Care
1 One-Shot
— Tio Frank! — A menininha gritou ao ver o padrinho na porta. — Que bom que você chegou! Vem, papai tá lá em cima! — Disse ela, puxando-o pela mão, com o entusiasmo típico das crianças.
Frank a seguiu, ainda um pouco confuso. Sabia que Bandit era muito esperta, então nem tinha se surpreendido muito ao ouvir sua vozinha no telefone quando recebeu a ligação em casa.
— O que aconteceu com o seu papai, Band? — Perguntou ele, enquanto os dois subiam as escadas.
— Ele tá muito dodói. — Choramingou a pequena. — Mamãe não tá em casa, nem ninguém. Aí eu chamei você, né tio Frank, porque você sempre cuida da gente. — Ela deu um sorrisinho adoravelmente banguela.
Frank suspirou mentalmente. É claro que ele cuidava de Gerard. Sempre havia cuidado, desde o início. Por que as coisas mudariam?
Ainda o amava.
Ao chegarem no andar de cima, Bandit abriu a porta, timidamente, com o padrinho em seu encalce.
— Papai…?
— Entra, Band. — A voz de Gerard soou, rouca e baixa.
Bandit entrou, fazendo um sinal silencioso para que Frank a acompanhasse.
Gerard estava deitado na cama, com um cobertor grosso sobre si. Tinha os olhos fechados numa expressão cansada e um termômetro na cabeceira ao seu lado.
— Papai, eu trouxe o tio Frank.
Gerard abriu os olhos, parecendo alarmado.
— O quê…?
E então seu olhar encontrou o de Frank. O mais novo sorriu, enquanto Gerard corava.
— Oh, olá, Frank. — Pigarreou. — Eu, ham… Me desculpe pela B, ela não tem muita noção de…
— Ei! — Protestou a pequena. — Tenho sim! Você tá doente, chamei o tio Frank porque ele sempre cuida de você, papai. — Ela disse, cruzando os braços, tendo completa certeza de sua razão. Os mais velhos coraram.
— Tio Frank, cuida do papai, tá? — Pediu a pequena, dando um de seus sorrisos fofos, como se Frank pudesse fazer o outro curar-se apenas com um estalar de dedos. — Eu vou lá em baixo. Já volto, papai. — Bandit saiu e fechou a porta, antes mesmo de terminar toda a frase.
Frank suspirou e Gerard virou o rosto.
Sozinhos de novo.
Ainda se amavam. Mas nada era mais como antigamente. Não eram mais adolescentes, tinham suas famílias, suas vidas. Amavam suas espoas e filhos, é claro, mas nunca conseguiram se esquecer. Nunca.
— Uh... — Frank riu levemente. — Resfriado?
Gerard sorriu fracamente, divertindo-se com a própria situação.
— É…
— Já checou a temperatura? — Perguntou o mais novo, olhando para o termômetro ao lado da cama.
— Ah. — Gerard olhou o objeto também. — Já, mas faz um tempo.
— Ok, vamos checar de novo então. — Frank pegou o termômetro, colocando-o em baixo do braço do mais velho.
— Então… Como vão Jamia, Lily, Cherry e Miles? — Perguntou Gerard, desejando se livrar do silêncio que surgiu. Queria conversar com Frank, pelo menos um pouco.
— Vão todos bem. Lily e Cherry estão cada vez mais sapecas, e Miles já está rindo de tudo. — Frank sorriu, com o olhar vago lembrando-se de seus filhos. Amava-os imensamente.
— Bom. — Gerard sorriu, sereno, fechando os olhos. O termômetro apitou. Frank o retirou, checando a temperatura.
— Hm, 38 graus. — O menor franziu levemente a testa. — Está um pouco febril, mas nada demais. Eu… Vou fazer um leite para você, se importa se eu for até sua cozinha?
— Não, claro que não. Okay. — Gerard sorriu.
— Okay. Volto já.
Frank saiu com passos rápidos e leves do quarto, fechando a porta com cuidado.
Preparou um leite quente com açúcar, do jeito que ele fazia para Cherry quando ela estava sem sono. Esperava que Gerard gostasse também.
— Aqui. — Sussurrou, entrando devagar com uma caneca amarela em mãos. Foi até Gerard, entregando-a para ele e ajoelhando-se ao seu lado.
Ele se sentou na cama, apoiando as costas no travesseiro.
— Obrigado, Frankie.
Frank sorriu ao ouvir seu antigo apelido.
Lembrava-o dos bons tempos…
— Hmm. — Gerard lambeu levente os lábios, fazendo o outro sorrir. — Isso tá ótimo. Obrigado.
Gerard devolveu a caneca, que foi colocada no criado-mudo.
O mais velho bocejou, logo voltando a se deitar.
— Obrigado por cuidar de mim, Frankie… — Sussurrou ele, fechando os olhos e quase dormindo.
— De nada, Gee. — Frank fez um leve carinho nos cabelos do outro. — Eu… Eu… Você é especial pra mim.
— Eu te amo. — Gerard sorriu levemente, relaxado. — Boa noite…
Frank sorriu, acariciando levemente a face macia do amigo.
— Eu também te amo… — Depositou um leve beijo na testa de Gerard, que já havia dormido.
Ouviu o barulho da porta sendo lentamente aberta. Uma Bandit curiosa apareceu.
— Como ele tá? — Sussurrou ela.
— Bem. — Ele sorriu. — Cuidei dele.
A garotinha sorriu, agradecida.
— Obrigada, tio Frank.
— De nada, B.
E ficaram ali, observando o amado Gerard Way dormir serenamente.
Notas finais
Eu estava sonolenta!
Hm, não é uma boa desculpa.
*foge*
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