Notas iniciais
Gnt mais um capitulo postado... neste capitulo já teremos a primeira carta... Queremos agradecer os comentários no ultimo capitulo vcs são umas fofas!
beijinhos!

Já fazia duas semanas que eu havia pedido para o Guerra me avisar quando o Ferreira fosse aparecer no jornal para que eu pudesse conhecê-lo e já que ele não me deu noticias fui até o jornal novamente para falar com ele, ele desconversou disse que o Ferreira realmente não havia aparecido nos últimos dias e que a ultima matéria publicada por ele já havia sido entregue antes de meu pedido o que eu estranhei, não vi o porque dele já estar com a matéria pronta a tanto tempo e só tê-la publicado a pouco.

Contrariada com a aparente falta de vontade do Guerra em fazer a apresentação entre mim e o Ferreira, resolvi usar de outros recursos, pensei nessa possibilidade no meu trajeto de volta para casa e assim que cheguei fui direto a secretaria para colocar o meu plano em pratica. Separei o papel e o tinteiro, peguei a caneta em minhas mãos, abri o tinteiro e molhei a ponta da caneta e antes de leva-la ao papel me refreei no ultimo instante para refletir...

Eu estava prestes a escrever uma carta para ele, mais tinha certas duvidas se o Guerra a entregaria pensei por mais alguns momentos e por fim comecei a riscar minhas palavras naquele pedaço de papel, eu até poderia entender que o Guerra estivesse receoso em fazer as apresentações, por mais que eu lhe garantisse que o meu interesse em conhecer o jornalista era apenas para agradecer-lhe pessoalmente pela matéria que ele escreveu a respeito da agressão as mulheres ele de certo deveria se sentir como se estivesse traindo a confiança do amigo, mas ele não poderia se negar a entregar tal carta... por via das duvidas tratei de deixar bem claro a ele que só estava agradecida e nada mais.

Terminei de escrever e parei para revisar o que tinha escrito, não queria que o jornalista interpretasse errado o meu gesto o que eu não precisava no momento era de mais problemas em minha vida já tão atribulada, sendo assim fiz uma leitura minuciosa sobre o meu texto só como garantia.


Rio de Janeiro 1910

Caro Senhor Antônio Ferreira,

Perdoe-me o atrevimento em lhe escrever, mas pedi ao nosso amigo em comum Carlos Guerra a gentileza de nos apresentar e ele se negou, ele não me disse não com todas as palavras mais pela demora e má vontade que pude perceber nas minhas ultimas visitas ao jornal para mim ficou claro que ele não pretende fazer qualquer apresentação.

Queria lhe agradecer pessoalmente, mas como não foi possível que seja através de carta. Sou-lhe muito grata pela matéria que escreveu sobre a agressão as mulheres, ela me fez um bem que o senhor não imagina. Eu admiro muito a sua coragem em denunciar esse tipo de violência sei que vivemos em uma sociedade preconceituosa e por muitas vezes injusta que deixa a mercê da própria sorte uma mulher que passa por esse tipo de situação e pior ainda a julga como responsável pelo ocorrido.

Não sei como soube do que ocorreu comigo acredito que o Guerra o tenha falado, sei que é muita presunção da minha parte achar que a matéria foi escrita para mim, mas foi assim que me senti lendo cada palavra daquele impresso, e é por isso que lhe sou grata, porque você não ficou em silencio como fazem a maioria das pessoas, você denunciou mesmo que indiretamente e eu me sinto justiçada. Sei que a nossa sociedade ainda tem muito que percorrer, mas já tenho esperanças de que no futuro outras mulheres não passem pelo que eu passei, que elas se sintam seguras para denunciar os abusos sem medo de caírem em descrédito, sem medo de que a sociedade tomem como vitimas os seus agressores.

Sei que só palavras não bastam mais mesmo assim agradeço de todo o coração mesmo tendo ciência de que o que lhe motivou a escrever essa matéria foi a sua indignação com a hipocrisia da nossa sociedade e não simplesmente o fato de eu ter passado por esse tipo de situação. Ainda assim gostaria de lhe transmitir o meu agradecimento pessoalmente, confesso que estou curiosa para conhecer o autor de textos tão polêmicos e tão bem escritos. Sei que não posso contar com o apoio do Guerra para uma apresentação formal mas não precisamos depender dele para isso e se o senhor assim concordar gostaria imenso de lhe conhecer.

Laura Vieira.


Depois de me certificar de que tinha dado a impressão certa a minha carta e tinha transmitido o meu agradecimento ao jornalista voltei até o jornal para entregar a minha carta ao Guerra.

– Laura que surpresa vê-la aqui em meu jornal em tão pouco tempo.

– Desculpa Guerra, mais depois que sai daqui não pude tirar da cabeça a ideia de que você não quer e nem vai me apresentar ao Ferreira.

– Laura eu já te expliquei que o Ferreira é um homem ocupado, eu realmente não consegui marcar esse encontro.

– Não tem problema, eu reconheço a situação em que coloquei você e acredito que você se julga traindo a confiança do Edgar ao fazer essa apresentação.

– Laura eu... isso não me passou pela cabeça...

– Tudo bem Guerra, não precisa mais fazer apresentação nenhuma, você se importa de pelo menos entregar uma carta minha a ele?

– Carta Laura?

– Sim, já que você se recusa a fazer as apresentações irei transmitir os meus agradecimentos através de uma carta.

O Guerra estendeu a mão para pegar o envelope que eu lhe estendia, um pouco surpreso com a minha decisão mais aparentemente aliviado por ter sido poupado de fazer as apresentações. Despeço-me dele e deixo o seu jornal já com uma crescente expectativa da resposta que receberia do Ferreira a minha carta.