Carmen

28 Amo você


Como um bálsamo delicado sobre uma pele calosa, os lábios dela trouxeram vida a ele. Macios, suaves, adocicados — formando um encaixe tão suave e ao mesmo tempo, ainda mais molhado. Robin deslizou uma de suas mãos para a nuca dela, percorrendo todo o caminho por onde a camiseta fina havia grudada feito uma segunda cama de pele com um toque suave e curioso; usou a outra mão para contornar o pequeno corpo, segurando-a na linha acima da cintura com a ponta dos dedos. Cada gota da chuva fria que os cercava entrava em controvérsia com o calor que emanava daquele encontro, da maneira como as línguas se complementavam e dançavam em uma sincronia apaixonada dentro de suas bocas. Os nós dos dedos dela estavam esbranquiçados tamanha a força com a qual ela segurava o fino tecido da camiseta dele, puxando-o com força embora não houvesse mais espaço para aproximá-lo; Robin voltou ambas as mãos para o rosto dela, encaixando-as nas laterais como uma moldura, os polegares nas laterais e as pontas dos dedos acariciando sua nuca. O beijo se desfez devido à simples ausência de respiração, ele segurou delicadamente pelo maxilar e ergueu-o ligeiramente, fazendo uma trilha de beijos ousados pelo pescoço, chegando até sua clavícula e ouvindo-a grunhir algo.

Sentiu quando ela deslizou os dedos pelo seu cabelo encharcado, fazendo com que uma quantidade extra de água deslizasse para a sua nuca. Riu, sentindo o fio de água descendo gelado por sua espinha e voltou a encarar os olhos cor de chocolate. Ela permitiu-se abraça-lo, deslizando seus braços por trás do pescoço dele e indo mais além, permitiu-se olhar naqueles olhos da maneira mais confiante que pode. Ela sentiu seu corpo todo se arrepiar. Aqueles olhos que a arrebataram desde que o vira no Palácio de Whitehall. Olhos que a elogiavam sem que ele precisasse dizer uma única palavra. Olhos que declaravam os sentimentos que eles tanto lutaram para vencer, e no final acabaram terrivelmente derrotados.

Sorriu quando ele acariciou a maçã de seu rosto e beijou seus lábios de maneira doce. “Eu amo você, Regina.” Ela mordeu o lábio, e o abraçou, encostando sua cabeça contra os lábios dele numa pose de refugio e proteção. Ele a abraçou, e ela sentiu-se segura no calor daquele abraço. “Sempre amei. Sempre irei amar.” Terminou ele, pensativo.

A chuva era a única testemunha daquele momento, pensou ela. Fechou os olhos, cedendo a tudo que seu coração estava gritando para ela há meses. Ela o amava. Não apenas por causa do passado, não por causa de seu rosto bonito ou por causa do Corvo. Ela o amava em toda sua plenitude e precisava aceitar isso. Afastou-se do abraço e entrelaçou seus dedos nos dedos dele, o corpo estremecendo em parte por conta do frio e em parte por conta daquele contato corporal que nunca deixava de ser absurdamente emocionante para ela. Ele a encarou por alguns segundos, tentando entender o que ela queria. O silêncio entre eles já não era mais um incomodo quando todas as cartas haviam sido postas à mesa. Não havia segredos que os separasse.

“Me leve para o barco.”

Pediu ela e ele apenas balançou a cabeça, assentindo. Ele aproximou-se dela e com cuidado, inclinou seu corpo; deslizou um dos braços por baixo de suas pernas e com o outro braço segurou-a na altura das costas, pegando-a no colo. Regina deitou contra o tórax dele, mesmo molhado, os braços pequenos envoltos no pescoço do loiro. Seus passos não eram apressados. Com cuidado, ele caminhou pelo píer até o barco, e delicadamente colocou uma perna, e então outra para dentro da embarcação, tomando todo o cuidado para não derrubá-la. O vento fazia com que o mesmo sofresse alguns movimentos, porém uma embarcação daquele porte era de total confiança; Robin rapidamente abriu a porta do compartimento térreo e entrou, inclinando-se na diagonal para não bater o braço nas quinas.

Os olhos de Regina rapidamente se abriram quando ela sentiu o calor. Ele realmente estava partindo — havia ligado o aquecedor. Robin delicadamente colocou-a no chão, deixando-a a vontade para observar cada detalhe — e ela realmente o fez. Seus olhos percorreram os painéis de madeira, as luzes em sanca, os moveis planejados que davam a sensação de espaço e conforto, os cintilantes puxadores que ela acreditava piamente serem de ouro, pois eles brilhavam escandalosamente. Luxo definia aquele barco. Uma obra prima para se viajar os sete mares com o melhor que o dinheiro poderia comprar — espaço, qualidade, conforto, iluminação. Deslizou a ponta dos dedos sobre a madeira que revestia as paredes e fechou os olhos para duplicar o deleite daquela experiência.

A entrada era basicamente uma cozinha hitech acoplada a uma sala de estar e jantar de luxo; as taças penduradas e as garrafas bem presas à adega embutida na parede davam um ar vintage ao local. Regina atravessou o cômodo principal e parou na entrada do quarto. Uma cama king coberta por um acolchoado de aparência egípcia, provavelmente tecido com mais mil fios. Não havia muitos moveis; os painéis de madeira protegiam as paredes de drywall, uma televisão acoplada em frente à cama, apenas um criado mudo, uma pequena sala cuja porta entreaberta revelava seu propósito como closet. Sentiu a presença dele atrás dela, a respiração quente arrepiando sua nuca, mas ele não a tocou.

Virou-se para ele, encostando o corpo no batente. Robin apenas a observava, silencioso, dando a ela toda a autonomia sobre o que estava acontecendo. Ela deslizou os dedos pelo maxilar dele, acariciando sem nunca quebrar o contato visual. Mordeu o lábio inferior quando o percebeu rotacionando o corpo para ficar frente a frente com ela; suspirou segundos antes de perceber que ele iria beija-la. Calor emanava de cada toque, assim como os beijos incendiavam o interior deles. As mãos dela subiam e desciam pela lombar dele, brincando com o cos do jeans molhado. Robin libertou os lábios dela por segundos e percorreu o caminho até um ponto sensível de seu pescoço onde sugou delicadamente. O gemido manhoso que ela lhe deu serviu como ignição para que ele segurasse com as duas mãos a fina camiseta que ela usava, puxando e rasgando ao meio.

Ela riu, ciente do quanto aquilo a excitava. Com cuidado, tocou o rosto do loiro e o trouxe na direção do seu, beijando-o apaixonadamente. Afastou-se, entrelaçando seus dedos nos dedos dele e caminhou até a borda da cama. Em pé, de costas para a cama e de frente para ela, ele aguardou o próximo passo. Ela beijou os lábios dele por segundos, como um gesto de carinho. “Me deixa cuidar de você. Não se mova.” Pediu ela, e ele apenas consentiu balançando a cabeça. Ela deslizou os dedos sobre a pele dele, na parte baixa de seu ventre e com cuidado puxou a camiseta para cima, tirando-a do corpo dele. Seus olhos rapidamente admiraram o físico, os músculos bem distribuídos. Com cuidado, desabotoou o jeans e ele apenas a acompanhou com o olhar; deslizou o zíper e puxou com firmeza para que a calça saísse do corpo dele. Robin usou os próprios pés para tirar seus tênis, facilitando a ela a retirada da peça.

“Preciso de uma toalha.” Pediu ela.

“No closet. Segunda caixa à esquerda.”

Ela caminhou até a pequena saleta e pegou a toalha de dentro de uma caixa de sisal trançado. Quando voltou, percebeu que ele permanecia na mesma posição que deixara. Abriu a toalha e deslizou sobre os fios loiros, secando-os. Robin fechou os olhos, desfrutando de cada segundo daquele ato carinhoso. Quando se convenceu de que estava seco, ela deslizou a toalha para seus ombros, enxugando e delineando cada contorno do corpo à sua frente. Suas mãos contornaram o abdômen dele sob um olhar atento e curioso. Ela sorriu, pulando a área coberta pela cueca boxer branca que revelava inescrupulosamente o quanto ele estava excitado com aquela situação, e Robin sorriu de volta. Ajoelhou-se, descendo a macia toalha branca por uma das pernas dele, e voltando a subir com cuidado. Fez o mesmo na outra perna, certificando-se de secar cada centímetro de pele, deixando que a toalha macia seguisse o fluxo de seus dedos. Aceitou a mão que ele lhe estendia para levantar-se. Colocou a toalha sobre os ombros e desabotoou seu próprio jeans, puxando o zíper e desceu a calça jeans até seus pés, desfazendo-se do tecido encharcado também. A calcinha de renda azul em nada combinava com o sutiã de renda preto, mas ela sorriu, lembrando a si mesma de que não planejava despir-se para ninguém quando o dia amanheceu.

Robin retirou a toalha de seus ombros e delicadamente passou a secar os cabelos dela, deslizando o tecido já úmido pelos cabelos enegrecidos, retirando o excesso de água. Seguindo o ritmo que ela havia estabelecido, ele desceu a toalha e tocou seus ombros, fazendo-a se arrepiar com o roçar do tecido sobre sua pele. Ela colocou suas mãos sobre as dele, impedindo-o de continuar. Ele a fitou, confuso.

“Eu ainda não acabei, Robin.”

Rendido, ele suspirou e voltou à posição original. Regina colocou a toalha sobre o ombro dele, e debruçando-se, beijou-o na base do pescoço, descendo os lábios até alcançar a clavícula dele. Os beijos molhados deixaram um rastro por toda a sua musculatura e ela deslizou os dedos entre o cós da boxer e a pele dele; puxou de maneira pausada a última peça que o vestia, deslizando-a nas pernas grossas. Ele estava completamente nu, não somente fisicamente. Robin a encarou com total adoração; ele poderia sentir-se indubitavelmente vulnerável na posição que se encontrava, mas não com ela. Regina era um forte, um alicerce em sua vida. Abrir-se para ela só o tornava mais forte.

Ela pegou a toalha e envolveu o pênis dele em uma parte, enrolando-o em sua empunhadura. Com um movimento típico, ela passou a subir e descer, provocando-o. “Ainda faltava essa parte.” Sussurrou ela contra os lábios dele, enquanto seus dedos subiam e desciam na continuação da gloriosa tortura. Ele arrepiou-se, e sem que ela esperasse, debruçou e passou os braços por baixo das suas pernas, colocando-a em seu colo. Deu meia volta, deitando-a na cama, entrelaçando seus dedos nos dedos dela e mantendo-os contra o colchão. Seus rostos estavam a centímetros um do outro, ele estava deitado por entre as coxas dela. Ela podia sentir a respiração dele contra seus lábios. Robin beijou sua bochecha, tocando-a com seus lábios; brincando com os lábios, segurando-os com seus dentes e soltando. Ela desvencilhou um dos pulsos e levou a mão ao rosto dele em uma carícia carinhosa, o polegar deslizando com cuidado sobre a maçã de seu rosto e a ponta de seus dedos afagando seus cabelos. Regina olhou nos olhos dele, admirando a profundidade detalhada em cada tom de azul, perdendo-se na transparência daquele oceano. “Faça amor comigo.”

Ele beijou-a sem titubear. Não havia pressa. Era como se a cada segundo, ele sentisse a si mesmo desacelerando para que pudesse ama-la para sempre. Seus lábios saudavam gostosos o sabor do outro, enquanto Robin redescobria cada centímetro daquele corpo através de suas digitais. Retirou o sutiã de renda perto, libertando os seios fartos; beijou a linha central entre eles, chegando até o abdômen dela e refazendo o caminho de volta. Sentia o tórax expandindo com a respiração entrecortada de frio e antecipação; deslizou o polegar sobre um dos mamilos enquanto cobria o outro com seus lábios, rodopiando a língua ao seu redor. Ela suspirou, mas diferente das transas abarrotadas de tesão e luxúria que os cercavam, sua voz soou suave e rendida como uma súplica. Deslizou a língua ao redor da auréola sentindo-a fraquejar, mas não parou. Deslizou o polegar sobre o mamilo umedecido pela saliva e passou sua atenção para o outro, retomando o processo de sucção e pressão.

Tocou o abdômen delicado com a ponta dos dedos e com os joelhos apoiados no colchão, permitiu que os lábios contornassem a linha inferior dos seios dela, chegando à sua barriga. Pressionou os ílios dela com os polegares, mantendo-a presa enquanto sua boca deixava um rastro de beijos molhados por toda sua extensão abdominal. Ele sorriu quando sentiu o toque dela em seus cabelos, acariciando-os. Contornou o diâmetro de suas coxas, causando arrepios nela; puxou a calcinha pela extensão de suas pernas e a deixou cair no chão. Abriu as pernas dela com cuidado, depositando beijos singelos na parte interna de suas coxas, o toque de seus dedos fazendo uma pressão agradável em sua pele. Calor apossou-se de seu tórax e seus olhos imediatamente fecharam quando ela sentiu a língua dele encontrando caminho entre seus grandes lábios. A sensação causada pela suavidade e maciez da língua que a acalentava, tocando-a sem pressa alguma, era tão insuportavelmente quente que ela sentia que ia explodir em segundos. “Please… don’t stop.” Ele a segurou firme, os dedos fincados em sua pele enquanto devorava cada centímetro dela; Regina mordeu o lábio sentindo a parte baixa de seu ventre contorcer-se de prazer, a construção de um orgasmo em andamento. Sentiu os lábios dele, vez por outra tocando sua pele com beijos molhados, a língua que roçava em sua pele, em seu clitóris, provocativamente, empurrando na direção do abismo de sensações que a aguardava. Ela estava prestes a ceder, ele podia dizer pela força com a qual ela puxava seus cabelos. Continuou, encontrando um ritmo conciso, estimulando-a, sugando-a, até que sentiu o primeiro espasmo e o corpo contorceu-se em um arco, e não a deixou, de modo que a ultima lambida que dera sobre o clitóris dela fez com que a mesma fechasse as pernas ao redor dele enquanto apertava os lençóis com força suficiente para rasgá-los.

Ela estava murmurando alguma coisa quando ele retornou o caminho para alinhar-se com ela. A respiração dela ainda estava entrecortada; ela abriu os olhos e tocou seu rosto, beijando-o. Sem precisar de muita força, ela o empurrou; segundos depois ela estava em colo, sentada sobre a sua cintura. Robin permaneceu deitado, observando com adoração. Ele acariciou seu rosto, sorrindo. “Você é perfeita, sabia?”

Ela debruçou-se, calando-o com um beijo, sua língua deslizando sobre a dele; ele deslizou as mãos pelas costas dela, acariciando. Regina ergueu o corpo, e guiou o membro dele para sua entrada, encaixando-o e permitindo uma suave penetração. Ele observou em silêncio como se visse o por do sol à sua frente, ela estava com os olhos fechados e a boca entreaberta, os cabelos bagunçados, o corpo nu, e parecia tão bonita quanto o teto da capela sistina. Criando seu próprio ritmo, ela passou a mover-se, montando nele, subindo e descendo lentamente. Adorava a sensação de preenchimento e sabia que jamais sentira por outro homem o que sentia por ele. Sexo era sexo, e ela adorava; mas Robin conseguia fazê-la sentir tudo, uma torrente de sensações que até então lhe pareciam inexplicáveis. Era diferente com ele.

Ele desencostou-se do colchão e sentou-se na cama; o movimento fez com que ela apoiasse os joelhos no colchão, na lateral do quadril dele. Ela cruzou os braços ao redor do pescoço dele, beijando-o. Sentiu as mãos dele em sua lombar, a maneira com que os dedos dele percorriam sua pele com volúpia, desejando-a, redescobrindo-a. Você é delicioso, McLocksller.Sussurrou, e ele riu contra os seus lábios, fazendo-a adorá-lo um pouco mais. Intenso, profundo, completo. Eram essas as sensações que lhe tomavam todo o corpo a cada vez que o membro rígido deslizava para dentro dela mais uma vez. Como se estivesse se apossando dela, como se a tomasse para ele e ela não ousaria negar que adorava cada segundo. Ela estava inerte às sensações quando ele rapidamente a virou, retomando o controle e deitando de bruços. Sentiu o rastro que os lábios dele deixaram ao beijar toda a linha de sua espinha dorsal, alcançando sua nuca; puxou os cabelos dela para o lado mordendo-a ali. “Você é definitivamente mais deliciosa.” Sussurrou ele, deslizando os lábios sobre a orelha dela e fazendo-a se arrepiar.

Ele a virou, deitando-a na cama e ela deslizou ambas as mãos pelos ombros dele, para então cruzar os dedos atrás de sua nuca e puxá-lo para si. Encaixou-o entre suas pernas, deslizando uma das suas sobre a dele e Robin rapidamente encontrou seu caminho para dentro dela novamente, fazendo-a semicerrar os lábios e soltar uma lufada de ar. Ele voltou a movimentar-se devagar, os braços apoiados no colchão ao lado dela, enquanto ela o beijava apaixonadamente. Regina acariciava seu rosto, os dedos contornando cada traço de seu rosto, acariciando seus cabelos, tocando seu rosto como se quisesse memorizar cada pequeno detalhe ali presente. Adorava a maneira com que ela estava o olhando, o brilho de seus olhos e o sorriso adocicado que parecia permanente nos lábios macios. “Eu amo você, Robin.” Confessou ela, antes de beijá-lo novamente e ele fechou os punhos ao redor do lençol, o ápice provocado pelas palavras dela lhe atingindo inesperadamente. Ele respirou fundo, o ar espalhando-se raso em seus pulmões e determinado, passou a estocar com mais velocidade, curvando o quadril e acertando um ponto dentro dela que a fez gemer como se fosse quebrar. “Right there, oh fuck” Gemeu ela, fincando as unhas em seu ombro e com a outra mão segurando com força no travesseiro abaixo de sua cabeça. Ele continuou firme, preocupado em levá-la a um patamar de prazer tão forte quando o dele; ergueu uma das pernas dela, acariciando-a e aumentando o angulo da penetração. Quando sentiu que ela estava cada vez mais ofegante, diminuiu o ritmo; e então investiu uma ultima vez, impondo peso e pressionando-a até que ela gemeu ruidosamente, suas paredes internas fechando-se ao redor dele e o corpo todo tremendo em um orgasmo intenso. Ela amoleceu contra os seus braços, e ele beijou-a com paixão, acariciando-a com delicadeza enquanto retirava-se de dentro dela e deitava ao seu lado, abraçando-a. Ele puxou o lençol e cobriu seus corpos, sentindo-a colocar as mãos sobre as suas, reforçando o abraço que ele lhe dera.

***

Por algum tempo, ela se permitiu descansar. Não sabia se tinha dormido, cochilado, ou se apenas fechara os olhos por alguns minutos. Acordou com os braços dele ao redor da sua cintura e sorriu. Levantou-se da cama com suavidade, tentando não acordá-lo. Caminhou até o closet e pegou um moletom que cobria um pouco mais que seu quadril. Ao chegar à cozinha, percebeu que havia amanhecido e a chuva havia cessado. Talvez ela tivesse dormido mais do que imaginava.

“Esse moletom fica melhor em você do que em mim.” Ouviu o sotaque britânico e antes que se virasse, sentiu-o abraçando; os braços fortes contornaram sua cintura e ele beijou sua bochecha.

“Pensei que estivesse dormindo.” Brincou ela, e ele a soltou, caminhando até a cafeteira.

“Você saiu dos meus braços, então eu acordei.”

Ele encostou-se ao balcão, usando apenas uma calça de moletom cinza. Ela o fitou, permanecendo onde estava. Aquele era um novo estágio para ambos. Um ambiente de total transparência. “O que faremos agora?” Perguntou ela.

“Você quer que eu vá?” Questionou ele, o olhar sério.

“Não.” Ela suspirou, caminhando até estar na frente dele. “Eu demorei tempo demais para perceber que quem eu queria estava na minha frente todo este tempo. Seja meu. Fique.”

“Eu sempre fui seu, Regina.” Ele deslizou a mão para a nuca dela. “E não vou a lugar algum, a menos que me peça para ir.”

Ela o beijou, seus sentimentos misturados aos dele; um beijo calmo e profundo, com significados que palavras não poderiam especificar. Ele acariciou o rosto dela, e ela fitou seus olhos antes de continuar. “Eu tenho um pedido a fazer.”

“O que quiser.”

“Sobre o Corvo.”

“Regina, eu não vou mais fazer parte da sociedade. Não se preocupe. Isso me manteve afastado de você, eu não…”.

Ela colocou o dedo indicador sobre os lábios dele. “Eu não quero que saia.” Quando ela retirou o dedo, ele permaneceu em silêncio, encarando-a com certa confusão no olhar. “Eu quero que me coloque dentro. Eu também quero ser o Corvo.”

Um sorriso brotou nos lábios dele. Seus olhos brilharam, e ele sorriu. “Você não cansa de me surpreender, Regina Mills.”

“E então? Estou esperando uma resposta.” Pediu ela, impaciente.

“Achei que a resposta fosse óbvia.” Brincou ele, girando-a e prendendo-a entre ele e o balcão da cafeteira. “Se me lembro bem, Carmen Sandiego não aceita não como resposta.”

Ela sorriu e o puxou, encaixando seus lábios nos dele.

***

Semanas depois.

“Você está pronto?” Perguntou ela. Robin estava terminando de colocar os pães ao redor do prato, e com destreza debruçou sobre ela e colocou o prato na mesa. Ela já havia pedido para ele não usar boné dentro da cozinha, mas todas suas tentativas foram em vão. Usava uma camiseta branca que contornava todos os seus músculos e vez por outra a distraia.

“Você vai gravar um vídeo ou um documentário?”

“Idiota.” Resmungou ela, rindo. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo e ela usava um vestido leve, azul com detalhes brancos. A manhã estava linda; raios de sol entravam pelas vidraças e iluminavam toda a cozinha.

Regina virou a câmera para si mesma, e certificando-se de que estava apresentável, começou a gravar.

Olá, mamãe.

Sim, sou eu. Sua filha, Regina. Eu cresci sim, bastante. Como talvez você não se lembre de onde está, vou gravar este vídeo para ajudá-la. Estamos na minha casa, em uma ilha segura e confortável. Você está em seu quarto, e se Rosalinda não estiver aí, é só chamá-la que ela estará por perto.

Regina deu alguns passos e foi trazendo a câmera. Você está segura aqui, mamãe e geralmente, você passa seus dias montando jardins em forma de mandala. Em seus dias melhores, você vai à praia e às vezes Lola pula em você sujando seus vestidos elegantes, mas no fundo sei que você a adora.

Qualquer coisa que precise, e eu não estiver aqui, peça a Rosa. Ela tem o contato de pessoas que ficam à prontidão de qualquer necessidade que tenhamos. Regina continuou andando e Robin tentou desviar, mas não foi o rápido suficiente, de modo que ela se chocou contra ele. Ah, se por acaso você encontrar esse individuo pela casa… Apontou para Robin, que sorriu para a câmera como um garoto de dez anos. Não se assuste. É o Robin, e ele é meu namorado. Você costuma adorá-lo e vocês dois passam horas falando mal de mim na minha frente. Regina virou-se para a câmera e sussurrou. E talvez eu o ame. Um pouquinho. Não sei.

Ele apareceu no vídeo. Cora, ela me ama muito. Não acredite nessa orgulhosa.

Regina riu, e ele roubou um beijo dela antes de sair do foco do vídeo. Eu realmente o amo. Muito. Confessou para a câmera, rindo. Acho que agora você está familiarizada com sua vida novamente, mãe. Desça quando quiser. O café estará na mesa.

Amo você.

Fim.