Casa 89
9 - Capítulo 9 - Compreensivamente -
Notas iniciais
Hoseok estava se preparando para aguentar uma viagem inteira de metrô em silêncio ao lado de Yoongi, por isso ficou brincando com o papel em que o telefone da mãe do mais velho estava anotado. E Yoongi queria sim passar o caminho inteiro em silêncio, mas algo o intrigou.
Quando entraram no metrô, haviam várias cadeiras preferenciais desocupadas, mas Hoseok não se sentou em nenhuma, até a metade do (longo) caminho, ficou segurando Yoongi e sua cadeira enquanto se encostava em uma das paredes do trem.
— Não vai se sentar? – Yoongi ficara realmente curioso. E Hoseok olha para si em dúvida.
— Não, ué. As cadeiras não são pra mim, mas pra você, e como você já tá sentado... – Deu a liberdade para o outro completar mentalmente a frase.
Hoseok, realmente...
— Eu... ah... – As palavras do mais novo só lhe deu mais vontade de contar algo que lhe acontecera. – Eu posso contar uma experiência minha?
— Claro, claro! – Hoseok ficaria empolgado com qualquer iniciativa vinda de Yoongi, já que este não tomava muitas. – Pode falar, o que é?
— Hm.… eu... – Hesita um pouco. – No dia do meu aniversário de quinze anos os meus amigos na época me levaram para um karaokê, também. – Continua. – Isso em Daegu, ainda. Eu tinha ficado muito empolgado, eles foram comigo de metrô e fizeram o que sempre faziam, um deles sentava em um assento qualquer e me colocava no colo, na maioria das vezes eu ficava bem desconfortável, mas eles falavam que eu tinha que aproveitar o meu direito... – Abaixa a cabeça, na verdade, aquela nem era a pior parte, nem pretendia conta-la, na verdade. – Eu não entendia na época, mas agora eu sei que eles estavam se aproveitando da minha condição.
— Oh, Yoongi... eu sinto muito... – Mesmo que não fosse sua culpa, Hoseok ficara entristecido com o relato.
— Tudo bem... enfim, quando a gente chegou lá, eu descobri que o lugar oferecia um desconto bem grande pros aniversariantes no aluguel de uma sala. A gente dividiu o preço e entrou, eles cantaram e jogaram muito, e eu sempre esperando a minha vez... – Suspira. — ...eu estava literalmente encostado num canto com a minha cadeira porque eles estavam com preguiça de me colocar na poltrona, falando que estava muito apertada.
Hoseok arregala os olhos mais do que já estavam com o tratamento que deram para Yoongi nesse tempo. Deuses, isso continuou por muito mais tempo?
— Mas eles estavam na verdade todos largados. Enfim, quando o alarme soou todo o nosso tempo já tinha se esgotado e eu nem encostei no microfone. – Suspira com o olhar distante e então olha pra Hoseok. – Eles só pararam pra me ouvir quando me pegaram no colo de novo no caminho de volta, e foi assim a primeira e última vez que eu fui em um karaokê...
— Eu... – Hoseok não tinha palavras, sinceramente. Yoongi nunca falava por vontade própria, mas quando falou...
Achava que não poderia fazer o que estava pensando, mas quando vê que as portas se abriram na estação que desceriam, sai do vagão o mais rápido que a cadeira de Yoongi deixava, levando os dois para uma parede próxima. Logo se ajoelhou na frente do outro e deu um abraço apertado.
Yoongi trava ao sentir o corpo de Hoseok envolver o seu com tanto sentimento, e continua assim por mais algum bom tempo, até seus braços subirem pelas costas do mais novo quase que involuntariamente, o apertando contra si.
Ninguém além da sua mãe expressava afeto para si em público. Não sabia se era porque ninguém sem ser ela realmente sentia carinho por Yoongi, ou se Hoseok era definitivamente um caso à parte.
Hoseok sorri de orelha a orelha quando sente Yoongi retribuindo o abraço, e começa a balança-los de um lado para o outro. Aos poucos vai se desvencilhando do branquinho e o vê olhando para baixo um pouco envergonhado.
Hoseok vê o mais velho subindo a cabeça lentamente e olhando para si, sorrindo tímido. Não se contém e volta a sorrir imensamente, envolvendo o rosto de Yoongi com as duas mãos e dando um selar demorado em sua testa. Levanta e começa a andar em direção ao karaokê.
Se Yoongi pudesse andar, com certeza não o estaria fazendo. Fica estático ainda com a sensação dos lábios de Hoseok na sua testa, e durante tanto tempo que quando menos esperou, o moreno já estava com o dinheiro da reserva da sala em mãos, em frente ao balcão.
— Não, Hoseok, espera... – Interrompe, o mais novo rapidamente vira a cabeça para si. – Vamos dividir a sala, não é justo que só você pague... – Se explica, Hoseok sorri e fala;
— Ah, eu não sou o único a pagar, pode ter certeza... – Ri baixinho com a surpresa que pretendia fazer, deixando Yoongi desconfiado. — ... não se preocupe em pagar, eu e os meninos já estamos dividindo.
— O que você quer dizer com isso? – Yoongi estava realmente confuso, e um pouco assustado.
— Eu ia vir pra cá hoje pra encontrar com os meus amigos, mas aí decidi chamar você... – Termina de pagar e começa a seguir até a sala indicada.
Yoongi estava realmente desconfiado, e com um pouco de medo. Afinal, lidar com pessoas, e principalmente desconhecidos, o deixava com muitos pés atrás. E foi o suficiente para deixá-lo inquieto na cadeira de rodas, o que não durou muito, pois teriam que subir uma escada juntos.
— Posso te carregar? – Encara as escadas de madeira enquanto os dois revivem as memórias do dia em que Yoongi chegou na vizinhança. Este assente timidamente enquanto desvia de qualquer contato visual e ergue os braços levemente.
E Hoseok o ergue no colo, automaticamente o acalmando ao sentir o corpo quentinho do moreno contra o seu. Subindo as escadas devagarzinho e podendo reparar mais nos detalhes da casa, paredes amarelo-claro, as portas de madeira escura e um corrimão da mesma madeira. Vê uma parte do segundo andar, era espaçoso.
Hoseok estava preparado para se sentir um pouco culpado ao deixar Yoongi no chão e voltar para pegar sua cadeira, mas mal põe o pé no último degrau da escada e ouve uma voz grossa e passos pesados atrás de si.
— Hobi-ah! – Se vira, ainda com Yoongi nos braços, para ver Namjoon sorrindo e subindo as escadas com a cadeira do pequeno em mãos. – Oi, você deve ser o Yoongi, prazer! Eu sou o Namjoon... – Se apresenta, colocando a cadeira no chão e deixa Hoseok sentar o pequeno delicadamente. Logo puxando o mais novo para um abraço. – Parabéns, Hoseok! – Lhe lança outro sorriso. – A gente te cumprimenta melhor lá dentro, vamos!
Mesmo que Yoongi não quisesse ser o centro das atenções – de jeito nenhum -, quando é deixado de lado um pouquinho percebe que ainda tinha medo de ser esquecido de novo. Mas logo os três entram na sala juntos e Yoongi decide prestar atenção.
— Yaah! – Hoseok exclama, pulando nos garotos que estavam sentados, e um deles, o de bochechas gordinhas envolve sua cintura o balançando de um lado para o outro. – Que saudade de vocês! – Se vira no colo dos três garotos sentados para ficar de barriga para cima.
— Parabéns, Hobi-ah! – Um garoto alto que estava encostado em uma das paredes da sala pequena se aproxima do grupo e sacode Hoseok ainda mais.
— Feliz aniversário, Hoseok! – O garoto com um nariz um pouco avantajado se pronuncia.
— Muito obrigado, Jinnie-Hyung, Kookie, Jiminnie, mas me deixem saiiiiir... – Suplica, se sacudindo um pouco sobre as pernas dos amigos.
Namjoon ainda estava atrás da cadeira de Yoongi, e ele iria empurrar se não fosse uma pergunta que deixou Yoongi muito intrigado.
— Seu aniversário é hoje? – Em um milésimo de segundo, todas as cabeças no recinto se viraram para Yoongi, que só fez uma pergunta inocente e se sentiu intimidado demais. – O-oi. – Gagueja um pouco, tentando não fazer uma impressão tão ruim quanto a sua cadeira já causava.
— Ele trouxe o Yoongi! – Se levanta um garoto com os cabelos descoloridos, derrubando Hoseok no chão e andando o mais rápido que podia até alcançar o dito cujo. – Oi, eu sou o Taehyung, me chame de Tae, por favor! O Hoseok fala muito de você! – Pega a mão de Yoongi e a sacode freneticamente com um sorriso quadrado no rosto. Deixando o menor um pouco assustado.
— Taehyung, deixe o garoto entrar... – O garoto que estava em pé repreende Taehyung, que se afasta e deixa o caminho livre para Namjoon empurrar a cadeira para dentro da sala. – Mas oi, Yoongi, eu não sabia que você viria... – Sorri, caloroso. – Eu sou Seokjin, me chame de Jin.
Era muita informação e muitas ações para o branquinho processar.
Yoongi se sente hiperventilar, seus olhos abertos sem piscar e seu peito subindo e descendo a cada hora mais freneticamente, seu coração também não estava muito diferente. Olha para Hoseok como se pedisse ajuda, que demora um pouco para perceber o estado do menor por estar distraído por conversar com os amigos.
Hoseok olha de relance para Yoongi entre uma frase e outra e percebe então o estado em que o branquinho estava. Havia esquecido que Yoongi poderia ter esse tipo de reação, então sente umas pontadas de desespero, antes que alguém percebesse o que estava havendo com os dois ele diz um “Já volto” rápido e sai da sala com Yoongi tão rápido quanto. Fecha a porta o mais silenciosamente que pode em meio à confusão.
— Yoongi, oh Deus, está tudo bem? – Se ajoelha em frente ao mais velho e segura seus ombros, fazendo-os se olharem nos olhos. – Você quer voltar? Está se sentindo mal? – Por que não sabia como agir, mesmo já tendo presenciado algo do tipo antes? Hoseok se sentia extremamente culpado.
Yoongi permanece calado.
Então Hoseok senta-se no chão e traz Yoongi em seu colo consigo. O branquinho naturalmente se acalma ao sentir o contato do mais novo, seu coração ainda batendo mais forte que o normal, agora já não se sabe qual o causador.
Hoseok também se cala, e se permite acariciar as costas do mais velho, passam uns bons minutos assim, até Yoongi se remexer um pouco e olhando-o fixamente depois de bastante tempo.
— Você quer ir embora? – Pergunta, não deixou a preocupação de lado por um segundo sequer.
— Eu... – Se recusasse agora, perderia uma das únicas chances que lhe apareceriam na vida de interagir com pessoas novas, e se sentiria muito mal se o obrigasse a ir para casa nesse momento. — ... não quero voltar, eu... eu quero tentar.— Murmura decidido, fazendo Hoseok soltar um sorriso de orelha a orelha.
Começariam de novo. E Hoseok o faria quantas vezes precisassem.
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