Carmesim

1 A trilha carmesim


Capitulo 1-

Uma vila afastada do resto do mundo, um lugar onde poucas pessoas ainda simplesmente viviam. Poucas vezes saia dali, porem, lá vivia um garoto puro em sentimentos e com fome de experiências cujo nome era Michelangelo, ou Mich como era conhecido. Em um dia normal, fora de sua vila, ele conheceu um rapaz que fez a maior mudança de todas em sua vida. Esse rapaz era bonito na aparência e se mostrou ser alguém bonito por dentro também, seu nome era Nicolas.

Ele sentiu na pele o que era o amor. Ele sentiu na pele o que era paixão. Os dois viveram juntos por 5 meses. Esse rapaz já era alguém que conhecia a vida e mostrava apenas as coisas boas a esse ingênuo e puro garoto. Em 5 meses, tudo não passou de rosas e muito mel. Mas, por apenas 5 meses. Aquele ingênuo garoto percebeu que não havia sinceridade naquelas palavras que saiam da boca de seu amado. Foi então que ele acabou com a história de amor dos dois, pelo seu próprio bem e pelo bem de seu parceiro. Por muito tempo, o pequeno garoto chorou e começou a sentir dores no peito muito fortes, dores que saiam de seu coração. O motivo era desconhecido pelos doutores disponíveis na região e não houve nem diagnostico e nem tratamento.

Por outro lado, o rapaz mostrou que não se abalou com tal fim de relacionamento, quebrou o coração de outras pessoas e começou outra historia com alguém, alguém em quem ele pensava muito a respeito e tinha o mesmo sentimento que com o garotinho. Ou talvez algo mais forte. O garotinho foi ao encontro do novo casal e chorou ao vê-los juntos. Mas o rapaz não se incomodou com o sofrimento que ele causava, ele simplesmente infringia o dano no coração do pobre coitado. E foi assim que terminou.

Muito tempo se passou. Alguns anos e anos a frente de tudo aquilo, Nicolas não viu e nem ouviu mais falar de Mich e continuou vivendo com seu parceiro. Depois de muito tempo sem ouvir dele, Nicolas decidiu ao menos procurar pra saber como ele estava. Para a surpresa dele, ele não o encontrou. E algo maior aconteceu, a vila que ingênuo garotinho habitava havia simplesmente desaparecido. Como se nada houvesse existido ali. Nicolas, procurando algo como um número para contato em seus pertences, nas últimas lembranças que restavam de Mich, encontrou um antigo anel. O anel que selava o tão chutado sentimento que Mich nutria por Nicolas. Nicolas não levou essa historia adiante, apenas deixou de lado.

Naquela noite, algo simplesmente sobrenatural aconteceu. Enquanto dormia, Nicolas começou a ouvir uma voz que o chamava dizendo: ‘Porque você mente?’ Nicolas não soube identificar a voz, mas continuava a ouvir: ‘Dói, dói... está frio, molhado...’ Ele acordou e a voz era real. Ele estava realmente ouvindo-a. Ela vinha da caixa onde estava o anel, o anel que Mich havia lhe dado. Quando ele abriu a caixa, a voz calou-se. Ele, com certeza, ficou assustado. Aquela noite passou-se em claro para Nicolas, imerso em suas memórias e erros do passado.

O feito se repetiu noite após noite. A voz chamava. A voz clamava. ‘Por que você simplesmente não disse a verdade? Doeria? Tudo sua culpa! A culpa foi sua!’

Depois de uma semana, Nicolas, sofrendo com as assombrações da voz, decidiu ir ate o local onde costumava ser a vila onde morava o garoto que o amou e havia lhe dado o anel. Ao chegar ao local, ele descobriu que logo após o sumiço da vila, uma represa foi instalada no local. O grande lago ali marcava o local onde fora um grande campo de flores. Imerso em suas lembranças boas, ele lembrava o garotinho. De cabelos pretos, claros e brilhosos. Sorriso cativante. Riso aveludado. Nicolas revia em sua mente o filme que mostrava um garotinho o puxando pela mão cada vez mais adentro de um campo de flores vermelhas.

Foi então que ele viu uma flor. Ela era vermelha, cor de sangue. Quando ele a apanhou do chão, logo avistou outra. E outra, e outra. Ele foi seguindo adiante, na direção em que havia essas flores. Aos poucos ele chegava mais perto da represa e se afastava mais de seu caminho, adentrando a floresta.

Havia cada vez mais flores formando um caminho vermelho. Sua mente ecoava a voz de Mich dizendo ‘Por quê? Por quê?’ Incessantemente ele continuou atrás dessas flores. Sua mente relembrava o olhar de Mich, relembrava o cheiro parecido com sangue que ele tinha. Quando ele se deu conta, havia se perdido em meio às arvores. Sem que houvesse percebido, havia anoitecido.

E ali estavam as flores vermelhas. Aquelas que cintilavam no escuro breu de uma noite sem lua. O cheiro de sangue que ele sentiu era das flores. As flores exalavam essa flagrância e Mich vivia em meio delas, por isso tinha esse perfume forte. Suas memórias voltavam e ele continuou na trilha das flores. Quando enxergou o fim desta, correu até lá para descobrir aonde levaria o caminho carmesim.

Ele não acreditou no que seus olhos enxergaram. Era a vila. A vila onde Mich morava. O lugar que havia desaparecido.