Carmesim
5 Fim?
Notas iniciais
*IMPORTANTE*
Eu escolhi uma musica para marcar bem o final da fic. Então, antes de começarem a ler o final, entrem no youtube e procurem pela musica 'Stone' da cantora Amano Tsukiko (http://youtu.be/rioUHkcSq5A). Deixem carregando e quando vocês verem a marcação '***' em negrito, deem play e terminem de ler enquanto a musica toca. Acreditem, é diferente.
Enfim, obrigado pessoal ♥
Final-
Nicolas estava determinado a achar o lugar onde acharia o item que faltava na chave para abrir o portão. Sem pensar muito, sua mente lembrou-se de algo que Mich havia lhe falado.
Nicolas lembrou-se da seguinte cena:
‘Mich estava entrando no seu quarto e sobe em cima da cama. Mich mostra para Nicolas uma caixinha pequena. O porta-joias da família. Mich pega dois anéis desse porta-joias. Um deles ele coloca no dedo de Nicolas, o outro ele coloca no próprio dedo. ’
A essa altura, Nicolas tinha que se apressar para fazer tudo a tempo, antes do ritual começar. Ele desceu a colina correndo o mais rápido que podia. Porem, ao correr metade do caminho, ele olhou para trás e viu um flashback do que aconteceu anteriormente.
Nicolas vê o seguinte:
‘Mich sentado no topo da colina com o homem que veio de lhe buscar. O homem está de pé e o chama mais uma vez. Mich se levanta e acompanha o homem até o caminho baixo da colina, o caminho que levava a cachoeira.
O flashback corta, então, para o momento em que Mich se banha nas águas do riacho da cachoeira para se purificar. Quando ele sai das águas, os monges do templo chegam e entregam-no as vestes apropriadas para a cerimônia. Ele as coloca e amarra uma faixa na cintura. Essa faixa parece simbolizar que a purificação está completa, porque, a partir daí, o olhar no rosto de Mich muda. Ele parece aceitar o fato de que foi escolhido para o ritual. ’
Nicolas, ao ver isso, volta a correr até a porta por onde ele saiu da casa de Mich. Num movimento brusco, ele abre a porta e adentra a casa em pressa. Sem se importar com a escuridão dessa vez, ele chega ao quarto de Mich.
Ao chegar, puxa a porta e pula na cama, abrindo os armários do guarda-roupa e procurando ferozmente pela caixinha de joias. Seu desespero é agonizante. Nicolas começa a hiperventilar pela agonia de talvez não achar tal caixinha.
Porém, algo tocou sua mente, fazendo com que ele olhasse para o chão. Lá estava ela, do lado do pé da cama. Nicolas a abre correndo e revira seu conteúdo. Depois de alguns instantes, ele acha o anel de Mich.
Com o anel em mãos, Nicolas levantou-se, deixando pra trás toda a bagunça e, atravessando a casa, saí pela porta principal. Correndo sem parar, ele chega até a praça principal.
Nesse momento, num flashback, Nicolas enxerga o festival daquela noite:
‘O céu estrelado, as pessoas festejando, as decorações pela praça. Varias barraquinhas de comida vendiam doces para as crianças e enquanto isso, os pais comemoravam a subida do Rio com brindes e danças. Nicolas estava envolvido nessa cena. Ele observava todos felizes e por um momento esqueceu o porquê de tanta pressa. Esqueceu porque vários fogos foram lançados no céu.
Porém, uma voz doce vindo de traz dele e o atravessando fez com que ele acordasse. Os monges conduziam Mich até os portões, mas algo aconteceu nesse meio tempo. Um dos monges foi parado por Mich. Eis que Mich disse:
M: Senhor, será que eu poderia ver sua mão?
Em prontidão, o senhor respondeu:
S: Com que propósito?
M: Eu gostaria de ver seu anel.
S: Não, você deve prosseguir em seu caminho.
M: Mas Senhor, tenho uma pergunta sobre ele.
O senhor pensou e deu sua resposta:
S: Ok, qual sua pergunta?
Disse o monge, lhe estendendo a mão para que pudesse ser examinada por Mich.
M: Porque o senhor usa o anel dessa cor?
S: Porque sou noivo. Casarei em breve. Agora prossigamos.
Nesse momento, Mich olhou para o chão. O olhar em seus olhos era de choque. Era como se ele tivesse descoberto algo que tivesse lhe roubado todo o ar. O garoto ficou completamente paralisado. Os monges tiveram que lhe cutucar para que acordasse e continuasse seu caminho. Mich continuou caminhando com passos lentos e tortos.
Nicolas finalmente entendeu a cena. Ele olhou para seu dedo e viu o mesmo anel. O anel de noivado de seu parceiro. Mich não sabia que era um anel de noivado e tinha acabado de descobrir que a pessoa que ele amava estava de casamento marcado. Por isso o choque.
Nicolas correu atrás dos monges que conduziam Mich e só conseguiu enxergar o menino de costas. Foi aí que algo forte aconteceu. Nicolas viu o cabelo de Mich mudando de cor. Ele estava ficando mais branco.
O portão, então, foi fechado pelos monges. ’
Nicolas, de volta a aquela noite, viu que não poderia mais perder tempo. Chegou para examinar o portão e sua fechadura. No meio, havia o desenho de uma figura com formato estranho que era cheio de linhas e embaixo, estavam escrito os seguintes dizeres:
’ENCAIXE AS MEMORIAS E EMPURRE’
Olhando os lados, Nicolas descobriu dois buracos. Ambos eram iguais, circulares e feitos para ter algo encaixado dentro. Nicolas supôs então que fosse o anel, mas, onde estaria o outro?
Ele pegou o colar e girou-o até que encontrasse uma posição que encaixasse no centro do portão. Colocou o anel de Mich do lado direito e o rosqueou até que encaixasse perfeitamente. Agora só faltava o outro.
Nicolas se deu conta de que o outro anel era o que ele havia ganhado. O anel que o chamou até aquela vila. Porém, ele o havia deixado em casa, dentro de sua caixinha. Durante um segundo, Nicolas começou a se perguntar o que deveria fazer.
Foi então que um som saiu de dentro do bolso da sua blusa. Ele enfiou a mão no bolso para procurar o que era e, para sua surpresa, era o anel. Ele estava com ele o tempo todo. Nicolas, sem perder tempo, rosqueou o anel no lado esquerdo e empurrou o portão.
O portão se abriu e Nicolas viu mais um flashback.
Ele viu a seguinte cena:
‘Em meio a árvores, havia um caminho de pedras. Nesse caminho, caminhavam os monges e Mich. No fim dessa trilha de pedras, havia a entrada do templo. Os monges abriram as portas e todos eles entraram, mesmo que Mich estava sendo quase empurrado. ’
Ao acordar dessa curta cena, Nicolas abriu os olhos e se deparou com a trilha de pedras e o templo. Ele, então, se pôs a correr desesperadamente até a porta. Mesmo que fossem em vão, as lagrimas de Nicolas escorriam e ficavam pela trilha por onde ele corria.
Ao abrir a porta e adentrar o templo, Nicolas viu o seguinte flashback:
‘Era uma sala um pouco estreia onde havia 6 monges e um senhor em especial. Ele era o chefe do templo. Esse senhor nota as lagrimas de Mich e, repentinamente, grita para que todos se apressem. Eles abrem um portão que fica paralelo à porta de entrada principal e todos passam por ele com certa urgência. ’
Nicolas acordou na salinha e sem pensar duas vezes, corre até o portão. Esse não está trancado, então ele apenas o empurrou e passou para o outro lado.
Ele adentrou uma caverna. Essa caverna era fria e molhada, porem, havia uma corrente de ar vindo do fundo. O caminho não era muito longo e por ser molhado, Nicolas prosseguiu com cuidado.
Depois de uma longa descida, o chão estava seco. Nicolas começou a correr a partir daí. Não sobrara muito tempo e ali era a chance que ele tinha de concertar o que fez.
Muito difícil descrever o que passava na cabeça e o que ele sentia naquele momento. Era remorso misturado com culpa e muita tristeza. No fundo do coração, ele queria concertar o que fez. Por isso, corria o mais rápido que podia.
Nicolas chegou ao fim da caverna. Havia uma porta. Ele a abriu e ao cruzar, ele se deparou com uma gruta. Essa gruta estava iluminada pelo azul brilhante do rio a sua frente. Então aquele era o Rio Correntes de Hades.
Começou novamente um flashback:
‘Os monges estavam divididos igualmente de cada lado. Mich estava no meio deles, caminhando lentamente para o Rio. Apesar de não parecer assustado, o olhar de Mich estava vazio em sem vida. Suas lagrimas escorriam sem parar.
O chefe, então, vindo por trás de Mich, ordenou que começasse a cerimônia. Mich começou a adentrar o Rio. Foi então que, observando cuidadosamente a cena, Nicolas percebeu que o cabelo de Mich estava praticamente TODO branco.
Mich andou ate onde alcançava e deixou que a água do rio lhe invadisse, tomando conta de seu pobre e frágil corpo. Mich afundou nas águas do rio que o puxavam cada vez mais para o fundo. Houve um minuto de silêncio para esperar a resposta do Rio.
As águas do rio começaram a borbulhar ferventemente. O nível de água do rio começou a subir rapidamente, invadindo e inundando toda a gruta. Acima do Rio borbulhante, estava a alma de Mich, metade carmesim e metade branca. Porem, a metade carmesim começou a tomar conta da metade branca e, inesperadamente, a alma de Mich se partiu em duas metades. Uma metade boa e uma metade maligna. O ritual havia falhado porque a porção de ódio dentro de Mich foi maior que a porção de amor.
A água do Rio, então, subiu e tomou conta de toda a vila, afogando os moradores e cobrindo tudo. Esse foi o fim da vila e de todos seus habitantes. ‘
Nicolas acordou de seu flashback e imediatamente olhou para frente. O ritual estava acontecendo novamente e bem na frente de seus olhos. Mich estava caminhando para o rio novamente.
Foi assim que Nich gritou com toda sua força:
N: Espere! Por favor, espere!
Mich, ao ouvir, virou-se para trás e avistou Nich. O rapaz correu ate o Mich e lhe abraçou, lhe apertou e disse:
N: Perdoe-me, perdoe-me pelo que fiz! Você não merecia passar por isso! Eu sei que é tudo culpa minha, eu não deveria ter brincado com seu coração. Eu achei que você seria só mais alguém, mas eu estava enganado! Estava enganado porque você foi tudo! Tudo o que eu não merecia! Não me odeie, eu te imploro!
Mich mantinha um olhar fixo e chocado. Ele, no fundo no fundo, não esperava isso. Nunca ouviu um pedido de desculpas por tudo o que aconteceu.
Mich abraçou Nich de volta e apertou, simbolizando que o havia perdoado. A seguir disse:
M: Você foi tudo para mim! Você é a razão de tudo! Eu esperei isso por muito tempo. Meu destino já foi selado e não pode ser mudado, mas agora, finalmente eu posso cumpri-lo.
Mich se soltou de Nich rapidamente, só que com um sorriso no rosto dessa vez. Um sorriso que iluminava. Mich brilhava, brilhava a ponto de iluminar toda a caverna. Era uma luz branca e cristalina que purificava tudo que tocava.
Ele se virou e caminhou na direção do rio. Nich observou que seu cabelo estava um pouco mais preto. Mich, então, adentrou as águas e foi para o fundo. Dessa vez, o nível de água começou a baixar e ergueu-se sobre o rio a alma fumegante de Mich. Sua metade carmesim se igualava à sua metade branca.
O rio absorveu a parte carmesim e a parte branca partiu em direção a vila.
***
Nich, vendo aquilo, correu em direção à luz branca. Ele chorava com a cena, já que não podia fazer nada para impedir. Ele correu até a praça principal da vila, seguindo a direção da alma de Mich.
Enquanto corria, ele via a Vila sumindo na frente dos seus olhos. O ritual havia se completado e finalmente, a vila podia descansar em paz. A luz foi em direção aos campos de Carmesim Cintilante.
Ao passar pelo caminho, em meio a gemidos e lágrimas, Nich encontrou Mich no começo do caminho da colina. Colina esta, que brilhava como nunca.
Mich estendeu a mão para Nich e o chamou com a cabeça. Sorrindo, os dois seguraram as mãos e subiram pela última vez a colina carmesim. Conforme eles subiam, as flores começaram a se desprender dos caules e a voar junto com o vento, formando uma imensa nuvem vermelha.
Enquanto subiam, Mich disse:
M: Eu sabia que você conseguiria, eu sabia! Eu acreditei até o fim e finalmente, hoje, estamos caminhando juntos novamente!
N: Eu vou te ver de novo?
M: Não, não dessa forma. Eu tenho que seguir as flores. Não tenho escolha.
Nich iria começar a chorar novamente, quando Mich disse:
M: Mas eu sempre estarei com você! Pra sempre estarei do seu lado! Porque o meu destino não é morrer num ritual besta, é te amar até o dia em que não aja mais sol!
Enquanto todas as flores que sobraram na colina subiam aos céus através de ventos, as lagrimas de Nich caiam ao chão incessantemente. Então, os dois finalmente chegaram ao topo da colina flamejante.
Nich deu um beijo na testa de Mich e, enquanto os dois seguravam ambas as mãos e sorriam um para o outro, o vento começou a levar Mich para os céus junto com as flores vermelhas. Nich segurou a mão de Mich até o momento em que ele se tornou flores carmesins e, junto com todos os outros escolhidos, foi levado com o vento. O vermelho da nuvem de flores agora cobria o céu e dissipava aquela noite sem lua. Até o momento em que todas as flores haviam voado e o campo estava escuro.
Quando Nich se virou para trás, viu que havia sobrado uma única flor carmesim. Ele abaixou e a apanhou. No momento em que fez isso, o Sol nasceu. O Sol que selaria de vez aquela noite sem fim. Enquanto o Sol brilhava sobre suas lagrimas e se refletia no seu sorriso, Nich seguia em frente. Seguia em frente para um futuro, onde ele saberia que Mich estaria vivendo para sempre dentro de seu coração.
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