Último dia do ano. Ansiosa para deixar todo esse desespero para trás e começar de novo.

Acho que a vida é como escrever num caderno. Cada dia, mês ou ano é uma página.

E quando eu estou escrevendo num caderno, não gosto de continuar escrevendo numa página cheia, quero logo pular para a próxima, limpinha.

Só que, mais do que uma página nova, eu gosto de cadernos cheios, com todas as folhas bem aproveitadas. Não é o que eu consigo fazer com meus dias, mas vou começar a tentar fazer eles valerem a pena. Cada segundo, cada linha. E depois, poder folhear o caderno e ver que, apesar do corretivo ou de riscos errados, eu aproveitei cada linha, e, no final, eu vou saber que estarei orgulhosa do meu trabalho. Da minha letra que ocupou cada centímetro de papel, e de como eu aproveitei cada segundo que vivi, cada lugar em que estive, cada pessoa que conheci.

Cada comida que pude saborear, cada tecido que toquei, cada música que ouvi. Cada filme que eu assistir, cada caminhada que eu der com meu cachorro, cada raio de sol que tocar minha pele.

Todas as gotas de água, todos os relâmpagos, todas as borboletas, todos as letras de um poema, todas as bolas de Natal, todos os fogos de artifício do Ano Novo, todas as fichas de pôquer, todos os episódios de uma série.

Mas hoje não.

Eu começo amanhã.

Notas finais
É um pequeno desabafo que escrevi numas notas, mas gostei da mensagem e espero que te façam reflexões também. Feliz ano novo!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!