Carta para a Doutora
1 Owl Post
Tum. Tum. Tum.
Alguém batia à porta da T.A.R.D.I.S.
Sua cabeça parecia que ia explodir a qualquer momento.
— Já vou!
Ela se levantou e foi mexer no painel, quando... O que estava acontecendo? Correu em busca de um espelho e quando achou não poderia ter ficado mais surpresa.
— Eu nem sabia que isso podia acontecer! – Ela havia voltado a ser criança! Seu sobretudo, suas calças, a camiseta, tudo estava muito grande. O que havia acontecido para que ela regenerasse mesmo?
Tum. Tum. Tum.
Onde estava Yaz?
Tum. Tum. Tum.
— TÁ BOM, JÁ TO INDO!
Quando abriu a porta algo passou voando por sua cabeça e pousou no painel de controle.
— Mas... uma coruja? Por que uma coruja está dentro da minha T.A.R.D.I.S.?
Ela foi até o animal, que estendeu a pata para que ela pegasse o que estava preso. Era em envelope gordo com um selo carmim. Ela já tinha visto aquele símbolo em algum lugar.
As coisas faziam cada vez menos sentido conforme lia a carta:
Prezada Srta. Smith
Temos o prazer de informar que V. Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa em 1º de setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de julho, na mais tardar.
Atenciosamente,
Xxxxxxx xxxxxxxx
Diretor substituto
Hogwarts? Magia e bruxaria? Ela se lembrava vagamente de ter lido algo assim há milhares de anos, como podia ser real? Pegou o outro papel que estava no envelope e leu uma lista de materiais, incluindo uma varinha.
— Você vai ficar me olhando? Diga alguma coisa! – Ela falou para a coruja, que piou em resposta. – Ok, acho que isso é tudo que vou conseguir.
Saiu em busca de um pedaço de papel para responder que sim, claro, estaria lá no dia 1º de setembro. Enrolou a resposta na pata da coruja e abriu a porta para que ela partisse. Aproveitou para espiar do lado de fora.
— Pelo cheiro... Londres, 1940? – Fechou a porta novamente, voltando para o painel. Havia mais uma carta dentro do envelope. Nela explicavam como fazer para chegar ao Beco Diagonal, como poderia trocar o dinheiro “trouxa” (que tipo de nome é esse?) pelo dinheiro bruxo e onde ela encontraria tudo que precisava. Falaram também caso ela precisasse de ajuda, deveria enviar uma coruja informando-os e alguém a encontraria lá.
— Consigo me virar sozinha. Agora... O que foi que aconteceu?
Ela saiu apertando botões e puxando alavancas pelo painel da T.A.R.D.I.S. com a esperança de que tudo tivesse sido gravado. E como a TARDIS nunca decepcionava...
— ACHEI! – Exclamou, colocando para rodar.
Era uma confusão de explosões, gritos e correria. Haviam... Daleks?! Daleks dentro de sua T.A.R.D.I.S.! Continuou assistindo.
— YAZ, SAIA DAQUI! – Se ouviu gritando para sua parceira. Em uma sucessão rápida de eventos ela viu-se empurrando Yaz para fora da T.A.R.D.I.S., mexendo no painel para sair da terra e sendo atingida por um dos Daleks.
— EXTERMINAR! EXTERMINAR! – Foi quando tudo congelou e logo em seguida começou a girar cada vez mais rápido. Não conseguia ver onde estava seu antigo corpo, mas viu os Daleks sendo arremessados para fora da máquina do tempo. Isso foi tudo que a máquina a deixou ver.
— Mas como foi que eles entraram aqui... Aaaaaah! – Ela disse, se lembrando, enfim. – Tá bom, tá bom. Entendi. Mas... Hogwarts. Como isso aconteceu? Como eu posso estar de repente fazendo mágica? Eu nunca fiz mágica antes, não de verdade. Quer dizer, teve aquele período bem estranho que eu passei com o Houdini, mas aquilo não era mágica de verdade.
Ela saiu correndo pela T.A.R.D.I.S. em busca da biblioteca.
— Letra R... – Passava pelas estantes até... – ACHEI!
Pegou o primeiro livro da coleção e começou a reler, sentada no chão mesmo.
Já estava na metade do livro quando se deu conta de que não sabia que dia era. Pegou os outros livros da coleção e correu de volta para o painel. Vinte e nove de agosto. Mas por que a coruja ainda estava batendo em sua porta se o prazo já havia passado?
— Acho melhor eu trocar de roupa. – Colocou as roupas mais casuais para a época que conseguiu encontrar e levou a T.A.R.D.I.S. para o endereço do Caldeirão Furado. Passou pelo bar, onde as pessoas não deram a mínima para uma criança andando sozinha em plena Segunda Guerra Mundial e bateu nos tijolos descritos na carta.
Ela já havia visto muitas coisas vida, mas nada era como aquilo. Queria entrar em todas as lojas e mexer em todas as coisas, mas se segurou e foi direto para Gringotts trocar seu dinheiro.
A segunda coisa que fez foi, é claro, comprar uma varinha. A loja era de um senhor excêntrico, que ficava cada vez mais feliz quanto mais varinhas ele tirava de suas prateleiras.
— Tente essa. – Ele entregou a sétima varinha a ela. – Vinte e oito centímetros, maleável, feita de azevinho e pena de fênix. – A encarou com expectativa. Sentiu sua mão um pouco quente, mas nada aconteceu. — É, não é dessa vez.
— O que não é dessa vez?
— Essa varinha que você acabou de pegar contem a pena de uma fênix especifica. Um amigo meu me concedeu duas penas. Eu vendi a irmã dela há cinco anos atrás e desde então busco o dono dessa daí. – Ele a embrulhou e guardou, diferente do que fez com as outras, que ainda estavam no balcão. – Aqui, tente essa.
Ficou bem óbvio que essa sim era a varinha certa. Sequoia, fibra de coração de dragão, 32 cm, inflexível. Ela ficou fascinada.
— Eu adoraria saber como você faz essas varinhas. Quais os seus critérios? Como você sabe qual varinha entregar para as pessoas?
Olivaras pareceu achar engraçada sua curiosidade. Hm. Então é assim que as pessoas iriam trata-la sendo uma criança? Já havia sido mais difícil do que o normal fazer com que as pessoas a levassem a sério sendo uma mulher, sendo uma criança seria praticamente impossível.
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