Carta do Fubuki-Senpai
1 Por detras da folha
Notas iniciais
Fanfic também postada no Spirit, e na comunidade Inazuma Eleven PT/BR do Amino.
Hokkaido — Japão
14:50 PM.
E lá estava eu. Mais uma de tantas vezes fitando aquele campo que mesmo cheio de gente parecia vazio. Por que será que eu era o único de lá a não estar treinando? Meu olhar triste era mais certeiro do que os vários chutes que eu dava. Meu estresse era tanto que eu até me sentia orgulhoso por minha mente não explodir. Culpa, raiva e ciúmes. Eram os sentimentos que ocupavam meu interior.
Perdido em meus pensamentos vastos não pecebi o treinador a me chamar.
— ...mura?
Voltando sobre meus sentimentos complicados, eles tinham nome e sobrenome... Era algo que eu amava pronunciar. Cada letrinha de seu nome saia como um exclamo de prazer do meu peito. Sem contar que, ele era lindo. Sim... É “ele” não por ser um homem... Mas só por ser ele.
— ...kimura!
Seu olhar me dava força, segurança e motivação. Era diferente de tudo que já senti. Confesso que nunca entendi tal termo “Borboletas no estômago” mas após esse ser aparecer em minha vida tudo ficou claro. A neve que me maltratava serviu ao meu favor e os sentimentos que tanto me machucavam eu os dedicava a outra pessoa.
— Yukimura...
Essa pessoa... Me traiu, me abandonou no meio da neve e me trocou. Fiquei vazio. O único que dediquei tanto de mim para estar ao lado havia me deixado. Partiu para outro lugar sem dizer nada, nem uma carta... Um bilhete ou um sinal. Ela simplesmente... Me deixou.
— Já chega! YUKIMURA!
Meus olhos junto de minha cabeça viraram para cima. Quem seria esse ser humano que tanto me chama? Observei por instantes belas silhuetas no seu rosto, seu cabelo grisalho e espetado e seus olhos que tanto me deixavam alegres. Sem contar o sorriso, eu amava ser o motivo dele. Sorri e senti vontade de pular para abraçá-lo, chamei-o.
— Fubuki-senpai?! — Sonhei acordado e enquanto observava o rosto do rapaz.
— Fubuki-senpai aonde? Não me compare com aquele verme!
Minhas ilusões voltaram ao real. Não era o Fubuki-senpai. Isso mesmo, ele havia nos deixado, traído e abandonado. O que ele estaria fazendo a frente do campo dando ordens? Ele não era mais digno de ser nosso técnico. Cocei meus olhos e pude enxergar quem seria essa pessoa. Nosso atual técnico enviado do 5° setor.
— Kuzumaki... — Suspirei triste. Não era mesmo o meu senpai.
— Pare de sonhar acordado. Sabe bem que ele não voltará. Pare de se iludir com aquele traidor e se lembre: O 5° setor nunca te trairá — cuspiu palavras.
Iguinorei. Havia cansado de ouvir aquele bobo ditado que repetiam no meu ouvido. Eu não confiava mais em ninguém e para mim tanto faz quem viesse nos trazer a vitória. O único que eu acreditei me deixou, me traiu... Vocês já sabem o resto.
Me levantei e fui para o campo. Não queria ouvir as baboseiras que Kuzumaki iria falar. Sim, eu odiava o Fubuki-senpai mas uma voz não me deixava esquecê-lo por completo. Era como...
“Sem ele esse mundo continuará vasto, frio e desprezível”
Eu deveria parar de pensar, parar de iguinorar e principalmente parar de me importar se o senpai voltaria ou não. Ele me trocou por que eu não sirvo mais, porque sou inútil, porque não presto. Minhas jogadas eram lentas e não obtiam o mesmo brilho de antes. De acordo com meus colegas eu estava ficando chato e sério. Isso está me afetando tanto assim?
— Yukimura! Pare de pensar em besteiras e jogue futebol — Kuzumaki gritou do banco — Sinceramente, não sei ainda o que ele faz no time — Murmurou.
Sim, eu ouvi claramente. Era como se meu coração fosse esquartejado, no mínimo. Sempre dei o meu melhor nessa equipe, no momento que eu abaixei a cabeça ele estava lá... Oh não... Todos os meus pensamentos se ligam a aquele senpai-baka! Tenho que afastar isso de minha mente e realmente... O que eu estou fazendo não é futebol.
Inconformado com os insultos de meu novo técnico eu me coloquei no meu lugar. Isso mesmo! Sou jogador da Hakuren e sirvo ao 5° setor. Chutei a bola e planejei usar a minha nova técnica com a incorporação “Icicle Road".
— Eternal Blizzard! — Pronunciei antes de fazer os movimentos e chutar a bola.
Novamente não resisti. Por mais que minha mente tente se ocupar com outras técnicas eu apenas quero chutar a bola desse jeito. Era como se... Ele ainda estivesse comigo. “Eternal Blizzard”. Eu poderia efetuar mil chutes gritando esse nome e não me cansaria. Mas infelizmente algo me privava de usá-lo.
É nessa parte que o 5° setor entra.
— YUKIMURA! — Kuzumaki novamente brigou — Quantas vezes eu mandei não usar esse chute fraco e nojento?
Abaixei a cabeça. Eu odiava quando ele insultava algo ou o próprio senpai, mas não podia discutir contra ele. Senão todos iriam sofrer. Apenas murmurei um “Não faço mais” e voltei ao campo. Não estava afim de aturar gritos.
Ele me olhou feio e observou cada passo meu. Me senti vigiado, horrível e usado. Iguinorei os possíveis sentimentos, deveria me concentrar na bola, na técnica e na incorporação.
— Apareça! Incorporação Gousetsu no Sia — Gritei fazendo minha bela “dama” aparecer através de minha alma — Vamos lá! Icicle Roa... — Caí.
Momentos antes pude olhar para a lateral... Algo me observava. Mirei no canto da parede de fora da sede e pude ver uma sombra com uma shilueta familiar. Cabelos espetados e um casaco com capuz... De cara pude pensar em mil pessoas mas só uma se encaixava com aquele padrão.
— Senpai?!... — Murmurei.
Inútil. A sombra sumiu num piscar de olhos me deixando olhar o extremo vazio que aquela cidade tinha. Que minha vida tinha. Claro que não era o senpai. Por que ele estaria me observando? Ele viria para Hokkaido apenas para me ver? Ele estava muito bem com aquela escola. Raimon.
Me concentrei novamente em meu complicado treinamento. A imagem não saia de minha mente. Não iria sair tão cedo... Que porcaria de senpai eu fui arranjar.
...
..
.
O treino realmente havia acabado. Agora poderia mirar meus pensamentos devastados em paz. Poderia sofrer em paz e tentar me confundir com mais besteiras em paz. Pensar no senpai em paz... Essa não! Lá vem “Fubuki-senpai” para lá e “Fubuki-senpai” para cá. Deveria parar de pensar nele.
Fui ao vestiário e procurei minhas roupas normais. Quando revirei meu casaco encontrei meu caderno de biologia. Logo o de biologia?! Eu não posso esquecer esse caderno pelos cantos e se alguém ler eu no mínimo teria que mudar de escola. Apenas para não suportar a vergonha que seria.
Apressadamente abri o caderno e folheei as páginas com cuidado. Li e reli. Nada estranho... Quando cheguei em uma folha em especial onde eu guardava vários sentimentos chamados de Fubuki-senpai...
“Fubuki-senpai baka!”
“Fubuki-senpai cego”
“Não sabe que eu o amo?”
“Me vê, sorri e ainda se faz de besta!”
“Aprenda a enxergar Fubuki-senpai”
“... Cadê você?”
“...Me deixou sozinho...”
Essa era uma das coisas que estavam guardadas naquele caderno descuidado. Não poderia deixar que alguém o visse, muito menos o Kuzumaki e o senpai. Eu seria posto para fora da Hakuren e o senpai riria de mim, me magoaria e ainda por cima me abandonaria. Ah! Que bobo eu sou... Como se ele ainda estivesse comigo.
Algo caiu da folha de meu caderno. Era uma carta. Abaixei para pegar o tão sonhado papel. Tinha um envelope e um selo. Não havia identificações nem nada, apenas escrito “Para Yukimura” — Abri — Li e reli cada trexinho daquele bendito papel. Senti lágrimas corroerem dos meus olhos e meu coração apertar. Eu era o idiota. Eu era o cego. Eu eu era o vilão daquela história.
“Para Yukimura”
“Até agora procuro entender o motivo das pessoas terem sentimentos. Yukimura, eu tenho isso... Sentimentos... Eu sei sofrer, sei chorar e sei amar. O amor em especial tem nomes. O sofrimento tem motivos e o chorar significância.
Yukimura. Eu espero você voltar a ter sentimentos por mim, espero você querer me ver e espero que possa me dar uma chance de explicar que quem esta traindo quem é você. Entenda e que não tenho coragem para abandonar você. Não por ser meu precioso Kouhai ou por você ter sentimentos por mim. Mas por ser você.
Acha mesmo que os momentos que passamos juntos merecem ser apagados? Se sim você pode rasgar essa carta, amassar e me esquecer. Mas se não, por favor venha aqui fora. É complicado expressar todo amor que sinto por você através de um pedaço de papel.”
“De: Seu senpai baka”
Afoguei em lágrimas. Choroso, fechei a carta e a guardei com cuidado, queria lembrar daquele pequeno bilhete para sempre... Pensei um pouco... É mesmo! Devo ir lá fora? Com que cara vou encarar ele? Isso importa? Não. Claro que não. — Corri — O máximo de velocidade que existe foi atingida.
Cheguei a porta ofegante. Olhei para os lados e a primeira coisa que me deparei foi meu amado senpai de costas olhando a paisagem de neve que cobria toda a cidade. Aqueles olhos miravam o horizonte de um jeito inexplicável, o deixei quieto. Era raro ver ele tão concentrado, ficava tão belo.
— S-senpai? — O chamei.
Fubuki-senpai se virou e mirou surpreso meus olhos azuis. Um sorriso brotou no seu rosto e ele abriu os braços para me acolher com um abraço. Não perdi tempo, corri e me encolhi nos braços acolhedores do senpai. Meu precioso senpai. Ele voltou por mim.
Ficamos assim por alguns minutos qeu decidi me separar para voltar a olhar aqueles olhos belos e acizentados. Eles me davam tanta força. Seu sorriso era encantador. Ah, eu poderia ficar horas elogiando o senpai. Séria inútil, suas qualidades suprem seus defeitos. Ele era sim perfeito, perfeito para mim.
— Yukimura... Você não sabe o quanto é bom te ver — Falou me acolhendo com seus braços encostando minha cabeça em seu peito.
— Senti saudade Fubuki-senpai. Muitas saudades.
Não pude conter minha felicidade e meus sentimentos que faziam de mim um vulcão pronto para explodir. Molhei a blusa do fubuki-senpai com minhas lágrimas e apertei ele mais contra meu corpo. Não me importei realmente se havia alguém por perto e parece que esse detalhe também não importava para o senpai.
— Yukimura... — Segurou minhas mãos me fazendo afastar daquele perfeito corpo — Eu tenho muitas coisas para te explicar.
— Não Fubuki-senpai... — Sorri satisfeito e acariciei os dedos do meu mais velho — Eu por outro lado devo desculpas além de explicações — Abaixei a cabeça. Me sentia envergonhado em dizer que participei do 5° setor traindo o futebol e ainda por cima acusar o senpai de traição. Eu sou horrível.
Ele ergueu meu queixo me fazendo olhar para cima, ou melhor, para seus olhos. Nessas horas eu odeiava ser baixinho, onze anos de diferença fazia mal para amar meu senpai? Claro que sim. Quem se importa? A sociedade que pensa que julgando faz um mundo melhor.
Sorri ternamente ao observar aqueles orbes cinzas perfeitos. Senti sua mão rodear minha cintura fazendo nossos corpos praticamente colarem. Me arrepiei até o último fio, era o sentir do Fubuki-senpai que me deixava assim. Ele abaixou sua cabeça deu um pequeno sorriso tímido.
Num piscar de olhos eu senti seus lábios serem imprensados contra os meus e algo que era para ser um simples selinho demorado acabou ficando quente e sério e depois de um tempo nossas línguas batalhavam a procura de espaço ou dançavam valsa enquanto o contato de nossas bocas durava.
Nos separamos ofegantes e olhamos nos olhos um do outro. Nunca reparei que aqueles orbes ofuscados e cinzas eram os mesmo que me transmitiam felicidade por tanto tempo. Meu senpai era lindo. Sorri ao sentir meu típico rubor chegar as bochechas. Não era hora de me preocupar em ficar envergonhado.
— Fubuki-senpai...
— Eu te amo Yukimura — Acariciou meus cabelos e deu um grande sorriso (perfeito) — Eu não pude escrever o tanto que sinto por você numa folha de papel. Eu queria que soubesse de uma melhor forma.
Sorri. O senpai estava mesmo dizendo isso? Ele realmente me amava... Eu era o cego da história. E agora que posso ver eu quero aproveitar a visão. Fiquei na ponta do pé para poder alcançar o ouvido do senpai. Sussurrei:
— Fubuki-senpai... Eu te amo — Falei hesitando e sentindo minhas pernas bambas. Não era a hora perfeita para desmaiar ali na frente do Fubuki-senpai. Ou era?
Encostei minha cabeça no seu ombro aproveitando o máximo de carinho que aquele momento fornecia. Senti as mãos de Fubuki-senpai irem e virem por minha cintura e a forçando contra o seu próprio corpo. Era realmente o senpai que estava ali, que estava me amando. Era o Fubuki-senpai.
Me senti sim culpado por julgá-lo tão cedo. Não era hora de me preocupar. Era hora de aproveitar todo o amor que estava recebendo. Novamente fiquei na ponta dos pés e dei um breve selinho demorado no senpai. “Tenho mesmo que ser tão baixinho?”
Era errado? Sim... Esses onze anos de diferença me privaram de várias coisas que eu queria. Eu agora queria apenas o Fubuki-senpai.
The End!
Fale com o autor