Carrossel continuação

9 Uma rápida visita


POV Davi

–-Ai mais ele e tão lindo—Valeria suspirou e eu revirei os olhos.

Estávamos na casa da mãe da professora Helena visitando ela e Vitor, seu filho. Valeria estava sentada no sofá com Vitor no colo e a professora Helena estava de pé acariciando o cabelo de Valeria.

–-Eu adorei vocês terem vindo nós visitar—a professora Helena comentou e eu sorri.

–-O Vitor e muito fofo.—disse.

–-Mas ele tem uma carinha de joelho...—Valeria murmurou e eu me forcei a sufocar uma risada.

–-Eu, quer dizer, nós—corrigi ao ver o olhar de Valeria sobre mim.—trouxemos isso.

Tirei da mochila uma chupeta azul e entreguei para a professora que sorriu. Nós não tínhamos muito dinheiro então compramos uma chupeta mesmo.

–-Ah, crianças...Isso e tão fofo—Helena começou a chorar e eu ergui as sobrancelhas preocupado.

–-Você está bem professora?—perguntei.

–-Não seja bobo Davi. Ela só está emocionada, e algumas grávidas podem chorar assim do nada.—Valeria explicou revirando os olhos.—Isso é normal.

–-E sim, Davi—Helena afirmou com um sorriso.—Muito obrigado eu acho que o Vitor vai adorar.

–-E só uma lembrancinha.—olhei para Vitor que estava numa manta verde. Tão novinho e já cercado de mulheres. Sortudo.

–-E como andam as coisas na escola?—Helena mudou de assunto.

–-Eu e Davi temos todas as aulas juntos—Valeria comentou com um sorriso.—As aulas estão super legais. Vamos nos inscrever nas atividades extracurriculares...

Extracurriculares? Disso eu não tava sabendo. Olhei para Valeria meio confuso, o que ela estava aprontando.

–-Mesmo? Quais atividades?—Helena perguntou enquanto Valeria lhe entregava Vitor que já tinha dormido.

–-Dança—Valeria começou e eu já gemi. Dança? Sério?—Quem sabe eu não comece a fazer aulas de violão com o Davi.

–-Eu tinha me esquecido que você tomava aulas de violão, Davi.—Helena comentou.—Como estão as aulas?

–-Ótimas, terei uma amanhã mesmo—respondi.

–-Eu vou ao “toalete”, já volto—Valeria avisou e saiu da sala. Fiquei fitando ela sair caminhando.

Depois que ela sumiu pela porta Helena estalou os dedos na minha frente me acordando para a vida.

–-Desculpa.—pedi corando levemente.

–-Você só está apaixonado—Helena sorriu.—E então...qual a verdadeira razão pela qual a Valeria que fazer essas aulas de violão?

–-Deu pra reparar?—questionei e Helena riu.—Ela está com ciúmes da minha professora de música. Sem motivos devo dizer.

–-Ela e meio geniosa.

–-Meio é eufemismo.

–-Vou colocar Vitor no berço, já volto.—Helena saiu da sala me deixando sozinho.

Rene entrou na casa sem bater e me viu no sofá. Olhou e sorriu.

–-E ai Davi.

–-Oi Rene, eu tava esperando a Valeria e a Helena que saíram—eu não terminei de falar, pois Valeria entrou na sala.

–-Falando de mim?—Valeria perguntou quando eu parei de falar.

–-Sempre—respondi e Rene riu.

–-Oi Rene!—Valeria cumprimentou antes de se jogar ao meu lado e deitar no meu peito.—Seu filho e muito fofo!

–-Obrigado, cadê a Helena?—Rene olhou em volta.

–-Oi Rene—Helena deu um beijo no marido e eu sorri. Eles até que formavam um casal fofo.

Valeria me olhou sorrindo antes de se virar para Rene.

–-Rene agora eu tenho uma curiosidade, a Maria Joaquina?—ela perguntou de repente.

–-O que houve?—Helena questionou preocupado.

–-Ela caiu durante a minha aula por causa de alguma brincadeirinha de muito mau gosto e acabou torcendo o tornozelo.—Rene explicou.—O pai dela levou ela para casa. Foi uma torção leve.

–-Ela vai para a escola amanhã?—perguntei curioso. enquanto abraçava Valeria pela cintura.

–-Espero que sim.—Rene murmurou.

Olhei para o relógio e vi as horas. Eram quase cinco horas e eu tinha de chegar cedo a casa, meus pais voltavam hoje a noite e eu ia ao aeroporto busca-los.

–-Gente a conversa tá boa, mas eu tenho que ir para casa.—avisei e Helena sorriu.

–-Algum motivo especial? Ainda são quatro e cinquenta.—Valeria perguntou meio enciumada.

–-Valeria, esqueceu que hoje meus pais chegam de viajem?—perguntei me fazendo de inocente.

–-Vai encontrar a sogra em Valeria?—Rene riu e Valeria corou.

–-Bem se é assim vamos—Valeria deu um abraço na professora e um highfive no professor antes de me arrastar para fora.

Fiquei curioso quando ela parou ao meu lado da bicicleta.

–-Desculpa linda, mas você sabe que eu vou direto para casa e tomar um banho porque o voo pousa em duas horas?—perguntei.

–-Eu sei e vou com você. Quero ver meus sogros.—Valeria comemorou e eu sorri.

Montei na bicicleta e Valeria subiu na garupa me abraçando pela cintura. Eram algumas quadras até o apartamento da minha família.

Passagem de tempo

POV Valeria

Eu estava jogada na cama de Davi vendo algumas revistas. Estávamos sozinhos na casa, a avó do Davizinho tinha ido na frente. Eu só estava esperando ele tomar banho. Davi saiu do banheiro só de calça comprida e sem camisa assoviando.

–-O que acha que eu devo vestir?—Davi segurou duas camisas defronte o peito para eu ver.

–-A verde de surfista com o casaco cinza com um raio nas costas.—respondi e ele sorriu antes de vestir a camisa.

–-Que tal ?—perguntou dando uma rodadinha.

Levantei fui até ele. Selei nossos lábios e murmurei sem os separar por completo:

–-Lindo com sempre.

Davi sorriu e me abraçou. Ficamos uns segundos só aproveitando a companhia um do outro, em silencio absoluto.

–-Melhor irmos. O táxi deve estar esperando—Davi sussurrou no meu ouvido e eu sorri com o rosto enterrado em seu peito.

Fomos andando abraçados até a porta. Pegamos um táxi e fomos para o aeroporto esperar meus sogros.

Passagem de tempo

POV Davi

Eu e Valeria passamos o caminho todo de táxi de mãos dadas e conversando. Quando chegamos ao aeroporto paguei o taxista com o dinheiro que minha avó tinha deixado.

–-Onde seus pais vão desembarcar?—Valeria perguntou olhando em volta curiosa.

–-No portão 23. Minha vó já deve estar lá.—respondi.

Caminhamos até o portão de desembarque onde encontramos minha avó.

–-Avisaram que o voo vai demorar um pouquinho para pousar.—ela disse.

Acenei para Valeria e sentamos em um canto um pouco distante dos outros passageiros.

–-Será que vai demorar? Quem escolhe regressar de viagem numa segunda-feira a tarde, Davi?—Valeria perguntou enquanto deitava no meu ombro.—Bom que no primeiro dia não tem dever.

Ri de seu jeito e ela se aconchegou ainda mais em mim. Passei a mão por sua cintura e apoiei meu queixo em seu cabelo. Comecei a desenhar círculos em suas costas.

–-Assim eu vou dormir.—Valeria avisou e eu sorri abobalhado.

Senti o cheiro entorpecente do cabelo de Valeria. Dei-lhe um beijo de leve e ela sorriu levemente. Continuamos abraçados e minha avó nos olhava sorrindo.

Meus pais demoraram mais do que eu esperava, deu sete horas e o avião ainda não tinha chegado. Valeria tinha começado a cochilar no meu ombro. Peguei meu celular e comecei a trocar mensagens com Daniel.

Para: Daniel

Assunto: SEM NADA PRA FAZER

Cara, eu to aqui no aeroporto mega entediado, meus pais estão demorando muito para chegar aqui. A Valeria até dormiu. E você como tá?

De: Daniel

Assunto: SEM NADA PRA FAZER

Só a Valeria mesmo para fazer isso. Como foi a visita ao Vitor? A professora Helena tá bem? Eu to tranquilo, dei uma aula de tutoria agora à tarde. Uma grana a mais nunca e demais.

Para: Daniel

Assunto: SEM NADA PARA FAZER

A visita até que correu bem. O Vitor para um garoto que nem sabe andar já está arrasando corações, por um pouco não tirou de mim a Valeria kkk. A professora ainda tá meio sensível. E você? Pra que vai usar essa grana das aulas? Levar “alguém” para sair?

De: Daniel

Assunto: DEIXA DE SER INCOVENIENTE

Sim, levar alguém para sair. E você sabe quem e o alguém, então deixa de pegar no meu pé, eita! Os meninos pediram para eu te perguntar uma coisa. Quer fazer uma noite só de caras na sexta a noite?

Para: Daniel

Assunto: Preciso relaxar

Claro que eu topo. Aonde vamos?

De: Daniel

Assunto: Cachorrinho de madame

Certeza que sua “dona” vai deixar? Você sabe não queremos te deixar com problemas com a Valeria.

Para: Daniel

Assunto; Vá encher outro!

Eu vou sim e ponto, caramba. Eu falo com você depois.

Coloquei o celular no bolso com tanta violência que acabei fazendo Valeria acordar.

–-Desculpa linda.—pedi.

–-Nada não—Valeria se espreguiçou e olhou para o portão de desembarque antes de sorrir fracamente.—Davi...seus pais.

Olhei para onde ela apontava e comecei a correr, literalmente. Corri até eles e os abracei, que se dane eu ter quase dezesseis eles sempre serão meus pais.

–-Davi!—minha mãe me deu um abraço de quebrar as costelas e meu pai bagunçou meu cabelo. Com o canto do olho vi Valeria se aproximando com minha avó.

Valeria cumprimentou meus pais, meio tímida, coisa que não era muito a cara dela, e minha avó teve uma atitude normal esmagou os dois em um abraço caloroso.

–-Que saudade!—ela falou com um sorriso.

–-Nós também estivemos com muitas saudades!—meu pai sorriu.—Trouxemos lembranças para todos, até para você Valeria.

–-Não precisava—Valeria se apressou a dizer e eu abafei uma risada, ela disse rápido demais para o meu gosto.—Sinceramente.

Antes que minha mãe pudesse responder o celular de Valeria tocou e ela atendeu se afastando um pouco.

–-Ela e muito simpática—minha mãe pareceu feliz por achar a palavra certa para se referir a Valeria. Digamos que elas não se davam muito bem, ao contrario de Valeria e meu pai que até que se suportavam.

Quando Valeria voltou olhei para ela esperando que explicasse, ela estava com uma cara de alivio.

–-Minha mãe. Ela quer que eu vá para casa mais cedo hoje—Valeria elaborou e eu assenti antes de virar para meu pai.

–-Não se preocupe, no caminho de volta eu dou uma carona para Valeria—meu pai nem me deixou falar.—Pena que ela não vai poder ficar para o jantar.

–-Bem melhor irmos, não queremos Rosa preocupada com Valeria em casa.—minha mãe avisou.

Fomos até o carro da família, que minha avó tinha vindo dirigindo, e pegamos a estrada.

–-Então como foram as férias?—perguntei.

Eu estava no banco de trás entre Valeria e minha mãe. Valeria estava quase dormindo no meu ombro e minha mãe estava nos olhando atravessada.

–-Foi bom—ela definiu com um leve sorriso.—E vocês como foram as férias? E o acampamento?

–-O camping foi ótimo, tivemos tirolesa, corrida, trilha e muitas outras coisas. A única coisa ruim foi que Valeria e eu ficamos em times diferente.—divaguei e Valeria ronronou.—E ontem fizemos uma pequena festa para comemorar a volta as aulas.

–-Festa, é?—minha mãe esperou que eu elaborasse.

–-Sim, lá na Casa Abandonada.—expliquei e Valeria sorriu.—Hoje o dia foi até que legal, as aulas são fáceis e os professores bacanas.

–-Valeria, sua parada.—meu pai avisou parando em frente ao apartamento de Valeria. Minha mãe pegou da bolsa um pequeno embrulho.

–-Seu presente—avisou.

–-Obrigada—Valeria assentiu e saiu do carro.—Tchau.

Ela me deu um beijo no rosto antes de sair correndo para seu apartamento.