Cartas para Derek
1 O começo
Notas iniciais
22 de fevereiro de 2011
Para Derek
Olá soldado?!
Eu realmente não sei como começar tudo isso — especialmente porque eu não me dou muito bem escrevendo cartas e coisas assim — e eu não sei exatamente o que escrever aqui, então, se eu parecer uma criança boba — mesmo que eu já tenha dezesseis anos — me perdoe, afinal, a gente tem que ser criança por um bom tempo na vida — se não ela toda.
Como você percebeu nesse primeiro parágrafo, a minha cabeça adora encher todos os textos com pensamentos paralelos, então, me perdoe se eu não conseguir controlar todos eles, mas eu vou tentar.
Meu nome é Stiles Stilinski. Eu estudo no ensino médio, no segundo ano — e a minha escola é uma daquelas que tem quatro anos, então o Stiles aqui é apenas um sophomore. Você não sabe onde eu moro, mas eu vivo em Beacon Hills, que é uma cidade próxima de São Francisco, a cidade na qual você está registrado — não que você deveria saber onde eu moro, afinal, você nem sabe quem eu sou, certo?
Mas por que eu estou lhe mandando uma carta?
Você sabe mais ou menos o porquê, mas eu, supostamente, preciso explicar todo o nosso projeto. Os Estados Unidos está incentivando adolescentes a melhorarem a escrita ao mesmo tempo em que fazem um bem para os militares do país, por isso eles lançaram um concurso chamado “Cartas para Soldados” — e eu gostaria de matar a pessoa que pensou nesse nome, porque, tipo, que nomezinho mais sem graça. Seguindo — Qualquer adolescente com idade a partir dos catorze anos pode se inscrever e aqueles que completarem pelo menos um ano de cartas vão ter crédito extra para uma bolsa na faculdade que escolher.
Então aqui estou eu, mandando a minha primeira carta.
Eu não sei absolutamente nada do que você está fazendo e nem onde você está servindo — a gente envia as cartas para os militares daqui, eles escaneiam as cartas e depois mandam por e-mail para vocês, o que me parece uma perda de tempo porque nós somos obrigados a escrever à mão essas cartas, o que é um saco.
Bom, escrever as cartas à mão é um saco e, não, escrever as cartas. Eu quero dizer, escrever com lápis ou caneta é ruim mas escrever para você não? Afinal eu nem te conheço ainda, certo, então eu não sei exatamente se é bom ou ruim escrever para você. Não que eu esteja falando que é ruim, afinal eu ainda não recebi a resposta, mas eu presumo que seja, tipo, normal?
Vai ser bom me comunicar com alguém mais velho. Talvez possa me ensinar algumas coisas, certo? Não que eu tenha te chamado de velho, claro, afinal nós, supostamente, vamos nos comunicar com os soldados que tem poucas pessoas para conversar e tal, ou que ainda não tem família feita, tipo ter uma esposa e filhos. Ou um marido. Sei lá, eu sou super aberto quanto a essas coisas, eu acho que o amor é bonito e é feito para todo mundo, certo, tipo, nada de mal em amar um homem. Ou uma mulher. Ou os dois, né?
Enfim, eu fui designado para me comunicar com você — Derek — e eu espero que nós possamos nos comunicar bem — e essa frase ficou tão impessoal que até me dói escrever ela. Eu espero que nós possamos virar, tipo, amigos? Eu quero dizer, nós não vamos virar melhores amiguinhos de infância ou coisa assim — não que a gente não posso, certo? — mas sem pressão? Então, é isso?
Se eu não estraguei essa carta, eu espero uma resposta? Eu acho que eu não precisava perguntar, mas enfim, eu realmente não quero reescrever essa carta de novo, já que eu estou usando uma caneta — e não que eu não reescreveria a carta, só… Sei lá, tu me entendeu.
Bom trabalho, onde quer que você esteja.
Saudações,
do seu companheiro de correio nos Estados Unidos,
Stiles
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10 de março de 2011
Stiles
Eu recebi a sua carta no meu e-mail no outro dia, mas eu não tive tempo de responder antes. Mas agora que eu sentei ao meu computador eu posso lhe responder.
Eu sou o Derek. Derek Hale. Como você sabe eu estou registrado em São Francisco, onde minha irmã, Laura, mora. Somos apenas eu e ela.
Eu não posso lhe contar exatamente onde eu estou servindo, porque eles não gostam que nós, os soldados, estejamos nos abrindo para toda e qualquer pessoa — não que você seja uma dessas pessoas, um qualquer, mas creio que você me entendeu. E não que eu não confie em você, afinal essa é a primeira carta, e você disse que precisa de pelo menos um ano dessas, então, eu acho que teremos mais tempo para conversar.
Eu vi que você é de Beacon Hills, e eu conheço a cidade, é onde meus pais moravam — e já que você é de lá, eu presumo que você conheça um pouco da minha história. Eu não gosto de falar dela, mas se você quiser perguntar alguma coisa, eu posso lhe responder o que eu estou confortável, certo?
Eu não sou tão velho assim, tenho 23 anos, o que nos põe a uma diferença de sete anos, o que não é muito. Mas se você quiser conselhos para a vida — não que eu seja a melhor pessoa para lhe dar eles — eu posso tentar?
E não, você não estragou a carta e nem me ofendeu de qualquer modo. Muito pelo contrário, eu não tenho muitas pessoas para conversar, então é bom quando alguém novo entra em nossa vida — mesmo que seja apenas pelo crédito para a bolsa da faculdade. Não que eu esteja criticando, cada um têm que fazer o melhor par ao seu próprio futuro.
Obrigado pela carta e bons estudos.
Aguardo a próxima,
Derek
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