Carinho
1 Carinho
Notas iniciais
Review é de graça, não dói e faz bem ao coração... Dê seu incentivo.
Mais uma vez, ele me salvou da morte certa que aquele torayoukai me proporcionaria. Aqueles orbes dourados, sempre cheios de confiança e determinação (muitas vezes também cheios de arrogância e prepotência), me fascinavam sempre que eu os fitava. Observá-lo, pensativo (raras vezes isso acontecia), era quase como uma doce tortura, pois eu sabia que ele sempre estava pensando em outra.
Kikyou.
Kikyou, ela, a miko renascida e feita de barro, a verdadeira dona do coração e do amor de meu amado InuYasha. Mesmo assim, sabe-se lá com que forças ou ao menos motivo, eu continuava a sorrir, mesmo sentindo meu interior fragilizado e a ponto de se quebrar a qualquer instante.
E, mesmo assim, ele sempre me salvava. E eu conhecia muito bem o motivo.
- Kagome... – estranhei a seriedade na voz dele naquela manhã. Isso raramente acontecia e eu nunca gostava do resultado. – Precisamos conversar.
Me levantei, desconfiada, e o segui até uma linda clareira, rodeada de flores, que ele sabia que eu adorava. Mas alguma coisa estava muito errada quando eu o fitei. Não havia a confiança de sempre nos orbes dourados do meu amado. Era um sentimento totalmente diferente, que beirava à culpa.
- Perdão, Kagome – realmente me choquei. O InuYasha que eu conheço jamais se desculpa. E é jamais MESMO! – Mas eu não posso continuar te enganando dessa forma. Não me sinto bem.
Tá, naquela hora eu fiquei mais chocada ainda. Eu não queria acreditar no que ele dizia. Queria acreditar que era apenas uma brincadeira de mau-gosto. Infelizmente, eu sabia que não era.
O observei se aproximar e fechei os olhos ao sentir os lábios quentes dele sobre os meus, me roubando um selinho carinhoso. Ele se afastou logo e fez um rápido afago em meus cabelos.
- Eu amo Kikyou, e vou ficar com ela daqui pra frente. Gomen.
Gomen? Naquele instante, o tempo parou e senti como se meu coração tivesse sido partido em vários pedaços pequenos. E tudo o que ele diz é gomen...
Só reparei que estava chorando quando InuYasha ergueu o braço e secou algumas lágrimas de minha bochecha. O repeli automaticamente para depois me virar e sair correndo, sem direção.
Eu sabia que, daquela vez, ele não viria atrás de mim.
Corri muito, sem notar por que caminho seguia. Só parei de correr quando minhas pernas fraquejaram, então me permiti cair de joelhos na terra seca, chorando. Cada lágrima doía imensamente.
- O que houve, ningen?
Ergui os olhos e me segurei para não gritar e atrair atenções indesejadas. Aquele inuyoukai, tão parecido e, ao mesmo tempo, tão diferente de InuYasha, havia se agachado à minha frente sem que eu tenha notado sua presença.
- S-Sesshoumaru...?
Notei quando um sorriso quase imperceptível brincou em seus lábios finos enquanto ele me fitava profundamente, de uma maneira incômoda e que me deixou levemente corada pela atitude.
Mas, também, me espantei profundamente. O Sesshoumaru que eu conheço nunca se preocupou com a vida alheia, exceto com a de Rin, sua pequena protegida que o seguia por todo lado.
- Está assim por culpa daquele bastardo – não era uma pergunta. Como ele fazia aquilo?
- H-hai... – num impulso, o abracei com força, o que o fez cair sentado com o impacto, procurando um colo de alguém que cuidasse de mim e me protegesse. Escondi o rosto no quimono branco que ele usava, estranhando o fato de Sesshoumaru estar sem armadura e sem seu pêlo que sempre carregava.
- Yo, ningen, me solte – ele pediu, mas não me afastei. Ao contrário, o abracei com mais força, soluçando. – Nakanai de...
- Sesshoumaru... – solucei, erguendo os olhos para fitá-lo melhor.
Embora fossem parecidos fisicamente, olhar para Sesshoumaru era totalmente diferente de olhar para InuYasha. Os orbes dourados do inuyoukai não tinham a mesma confiança que os olhos do hanyou tinham. O observei melhor e notei a diferença.
Os olhos de Sesshoumaru eram frios e profundos, como se nada o afetasse, como se nada pudesse alcançá-lo. Com certeza eu poderia ficar observando aquela profundeza para sempre.
- Ningen – a voz fria dele me despertou. Notei quando ele ergueu o braço e secou minhas lágrimas com certa delicadeza que eu jamais imaginei que ele tivesse. – Não chore por causa daquele bastardo. Ele não merece suas lágrimas.
- E-eu s-sei, Sesshoumaru... – solucei novamente, sem conseguir me conter. – S-só q-que e-eu...
- Nakanai de, Kagome – registrei mentalmente que ele se lembrasse de meu nome depois de tanto tempo. O senti passar os braços por minha cintura, me convidando a me aconchegar melhor naqueles braços fortes.
- Sesshoumaru...
Ergui os olhos para fitá-lo novamente. Só naquele momento havia reparado no quanto ele era bonito. Talvez até mais do que InuYasha, provavelmente por ser mais velho que o hanyou.
Ele se aproximou lentamente e fechei os olhos ao sentir os lábios dele sobre os meus, num beijo calmo e doce. Automaticamente, ao invés de repeli-lo, talvez por estar zangada e triste demais com InuYasha, passei os braços por seu pescoço, correspondendo ao beijo com a mesma doçura.
Nos separamos porque a falta de oxigênio se fez mais importante. Novamente Sesshoumaru ergueu o braço e, dessa vez, afagou meu rosto delicadamente, me fazendo fechar os olhos para aproveitar melhor o carinho.
Apesar de parecer um youkai frio e cruel, sem sentimentos, ele era doce e carinhoso, de uma forma que eu não poderia imaginar.
- Sesshoumaru...
- Venha comigo – ele pediu, me fazendo abrir os olhos e encará-lo, incrédula. Eu ouvi direito? – Vou ajudá-la a esquecê-lo.
- Hai – disse automaticamente e sem nenhum pingo de remorso. – Arigatô...
Me espantei ao vê-lo sorrir realmente, mas era um sorriso bonito e sincero, antes dele roubar outro beijo de meus lábios, um pouco mais ardente que o anterior, mas, ainda assim, com aquela doçura tocante que só ele tinha.
Pensando bem, acho que jamais recusaria o convite de ir com ele. Eu estava mais do que disposta a esquecer InuYasha. Ele que fosse feliz com Kikyou e eu o esqueceria logo, com a ajuda de Sesshoumaru. Mas também acho que ele, mais do que qualquer outro, precisava desse tipo de carinho.
FIM
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