Carousel
11 Toy Golden - Especial dia da mulher
Notas iniciais
Capítulo narrado por Toy Golden
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Pequenas gotas de chuva caiam rápido, mal pareciam passar, as vezes ficavam presas no vidro do ônibus. A paisagem de uma grade cidade que parecia não ter fim.
O vento que entrava pela janela batia no meu rosto, o que me deixava com um pouco de frio. A chuva era o único barulho que eu ouvia, parecia que queria sussurrar algo que não conseguia decifrar. Não chegava nem a escutar o barulho das pessoas respirando ao meu redor.
Hoje não era um dia muito muito feliz. Tudo estava dando errado, pra mim não era um dia normal, com o sol, céu bem azul e as nuvens. Era como um... dia triste.
Estava dentro do ônibus, apesar de ter condições de pegar um táxi ou até mesmo pedir para alguém me buscar. Só que meu carro estava no lava-jato, então, tive que ir de ônibus.
Suspirei olhando para o banco na minha frente em seguida olhei para a paisagem, onde eu só conseguia ver prédios e vários guarda-chuvas de cores diferentes.
Ficava contando quantas vezes eu via a cor amarelo. Até que cores vivas chamaram minha atenção. Fiquei um pouco inquieta e literalmente coloquei a cabeça para fora da janela. Quando olhei fixamente para elas, foi como se o tempo estivesse parado.
Uma moça com um vestido de listras coloridas e cabelos longos que pareciam preto e azul ao mesmo tempo, estava andando sem guarda-chuva. E, ela não se molhava.
Quando ela sumiu da minha vista, eu fiquei um pouco confusa. Eu não sabia o que era aquilo, mas fiquei um pouco pensativa. Não é todo dia que encontramos coisas assim.
O ônibus freou bruscamente.
Me ajeitei na cadeira e antes de sair eu olhei pela janela novamente. O chão estava húmido e parecia quebrado, tinha poucas pessoas na rua e havia uma placa escrito ponto de ônibus torta.
Os barulhos de trovões e o clima tenso só me deixavam ainda mais perturbada.
Respirei fundo e olhei para o motorista.
Ele estava me observando... eu não pude deixar de ficar nervosa. Senti um arrepio na espinha.
Me levantei e fui andando lentamente até a porta. Antes de descer eu decidi falar com o motorista:
—Licença, o senhor está bem?
Ele assentiu e olhou para a estrada novamente, um pouco pensativo.
Resolvi descer. Comecei a andar um pouco rápido para não me molhar. Quase tropecei na hora de subir na calçada. Fui correndo para algum lugar que tivesse teto.
Continuei andando indo em direção a uma lanchonete com as paredes de tijolos. Que aparentemente estava vazia e sem cores. Corria tão rápido, com cuidado para não me molhar. Parecia que eu era feita de açúcar.
Encostei na parede e fiquei lá parada olhando fixamente para o chão, um pouco triste. Esperar a chuva passar não estava nos meus planos.
Ainda vidrada no chão, o barulho das gotas vai diminuindo aos poucos e quando elas finalmente pararam de cair, eu dei um suspiro longo e fiquei com os olhos fechados por alguns segundos.
Meu celular apitou.
Eu tirei ele do meu bolso suspirando.
"Vamos no Carousel hoje, parece que tem coisas novas por lá."
Eu não respondi e guardei o celular novamente, apenas me levantei e fui andando nas pressas para o meu prédio, que é aonde eu quero mais estar hoje.
Eu cheguei e entrei no elevador. O som que meus sapatos molhados faziam não era nem um pouco agradável. Uma ruiva entrou no elevador esfregando as mãos, como se quisesse aquecê-las. Ela estava molhada e aparentemente com frio.
Quando chegou no primeiro andar ela saiu rápido sem falar nem se quer uma palavra.
As portas estavam se fechando lentamente.
A ruiva abriu a porta da sua casa. Eu pude ver o papel de parede com rosas vermelhas e vários espelhos pendurados de formatos e molduras diferentes na parede. Quando eu olhei para um dos espelhos, pude ver aquela moça de roupas alegres de novo. Mas, num piscar de olhos ela sumiu.
Eu achava que estava ficando louca ou que isso era só coisa da minha mente.
Respirei fundo e tentei me acalmar.
As portas se abriram e eu fui em direção à minha "casa" que na verdade era o meu apartamento.
Eu ainda gostaria de morar com os meus pais. Mas, eles insistem dizendo que eu já sou adulta e que tenho que aprender a cuidar de mim mesma.
Meu apartamento era pequeno e humilde, apesar de ter bastante dinheiro para alugar um melhor.
Me joguei no sofá e olhei para o espelho. Meus cabelos longos e loiros e meus olhos castanhos claros, estavam ficando escuros.
Eu balancei a cabeça e olhei para o espelho de novo, dessa vez tudo estava normal.
Abri meu celular para responder à mensagem da Emily, minha colega da faculdade.
"Já tenho 20 anos, você acha que eu ainda vou em parques?"
Digitei me esparramando no sofá enquanto tirava os sapatos.
"Qual o problema de se divertir um pouco? Você só sabe ficar fazendo os trabalhos da faculdade. Coloca a cara pra fora."
Eu suspirei revirando os olhos.
"Tá, eu vou."
"Pode ir saindo e me encontrar lá, já estou a caminho"
Eu acabei de chegar em casa, e já tenho que sair de novo. Só vou lá pra comprar pipoca ou algodão doce.
Peguei a chave que estava em cima do balcão e tranquei a porta.
Apertei o botão do elevador um pouco inquieta. O elevador abriu, e quando eu olhei no espelho pude ver aquela mulher de novo.
Eu realmente estava ficando louca, vendo essa mulher em todo lugar.
Quem sabe dar uma saída me faça desopilar um pouco. Pensei.
Estava me sentindo um pouco tonta. Queria voltar para o meu apartamento e descansar um pouco. Estou com um mal pressentimento.
Fui andando para o parque, já que ele ficava perto do meu apartamento.
Olhando para o fim da estrada, eu poderia ver a neblina sumindo. O que para mim era um bom sinal.
Por sorte, aquela mulher não apareceu de novo.
—Olha quem está aqui! – Alguém me abraçou. Quase caí para trás.
Era Emily, ela estava aparentemente feliz e ansiosa. Para mim ela é como uma garota de quinze anos com idade mental de dez.
—E aí tudo bem, Amanda? – Ela perguntou.
Eu assenti com a cabeça.
—Vamos, sorria! Você é uma pessoa animada, mas hoje eu não sei não hein... – Ela riu.
—Não estou tendo um dia muito bom... – Suspirei.
—E agora é que seu dia vai melhorar. – Ela foi me puxando de costas para o parque.
Entramos, ela parecia bastante feliz de estar ali comigo. O que melhorou meu humor.
Avistei vários palhaços sorrindo e distribuindo balões para as crianças. Barraquinhas com prémios e brinquedos de terror.
Ficamos andando e indo em vários brinquedos diferentes, comprando pipocas, salgados e várias coisas que me deixaram feliz.
Toda vez que eu fico triste ela me anima. Eu acho que é um dom dela ou algo do tipo. Mas, ela sempre consegue me deixar feliz.
Enquanto eu comtemplava um ursinho panda que era prémio de um dos jogos eu percebi que ela havia sumido.
Não entrei em pânico, ela era de fazer brincadeiras comigo, ás vezes eram bem pesadas.
—Amanda, veja isso! – Eu segui a voz dela.
—Chega de brincadeiras, aonde você está? – Gritei.
—Atrás desse brinquedo do seu lado.
Aquele brinquedo estava aparentemente fechado, era um castelo enorme.
Eu estava indo atrás dele para ver o que ela tanto queria que eu visse. Estava nervosa e nem um pouco bem.
Cheguei lá suspirando e olhando para o chão.
Avistei sangue, entrei em pânico na mesma hora e tentei sair correndo.
Mas, eu fiquei imóvel, como se eu tivesse virado uma estátua.
—Nada disso, eu ainda não terminei de brincar com você. – Disse uma voz feminina.
Eu senti uma dor imensa nas minhas costas, que ia se espalhando por todo o meu corpo. Eu desfaleci e caí no chão.
Aquela dor era imensa.
—Pronto, agora se acalme.
Uma mão delicada tocou na minha testa, e na mesma hora eu desmaiei.
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Agora é só leva-las para o castelo.
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