Megumi, diferente da grande maioria dos universitários, era uma pessoa que não gostava de tomar café. Enquanto todos seus colegas diziam que sem cafeína eles não funcionavam, o moreno contentava-se com bebidas menos estimulantes e uma uma rotina bem estabelecida e regrada de exercícios e boa alimentação para se manter alerta quando precisava estudar.

…ainda assim, fazia quase um mês que ele ia de segunda à sexta na cafeteria que ficava próxima ao campus, só para ver um certo atendente de sorriso constante:

— Oi Fushiguro! Hoje você vai finalmente dar uma chance para o nosso mocha latte? — o rapaz perguntou, a caneta posada sobre a caderneta pronta para anotar o pedido.

— Ainda vai ser o de sempre, Itadori, sinto muito. — ele respondeu, fingindo estar concentrado em suas palavras cruzadas. Não esperava que seria abordado tão rápido e não se sentia preparado para fingir que aquele rapaz de cabelos rosa não fazia ele se tremer inteiro.

— Um dia eu te convenço e, quando você provar, sua vida vai mudar. — disse, rabiscando rapidamente — Volto já.

Levantando o rosto devagar, Megumi assistiu o rapaz voltar para trás do balcão, lavar as mãos e começar a preparar seu pedido. Às vezes, o moreno pensava que estava sendo muito óbvio em suas intenções, que qualquer dia desses Itadori educadamente lhe pediria para parar de babar em cima dele e se retirar do estabelecimento, mas a verdade é que ele subestimava o quão blasé parecia ser não apenas para quem não o conhecia bem, mas também para sua melhor amiga que, por um acaso, vinha se aproximando toda animada:

— Te achei, finalmente! Tenho novidades incríveis! — ela se sentou de frente para Megumi, colocando sua bolsa em cima da revista que ele preenchia — Já sei como fazer você desencalhar.

— Estou bem, Nobara, obrigado. — disse, empurrando as coisas dela para o lado.

— Megumi, você não vai passar mais uma véspera de natal sozinho. Eu não vou permitir! — insistiu, estalando os dedos na frente do rosto dele — Tempos desesperados pedem medidas desesperadas, então… eu resolvi apelar para astrologia.

— Não é possível… — o rapaz a encarou, incrédulo.

— Me ouça primeiro, depois você julga. — ela pegou o celular e virou para ele, mostrando um artigo qualquer sobre signos — Como você é o esteriótipo do capricorniano, suas combinações ideais, com base nos astros, são pessoas de Virgem ou de Escorpião, então… eu encontrei 3 caras gostosos da faculdade, que são desses signos, que gostariam de te conhecer melhor.

— Nobara Kugisaki, o que você andou falando de mim por aí? — seus olhos se arregalaram em puro pânico.

— Nada demais! — ela se fez de ofendida com a insinuação, agindo teatralmente — Eu só comentei com eles que meu amigo bonitão estava solteiro, querendo ter algo bacana com gente nova… eles pareceram bem dispostos, se quer saber. Não negue sem saber quem são.

— Tá pra existir coisa mais humilhante do que voc— é o Choso, do quinto período de Direito?! — ele puxou depressa o celular da garota quando ela lhe mostrou o primeiro perfil — Ele quer sair comigo?! — perguntou, incrédulo.

— Você devia confiar mais no seu potencial, Fushigurinho. — ela deu uma piscadinha — Dia de hoje, o advogato aí costuma ir ao bar com os amigos.

Megumi ainda ponderava se deveria ou não tentar ir na onda da amiga que, de uma hora pra outra, ficou obcecada por horóscopo quando viu Itadori se aproximando com seu pedido, bloqueando a tela do celular no reflexo e o colocando de cabeça para baixo na mesa.

— Aqui está, o mais caprichado chá de jasmim para meu cliente anti-café preferido. — o rapaz o serviu, colocando também uma cestinha com mini biscoitos de canela — Oi, Nobara. O que vai ser hoje?

— Dessa vez não vou querer nada. Só vim aqui salvar o dia 24 do meu amigo. — ela olhou de canto para Megumi, que fingiu não ouvir — E o seu, como vai ser, Yuji? Já tem planos?

— Sempre tenho. — ele deu uma risadinha suspeita e pediu licença para ir atender um outro cliente.

— Yuji é uma graça, né? Uma pena que é pisciano. — Nobara comentou como algo sem importância, alheia ao que Megumi sentia, pronta para se levantar e ir embora — Não perca a chance que eu te arranjei hoje, tá? Me conta tudo depois. — disse, roubando um dos biscoitinhos do amigo e pegando seu celular de volta — Até mais!

Ainda preso no lamento pelo signo de Itadori que Nobara verbalizou, Megumi tirou o próprio celular do bolso, pesquisando no Google a combinação do seu com o dele — não que acreditasse naquela bobajada toda, mas é que a curiosidade em saber o que de tão ruim poderia ter em sair com alguém de Peixes foi maior e ele não resistiu.

Deparou-se com um link em destaque para uma revista digital, abrindo-o e rolando a tela até chegar no último tópico que trazia três pontos que explicavam como a relação entre um capricorniano e um pisciano poderia ser difícil e demandaria muita força de vontade e disposição de se adaptar ao outro dos envolvidos:

— “Enquanto Capricórnio foca em estabilidade e tem metas bem definidas, Peixes é muito divagador, deixando que as emoções guiem suas ações e seu futuro.” — leu, rindo pelo nariz — Até parece que alguém que trabalha tanto quanto ele não teria suas ambições também. “O pisciano é tão intuitivo que espera essa mesma postura dos outros, podendo se magoar quando o capricorniano, que prefere uma comunicação mais assertiva, não ‘adivinhar’ o que ele está sentindo.”

Ele parou e pensou que, naquele tópico, meio que era ele quem estava esperando que Yuji percebesse que ele estava interessado, de certa forma. Passou para o último e leu:

“Peixes pode se sentir deixado de lado num relacionamento com Capricórnio, pois o nativo do signo de terra pode parecer indiferente quando ele é apenas mais reservado e racional.”

Ele levantou o olhar para o rapaz de cabelos rosa atendendo outras mesas, com sua aura que parecia um dia ensolarado ambulante, e soltou um suspiro resignado. Pouco importava se Peixes e Capricórnio fariam ou não um bom casal: se Yuji Itadori tinha dito que “sempre tinha” o que fazer na véspera de natal, justo no dia onde casais saiam juntos e tinham encontros românticos, só podia significar que ele era comprometido.

E o que Megumi Fushiguro tinha no momento era uma oportunidade com Choso que ele decidiu agarrar em vez de ficar sonhando com alguém que não estava disponível.


⋆⁺₊❅⋆ ⁺₊❆⋆ O E⳽tᥙᑯᥲᥒtᥱ ᑯᥱ Dɩɾᥱɩto ᑯᥱ Vɩɾɠᥱຕ ⋆⁺₊❅⋆ ⁺₊❆⋆


Dando uma última olhada em si mesmo no espelho, Megumi ajeitou a gola da sua camisa e passou a mão pelos cabelos, satisfeito com o que seu reflexo mostrava. Pela janela, ele viu que estava nevando um pouco, então ele jogou um sobretudo bem quentinho por cima de tudo e desceu as escadas, munindo-se de coragem a cada passo que o levava mais perto de seu destino.

O bar que Nobara indicou era bem diferente dos que, de vez em nunca, ele ia com seus colegas de turma após as provas. Era um ambiente mais “sofisticado”, com pessoas jovens, em sua maioria, usando roupas de grife e conversando sobre negócios — provavelmente para mostrar que entendiam do assunto e ostentar status social. Megumi não destoava ali: ser filho de Satoru Gojo tinha suas vantagens e uma delas era uma carteirinha do country club que o preparou para lidar com aquele tipo de gente:

— Uma gin tônica sem álcool, por favor. — o moreno pediu, tamborilando os dedos no bar.

— O mesmo pra mim. — um rapaz disse, aproximando-se dele — Você veio mesmo. Achei que a Kugisaki estava brincando comigo.

— Boa noite, Choso. — Megumi o cumprimentou, engolindo em seco diante do quão lindo o rapaz era de perto.

— Boa noite, Fushiguro. Vamos sentar numa das poltronas ali no canto? Eles levarão nossas bebidas lá.

Mesmo com a falta de costume em sair em encontros, conversar com Choso acabou se mostrando fácil e interessante para Megumi. O mais velho não vinha de uma família tão abastada quanto ele, mas claramente tinha seus privilégios e sabia usá-los a seu favor — sem falar que era um genuíno caso de alguém que era “sensual sem fazer esforço”, alguém perfeitamente namorável.

Na quinta gin tônica da noite, todavia, ficou nítido de que aquela interação não renderia algo além de uma boa amizade:

— Já está ficando tarde e amanhã eu tenho aula cedo. — Megumi disse, meio sem graça — Foi muito bom te conhecer melhor, Choso.

— O prazer foi meu, Fushiguro. Espero que a gente se encontre mais vezes. — ele estendeu-lhe a mão para lhe cumprimentar — Você tem algo que me faz lembrar do meu irmão mais novo. Não consegui desassociar isso de você, me desculpe.

— Sem ressentimentos. De verdade. Gosto de fazer novos amigos. — o moreno adiantou-se, pegando o sobretudo que tinha tirado quando se sentou ali e o apoiando no braço — A gente se vê.

.

.

Na manhã seguinte, Megumi mal pisou na faculdade e Nobara o arrastou para um canto mais discreto, só o deixando seguir com sua rotina quando o amigo lhe contou todos os detalhes possíveis de como tinha sido com o bonitão de direito:

— Poxa, ele realmente pareceu ser uma boa ideia. — ela recostou-se na parede, chateada — Esse lance de te ver como um irmãozinho foi um fora fofo, mas ainda assim um fora.

— Eu não ligo. — Megumi deu de ombros — Já te disse o que queria saber, então eu—

— Acho que o problema foi que ele era certinho demais. — Nobara o cortou, pegando seu celular e mostrando a segunda opção — Ryomen Sukuna.

— Esse cara não namora um cara do último ano de TI?

— Não. Ele está solteiríssimo! — ela enfatizou, animada — Vá assistir o treino do time de futebol americano depois das aulas. Dizem que ele fica ainda mais gostoso todo suado.

— Você nem curte homem, garota! Não fale assim! — ele ruborizou-se com a imagem mental que se formou. Já tinha visto Sukuna pelos corredores e ele era realmente um pedaço de mal caminho, ainda mais agindo sempre como se fosse o dono do lugar.

— Mas eu tenho olhos, meu bem. — ela sorriu, mordendo o lábio — Se com ele não der certo, pelo menos você pode sair da seca.


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Com o recesso de fim de ano se aproximando, também aproximavam-se as últimas competições esportivas da temporada. Foi no horário de revezamento do campo pelas equipes da universidade que Megumi, caminhando pela lateral da cerca, viu Sukuna tirando o capacete e sacudindo seu cabelo úmido, olhando instintivamente em sua direção e lhe lançando um sorriso sedutor:

— Fushiguro, faz tempo que você tá por aqui? — perguntou, segurando na grade que os separava — Viu como eu sou um quarterback incrível?

— Não deu tempo. — Megumi riu de leve, tentando manter o olhar no rosto dele, não nos seus braços enormes — Eu acabei de chegar, mas queria ter vindo mais cedo.

Era mentira, ele quase não foi.

— Me ajuda aqui com esse equipamento. — Sukuna jogou uma mochila por cima da grade e o moreno a segurou de um jeito desengonçado — O depósito é ali na frente.

Meio sem escolha, Megumi fez o que o atleta pediu, passando pela porta entreaberta de uma salinha debaixo da arquibancada e colocando o item num armário de ferro no fundo do cômodo, perguntando-se em que momento ele perdeu Sukuna de vista.

O ranger das dobradiças e o som da chave girando na fechadura fez o rapaz virar-se bruscamente para trás:

— Por que você estava escondido no escuro?! — Megumi encarou o outro, assustado, quando ele acendeu a luz do teto.

— Nós dois sabemos muito bem o que você veio procurar aqui comigo. Só te dei a desculpa perfeita. — Sukuna umedeceu os lábios, agarrando-o e pressionando-o contra a parede — Eu sempre tive vontade de te dar uns pegas, Fushiguro.

— Nunca… imaginei… isso… — a voz do moreno saiu trêmula e ele se agarrou instintivamente no uniforme suado do outro, para não desabar com como suas pernas ficaram bambas com aquela abordagem.

— Te juro, gatinho. — ele disse, quase tocando o pescoço do mais baixo com seus lábios, sua respiração fazendo ele se arrepiar por completo — Você sempre parecendo tão distante… me deixava completamente maluco

Um arfar impossível de se conter escapou por entre os lábios entreabertos de Megumi e ele só inclinou a cabeça, entregando-se mais ainda para os beijos que começou a receber em sua pele exposta. Sukuna não era o tipo de cara que o atraía, se ele parasse para analisar, mas era difícil não cair no papinho dele, principalmente quando era dito no pé do ouvido, com seu corpo espremido contra aquele peitoral definido.

— Olha o que você faz comigo… — Sukuna tirou a coquilha de dentro da sua cueca e guiou a mão de Megumi até seu baixo ventre, fazendo-o apertar seu volume marcado por cima da calça.

— Sukuna, a gente precisa ir mais devag— — ele tentou ser racional, mas sua argumentação foi interrompida com os lábios do outro se chocando contra os seus.

— Não precisa ter medo, Fushiguro. Eu sei ser carinhoso. — disse, com os dedos prontos para desabotoar a calça do moreno — Se não quiser, só dizer um “não” alto e claro que eu paro sem pensar duas vezes.

E a resposta deveria ser uma negativa, pois eles estavam num lugar que todos os times usavam e poderiam precisar usar enquanto eles estavam lá dentro, mas a voz do rapaz simplesmente não saia. Megumi não imaginou, quando saiu de casa pela manhã, que terminaria o dia transando numa sala de equipamentos, mas ter um homem daqueles o desejando daquela forma não dava para desperdiçar assim:

— Você tem proteção? — o mais baixo perguntou, deixando que Sukuna puxasse o zíper de sua calça para baixo.

— E lubrificante também. — o atleta completou, rindo enquanto retomava o beijo com mais voracidade, os gemidos de ambos ficando cada vez mais altos e manhosos.

Sukuna colocou o rapaz sentado numa mesa com um impulso preciso, pronto para começar a se despir, quando batidas à porta os fizeram parar:

— Ryomen! Eu sei que você está aí dentro! Abre!

— Fudeu… — ele resmungou baixinho, colocando a mão na boca de Megumi para que ele ficasse quieto — O que você quer, Uraume?! — gritou, emburrado.

Seu ex?! — Megumi tirou a mão do outro do meio e sussurrou, confuso.

Até onde eu sei, sim. — Sukuna respondeu, desviando o olhar.

— Ryomen, você sabe que eu tenho uma cópia da chave. Não quero constranger quem quer que esteja aí com você. Isso é sobre nós dois!

— A gente não tem nada pra falar. Você me chutou, lembra?

— Não foi isso e você sabe. — Uraume disse, com a voz mais branda — Eu só queria um tempo pra estudar, não de você, meu amor…

— E por que não disse isso logo, seu idiota?! — Sukuna afastou-se de Megumi, encostando a testa na porta — Eu passei a última semana esperando e nada de você voltar…

— Eu estava ocupado, Ryomen, desculpa! A gente pode ir pra outro lugar agora?

— Vai lá. — Megumi disse, se colocando de pé e arrumando suas roupas.

— Foi mal. — Sukuna lançou um último olhar para Fushiguro, esperando que ele saísse do campo de visão de Uraume para abrir a porta — Eu não quis te trair, gatinho. — ele disse para o rapaz de cabelos brancos que o esperava do lado de fora, fazendo uma expressão de cachorrinho que caiu da mudança.

— Eu sei, amor. Eu sempre confiei em você e ainda confio. — Uraume respondeu, saindo de lá com ele.

Megumi aguardou uns minutos antes de também sair, observando o casal andar abraçado ao longe, na direção dos jardins, e decidiu ir para o único lugar que sentia que poderia se recuperar de algo que ele certamente se arrependeria depois, se tivesse acontecido:

— Achei que não viria hoje. — Yuji disse, parando de varrer a calçada quando viu Megumi cruzar a rua — Está com cara de quem precisa de um chá de camomila.

— Seria perfeito, Itadori. Obrigado. — ele respondeu, já começando a se sentir melhor só em ver aquele sorriso acolhedor — O movimento está fraco hoje…

— Época de prova na universidade sempre esvazia cafeterias e lota bares. — ele deu uma risadinha, correndo até o balcão e cuidando de preparar o pedido do seu cliente — Contudo, isso vai me permitir te dar toda atenção. Então é uma coisa boa, né?

Megumi esboçou um sorriso envergonhado, tirando seu celular do bolso para ver as mensagens recebidas. Entre coisas da turma e figurinhas de humor duvidoso que seu pai mandou, Nobara tinha lhe escrito como estava indignada que Sukuna tinha voltado com o ex justo quando eles iriam se encontrar, alheia ao fato de que eles de fato se viram naquele dia.

Antes mesmo de Megumi respondê-la, dizendo que não tinha mais interesse em testar as combinações de signos dela, ela enviou um link de outro perfil.

— Prontinho. Um chá de camomila com folhinhas de hortelã, porque eu acho que hortelã in natura deixa tudo melhor. — Yuji o serviu e, para a surpresa de Megumi, ele puxou a cadeira de frente para ele e se sentou — As provas também estão te chateando?

— Nem tanto. — Megumi respondeu, provando o chá e, ao aspirar seu aroma, relaxando os ombros — Só tive umas experiências meio… sem emoção ultimamente.

— Que péssimo saber disso. — Itadori apoiou o queixo na mão, crispando os lábios — Mas… o natal está chegando, então você pode estar com pessoas que te façam se sentir feliz logo logo. Você vai viajar?

— Tudo indica que sim. Meu pai e o marido dele gostam de ir para as montanhas no fim do ano, então pode ser que eu vá com eles.

— Vou sentir sua falta. — o rapaz de cabelos rosa disse, olhando-o nos olhos — Ninguém mais me desafia a tentar coisas diferentes, como você com seus chás.

— Se eu arrumar alguma coisa para fazer por aqui nessa época, talvez eu fique… — Megumi jogou, sustentando o olhar que recebia com parte do rosto escondido atrás da xícara fumegante.

— Tomara que consiga. — ele disse, mordendo o lábio inferior, e levantando-se para atender um cliente que apareceu — Se precisar de alguma coisa, só chamar.


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A terceira e última tentativa de Nobara arrumar um namorado para Megumi era Toge Inumaki, um rapaz que estava no terceiro período de Letras e que era muito amigo da garota com quem sua amiga andava saindo. Megumi e ele já tinham se encontrado algumas vezes, mas, embora fosse um rapaz bonito, Inumaki era tão calado que ele sequer lembrava como era a voz dele.

Diante dos encontros frustrados que teve em sequência, optou por mandar uma mensagem de texto, ver se rolava o interesse sem que eles precisassem perder tempo saindo de casa:

“Oi, Inumaki.

A Nobara me passou seu contato.

Já peço desculpas se ela foi estranha falando sobre mim.”


O sinal de digitando surgiu quase que imediatamente no canto inferior da tela. Toge felizmente estava online:

“Oi, Fushiguro.

Não precisa se desculpar.

Na verdade, a Maki foi quem me encheu mais para eu te ligar.


“Deixa eu ver se eu entendi:

Nossas amigas estão tentando nos desencalhar,

cada uma do seu lado?!

Não é só a minha empenhada nisso?”


“A Maki faz isso comigo direto 😒

eu disse que ia tentar com você,

mas só se você quisesse mesmo.

Só que eu tenho que te falar uma coisa:

eu meio que… já gosto de alguém.”


Um alívio estranho tomou conta de Megumi ao ler aquilo e ele até mesmo se ajeitou melhor na sua cadeira antes de responder:

“Eu também já gosto de alguém.”


“Posso perguntar o que te impede de estar com esse alguém agora?”


“Eu acho que ele já namora, ou algo assim.

E você? Qual o seu impedimento?”


“O meu viaja demais. Os pais são diplomatas.

Ele me mandou foto do Egito hoje, inclusive.”


“Mas… você sabe se ele gosta de você também?”


“Ele me disse da última vez que nos encontramos.

Só que, como ele ia sair do país no dia seguinte,

Ele pediu que eu não ficasse esperando por ele.”


“Mas você está esperando.”


“É que ele vale a pena.”


“Uau… Isso foi… muito bonito.

Me sinto até burro em não ter pelo menos me declarado,

já que o meu está bem perto.”


“Bem, você disse que acha que quem você gosta tem alguém.

Deveria tirar a prova.”


“Seria um baita presente de aniversário um “não tenho”.

Ou a confirmação estragaria essa data pra sempre.”


“Seu aniversário é hoje?!”


“Sim.

Se a gente tivesse dado certo,

sairíamos para comemorar.”


“Ainda pode sair, mas para ver seu boy.

Se a resposta não for positiva,

ao menos te permitirá seguir em frente.”


“Está quase na hora de ele sair do trabalho,

não sei se é uma boa ideia…”


E em vez de um digitando, a mensagem que apareceu sobre o que Inumaki estava fazendo foi de gravando um áudio:

— “Então anda logo, Fushiguro!” — a voz rouca de Toge pareceu injetar adrenalina em seu corpo e, após agradecer o conselho, Megumi levantou-se e foi direto para a cafeteria.


⋆⁺₊❅⋆ ⁺₊❆⋆ O ᙅᖇᙀSᕼ ᑭISᙅIᗩᑎO ⋆⁺₊❅⋆ ⁺₊❆⋆


A fachada desligada e a placa de “fechado” pendendo na porta de vidro conseguiram ser mais frias para Megumi do que a neve que caia timidamente sobre seus ombros. Por questão de cinco minutos, ele não chegou a tempo de encontrá-lo e isso fez com que ele sentisse como se deixasse uma oportunidade escapar por entre seus dedos.

— Droga… — Megumi resmungou, batendo a cabeça de leve na porta, chateado consigo mesmo — o que eu faço agora?

— Fushiguro? — Yuji chamou, surgindo de um beco na lateral do prédio, empurrando uma bicicleta — Você queria comprar alguma coisa?

— Itadori! — ele virou-se, claramente feliz em vê-lo — Eu tenho que te dizer uma coisa.

— Pode falar. — o rapaz encostou a bicicleta no meio-fio, chegando um pouco mais perto do moreno.

— Eu… eu queria dizer que… — o coração de Megumi acelerou e as palavras se embaralharam em sua mente, sendo necessário ele sinalizar que precisava de um tempo para se recompor, com medo que Yuji achasse que ele era um maluco e fosse embora dali — Itadori, eu gosto de você!

— Como… amigo? — o outro perguntou, dando uma risadinha de canto.

— Você sabe que não. — ele fez uma careta, desviando o olhar com o constrangimento — Eu só queria me expressar. Não sei se você gosta de caras ou—

— Eu gosto! — Yuji o interrompeu, abraçando-o com força — Eu estava já sem saber o que mais eu podia fazer para que você me notasse!

— Como assim?! — Megumi o afastou, confuso, mas não o deixou tirar os braços de seu corpo — Eu quem queria ser notado por você!

— Você não percebeu mesmo que eu tava flertando com você o tempo todo?!

— Eu achei que você era só gentil demais, profissionalmente falando!

— Preciso ter uma conversa séria com a Kugisaki. — Yuji balançou a cabeça, rindo da confusão que estava metido e nem sabia — Ela me disse que era coisa de pisciano não ver o que estava bem diante dos seus olhos, mas você tá pior do que eu.

— Não ligue pro misticismo dela. Ela quase me convenceu a arrumar um namorado e ignorar o que eu sentia por você com base nos signos.

— Mas, se você não acredita nisso, porque foi na dela, então?

— É que você disse que tinha compromisso pra depois de amanhã, então pensei que…

— Que fosse um date? — Yuji perguntou e Megumi assentiu, corando — Não é! É que esse é o momento em que eu comemoro o natal com meu irmão, já que ele mora com a família do pai dele e tem que estar com eles no dia 25.

— Eu fui muito precipitado mesmo. Quase deixei você escapar. — Megumi intensificou o abraço, descansando a cabeça no ombro do rapaz de cabelos rosa — Não podia ter ganhado um presente melhor do que saber que você também gosta de mim, Itadori…

— Hoje é seu aniversário? — Yuji levantou o rosto dele, segurando-o em ambos os lados com carinho — Parabéns, capricorniano! Espero que consiga lidar com alguém que não tem compatibilidade astral com você. — brincou, tocando a ponta de seu nariz.

— Se tem uma coisa que eu estou, é disposto a correr o risco. — Megumi sussurrou, beijando-o de leve nos lábios em seguida.

𝔉𝔦𝔪 ⋆。˚❆˚ 。⋆

Notas finais
Espero de coração que tenham gostado do que eu escrevi. Até a próxima e vão desculpando qualquer erro que tenha passado pela revisão meio doida que eu fiz.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!