Carneirinho e as Cento e Uma Noites

5 Antes do Amanhecer - Parte I


Notas iniciais
“Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma Fechemos pois a boca e conversemos através da alma Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo. Vem, se te interessas, posso mostrar-te.” (Rumi)

O exaurido e satisfeito Sultão não saberia dizer por quanto tempo oscilou entre um breve cochilo e um sono mais profundo... mas quando abriu os olhos um pouco mais tarde na madrugada, a primeira coisa que o recepcionou foi um par de olhos verdes vívidos centrados nele e um sorriso de boas vindas ao mundo desperto. Ele piscou algumas vezes, esticando-se preguiçosamente na cama real e devolvendo-lhe o sorriso. Há quanto tempo estaria seu Carneirinho, com o queixo apoiado sobre seu peito, a observá-lo dormir? E a pergunta mais relevante de todas... havia sorriso mais lindo do que o que seu admirador exibia?

– Carneirinho... – murmurou roucamente – Não consegue parar de admirar seu Sultão, não é? Eu entendo... Eu sei que sou lindo. – espreguiçou-se um pouco mais em meio aos lençóis suntuosos.

– O Sultão mais lindo que meus olhos já viram... – o loiro sorridente concordou, embevecido.

– Eu sei... Lindo como eu, realmente... não há! – Félix surpreendeu-se com a repentina risada que ecoou pelo quarto, e franziu a testa, desfazendo o sorriso. Ninguém nunca ousara rir dele antes... então porque esse escravo ingênuo ria como se tivesse ouvido a piada mais engraçada de todo o Oriente?

– Está rindo de seu Amo? – forçou-se uma voz grave, muito embora intimamente sua vontade fosse juntar sua risada à dele, que por sinal achara inocentemente contagiante. Arrependeu-se imediatamente do comentário quando o escravo parou de rir e sem graça, desviou o olhar, levantando-se de seu peito onde estivera apoiado e deitando-se de lado na cama, cabisbaixo.

– Perdão, meu Amo. Não foi minha intenção lhe ofender... – o murmúrio envergonhado do loiro apertou estranhamente seu peito. Em um segundo já esquecera porque o repreendera.

– Não, tudo bem... – moveu uma mão para seu rosto delicado e repousou a palma em sua face – Não tem problema, Carneirinho. Eu estava brincando... é que ninguém nunca riu das minhas piadas antes... Você foi o primeiro. – confessou, levantando seu queixo com a ponta dos dedos. – Ei... – Ao ver que ele continuava evitando seu olhar. – Olha pra mim...

As íris de jade o fitaram, sua expressão séria e ainda receosa.

– Só brincando, tá? Acho que te dei o nome mais apropriado de todos... Você realmente cai em todas... – lançou-lhe seu melhor sorriso encorajador.

Finalmente um sorriso tímido voltou a nascer nos lábios rosados, mas ainda podia ler nos olhos verdes uma sombra de dúvida sobre como se comportar na presença dele. Pelas pilastras do templo sagrado, que bobagem... não faz muito tempo ele mostrou que sabe muito bem sim, como se comportar... ou melhor, como não se comportar!

Definitivamente, aquele loirinho de cachos cor de sol encerrava toda uma gama de mistérios ainda por se revelarem... Uma curiosidade nova brotou dentro dele, fazendo-o virar-se de lado na cama para observar melhor o Carneirinho misterioso deitado ao seu lado.

– Estou curioso sobre você, Carneirinho... Soube que seu Amo cedeu você para mim hoje como um presente e não aceitou nenhum tipo de retribuição... e ainda por cima, não quis se identificar.

– Meu Amo sente-se honrado de poder agradar o poderoso Sultão de Khoury. – foi a resposta reverente dele.

– Tá, tá... – Félix fez um gesto de descaso com a mão — mas será que você não pode me dizer quem é essa criatura tão generosa? – propôs com uma voz baixa que pretendia soar tentadora – Será nosso segredo... juro que não conto pra ninguém. – para reforçar o que dizia, cruzou dois dedos e os beijou.

Um novo medo... medo não, pânico surgiu nos olhos assustados. Félix se perguntou se não teria sido melhor ter iniciado um novo desenrolar erótico, sem diálogos, naquela cama... porque definitivamente não estava dando uma dentro com aquele jovem escravo.

– Senhor Sultão... Peço sua clemência, mas jurei por minha pobre alma jamais revelar a ninguém... Não sei o que pode acontecer comigo... se eu contar... – a voz dele já começara a embargar ou estava enganado?

– Alá, olhai pra isto... tudo bem, Carneirinho, pronto, pronto... – acariciou novamente a face tensa dele, que fechou os olhos ao contato de sua mão como um passarinho acuado em seus dedos – Não precisa contar... é que fiquei curioso, mas deixa pra lá... – o jovem suspirou, parecendo ter se acalmado novamente.

Félix ainda relutava em simplesmente deixar pra lá... ao menos alguma coisa precisava extrair daquela criaturinha fascinante deitada ao seu lado.

– Se você não pode me contar sobre seu Amo... Ao menos me conte sobre você. De onde você veio? – Deitado de lado na cama de frente para o loiro, o Sultão apoiou-se sobre um cotovelo, atento.

– Meu Amo... Eu sou apenas um simples escravo, minha história não é interessante... O Amo dormirá de tédio....

Félix reprimiu um sorriso incrédulo ao ouvir aquilo. Tédio e aquele Carneirinho eram palavras tão distantes que poderiam até vir de línguas diferentes.

– Mas se o Senhor desejar e assim permitir, posso lhe contar uma história... Eu conheço muitas histórias interessantes. Posso distrair sua mente com elas.

A nova proposta dele instigou sua curiosidade e Félix aprumou-se melhor na cama, mais atento do que nunca agora.

– Uma história? Nossa, eu adoro histórias...

Finalmente um sorriso genuinamente feliz surgiu no rosto angelical, e só por isso Félix já se sentiu melhor sobre os seus deslizes anteriores com aquela criatura. Incentivado pela nova atenção do Sultão, um animado Carneirinho sentou-se na cama de pernas cruzadas, preparando-se para começar a história. O moreno sorriu ao ver a atitude do rapazinho loiro mudar da água pro vinho. Timidez se transformara em uma desenvoltura quase teatral. Até o brilho naquelas esmeraldas aumentara...

O loiro abriu os lábios e começou a contar. Félix manteve o olhar fascinado naquela criatura surpreendente, deixando-se embalar pelo mundo de fantasias incrível prometido por aquela voz macia e suave.

Era uma vez... em um reino muito, muito distante... mais distante do que as mais longínquas montanhas além do deserto de Oman... Dois belos príncipes que se amavam muito. Eles se amavam tanto, mas tanto mesmo, que decidiram formar uma família... com um filho para poder lhes dedicar todo o amor que traziam no peito...

– Amor — resmungou Félix, com uma careta – Que palavrinha mais sem noção...

O Carneirinho calou-se, sério. Félix viu que o desagradara e novamente a culpa o dominou. Isso vinha acontecendo muito aquela madrugada, depois pensaria no porquê. Agora, deixando de lado sua pose de Sultão poderoso por um momento, ele lançou-lhe sua melhor expressão de coitadinho. Afinal, a história mal começara e já estava quicando de curiosidade para ouvir a continuação.

– Desculpe, Carneirinho... Continue, não vou mais interromper, prometo. – sorriu-lhe para encorajá-lo, o que pareceu funcionar, pois a voz suave dele continuou a contar.

Então... Esses dois príncipes tão justos e tão amados por seu povo, queriam muito ter um filho, mas por serem dois homens, isso não seria possível sem recorrer a algum tipo de magia ou encantamento. O mais velho dos dois, que se chamava Eron, o mais racional e sério, não parecia muito inclinado a usar de meios mágicos para transformar o sonho do casal em realidade. Porém, o mais novo dos príncipes, chamado Nahan, ansiava tanto por isso que instituiu como objetivo de vida para os dois encontrar alguém que pudesse conceder-lhes a realização de seu maior sonho. Um filho, ou filha... uma criança para amarem e também um herdeiro ou herdeira para governar o Reino no futuro... de maneira tão justa e magnânima quanto eles já o faziam.

Em uma das muitas viagens que Eron e Nahan faziam pelos Reinos vizinhos e também pelos mais distantes, eles finalmente encontraram o que procuravam. Ou melhor dizendo, quem. Nahan, o jovem príncipe de cabelos loiros cacheados, exultou de felicidade ao conhecer Amarilys, a Feiticeira do Reino de Proveta. A felicidade era tanta em seus olhos verdes que ele nem percebeu os estranhos olhares trocados entre seu parceiro e a feiticeira, nem o volume absurdo dos seios daquela mulher... Qualquer um ao olhar para eles pensaria logo que até a bruxaria precisa ser usada com moderação.

– Não sei porquê... Já não fui muito com a cara dessa feiticeira aí... e esse principezinho loiro... sei lá, me parece meio burrinho... — Félix não pode evitar de comentar, mas se calou rapidamente ao notar o olhar de reprovação de seu adorável narrador. Por Alá e todos os Profetas da Mesquita ... e se ele resolvesse não contar mais nada? Será que não era capaz de controlar os sapos que queriam pular de sua boca? — Ai, tá bom, tá bom, não falo mais nada... — gesticulou como se estivesse costurando a própria boca.

O Carneirinho suspirou resignado. Ignorando a nova interrupção, recomeçou a contar.

– Nossa, meus belos príncipes, vocês estão com muita sorte! – declarou a feiticeira loira de seios sinistramente volumosos e com um sorriso fácil que não chegava a tocar seus olhos. — Estão diante da pessoa certa para realizar seu desejo!

– Estamos? Mesmo? – o jovem príncipe loiro virou-se para seu parceiro com os olhos brilhando de emoção – Eron, você ouviu isso? Nós conseguimos, encontramos a pessoa certa! – o jovem loiro só faltava dar pulinhos de alegria, e talvez mentalmente estivesse dando mesmo.

– Calma, Nahan... vamos deixá-la falar primeiro... – O príncipe Eron virou-se pragmático para Amarilys – Não estamos desconfiando... de você... – ele piscou algumas vezes, sem saber porque o olhar fixo daquela mulher o fazia sentir-se tão estranho de repente – Mas... pode nos contar como pretende atender nosso desejo?

– Mas claro... vocês desejam um filho, uma criança. Mas não podem pelos meios normais, por serem o que são... dois homens. – ela continuava falando com o olhar fixo nos olhos verdes de Eron – mas uma magia milenar, da qual somente eu tenho conhecimento, pode fazer isso por vocês. Se usada com os ingredientes certos, pode transformar seu sonho em realidade!

– E você tem os ingredientes certos? – Nahan perguntou ansioso – Ai, mas o que estou dizendo... claro que tem, né?

– De fato, Vossa Alteza, tenho sim. – Amarilys voltou seu olhar fixo para o jovem príncipe loiro, disfarçando rapidamente a surpresa ao se dar conta que ele mantinha a mesma expressão abobalhada no rosto e não parecia nem um pouco afetado pelo seu olhar, ao contrário do seu parceiro, que já exibia um ar meio confuso na expressão. “Maldito coração puro... faz tempo que não cruzo com um desses... mas tudo bem, já funcionou com o outro... deve bastar.”

A feiticeira deu-se por satisfeita por ora, pois logo viu não seria difícil convencer o casal de príncipes de que oferta mais atraente do que aquela, não encontrariam nem se percorressem todas as Terras Médias de San Magno. Amarilys explicou-lhes como realizaria tal intento. Para levar a termo a Magia Milenar de que dispunha, eram necessários dois ingredientes apenas: um ovo mágico de dragão e as lágrimas verdadeiras de emoção de quem desejava a criança... O ovo de dragão ela possuía... dois príncipes ansiosos por um filho, também... Mas havia um detalhe específico para que a magia funcionasse corretamente: Ela precisava ser realizada no exato momento em que a lua desaparecesse totalmente no céu, ocultada por uma sombra que só duraria alguns minutos. Um fenômeno extremamente raro que só podia ser observado a cada cem anos. E para incrível sorte do casal de príncipes, Amarilys lhes garantiu que aquele fenômeno aconteceria dali a poucos dias.

Restava somente saber qual o preço que aquela feiticeira cobraria em troca de uma magia tão poderosa e complexa. Emocionado e ansioso com a perspectiva de ser pai, o jovem Nahan concordou com o pagamento antes mesmo de saber que o preço da bruxa era simples demais: ela só queria se mudar para o castelo deles durante o período que o ovo levasse para gerar a criança. Aproximadamente nove meses.

– Só isso? Esse é o preço? — desconfiou o racional Eron, usando seus últimos resquícios de lucidez que a magia da feiticeira não conseguira ainda atordoar.

– Só isso. — respondeu ela — Estou precisando de um lugar para ficar e ficando no castelo de vocês, poderei cuidar pessoalmente da magia do ovo e garantir que o sonho de vocês se realize.

Nahan mal podia acreditar na incrível sorte deles. Seus olhos verdes brilhantes passeavam da feiticeira para o parceiro, e de volta para a feiticeira. O príncipe loiro olhava para a bruxa praticamente como se ela fosse uma divindade. Amarilys reprimiu um sorriso sarcástico ao olhar a ansiedade daquele jovem príncipe. “Nem precisaria gastar magia com esse aí de qualquer jeito...Ele acreditaria em qualquer coisa esdrúxula que eu falasse...”

– Mas isso é uma maravilha! Claro que pode ficar no nosso castelo, pelo tempo que desejar! — exclamou Nahan, os olhos brilhantes de pura felicidade. Mas Eron ainda estava na dúvida.

– Realmente é muita generosidade sua... – Eron murmurou, com o olhar um pouco enevoado.

– Imagina, meus queridos. Simpatizei muito com vocês, vocês formam um casal adorável. Para mim será um prazer ajudá-los. — A feiticeira abriu mais uma vez seu melhor sorriso e retirou as mechas de cabelo do rosto com as pontas dos dedos, enquanto piscava o olho para Eron, que sorriu de volta sem graça. Olhou para o companheiro que não notara nada, e chegou até a extravasar sua alegria abraçando efusivamente Amarilys.

– Vem, Eron, abraça ela também! — Nahan mal se continha de contentamento — Abraço grupal! Estou tão feliz!

Eron abraçou os dois, mas ficou tenso quando sentiu uma mão feminina apalpar uma parte de seu corpo que não deveria estar incluída no abraço grupal. Ao olhar para Amarilys no meio do abraço, foi capturado mais uma vez por seu olhar hipnotizante. Um leve sorriso distante tomou seu rosto. Nahan estava feliz, a feiticeira ia ajudá-los, eles conseguiriam ter um filho... tudo estava bem. Se entregou ao abraço, e Amarilys soube que não precisaria gastar nem mais um pingo de energia com aquele príncipe fracote e com seu companheiro abobalhado... Como diziam as bruxas de seu clã... Eles estavam no papo do sapo.

Sendo assim, Amarilys se mudou com caldeirão e vassoura para o castelo do casal de príncipes. E que castelo... Maravilhoso e imponente, a fortificação se erguia no topo de uma montanha cujo acesso só era possível através de uma ponte que ligava os dois penhascos. Abaixo dali, um rio seguia seu caminho que rodeava boa parte do castelo. A queda daquela altura seria mortal para qualquer criatura.

Por um bom tempo, tudo parecia estar dando certo para o casal de príncipes. A magia foi realizada no momento certo, as lágrimas dos príncipes foram usadas e o ovo mágico foi fecundado através do encantamento lançado pela feiticeira. O tempo passou rapidamente, até que chegou o grande dia... quando do ovo encantado eclodiria a criança tão desejada pelo casal. Um quarto infantil cheio de brinquedos havia sido preparado para a chegada do mais novo herdeiro do Reino. Através da feitiçaria de Amarilys, eles já sabiam se tratar de um menino.

Quando aquela casca escura de escamas de dragão se partiu, e eles puderam finalmente ver a criança que dali nascia, ficaram encantados com a pequena criaturinha. Era um bebê lindo, com os mais belos olhos verdes e um cabelo loiro fininho que já prometia formar cachinhos. Era praticamente a cara de Nahan. Não se parecia em nada com Eron.

– Não se preocupem, isso acontece muito. – Amarilys tranquilizou-os – as vezes as lágrimas de um acabam contendo mais emoção do que as do outro, por isso as feições do bebê puxam mais ao que chorou com mais sentimento. Mas o filho é dos dois.

“Na verdade... O filho é meu.” Foi o pensamento maligno que cruzou a mente da bruxa. Enquanto Nahan e Eron comemoravam o nascimento do bebê, eles nem desconfiavam de seus reais planos. Um por estar explodindo de felicidade pelo nascimento da criança... o outro por estar sendo mantido constantemente sob feitiçaria pesada. O fato é que Amarilys pretendia tomar posse de tudo aquilo que passara a desejar para si além da criança que gerara para eles com sua bruxaria. Ela sempre desejara ter um filho, e nunca conseguira seu intento nem por meio de suas magias mais poderosas. Não lhe faria nenhum mal ter de brinde também um marido príncipe, um Castelo e um Reino para governar. Todos a seus pés. A vida de uma feiticeira não poderia mesmo ser melhor do que isso...

Fabrício, como foi nomeado o herdeiro real, estava com somente dois meses de vida quando um imprevisto obrigou a bruxa a apressar o desfecho de seu plano maligno. Uma bela manhã, Nahan resolveu preparar uma surpresa para a magnânima feiticeira que os presenteara com o que mais desejavam, e a quem ele já considerava uma verdadeira amiga. O príncipe loiro foi pessoalmente até o quarto de Amarilys levar um presente que mandara encomendar num reino distante. Uma gargantilha cravejada com os mais belos diamantes. Quando ele adentrou o quarto que ela ocupava no castelo... seu coração estilhaçou-se em mil pedaços.

Aquela que considerava uma amiga... estava na cama com seu companheiro. Ambos pelados e entrelaçados, no auge da paixão. Nahan não podia acreditar que aquilo estava acontecendo...

O Carneirinho parou de contar a história ao notar algo estranho no olhar do Sultão. Aquilo que passeara nos olhos negros... seria uma sombra? Fora algo tão rápido que ele não teve chance de identificar o sentimento que a causou. Antes disso Félix já lhe sorria em silêncio, pedindo com o olhar que continuasse a contar. O escravo sorriu-lhe de volta, e retomou a narrativa.

Nahan ficou devastado com a traição sofrida. E ver o sofrimento de seu companheiro acabou possibilitando a Eron a sua liberdade do feitiço que o mantinha cativo há meses. Arrependido e de volta ao seu senso normal, ele se pôs de joelhos diante de Nahan e implorou por seu perdão, dizendo-lhe que fora uma vítima indefesa da cruel feitiçaria de Amarilys.

A bruxa loira logo percebeu que seu plano corria perigo ao notar que mesmo traído de forma tão vil... os olhos tristes do gentil príncipe demonstravam que ele iria perdoar seu companheiro. E já que a sua magia de hipnose não mais funcionaria em Eron... Ela teve que recorrer a meios ainda mais drásticos.

Não demorou muito para que a vida de Nahan virasse uma completa tragédia. Amarilys lançou uma nova magia em Eron que o transformou em um ser bestial... uma das criaturas mais aterrorizantes e temidas de que se tinha notícia. A terrível Lacraia gigante. Um ser que dispunha de duas armas letais: jatos de baba ácida que saiam de sua bocarra fétida... e bafos mal cheirosos que saiam de... bom, de sua outra extremidade, vamos dizer assim. A besta gigante foi posicionada na entrada do castelo como uma proteção contra qualquer um que ousasse se aproximar. Na verdade, ninguém ousaria...

Amarilys simplesmente enfeitiçou toda a guarda real e todos os súditos que residiam no castelo. Não houve nada que Nahan pudesse fazer para evitar que fosse expulso de seu próprio castelo... E o pior de tudo nessa situação, fora perder aquilo que lhe era mais precioso: seu filho Fabrício. Agora, mais um refém das garras daquela mulher maligna que ele cometera o erro de acolher em seu lar.

Expulso, destituído de seu castelo, seu reino, seu marido e seu bebê... Nahan foi tomado pelo completo desespero. E foi essa desesperança toda que o levou a pensar em tirar sua própria vida. Após vagar pelos arredores do Reino, sem encontrar ninguém que pudesse lhe ajudar... (quem ousaria enfrentar a Lacraia Gigante na porta do castelo?), o príncipe finalmente desistiu de tudo. Determinado, ele postou-se em pé na borda de uma ponte. Pretendia tirar sua vida jogando-se dali. Acabaria com tudo... só precisava tomar coragem, e pular...


(continua...)


* * * * * *

Notas finais
Capítulo dedicado à Vanessa S. do grupo Feliko do Facebook. :) Van... espero que goste do capítulo. Beijão! :) Nota: Nahan - origem do nome: árabe. Significado: Doce como mel. :)