que Emmett, e tem a irmã dele, Rosalie Hale que está no mesmo ano que nós.
- E o que tem isso?
- Ele é um gato, Bella! – Ela deu um salto da cama que me assustou por um momento – Ele é lindo, loiro, olhos azul-piscina, cara de inteligente e eu até tirei uma foto dele escondida para mostrar pra você.
Arregalei os olhos.
- Alice, isso é perseguição! Invasão de privacidade.
- Cale a boca e veja!
Alice estendeu-me seu celular e o peguei em minhas mãos.
- Alice... Ele tem cara... De quem... Fuma maconha.
- Bella!
- Alice!
- Isso não é uma das melhores coisas a se falar para uma amiga! – Advertiu-me.
Alice como sempre era Alice, não estava realmente chateada comigo, era apenas seu típico drama que mesmo você consciente do fato, sentia-se culpado por qualquer coisa que seja.
- Desculpe, mas... Você sabe que eu não minto para você, ele tem cara de... Deixa pra lá.
Ela olhou-me estranhamente deixando toda a sua chateação encenada de lado, seus olhos deram lugar a malícia e por um momento eu tive medo dela.
- Você sempre me fala a verdade? – Perguntou-me batendo os cílios.
- E alguma vez eu menti para você? – Eu estava desconfiava.
- Não... Mas...
- Mas?
- Esquece. – Alice concluiu e pegou um biscoito o enfiando completamente na boca.
E eu odiava, odiava quando Alice deixava assuntos sem pé nem cabeça suspensos no ar; e ela fazia isso todo o tempo! A impressão que eu tinha era de que ela sabia de algo, ou desconfiava, mas apenas não queria compartilhar comigo qualquer coisa que isso fosse. Sendo assim, me irritei rapidamente.
-
O meu celular indicava meia noite e os gritos não sessavam. Eu estava exausta, cansada, com sono, irritada e uma vontade enorme de chorar me atingiu. “Eu gostaria que eu nunca tivesse conhecido você” “Por que você não some dessa casa?” “Essa vida é insuportável” “Eu odeio você”. Pelo que eu havia entendido na discussão daquela noite, nenhum dos dois queria deixar a casa, nenhum deles daria o braço a torcer.
E esses foram apenas alguns gritos que eu conseguia distinguir. Olhei para o teto escuro do meu quarto desejando dormir o quanto antes, mas era impossível faze-lo em meio aos berros daquela noite.
Desci as escadas de pijama – leve; azul-bebê; com blusa de mangas cumpridas e short cobrindo bem menos de metade das minhas coxas – praticamente caindo no caminho. Minha presença na sala não foi notada, e a cada grito meu coração se retorcia em desgosto e vergonha de fazer parte daquela “família”.
Ver meus pais naquela situação era deplorável, era difícil de acreditar que quando eu era mais nova a nossa rotina era fazer passeios aos finais de semana no parque ou até mesmo no zoológico, porém, isso ficou no passado.
- Mãe! Pai! – Eu quase gritei, e como o esperado eu continuava invisível.
- Mãe, pai... – Chamei dessa vez um mais alto e novamente fui ignorada.
- Eu estou aqui! – Gritei em plenos pulmões, e dessa vez percebi dois pares de olhos castanhos serem direcionados a mim.
- Se vocês não sabem, eu preciso acordar sete horas essa manhã! Vocês poderiam resolver a merda de vocês em silêncio ou em um horário que eu não esteja em casa?
Silêncio.
Encarei o rosto de cada um a minha frente. Meus pais retribuíram o olhar como se estivesse olhando algo sem graça, uma televisão desligada, algo sem nenhuma importância. A face de ambos estava desgastada, sem expressão para que eu pudesse definir o que eles estavam sentindo.
Silêncio.
- Por favor... – Murmurei sentindo meus olhos arderem dessa vez.
Silêncio.
Julguei que nada mais seria dito ou esclarecido naquele momento, então dei as costas e me voltei para a escada quando senti uma mão forte pegar-me pelo braço e praticamente me arrastar escada a cima.
- Me solta, pai! – Gritei com a voz tremula.
Eu estava em choque, meu pai nunca havia sequer levantado um dedo para mim. Até tempos atrás eu era a sua princesa, sua única e pequena princesa.
- Isso é para você aprender a nunca mais se intrometer em assuntos que não lhe dizem respeito, Isabella, eu não lhe dei educação? – Ele protestou com a voz um décimo mais alto que a minha, praticamente me jogando no corredor quando se acabaram os degraus.
- Sim, eu tenho educação o suficiente para ter aguentado meses calada até agora, eu não — aguento — mais! Eu não sou de ferro! – Minha voz subia à medida que as palavras saltavam da minha boca sem permissão.
Eu podia jurar que Charlie estava prestes a ter um ataque do coração à minha frente, então me sentindo totalmente culpada pelo seu quase ataque eu cambaleei até meu quarto fechando a porta e passando a chave. A essa altura eu estava chorando compulsivamente.
Deitei na cama atordoada e então os gritos tomaram força novamente no andar debaixo. Sem acreditar no que eu continuava ouvindo, sufoquei um grito contra o travesseiro, deixando escapar toda a minha raiva naquele gesto.
Alguns minutos depois senti uma vibração embaixo do meu braço e logo notei que era meu celular. Sem me sentar na cama o puxei indelicadamente e li a mensagem que havia chegado.
Eu estou ouvindo os gritos daqui. Sinto muito, e, por favor, fica bem.
Edward.
Soltei um longo suspiro antes de digitar uma resposta.
Eu não aguento mais, vou acabar enlouquecendo.
Bella.
Segundos depois do meu envio, outra resposta chegou.
Não vai não.
Edward.
Hã?
Bella.
Esperei uma resposta, mas não obtive nem uma nos próximos vinte minutos que se passaram. Estava quase dormindo por conta dos gritos que sessaram numa escala consideravelmente boa quando meu celular vibrou novamente.
Abre a janela.
Edward.
Oi?
Bella.
Só abre a janela, menina irritante, pelo amor de Deus.
Edward.
Edward e eu tínhamos uma relação um tanto estranha para melhores amigos. Muitas vezes nos dávamos apelidos totalmente sem nexo apenas para irritar um ao outro, mas não era uma ofensa, de certo modo era um elogio; e um “eu te odeio” era entendido como um “eu não vivo sem você”.
Sem pensar por muito mais tempo e antes que a curiosidade me tomasse completamente, levantei da cama e fui em direção a minha janela que dava de frente para a do quarto de Edward. A janela dele estava aberta, mas a luz apagada. Assim eu não poderia enxergar nada. Pisquei algumas vezes estranhando o fato e instintivamente esperando por mais instruções em meu celular, e ele novamente.
Não posso gritar droga, olhe para baixo.
Edward.
Ele só poderia estar brincando, logo abaixo da minha janela havia uma escada enorme que dava de encontro a ele, e aos seus pés havia um colchonete azul marinho fino e velho. Edward pegou o seu celular e digitou uma nova mensagem.
Consegue descer sem cair? Ou eu vou ter que subir e te carregar nas costas?
Edward.
Prendi o riso. Sem responder nada, voltei até minha cama correndo e peguei meus chinelos o jogando um por um pela janela.
Não caia; pelo amor de Deus.
Edward.
Pare de me mandar mensagens, isso está se tornando irritante, Ed.
Bella.
Menti. Não estava se tornando irritante, eu só não queria perder a oportunidade de zoar com a cara dele. Não que Edward tivesse preconceitos com homossexuais, mas ele dizia que ‘Ed’ era apelido de gay. E quando ele me irritava, eu usava esse apelido contra ele.
Quando dei por mim a altura realmente me assustou, mas fui mais forte e fechei os olhos ao descer a enorme escada de madeira quase parando em meu percurso. Ri com o fato de o colchonete servir de apoio caso eu despencasse de encontro ao chão.
- Você é louco? – Perguntei desorientada ao chegar ao solo.
- Acho que não, mas estou no caminho. – Ele sorriu torto e seus olhos cor de mel pareciam vibrar.
- O que está fazendo? – Perguntei novamente.
- Bella... – Edward fechou os olhos colocando as mãos em meus ombros e me empurrando levemente para o lado.
Assim feito, ele pegou a grande escadaria de madeira e colocou na sua janela, repetindo o processo com o colchonete aos pés da escada.
- O que está fazendo? – Repeti novamente não querendo acreditar no que meus olhos estavam vendo.
- Pois é Bella, foi bem difícil mesmo pegar essa escada nas coisas do meu pai sem fazer barulho e achar um colchonete no meio das tralhas de ginastica da minha mãe para evitar que você caísse no chão, obrigada pela preocupação. Sou muito agradecido por isso. – Edward encenou um discurso formal perfeito e continuou – Agora sobe, se você cair, cai em cima de mim, e quem morre sou eu e não você. Não quero ser preso por tentativa de homicídio contra uma pequena menininha indefesa. – Edward concluiu casualmente.
Rolei os olhos e subi a escada dessa vez mais depressa e quando cheguei ao meu destino praticamente me joguei dentro do quarto de Edward, assustada mais uma vez pela altura.
Não demorou muito para ele aparecer atrás de mim com um chinelo em cada lado de seu short, e eu ri com a careta que ele fez quando os colocou no chão de qualquer jeito.
- Obrigada. – Murmurei com um meio sorriso, realmente agradecendo por ele me resgatar do inferno onde se tornou minha casa. Talvez, essa noite, eu conseguiria dormir em paz.
- Disponha melhor amiga. – Ele respondeu sorrindo maroto e se curvou diante de mim, eu ri lhe dando uma tapa na cabeça e puxando de leve seus cabelos rebeldes acobreados.
- Acho melhor você dormir, amanhã você acorda alguns minutos mais cedo e eu te levo até a sua janela, repetimos o processo e ninguém vai saber de nada. Muito melhor do que gritos a noite inteira, sim?
- É.
Sentei na cama de Edward, eu já estive muitas vezes em seu quarto, mas não era como se eu o fizesse com frequência. Ele sentou ao meu lado e levou uma mão até meu queixo, fazendo-me olhar diretamente em seus olhos e deu um sorriso triste, cansado.
- Seus olhos estão vermelhos. – Ele disse simplesmente. – Não gosto de ver você chorando.
- Não estou chorando.
- Mas chorou, então é a mesma coisa.
Fez-se silêncio. Uma mecha de meu cabelo deslizou por meu rosto e Edward prontamente a colocou atrás de minha orelha. Desviei meu olhar do seu e pude ver uma cama improvisada no chão, ao lado da cama de Edward. Não me surpreendi, afinal não era como se eu estivesse esperando para dormir na cama dele, com ele.
- Obrigada. – Eu agradeci novamente, já me preparando para descer a cama improvisada.
- Ei! Pará por aí! – Edward disse puxando meu braço e fazendo-me sentar na cama novamente. Gemi internamente, ele não havia me machucado, mas meu braço estava dolorido pela grosseria de meu pai.
- O quê? – Perguntei um pouco assustada.
- Você fica. Eu desço. – Avisou-me determinado.
- Não mesmo! – Minha voz subiu mais do que eu gostaria – Desculpe, eu não quis gritar com você... É que...
- Bella, você fica na minha cama e eu desço, sem problemas. Você deve estar cansada, então fica aí e descansa, porque se tentar discutir você sabe que eu vou ganhar, não é? – A pergunta era retórica.
Dei-me por vencida. Ele ganharia, sempre ganhou.
- Argh! Obrigada, é sério... Eu... – Balancei a cabeça aleatoriamente tentando encontrar as palavras certas, como eu poderia agradecer a Edward pelo que ele estava fazendo por mim?
- Só descanse, quero você bem. Definitivamente você não merece a situação que está vivendo. – Disse sério.
E num ato repentino, Edward beijou-me a testa demoradamente. Fechei os olhos com o ato, me sentindo protegida pelo meu melhor amigo. Sorri com o pensamento e me deitei assim que Edward se acomodou no chão.
Fechei os olhos e esperei pela inconsciência, e depois de alguns minutos ou talvez segundos, finalmente consegui dormir depois que a janela foi fechada por Edward e os gritos desapareceram de vez, e, por fim, senti lábios finos tocarem dessa vez, minha bochecha.
-
Fugir para o quarto de Edward no meio da noite se tornou quase uma rotina. Na primeira noite após aquela, eu realmente me surpreendi com o ‘convite’ de novamente ir para o seu quarto; eu definitivamente não estava esperando por isso, mas foi ótimo ter aquela experiência mais uma vez. E na segunda noite, mais uma surpresa ao receber outra mensagem de texto mandando-me descer a escada que estava posicionada em minha janela. Depois dessas primeiras noites, eu esperava ansiosamente para que ele me chamasse mais uma vez. E de surpresas, o quarto de Edward havia se tornado o meu refúgio feliz.
Emmett, Alice e eu estávamos sentados em nossas cadeiras, no refeitório durante o intervalo. Eu mordiscava uma maçã vermelha enquanto Alice perseguia o louro com os olhos, e Emmett reclamava de algo aleatório que eu não prestava atenção.
- Bella, hoje é sexta, o que faremos? – Alice me perguntou quando Jasper não estava mais em seu campo de visão.
- Eu não sei. Alguma sugestão? – Deixei em aberto.
- Cinema? – Emmett sugeriu tomando a frente de Alice.
- Pode ser. – Ela concordou – Mas antes passa lá em casa? Minha mãe está enchendo meu saco porque há dias você não aparece por lá.
Soltei um riso feliz, Esme era definitivamente uma segunda mãe para mim. A mãe dos meus três amigos era tão serelepe como Alice e um doce de mulher, mãe e esposa. Um verdadeiro exemplo para todos os meros mortais. Era como conhecer a moça de um conto de fadas, ela exalava mágica.
- Alguém sabe quem é ela? – Emmett perguntou indicando a suposta irmã de Jasper disfarçadamente.
Rosalie estava sentada em uma mesa para mais ou menos cinco pessoas, sozinha. Ela era realmente linda, corpo na medida certa para um cara, olhos verdes, loura, cabelos lisos e sua pele era extremamente branca, ainda mais que a minha, talvez. E sim, na ausência de seu irmão ela estava só.
Os irmãos Hale ainda pareciam não terem se encaixado em um grupo, se não estariam com certeza acompanhados de amigos, ou seja lá o que for. Já era possível ver os garotos mais assanhados comerem a pobre garota com os olhos e eu me senti mal por ela. Mesmo sendo linda e chamando toda a atenção para si, ela não parecia ser uma dessas garotas fáceis.
- Rosalie Hale, Emmett. – Informou Alice.
- Olha a baba, cachorrinho! – Provoquei Emmett mordiscando novamente minha maçã. – Alice, já que aparentemente os irmãos Hale estão deslocados da escola, que tal convidarmos eles para ir ao cinema com a gente?
Os dois pares de olhos dourados brilharam em minha direção. Sim, eu sou uma genia, dois casais em uma tacada só. Levantei-me no exato momento em que o sinal soou para a volta às aulas e fui até meu armário junto com Alice. Estranhamente ou não, o armário de Rosalie ficava justamente ao lado do meu, enquanto o de Alice ficava cinco à minha distância.
- Oi, você é aluna nova, sim? – Alice perguntou a loura com um sorriso perfeito, não era um sorriso forçado, era só Alice.
- É... Sim. – Ela respondeu tímida.
- Eu percebi que você e seu irmão estão meio perdidos por aqui, então se você precisar de alguma coisa pode nos chamar, ok? Meu nome é Alice. E essa é minha amiga Isabella, mas a chame de Bella. – Ela informou a garota praticamente me jogando entre elas.
- Oi – Cumprimentei tímida.
- Oi, sua amiga é bem agitada, não é? – Rosalie me perguntou retoricamente com um sorriso brincando por seus lábios.
Ótimo, a garota parecia ser sincera e mandava tudo na lata.
- Podem me chamar de Rose...
- Ah! Rose! Lindo o apelido! Hoje à noite nós vamos ao cinema, quer se juntar a nós? Você e seu irmão? Assim nos conhecemos todos melhor. Nos encontramos as oito, até! Antes que eu perca minha aula.
Alice saiu pulando pelo corredor enquanto Rose a encarava de boca aberta.
- Isso não foi um convite, foi uma intimação. – Ela disse achando graça.
- Definitivamente. – Eu concordei, e assim fomos para a nossa aula de inglês, que coincidentemente também eram juntas.
Notas finais
Espero receber reviews de vocês!
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