Care, I, II, III
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Bom esse é o fim, espero que gostem.
Flashback ON
Kate com certeza reviraria os olhos se sua cabeça não estivesse doendo tanto, então ela apenas suspirou. Castle podia jurar que viu um semi-micro-mini sorriso pairando no rosto dela. E então ele também sorriu. Seu nervosismo havia passado. Sua preocupação, não.Flashback OFFA detetive nunca tinha se sentido tão mal em toda sua vida. Os medicamentos estavam ajudando, mas não eram milagrosos. Levaria tempo para ela se recuperar. À medida que o clima ia esfriando ela sentia piorar. A noite também passava lentamente para Rick. Beckett havia dito que ele poderia dormir no sofá, mas ele realmente não queria deixá-la sozinha. Ajeitou-se por ali mesmo, em uma poltrona perto da cama dela. Ambos estavam exaustos e então adormeceram cada um no seu lugar. Ou pelo menos foi o que pareceu.Normalmente Castle dormia bem em qualquer ambiente, mesmo tendo o sono leve. Porém, essa noite era muito diferente. Além de estar incrivelmente desconfortável naquela pequena poltrona, ele havia se “programado” para que ao menor suspiro de Beckett estivesse pronto para ajudar. Dessa forma, Rick não dormia. Kate se mexia muito em sua cama, virando de um lado para o outro, várias vezes até finalmente conseguir relaxar. Por pouco tempo. Minutos depois ela se mexia novamente e lá estavam os olhos de Castle atentos sobre ela. Infelizmente o corpo dele o traiu e em questão de segundos, apagou.Subitamente ele acordou como se sentisse que algo não estava certo. E não estava mesmo. Beckett tentava puxar o ar com dificuldade, mas ele simplesmente não alcançava seus pulmões. Ela rapidamente entrou em pânico. Castle, ouvindo aquela respiração forçada, mudou a detetive de posição. Antes que ela entendesse o que ele estava fazendo, colocou um travesseiro sob as costas dela, fazendo-a deitar por cima dele, estendendo seu tórax, facilitando um pouco a entrada de ar.– Respire pela boca, devagar – ele a orientou, enquanto preparava o nebulizador. O escritor, que agora mais parecia um enfermeiro, ajudou-a a posicionar-se corretamente para receber a nebulização. Sentada na cama e apoiada com dois travesseiros, Beckett começou a respirar lentamente aquela fumacinha com aroma de eucalipto seguindo as recomendações de Rick. “Como é bom sentir o gosto do ar novamente” ela pensava.– Pronto. Respire normalmente agora. Daqui a quinze minutinhos você se sentirá bem melhor – Castle tentava animá-la. Ela agradeceu apertando as mãos dele levemente, recebendo um carinho de volta. Permaneceram ambos em silêncio ouvindo apenas o som do aparelhinho. Beckett estava imensamente feliz de não estar sozinha ali. Talvez, mais do que ela deveria. Afinal, Castle não servia só para irritá-la ou para protegê-la de algum louco com uma arma. Ele estava se superando em cuidados simples e domésticos com ela. Isso era importante. – Como você sabe fazer todas essas coisas? – Kate perguntou após terminar sua medicação.– Eu sou praticamente um pai solteiro, lembra? – ele respondeu, entregando um copo de leite quente para ela. – Alexis sofria bastante com a mudança de clima quando era criança. Eu precisava estar preparado.– Me conte um pouco mais sobre como ela era — Beckett pediu suavemente, tomando o líquido com cuidado. — Eu gosto de ouvir histórias de família.O rosto de Rick se iluminou. Conversar sobre Alexis era algo que ele gostava de fazer. Conversar sobre Alexis com Kate era muito melhor, embora tivesse tido pouquíssimas oportunidades para isso. Beckett se admirava das histórias exclusivas que o escritor lhe contava, sentando à beira de sua cama. Ela pensava às vezes que podia ser invenção, mas a forma como os olhos dele brilhavam, mostrava que ali só existia a mais pura verdade. Verdade de um pai babando por sua filha. E Kate achava isso simplesmente lindo.A detetive brigou com seu corpo até quando pode. Queria continuar ouvindo o que Castle contava para ela tão animadamente e também estava com medo de dormir e ter outro ataque. Mas o cansaço conseguiu vencê-la e ela acabou dormindo enquanto ele ainda falava. Castle a observou alguns minutos ali, tirando o copo vazio de suas mãos com cuidado, acompanhando seu ritmo respiratório. Tudo agora parecia estar sobre controle. Ele observou o relógio. Cinco horas da manhã, seu sono já era. Sentou-se em sua poltrona folheando um livro qualquer que Kate estava lendo.Adormeceu uma hora depois, com o livro sobre ele, mas despertou logo em seguida ao ouvir um barulho vindo da sala. Beckett finalmente dormia profundamente. Ele levantou-se sonolentamente indo investigar o que poderia ser. Ao abrir a porta do quarto, deu de cara com Josh, que estava indo ver sua namorada. Ele entrou no apartamento utilizando as chaves que Kate havia lhe dado há dois meses. Não precisa dizer o que o médico pensou ao ver Castle saindo do quarto de Kate com o mínimo de roupas que o clima permitia utilizar. – Por favor, não a acorde – disse Castle seguro, ao ver o médico indo na direção de Beckett. — Ela acabou de dormir.
Castle foi ousado, mas Beckett estava em primeiro lugar. Ela sempre estava. Josh fuzilou-o com o olhar enquanto Rick desaparecia pelo corredor em direção à cozinha. O médico observou as flores no quarto e um lugar bagunçado na cama ao lado de Kate. Isso atiçou ainda mais a imaginação e a ira do cirurgião cardíaco. Ele respirou fundo olhando em direção à janela e então saiu do quarto.Rick estava na cozinha preparando o café da manhã naturalmente quando foi surpreendido pelo olhar furioso de Josh. Castle ainda tentou manter-se indiferente, mas as insinuações daquela conversa nada amigável estavam deixando-o irritado. Então a discussão começou. Leves alfinetadas até que as vozes aumentaram inconscientemente de volume. Um empurrão, uma devolução e um grito rouco rompeu pela sala.– Parem com isso os dois! – Kate disse arfante e horrorizada. Eles se afastaram. — O que você está fazendo aqui, Josh?– Eu consegui trocar com outra pessoa para ver como você estava... Mas vejo que você já arrumou companhia – o médico disse completamente fora de si.– Não fale com ela desse jeito... – Castle ameaçou ir para cima de Josh de novo. O próprio escritor não se reconhecia. – Castle, por favor, pare – ela colocou suas mãos delicadas no peito dele. – Rick, está tudo bem – disse suavizando mais a voz. Eles se olharam alguns segundos até que ele parecesse mais calmo. Então Kate suspirou lembrando-se de que o médico ainda estava ali e que ela talvez lhe devesse alguma explicação. – Josh... — ela se virou tentando manter a calma. – Precisamos conversar – Kate disse indo para o quarto, e Josh a seguiu após encarar seu oponente.Castle permaneceu na cozinha, tomando um copo gelado de água para tentar fazer seu sangue parar de ferver. Não adiantou muito, pois logo ele começou a ouvir a discussão entre o casal. Precisou se controlar muito para não ir até lá e socar aquele homem até não poder mais.– Como você se sentiria Kate, hein? – Josh estava realmente gritando. — Você chegar em casa e ver uma mulher saindo do meu quarto de manhã cedo?– Mas nada aconteceu – Kate argumentava com sua limitada voz. — Eu passei mal durante a noite e ele apenas cuidou de mim. – E por que justo ele? Onde está sua amiga, Lanie? Ela é médica, podia cuidar de você melhor do que esse escritor – o cirurgião rangia os dentes. – Lanie estava de plantão, e... Eu realmente não acredito que estou dando esse tipo de explicações pra você – Beckett sentiu seu corpo começar a tremer.– E por que você acha que não deve explicações para mim, Kate? Afinal, o que eu sou nessa história toda? Um palhaço? – Não coloque palavras na minha boca, eu não disse isso – Beckett respirou. O mundo parecia estar desabando sobre ela. Estava doente, passou a noite em claro e agora estava tendo essa discussão terrível e sem sentido com seu namorado. Isso a estava fazendo se sentir péssima. Em contrapartida, a presença de Rick ao lado dela, mais intensa desde o dia anterior, estava trazendo conforto e segurança para ela de um modo novo. Kate segurava as lágrimas para não demonstrar o quanto isso a estava deixando confusa e abalada.– Ouça Josh, eu gosto muito de você... Você tem um trabalho maravilhoso e eu admiro muito isso. Mas eu quase não posso contar com você – Kate resolveu mudar as palavras. — Quero dizer, se eu não tivesse amigos perto de mim, se eu não tivesse... – ela ia mencionar o nome de Castle, mas seria imprudente, então mudou as palavras pela segunda vez. – Eu realmente compreendo a nossa falta de tempo, mas... Isso não significa que eu goste de ficar o tempo inteiro sozinha... e...– E por causa disso você precisa se atirar nos braços do primeiro que aparece? – ele esbravejou. — Kate, você...Josh continuaria falando, mas foi um interrompido por um tapa que reuniu todas as forças de Beckett. Um filete de sangue escorreu dos lábios do médico enquanto ele encarava amargurado os olhos lacrimejados da detetive.– Suma da minha casa agora... Eu não preciso de alguém que insinue esse tipo de coisas pra mim – ela disse entre os dentes tentando se controlar.Josh saiu do quarto com violência e encarou Rick que estava atento na cozinha. Nenhuma palavra. O médico saiu descontando sua mágoa batendo a porta com força. Kate deixou-se cair em sua cama e finalmente desabou, entregando-se às lágrimas. Um rompimento nunca era algo bom de lidar. Ainda mais dessa forma. Rick ainda ponderava o que deveria fazer. Esperou alguns segundos e então ouviu Beckett chorar, ao abrir lentamente a porta do quarto. Encontrou-a sentada na beira da cama chorando com as mãos no rosto, antes de começar a tossir assustadoramente e ao mesmo tempo tentar respirar. Logicamente estava nervosa demais para conseguir fazer isso.– Tenha calma, respire devagar... – Rick dizia aflito, servindo água a ela. — Ele machucou você?Ela acenou negativamente com a cabeça e então bebeu mais um pouco de água com as mãos ainda trêmulas. Castle massageava suas costas tentando acalmá-la, permanecendo assim alguns minutos. Kate estava perdida no que havia acabado de acontecer, e Rick também não sabia se deveria dizer alguma coisa. Permaneceram então calados. Ela encarando o copo vazio que segurava em suas mãos e ele confortando-a discreta e carinhosamente.– O café está pronto. Vamos comer alguma coisa? – Castle convidou com mais preocupação do que entusiasmo.– Estou sem fome – Beckett suspirou, sua voz mais afetada ainda. – Estou cansada e com dor de cabeça.– Mas você não pode ficar de estômago vazio. Vamos, você come alguma coisa e depois volta pra descansar – ele insistiu de novo. Ela finalmente aceitou.Tomaram o café silenciosamente. Ainda processavam o belo espetáculo que iniciou aquele dia. Aos poucos foram esquecendo tudo e voltaram a conversar naturalmente. Beckett insistiu em ajudar na arrumação das louças, mas Rick só permitiu que ela lhe entregasse os pratos. Depois de tudo devidamente organizado voltaram para o quarto. Rick fechou as cortinas anulando a claridade que perturbava os olhos de Kate. Castle organizava seu cantinho para tentar novamente descansar. Beckett percebeu que ele estava esgotado e então suspirou.– Rick?– Hmn? – Deite-se aqui comigo – Kate convidou.– N-Na sua cama? – ele se surpreendeu. — Melhor não, sua arma está aí do lado... – Castle... Prometo que não vou atirar em você. Pelo menos não agora – ela riu.– Tem certeza, detetive? Ainda me lembro da sua ameaça e ... – ele respondeu, finalmente deitando-se ao lado dela. – Tenho certeza. Além disso, você não vai se aproveitar de mim, vai? – ela provocou.– É claro que não... – ele respondeu. — Eu te am... admiro o suficiente para te respeitar e nunca me aproveitar de você.O coração de ambos saltou desesperadamente enquanto aqueles olhos verdes encaravam os azuis no mesmo nível. Permaneceram ali deitados um de frente de para o outro trocando olhares. – Obrigada por estar aqui, Rick – Beckett disse corando, mas não se importava mais.– Não precisa agradecer – disse Castle segurando as mãos dela, que assustadoramente não se moveram do lugar.Kate fechou os olhos e ia se entregando mais uma vez ao cansaço desfrutando do calor suave das mãos de Rick, quando ouviu novamente a sua voz.– Kate? – Hmn...– Você nunca pensou em não morar sozinha? – Castle perguntou timidamente.– Não... Eu gosto de sossego... – ela respondeu calmamente.– Mas... E se você precisar de algo ou alguém no meio da noite? – ele insistiu em mais uma pergunta.– Eu tenho uma equipe de amigos que cuidam de mim... – ela sorriu levemente.Rick percebeu que ela já estava adormecendo e sorriu, permanecendo calado. Kate já estava praticamente dormindo e então lembrou de continuar sua frase de segundos antes.– Uma... médica... Dois... dete...tives... Um...escri...to...res...– Escritores? – ele se surpreendeu e ela corrigiu, antes de perder a consciência.– Escritor...*FIM*
Notas finais
Em breve mais uma fic fofa. ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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