Carmesin

2 Capitulo 01: Voltando ás lembranças


Eu já havia saído do aeroporto e fui pegar um taxi, no começo quando eu havia dito que era a caminho da fazenda Black o taxista reclamou muito, porém quando ofereci cem dólares pela corrida não teve como ele recusar e afirmou que eu estaria na fazenda Black em cinco minutos no máximo.

Em poucos minutos eu estaria de volta ás minhas origens e teria que reencontrar Jacob, a única pessoa que me deu sentido a frase “Amor e ódio”, três anos atrás eu só pensava em ficar ao lado do dele, como uma sombra implorando por sua atenção e aceitando suas migalhas com total admiração, mas agora tudo seria diferente. Tudo que eu mais quero é poder criar meu filho em paz e o mais longe possível dele.

Acho que sou um pouco egoísta, por privar meu filho de conhecer seu pai biológico, contudo não poderia ver meu filho sofrer nas mãos do pai, tendo como exemplo básico que as mulheres só servem para fazer comida e serem fudidas, e que não merecem um mínimo de respeito. Além disso, ele ainda teria que escutar alguns comentários maldosos das amantes e amigos do pai, como por exemplo, “Olha o bastardo” ou “Será que ele é filho seu mesmo Jake?”.

Eu simplesmente não agüentaria vê-lo sendo humilhado, quando estava chegando perto da fazenda pedi ao taxista para me deixar o mais próximo possível, ele estacionou e eu saí. O taxista pegou a mala e deixou bem perto de uma cerca, agradeci e ele foi embora sorrindo.


Podia sentir meu passado todo sendo lembrado, olhei para a entrada da fazenda me fazendo ter um momento de nostalgia, porém, eu não poderia ficar parada olhando e pensando no passado. Olhei para os lados e ergui minha cabeça dando os primeiros passos, fazendo com que os peões ficassem me olhando.

Quando eu passava alguns dos peões mexiam comigo, mas é claro que eles não me reconheceriam e eu não os culpava, porque a figura na frente deles era diferente do passado, não era mais a garotinha que usava o vestido largo florido, com duas “Maria Chiquinhas” no cabelo e que corria descalça gritando pelo Jake. A mulher que está na frente deles é bem diferente, eu estava com um vestido preto com uma meia calça preta, enquanto eu andava rapidamente a brisa passeava pelo meu rosto fazendo meus cabelos “dançarem” e os conduzirem dando um charme.

– Ei moça, quem deixou você entrar na minha propriedade? — ele perguntou me olhando, me virei e olhei bem nos olhos dele


– Acho que foi você mesmo Jacob. – falei segurando minhas malas e o encarando.

Eu o olhei e percebi que ele não tinha mudado tanto assim, estava o mesmo de dois anos atrás, mesmo agora ele tendo seus vinte e seis anos e ainda estava com o rosto de dezoito anos, seu corpo estava mais musculoso, seu cabelo, que antes estava grande, estava curto agora, mas uma coisa continuava a mesma: o sorriso de cafajeste.


– Nessie é você mesma? – ele perguntou me olhando dos pés a cabeça, assustado.


– Sim, sou eu mesma Jacob. – dei um sorrisinho fraco, ele foi até mim e me deu um grande abraço, eu me sentia quente sobre os braços forte daquele homem, enquanto meu corpo estava totalmente relaxado com aquele perfume inebriante.



Enquanto o abraçava eu sentia o perfume que lhe dei, o único e exclusivo Carmesim, minha verdadeira obra prima, pois o perfume era feito das essências de casaca de árvores vermelhas, o que deixava o cheiro marcante. Combinava perfeitamente com a sua personalidade forte e envolvente, fazendo me deliciar com todo aquele momento, porém quando senti as mãos dele descendo pelas minhas costas, chegando á minha bunda e apertando com força, me fazendo despertar do meu transe hipnótico.


– Você está muito gostosa, Nessie. – ele falou na minha orelha, mordi meu lábio inferior com força para me despertar.


– E você continua o mesmo tarado de sempre. – falei o empurrando educadamente.


– Não tenho culpa se sempre gostei do que é bom. – ele falou segurando minhas mãos sorrindo e me puxando para um abraço novamente.


– Agora você poderia me soltar, por favor? – fiquei o encarando e ele também, parecia que ele se perdia no meu olhar, dei um sorriso triste.


– Porque eu te soltaria? Estou com muitas saudades de você, fiquei com muito frio nesses dois anos que esteve fora.


– Pena que você não pegou uma hipotermia.


– Assim eu vou achar que você está me desejando mal Nessie.


– Nunca te desejaria mal, tenho certeza que outra mulher ficou esquentando sua cama. – me desfiz dos braços dele e voltei a segurar minha mala que estava no chão.


– Você sabe que eu só dormi juntinho com você, contudo eu tinha que me aliviar com outras.


Aquilo me deu um ódio enorme, eu queria muito dar uma tapa na cara dele, mas eu respirei bem fundo para me manter calma e ter uma resposta adequada.


– Sua vida particular não me convém, eu vim aqui pra ver meu pai e não você, então me pode dizer onde está meu pai, por favor?


Ele me olhou com surpresa pela minha resposta, apontou onde estava meu pai, dei as costas e enquanto andava me distanciando escutei a voz do Jake meio indignada.


– Poxa você não precisava me responder assim, até parece que somos dois estranhos. – me virei e revirei os olhos.


– Não somos estranhos Jake, mas vim aqui pelo meu pai.


– Eu sei Nessie, mas bem que podemos relembrar do passado, até praticar se você quiser. – ele disse sorrindo, ainda berrando.


– Quem vive passado é museu. – retribui a resposta dele.


– Mas relembrar é viver branquinha. – ele falou bem alto, olhei para os lados para ver se tinha alguém.


– Dá pra você parar de gritar? Não força Jake, vem logo vamos ver meu pai.


– Tudo bem branquinha. – ele falou rindo e veio ate mim. Me virei e ele passou pela minha frente, me fazendo reparar que ele estava meio que puxando a perna direita, mas eu não iria perguntar nada.


Eu não queria dar liberdade para Jacob querer saber da minha vida e muito menos querer que eu volte ser dependente daquele canalha de novo. Quando cheguei á porta do antigo quarto do meu pai, senti Jacob segurando meu ombro e falou no meu ouvido com uma voz rouca bem baixa, que queria entrar primeiro para fazer uma surpresa para meu pai, sobre a minha chegada, e me falou para esperar atrás da porta até ele me mandar entrar.


Fiquei de fininho atrás da porta.


– Bom dia Edward, como você está?


– Bom dia Jake, eu estarei melhor quando voltar para minha casa. – quando ouvi a voz do meu pai meu coração se acelerou, fiquei sorrindo.


– Assim vai parecer que você não quer ficar com agente, aqui na fazenda.


– Não é isso, é que Nessie pode mandar alguma carta para mim e eu não poderei pegar.


– Não se preocupe com a carta da Nessie, Edward.


– Como não vou me preocupar? Quero saber como minha filha está vivendo naquela cidade grande, também tenho muita saudade dela.


– Então você vai matar ela, pode entrar Nessie. – quando ele me mandou entrar, eu entrei rapidamente e vi meu amado pai todo pálido sentado na cama, ele se levantou e eu corri para perto dele, e o abracei.


Nossa como eu sentia falta do meu pai, ele me abraçou de um jeito apertado e eu arfei, puxei o ar e o abracei apertado também, enchendo a bochecha dele de beijos enquanto ele sorria.


– Pai como o senhor faz isso comigo? Por que não me mandou uma carta ou me telefonou?


– Querida, eu não queria te incomodar. – me separei um pouco dele ainda abraçada, para olhá-lo no rosto.


– O senhor nunca vai me incomodar pai, obrigada por cuidar do meu pai Jake. – falei e abracei de novo meu pai.


– Não foi nada Nessie, Edward sempre foi importante pra mim. – enquanto eu abraçava meu pai, virei meu rosto para encarar Jake rapidamente e logo afundei meu rosto no ombro do meu pai.


– Hum, então mais uma vez obrigada.


– Já disse que não precisa agradecer, vou aproveitar que você está aqui e vou resolver algumas coisas.


Assim que Jake saiu do quarto, deixando eu e meu pai, me senti mais aliviada, pois poderia conversar a vontade com ele, sentamos na cama, ele me olhou e eu sorri. Passei a mão nos cabelos do meu pai o fazendo dar um sorriso largo, me lembrei de quando tinha essa mania.


– Pai o Jacob me falou que o senhor está com problemas no coração, o que o senhor tem afinal?


– Ai minha filha eu não queria que você ficasse preocupada, mas eu sempre tive sopro no coração, com a idade e a hipertensão, eu tive ataque cardíaco, mas nada muito grave. Só preciso de repouso.


– Então vou ficar aqui uma semana, para encontrar alguém que possa cuidar do senhor na nossa fazenda.


– Querida não precisa gastar seu dinheiro comigo.


– Claro que precisa. Você é importante pra mim. Agora eu vou te dar um presente. – falei sorrindo, mexendo na minha mala.


– O que é querida?


– É uma foto do Ephrain para você. – peguei a foto e lhe mostrei, ele olhou para a foto por um bom tempo.


– Eu queria muito poder ver meu neto pessoalmente.


– Já falei para o senhor que eu pago a passagem e aproveita hein, é para passar uma semana na minha casa.


– Juro que vou fazer uma visita, mas não vou de avião não. – ele riu e eu também.


– O senhor já está tendo a idéia de sair deste lugar, já é um bom começo.


– Você sabe que eu guardo muitas lembranças boas deste lugar querida, eu conheci sua mãe e criei você aqui, é muito difícil sair deste lugar.


– Eu te entendo pai, mas o senhor sabe que este lugar me faz mal.


Olhei para baixo e fui fechando as minhas malas.


– Eu sei querida, mas acho que você deveria largar esse ódio e pensar em criar uma família.


– Eu já tenho uma família, você e o meu ruivo.


– Mas você precisa de um companheiro para ajudar a criar seu filho querida, ou fazer o verdadeiro pai participar da sua família.


Me levantei e amarrei meus cabelos, enquanto meu pai falava, olhava para ele e para o espelho enquanto me arrumava, respirei fundo e respondi.


– Você sabe que o Jake nunca me levou a sério, muito menos vai querer ter um filho comigo, o senhor sabe o que aconteceu dois anos atrás e ficou do meu lado, por que agora está voltando atrás no que falou?


– Minha filha o Jake já pagou o que fez contigo, um ano atrás, eu não mudei de opinião, na época que eu lhe disse para ir embora, pois naquele momento foi a melhor coisa que fazer, tanto para você quanto para meu neto. Por um ano cortei a relação com o garoto Black, mas pelas circunstâncias que aconteceram eu agora volto com a minha palavra, porque ele ainda está pagando pelo que fez.


Parei de mexer no meu cabelo e ajeitar ele, olhei pro meu pai. Eu queria saber o que aconteceu á um ano que fez meu pai mudar de idéia.


– Assim eu fico curiosa para saber o que aconteceu durante esses dois anos que estive fora da fazenda.


– Sabe querida, é melhor você mesma descobrir o que aconteceu. Mas prometa que quando descobrir a verdade coloque todo amor e ódio que sente pelo Jake em uma balança, e veja qual mais pesa para você.


– Eu prometo pai.


Depois que fiz a promessa, dei um beijo na testa dele e sai com minhas malas para meu antigo quarto, arrumei minhas roupas e meus objetos nos lugares e deitei na cama, fiquei pensando um pouco.


Abri a janela do meu quarto, peguei a toalha e fui até o banheiro tomar um banho para relaxar, deitei na cama novamente e fiquei pensando como desvendaria o quebra cabeça que meu pai me desafiou montar, decidi relaxar por enquanto e dormi.


Notas finais
01-Desculpa demora mais só agora que eu encontrei uma beta .

02-Se estiver lendo e GOSTANDO da fic deixa um rewiewzinho nem que seja soh pra dizer : "Estou lendo e estou gostando". Porque rewiews são um incentivo pra continuar a escrever, gosto mais dos rewiews bem elaborados, é claro, mas sei que nem todo mundo tem tempo e nem jeito pra fazer, por isso os pequenos também me deixam MUITO FELIZ porque são um sinal de que alguém está lendo e gostando da fic Bjs