Capturada
7 Capítulo VII
Annie estava esperando do lado de fora do hospital quando Isabella saiu.
A jovem carregava uma mochila nas mãos, e uma mulher e uma garotinha caminhavam ao seu lado.
Annie encarou o braço enfaixado dela antes de se aproximar.
—Oi— A cumprimentou.
—Oi— A garota a encarou um pouco surpresa.
A mulher olhou para Bella e piscou para ela antes de se afastar junto com a menina, lançando um sorriso para Annie.
Annie ficou em silencio tentando decidir por onde começar.
—Eu vim para... —Começou a dizer, mas parou quando olhou para os olhos da garota- Para... — Eles realmente tinham a mesma cor das águas do lago, e pareciam ser tão profundos quanto. Annie sacudiu levemente a cabeça— Para agradecer por ter me salvado.
—Você já fez isso.
—Eu sei... Mais... —Annie mordeu o lábio, que maldita dificuldade de falar era aquela? — Não foi o suficiente— Bella abriu a boca para dizer algo, mas Annie a cortou— Já sei que fez aquilo por você também, mas não importa o que você diga você me salvou.
Annie se aproximou e tocou em seu ombro.
—Obrigada.
Isabella olhou para seus olhos, mas quando Annie devolveu o olhar ela desviou o rosto para a mulher e para a menina a alguns metros de distancia.
—Sua mãe?— Annie perguntou.
Bella riu.
— Minha tia. É ela quem cuida da minha irmã enquanto não posso levar ela para morar comigo. Voltei por ela.
Annie suspirou.
Talvez sua próxima pergunta soasse inconveniente, mas precisava saber.
—Preciso perguntar uma coisa— Annie olhou para Bella— Como sabia que seu p... Como sabia onde eu estava?
Isabella suspirou e manteve os olhos voltados para a irmã que corria pela calçada.
—Estou hospedada com minha tia, ela trabalha de camareira na pousada. No dia em que esbarrei em você, tinha voltado para buscar a bolsa que ela tinha esquecido. Quando estava saindo vi Samuel— Então aquele era o nome dele— Achei estranho ele estar ali e me aproximei, e então ouvi ele dizer algo sobre sequestro para Junior— Bella se olhou para Annie — Achei que estava planejado pegar minha irmã—Ela suspirou— Depois ele me viu e me socou.
Annie não deixou que o choque que sentia aparecesse em seu rosto ao ouvir como Bella falavam sobre apanhar, como se fosse algo tão normal quanto escovar os dentes. Annie engoliu em seco. Mas não era para Bella e para tantas outras mulheres no mundo?
—Eu teria ido antes se tivesse percebido, mas depois do que ouvi meio que grudei em Gabi. Só me contaram na manhã do outro dia. Então fui ate a casa dele para ter certeza, mas ele não estava... A mulher me viu e tive que dar um jeito... Em seguida ele chegou, e quando entrou... Acertei a cabeça dele com um pedaço de madeira... —Isabella franziu as sobrancelhas— Que bom que ele não tinha uma arma... Achei que o maldito tinha desmaiado, mas não foi bem assim... O resto você já sabe.
Annie concordou com aceno.
Seu celular tocou e ela pegou o aparelho, leu a mensagem, e depois voltou a guardá-lo no bolso.
—É o Henry, ele esta do outro lado da rua—Ela apontou para o irmão e para as duas garotas sentadas com ele em um banco— Eles não vão largar do meu pé muito cedo.
Annie só não contou que estava aliviada por isso, pelo menos naquele momento.
—Bom- Ela suspirou— Passei apenas para agradecer, vamos pegar a estrada daqui uma hora.
Annie deu um passo para frente e aproximou o rosto devagar do rosto de Isabella, por um segundo seus olhos se desviaram para os lábios da garota e então se pressionaram na bochecha dela.
—Obrigada— Agradeceu novamente e se virou para ir embora.
— Annie!
Ela se virou.
Isabella tirou um livro da mochila e estendeu a ela. Annie o pegou e sua boca se abriu em descrença quando viu a capa.
—Eu te devia um. E está autografado— A boca de Annie se abriu mais ainda— Nos vemos na faculdade.
A jovem se virou e Annie a observou se afastar.
Talvez a terapeuta estivesse certa afinal.
Doía perceber que havia precisado passar por tudo aquilo para se tocar de que há muito tempo não conversava, jantava, ou fazer qualquer outra coisa junto com sua família. Percebeu que sentia saudades de todos juntos.
Isso não queria dizer que iria parar de ler, apenas mostrava que existiam pessoas em sua vida pelas quais valia à pena perder horas ou dias de leitura.
E talvez uma dessas pessoas estivesse bem debaixo do seu nariz.
FIM
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