Carta ao passado.
1 Capítulo 1
Sei que faz muito tempo desde que nos vimos pela última vez, por isso, peço que perdoe a conversa mole que levei, as perguntas que lhe fiz e os olhares que lancei; apenas senti falta do que um dia vivemos.
Não sou exemplo de pessoa. Cometo erros: Brigo quando não tenho que brigar, grito quando não tenho que gritar e acima de tudo, amo quando não devo amar.
Pareço amarga, talvez seja. Mas quem sabe o fato de sofrer e de remoer minhas dores tenham me feito assim.
Foram noites e mais noites sem dormir. Foram copos e mais copos de bebidas. Foram palavras não ditas, mensagens não enviadas. Foram as dores que senti e as cicatrizes que ficaram.
Não mais reclamo, não mais me queixo. Tudo pelo qual passei me fizeram quem sou hoje. Essa mulher que fuma um cigarro atrás do outro, que não se abre e não confia em ninguém.
Mas agradeço a tarde que tivemos, o café que tomamos, as risadas que demos. Você me fez lembrar da mulher que foi abandonada, aquela que deixei para trás.
Obrigada por, naquele inverno, ter arrumado suas malas e saído de casa, deixando apenas um bilhete. “Me perdoe, não posso mais...”
Obrigada por, naquele mesmo ano, ter me ligado para avisar que não precisava guardar as coisas que ficaram.
Obrigada por, ante ontem, ter marcado um encontro no café. Obrigada, querido. Obrigada por ter tentado me beijar, e após minha negação, ter perdido perdão.
A minha mais sincera gratidão: ante ao seu erro, eu cresci; ante sua investida, eu neguei; ante a você, eu, em toda minha dor e lembranças, passei por cima de minha fraqueza e lhe dei as costas.
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