Capture the Moment
4 Sentimentos
Notas iniciais
******* Gustavo*******
Vitória é uma pessoa maravilhosa, nunca achei que fosse encontrar alguém assim... Desde o namoro com a Michelle eu nunca mais quis ver outra garota na minha vida, mas Vitória é diferente, desde o primeiro momento que eu a vi, eu soube disso.
Estávamos nós dois sentados rindo e conversando, percebi que estava me aproximando mais dela, e isso era bom.
Ela tem um sorriso lindo, no qual eu tento o tempo todo registrar, mas ela não deixa, fala que prefere estar atrás das câmeras e não na frente delas, ela é incrível.
Meu dia começou com eu indo a sorveteria com Isabelle e depois o parque, encontrando Vitória e o seu irmão, levei Isabelle, para fazer companhia ao pequeno. Conversamos bastante, e eu tive a ideia de fazer um vídeo. Sempre fotografamos, por que não fazer um vídeo para variar?
– Que tal fazermos um vídeo hoje? – perguntei me levantando do balanço, já abrindo a câmera, percebi que ela corou no mesmo instante.
– O que? – ela perguntou tampando o rosto.
– É um vídeo, sei que gostamos de fotografar, mas vamos fazer um vídeo desse momento! – ela sorriu e se levantou, se sentou no balanço onde eu estava e chamou Isabelle e Gabriel.
– Gustavo, vem cá. – ela me chamou acenando.
Fui correndo ao encontro dela, já com a câmera ligada, filmando cada momento, Isabelle e Gabriel, também chegaram alegres e se sentaram no mesmo balanço, eu sorri com aquela cena, mas do nada Vitória berra o meu nome e é lançada para frente.
Corri o mais rápido possível, me sentei do lado dela e comecei a chama-la.
– Vitória você está bem? – eu falei passando a mão em seu rosto.
Ela permanecia com os olhos fechados, mas percebi que ela estava respirando, tentei mexer com ela, dar uns cutucões para ver se ela abria os olhos. Gabriel e Isabelle vieram depois.
– Vi, acolda, so eu o Gabiel... – ele tocou seu rosto. Nada nem sinal de ela abrir os olhos, me preocupei.
– Vi, acolda, queo ti vê – era a Isabelle.
Sorri, sabia o que faria Vitória acordar...
–Gente, acho que terei de leva-la ao hospital – ela abriu os olhos rapidamente, eles estavam arregalados – sabia que assim você iria acordar.
Ela me deu um tapa no braço, que não doeu nem um pouco...
– Ok, então tá, você só esta com o olho roxo e seu braço esta sangrando, por causa da caída nessas roseiras, a não espera, seu outro braço e sua perna esquerda estão arranhados também. – disse quebrando o silêncio que se formou depois do tapa.
Ela tentou se levantar, olhando para os machucados com uma cara de nojo, mas não conseguiu, caiu.
– Gustavo, me ajuda a me levantar, não estou conseguindo. – peguei ela rapidamente no colo e a coloquei sentada num toco de árvore.
Ela me agradeceu e tentou caminhar, não deu certo ela caiu.
–Acho melhor você ir para casa. – eu disse na terceira caída dela – você está muito mal, vem eu te levo.
Eu coloquei ela no meu carro, e prendi o cinto, então fui para trás e coloquei o Gabriel e a Isabelle no banco de trás. De repente Vitória me chama.
– Cadê a minha câmera? – ela fala com a mão no pescoço.
– Já volto! – digo e saiu correndo, se ela perder aquela câmera ela me mata, por que fui eu quem deu a ideia do vídeo e por minha causa ela esta toda quebrada.
Corri pelo parque e encontrei a câmera caída atrás do balanço, peguei ela e liguei, graças a Deus ela ligou, ou seja, me salvei, mas não inteiro, pois ela quase se matou no balanço, tenho que ajuda-la com os ferimentos.
Cheguei até o carro e Vitória estava chorando, Gabriel e Isabelle tinham pego no sono.
– Vi, o que foi? Eu achei a sua câmera...
– Desculpa Gustavo... – eu me aproximei, sequei suas lágrimas.
– Pelo que? Você não fez nada! Pelo menos não para mim, acho que você não faria mal nem para uma formiga.
Ela deu um sorriso bem pequeno e me olhou nos olhos.
– Me desculpa, por tudo, pela lente, por ter caído do balanço, por...
Comecei a rir, ela não gostou, me olhou confusa e depois arqueou a sombrancelha.
– Você...
– Vitória, você caiu do balanço, foi sem querer, você não quis isso, não me peça desculpas...- falei passando a mão em seus cabelos, eles eram muito macios.
Ela me olhou e abaixou a cabeça.
– Eu passei a maior vergonha.
– Vem, vou te levar para minha casa e vou cuidar dos seus ferimentos, depois te levo para casa.
Ela me olhou receosa, virou a cabeça, e analisou Gabriel.
– Não fique com medo, não sou nenhum assassino... se eu fosse, por que te daria uma lente?
Ela concordou, mas percebi que ela estava com medo não parava de tremer.
******* Vitória*****
A casa dele era linda, ele morava sozinho com a irmã, ele era tudo que Isabelle tinha, a casa era enorme e tinha uma empregada, que cuidava de Isabelle, quando Gustavo tinha faculdade, ou saia e não podia levar ela junto.
– Gosto de sair com Isabelle – ele disse limpando o corte no meu braço, causado, ao eu prender o ferro do balanço nele – ela fica muito sozinha aqui dentro. Felizmente estou de férias na faculdade e posso sair com ela.
Sorri, ele parecia ser bem legal até. Isabelle e Gabriel dormiam no carro ainda.
– Vocês moram aqui a quanto tempo?
– Desde que a minha mãe faleceu, meu pai foi embora e eu comecei vida nova coma ajuda de meus tios, eu e Isabelle nos mudamos para cá, meus tios compraram a casa e acharam Grace, a nossa empregada, que em troca de trabalho, oferecemos comida, e moradia.
Grace era uma mulher muito gentil e educada, pequena e graciosa, no começo, achei que era namorada do Gustavo até ele me contar que ela era empregada, mas eles a consideram da família, Isabelle a considera como uma mãe.
– Você sente falta dela?
Ele abaixou a cabeça, e me olhou nos olhos.
– Muita! Ela era alguém incrível – ele parou, fitou a janela – diferente do meu pai, que dependia dela para tudo, depois que ela faleceu ele simplesmente me abandonou — vi uma lágrima descer pelo seu rosto, mas ele logo secou e me fitou – ela iria adorar você, na verdade, vocês duas se dariam muito bem.
Dei um sorriso consolador, se ela fosse parecida com o Gustavo, com certeza eu iria adora-la.
– Me desculpe, se não quiser responder não precisa, mas do que ela faleceu?
Ele continuou limpando e colocando faixas nos cortes e arranhões.
– Ela faleceu com um tiro, ela era dançarina, sabe, fazia vários teatros, e ela estava saindo e um infeliz atirou nela sem querer, pegou direto na barriga, ela estava grávida de Isabelle, ela tinha ido assistir a apresentação dos amigos, me lembro dela caindo nos braços do meu pai, por pouco Isabelle não morreu...
Mesmo toda dolorida me levantei e dei um abraço nele, ele se assustou, mas me retribuiu o abraço e nessa hora eu percebi que ele precisava de mim, precisava de uma amiga.
– Pode contar comigo para tudo!
Ele me abraçou mais forte ainda e respondeu:
– Você também!
Fomos para a minha casa, mas antes ele tirou Isabelle do carro e botou ela em seu quarto, era pequeno o quarto dela, mas todo rosa e cheio de fadas. Achei fofo.
Depois entramos no carro, ele me ajudando o tempo todo, com medo que eu caísse. Chegamos em casa e minha mãe estava sentada no banco do jardim, achei estranho, ela nunca sentava lá, ainda mais quase de noitinha. Demorei bastante no parque, sai depois do almoço e voltei tarde... eu com certeza ficaria de castigo.
Ela me olhou do banco e fez um não com a cabeça, gelei na hora. Eu estava ferrada.
Gustavo saiu do carro, tirou Gabriel e o carregou, pediu se eu precisava de ajuda para sair, e eu respondi que não. Chegamos até onde a minha mãe estava, e o meu irmão mais velho me olhava do segundo andar, me mostrando a língua, nossa, que maturidade.
– Boa tarde. – disse minha mãe olhando o Gustavo. Ela pegou o Gabriel e o levou para dentro sem dizer mais nada, nem menos esperar Gustavo responder bom dia,
– Me desculpe... ela esta brava – abaixei a cabeça.
– Tudo bem, vai lá falar com ela.- ele me deu abraço, eu faria de tudo para não soltar ele.
– Gustavo, acho que ficarei de castigo – ele me olhou sério – e com isso eu quero dizer que ficarei sem ir no parque por um tempo.
Ele concordou e me deu bilhete.
– Qualquer coisa me liga – ele me deu um beijo na testa e saiu.
Agora chegou a hora de enfrentar ela, aquela pessoa que me deu a luz, a pessoa que queria destruir a minha vida, tentado me fazer parar de fotografar, a pessoa que odeia que eu fale no meu pai, a pessoa que eu chamo de mãe.
Mas hoje ela iria me ouvir, começando por eu ouvindo ela e ficando de castigo, mas eu não me importava, eu só queria soltar tudo o que estava entalado a anos na minha garganta.
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