Cartas Jogadas
2 Capítulo 2 - Sonho Estranho e Casamento
Notas iniciais
P.O.V. Mônica
– Eu te achei deitada no chão. Qual seu nome?
Minha cabeça estava muito confusa, eu não conseguia ver direito ou coisa do tipo. Então tudo ficou mais escuro ainda.
...
– Acorde princesa!
– Não mãe... Eu preciso saber o que está acontecendo... – Murmurei.
– Sou eu, a Sandra! – Ouvi a voz dela e levei um susto me levantando com tudo. – Que foi menina?
– Tomei um susto, então era só um sonho...?
– Sonho? Então me conta!
Eu expliquei tudo para ela, tintim por tintim, ela achou graça, mas logo teve que ir “sua irmã precisa que eu faça um grande banquete hoje”, foi a última coisa que escutei antes dela sair. Por incrível que pareça, fiquei pensando muito no sonho, aquilo, de alguma forma, me trazia esperança, me trazia felicidade.
De repente uma luz bateu no meu quarto, o sol finalmente havia saído, eu sei bem o motivo, isso me alegrou ainda mais. Resolvi olhar para a pequena janela que havia na prisão. Não olhava por ela há meses. Dava para ver o pátio, havia serviçais para lá, e para cá. Queria que o sonho tivesse sido real. Queria estar livre pra poder andar por qualquer lugar. Logo as trombetas soaram, dizendo algo como “Príncipe Cébolácio de não sei o que esta aqui”.
Não que eu não repare em meninos, mas este realmente era diferente, vamos se dizer que era até que bonito. (Tudo bem que pela janela não dava para ver quase nada, mas, é minha opinião).
Fui até o salão, e comecei a observar toda aquela festa armada, estava tudo tão lindo. Mas esse garoto ainda me intrigava.
– Sandra quem é ele?- perguntei para Sandra que estava passando com um bolo.
– Ele é o príncipe que vai casar com a sua irmã- ela respondeu.
– Para quem é esse bolo?- perguntei temendo ser meu aniversário. Por que meu sonho poderia ser uma premonição.
– Para o casamento, ué? Estamos fazendo os preparativos! Será hoje à tarde!- ela respondeu. – Ah e sua irmã quer falar com você.
– Tudo bem... – Respondi com medo do que estaria por vir. Condenação de morte? Mais anos na cadeia? Logo avistei Penha arrumando as coisas para o casamento. – Oi mana! Como tá indo o casamento?
– Está ótimo, querida irmãzinha! – Ela disse com uma voz desprezível. – Mas creio que sabia desse casamento desde que completou quatorze anos.
– Desculpa, estou com tanta coisa na cabeça. – Falei fingindo ser amável. Como ela poderia ser tão falsa? E me tratando tão normal depois de tudo que fez?
– Ah, não! A senhorita vai ter que me dar sua aprovação do vestido e só assim eu vou poder te perdoar. — ela disse me puxando até seu quarto.
O quarto da Penha era bem grande. Tinha lindas cores e arquitetura que se inspirava no castelo, particularmente, eu achava que era o mais bonito do castelo, mas agora eu iria ver o tal vestido de casamento. Algo dentro de mim dizia que só “aprovar” esse vestido não seria a única coisa que ela me obrigaria a fazer.
– Então, o que achou?
Pra ser sincera, achei muito feio, mas claro que eu não ia dizer isso a ela, tá de brincadeira comigo, né? Aquele vestido era o mais feio que eu já vi... Que noiva se casaria com um vestido desse?
– E-eu tô sem palavras!
– Que bom que gostou! Está perdoada. Camareira prepare o quarto de hóspedes para minha nova serva.
– E o meu quarto? Serva?
– Foi reformado e o príncipe vai dormir nele, e outra coisa, você agora vai trabalhar no castelo.
– Como assim?
– Fique feliz, e ninguém deve saber que está viva. Todos acham que você morreu num acidente ou coisa do tipo. Ouse discutir comigo e te condeno a fornalha.
– Ok... O que vou fazer?
– Você cuidará do príncipe, ou seja, dará conselhos e fará com que ele se sinta em casa;
– Okay...
Saí pisando forte, minha irmã sabia que eu amava servir pessoas, porém odiava que fossem príncipes. Esse rancor contra príncipes me era concedido, pois quando era menor conheci um. O nome dele era Toni ou algo do tipo. Ele era o cara mais mimado que você pode imaginar. Mas farei de tudo para ficar solta, logo estava ameaçando chover, mas não chovia...
– Oi, com licença, quero saber onde fica o príncipe. – disse um garoto mais ou menos da minha idade, meio sujinho, se posso dizer.
– Era isso o que eu queria saber...
– Uau! Ele arranjou uma noiva linda. – Acho que fiquei vermelha com o comentário dele.
– Na verdade, eu sou só uma serva.
– Oh! Desculpe-me se fui indiscreto!
– Não, tudo bem!
– Cascão! Quanto tempo cara. — Disse alguém atrás de mim.
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