POV Adriano

–-Então vocês querem dar um pulo na sorveteria?—Jaime perguntou enquanto saiamos da escola e lá do meu subconsciente eu escutei.

–-Desculpa, eu prometi levar a Valeria para ver o Vitor e a professora Helena.—Davi respondeu antes de sair correndo.

–-Que idiota, fazendo tudo que a Valeria manda.—Jaime se virou para Cirilo.—E você?

–-Vou falar com o doutor Madison sobre o estado da Maria Joaquina e depois vou andar de bicicleta pelo bairro. Fazer umas entregas para o meu pai—Cirilo deu ombros.

–-Outro que só dá bola para mulheres—Jaime resmungou e olhou para mim.—E você, vai atrás de quem?

–-Eu não tenho nada para fazer então eu posso ir com você na sorveteria, se você pagar e obvio.—respondi e Jaime sorriu. Acho que nessa ida a sorveteria teria algo a mais que somente se empanturrar.

POV Alicia

–-Calma Alicia—eu escutei a voz de Mario atrás de mim enquanto virava a esquina.

Eu estava super entusiasmada para estrar meu skate novinho no halfpipe.

–-Te alcancei, finalmente.—Mario comemorou erguendo os braços e dando murros no ar e eu sorri levemente.—Você está ficando rápida.

–-Eu sou rápida.—me gabei enquanto tomava impulso para ficar na frente dele e ele riu fortemente.

–-Mais quando você tinha oito anos, a gente se conheceu e tu só “achava” que era rápida com skate—Mario provocou.

Sorri um pouco, naquela época eu quase não sabia andar de skate. Mas com o passar do tempo aprendi e muito bem por sinal. Chegamos ao halfpipe e vimos todos os skatistas amontoados em um único lugar.

Fiquei curiosa.

–-O que será que está acontecendo?

–-Vamos lá descobrir—Mario respondeu com um sorriso.

Pegamos os skates e caminhamos para a pista. O que eu vi foi incrível. Parecia...Não sei, talvez um cara? Vou considerar sendo um cara. Ele usava calças compridas e largas, uma camisa laranja e preta, um casaco verde por cima e um pano que cobria o rosto.

Como estava de capuz eu só pude ver os olhos que pareciam azuis elétricos. Ele parecia conectado com a pista fazia tudo perfeitamente bem.

–-Quem é esse?—gaguejei impressionada.

–-Todos chamam ele de CJ. —um cara qualquer explicou sorrindo.—Ele chegou aqui nos meados do verão, não aparece todo dia e quando aparece...Mano, fazem fila para ver.

–-Ele é impressionante—elogiei e Mario bufou.

–-Um cara que se esconde atrás de máscaras, um cara que não dá para confiar.—Mario definiu.

–-Eu quero conhecer ele—ignorei o comentário.—Quem sabe eu não consigo que ele me dê algumas aulas. Essas manobras são tão... incríveis, maravilhosas e...

–-Aposto que faço melhor—Mario murmurou e eu a olhei cético. Ele estava agindo muito estranho. Parecia que ele estava com...Não isso era impossível. Será que Mario estava com ciúmes? Ciúmes, de mim?

–-VAI CJ!—alguém da multidão gritou.—VOCÊ E ÓTIMO!!

Uma pergunta apareceu na minha cabeça e eu não resisti o impulso.

–-Por que CJ? Que significado tem esse nome?

–-Ninguém sabe. Ele não dá satisfações para ninguém, só vem anda algumas voltas e se manda sem deixar rastros.—outro cara explicou.

Tá eu admito, isso era estranho. Quem fica famoso num lugar e não dá satisfações? Aposto que ele era mais famoso aqui no halfpipe do que eu que frequentava desde pequena.

–-Eu falei. Ele não é confiável—Mario retrucou me puxando pelo braço.—Vamos embora daqui, isso não vale a pena. Podemos tomar um sorvete e voltamos amanhã.

–-Calma, vamos esperar. Quem sabe não conseguimos dar uma volta na pista ainda agora, quando ele sair.—sugeri e Mario bufou resignado.

–-Ok—resmungou e eu sorri.

Depois de cerca de quinze segundos “CJ” saiu da pista ainda com o skate. Passou por Mario e eu voando. Passou pelas barras indo na direção da rua.

–-Ei espera! CJ!—gritei.—CARA!

Ele olhou para trás e acenou antes de voltar a olhar para frente.

–-Você tem sorte. Esse gesto e o mais perto que ele chegou de falar com alguém aqui na pista—um dos caras parecia admirado.

—Ele deve ter gostado de você.—Mario sugeriu num rosnado feroz.—Você e a única menina skatista num raio de quilômetros.

Bem isso era verdade, a maioria dos caras da pista tinha uma queda por mim.

–-Não, eu não acho que e isso—respondi meio confusa.—Quando eu olhei mesmo para ele senti algo diferente.

–-Vamos logo andar, hoje vou cobrir um colega na clinica veterinária—Mario nem me esperou e já foi para pista.

Agora uma pergunta rondava a minha mente, me deixando cada vez mais curiosa. Qual a verdadeira identidade de CJ?

POV Adriano.

–-Prometa Adriano, não conte esse segredo para ninguém. Por favor, eu estou implorando por isso.—Jaime me pediu enquanto terminava a história e seu banana split.

Jaime tinha acabado de me contar um segredo. Bom, um sinal de amizade e que ele confiava em mim, mas eu não confiava na minha boca. Se isso caísse nas mãos da Laura, o cupido fofoqueiro da escola, ele tava morto.

–-Claro que eu não vou contar, mas pra que você me falou?—perguntei curioso.—Não me desfazendo nem nada, mas justo eu?

–-Eu precisava me abrir. Eu queria falar disso com o Cirilo, o Davi e você, mas eles furaram então—Jaime deu ombros.—Eu com certeza não ia falar com o Jonas que ia me encher.

–-Pode deixar minha boca e um tumulo.—garanti e Jaime ergueu uma sobrancelha.

–-Então e por isso que você tem mau hálito de manhã?