Notas iniciais
E então esse é o fim dessa ficzinha, só 2 caps. Acho que eu escrevi essa fanfic mais pra mim mesma, querendo explorar a personagem/arca da Ciri, mal posso esperar pra ver oq vão fazer com a história dela na 2° temp :) Boa leitura ♥

— Então... — Ciri disse uma vez que estavam na estrada montados em Plotka faziam alguns dias, o tédio e cansaço fatigando seu corpo. — O que é você?

Suas costas estavam apoiadas no peito do outro, então não conseguiu ver a reação de Geralt, que simplesmente não respondeu.

— ...Geralt?

— Um bruxo.

Ela virou a cabeça para tentar encará-lo, mas foi em vão. Geralt era mais alto que ela e decidiu ignorá-la.

— Bruxo? Você quer dizer os caçadores de monstros? — Silêncio. Ciri estava cansada de ser tratada como uma garota insignificante e ficaria grata se alguém ao menos respondesse suas perguntas. — Eu ouvi dizer sobre vocês bruxos. — continuou, caçando as lembranças de anos atrás. — Jaskier me contou.

A égua parou, suas orelhas agora levantadas e atentas.

Plotka.— Geralt repreendeu com a voz rouca, apertando as rédeas da égua, que bufou e retomou a cavalgar.

— Também ouvi dizer que vocês são um povo muito estranho, — comentou. — Mas Jaskier sempre falava que—

Nem terminou as palavras e Plotka parou novamente, seus cascos firmes e imóveis no chão. Geralt soltou um suspiro derrotado e a égua apenas se remexeu em resposta.

— O que ela tem? — Ciri perguntou, ansiosa, enquanto viu o bruxo descer do cavalo e amarrar as rédeas em um tronco de árvore próximo.

— Vamos acampar aqui.

Aliviada por uma chance de descanso para a noite, Ciri desceu de Plotka e observou Geralt recolher galhos para uma fogueira. Havia algo errado. Parecia que o bruxo estava mais mal humorado do que o normal, andando pela floresta com passos pesados e carrancudos, ombros tensos e expressão infeliz.

— Você conhece Jaskier? — Ela ouviu a voz dele ecoar pelo ar frio, interrompendo seus pensamentos.

— Você quer dizer o bardo com as únicas músicas boas por entre a corte de Cintra? Sim. — Por algum motivo falar sobre Jaskier a fazia ficar de bom humor. Aquilo pareceu provocar algo em Geralt, pois ele saiu por entre as árvores com alguns gravetos de madeira nos braços e uma emoção intensa nos olhos. — Você o conhece também?

Ele depositou os gravetos no chão e fez um sinal com as mãos, causando faíscas pelo ar e acendendo a fogueira. Magia, Ciri pensou com um pouco de admiração.

— Ele treinou a Plotka para ficar imóvel quando ouvisse o nome dele.

Ciri sentou-se na grama perto da fogueira e abriu um sorriso.

— Por que ele faria isso?

Geralt deu de ombros e pegou o que parecia ser um manto da mochila que Plotka carregava antes de se ajoelhar do outro lado, seus cabelos prateados cobrindo boa parte de seu rosto, mas sua expressão melancólica ainda era aparente.

— Não sei. Para me irritar, provavelmente. Ele sempre me dava nos nervos.

— Isso parece algo que ele faria, — Ela puxou seu casaco para mais perto de si, conservando o calor da fogueira que agora aquecia sua pele. — Então vocês são amigos?

Geralt observou as chamas da fogueira dançarem na madeira seca e não respondeu.

— Aconteceu algo entre vocês?

Ele suspirou.

— Está na hora de dormir, princesa.

— Não me chame de princesa, — Ela fez uma careta. Parecia uma eternidade desde a última vez que alguém tinha a chamado assim, e não era certo. Não tinha nada mais para herdar. — Só Ciri.

E então Geralt a encarou como se olhasse para ela pela primeira vez, íris amarelas e pupilas dilatadas estudando sua forma em uma simples e intensa dança de olhares.

— Ciri, — Ele respondeu depois de um tempo e jogou o manto até ela, que engasgou em surpresa quando a coberta caiu em seu rosto. — Cubra-se. Hoje a noite vai ser fria.

— Acho que a Plotka está com sede, — Ciri disse depois de mais alguns dias de cavalgada, acariciando o focinho da égua. Já tinham desmontado para fazer acampamento novamente, e a garota estava mais do que tudo entediada — Temos que dar água pra ela, não?

— Hm.

— Tem um riacho aqui perto. — continuou enquanto assistia Geralt tirar a coberta de dentro da mochila de novo, ignorando-a sem hesitação. — Eu posso ir pegar água.

Geralt lhe lançou um olhar céptico, e Plotka observou os dois com uma expressão entediada. Fazia tempo que Ciri tentava convencer o bruxo a deixá-la sozinha por alguns momentos. Toda garota precisava de sua privacidade, afinal.

— Posso até ouvir o barulho da água por perto, — insistiu e puxou as rédeas da égua — Não vou ficar sozinha, vou levar a Plotka comigo. Por favor, Geralt?

— Não vá muito longe. — Ele respondeu e rolou os olhos, impaciente. Ciri não ouviu mais o que ele tinha a dizer, correndo em direção ao riacho.

— Voltamos logo! — Ela o confortou e ele provavelmente resmungou em resposta, mas Ciri não prestou atenção.

Suas pernas roçavam as folhas secas do outono e pela primeira vez em muito tempo, Ciri sentiu-se mais livre. Respirou o ar puro da floresta e continuou no caminho, o som da água corrente acolhendo seus ouvidos como uma música solitária. Estava quase conseguindo ver o riacho de perto quando Plotka parou de andar, suas orelhas levantadas atentamente.

— Plotka, vamos, — disse, um pouco irritada, e puxou as rédeas para acompanhá-la, mas a égua apenas virou o focinho em outra direção e cavalgou mais adentro na floresta .— Plotka! O caminho não é por aí!

Mas Plotka não se deu por vencida e insistiu na mudança de planos. Ciri não teve escolha a não ser segui-la. Mais alguns passos sorrateiros e a garota percebeu que a música solitária que ouvia a distância não era da água, e sim de um instrumento musical fino e harmônico do qual ela reconheceu no mesmo segundo. Alaúde.

E ao desviar da vegetação densa da floresta, Ciri caminhou com a música se aproximando a cada metro e pensou vagamente que a canção soava um pouco familiar. Ela acompanhou Plotka até uma clareira, as árvores escassas e a grama clara e aberta.

Ciri poderia até ver o horizonte, as montanhas decorando o céu e indicando o caminho até Kaer Morhen, mas a garota só tinha olhos para o homem sentado na grama com um alaúde nos braços e um leve sorriso no rosto. Estava com os olhos fechados, murmurando o tom da música, e foi quando ele abriu os olhos e Ciri notou as íris azuis celestes que reconheceu Jaskier.

— Você parece um pouco diferente do que eu lembrava. — Ciri declarou quando percebeu as manchas e sardas que adornavam suas bochechas, provavelmente o resultado de anos sob o sol radiante e uma vida de aventuras.

Jaskier pareceu não reconhecê-la, mas aprofundou seu sorriso e aderiu uma postura convidativa. Pessoas boas faziam aquilo quando viam uma criança suja e perdida, dispostas a ajudá-la. E o bardo sempre foi alguém com um forte senso de bondade.

— Oras, já me falaram que eu demoro para envelhecer, não pareço tão diferente assim, hm? — respondeu ele, parando a melodia com um brilho nos olhos — Quem você esperava?

Ciri tirou seu capuz que cobria seus cabelos e Jaskier deixou seu alaúde cair no chão em surpresa.

Cirilla, — pronunciou seu nome em um tom trêmulo, e o bardo ficou imóvel como pedra, apenas observando a garota à sua frente com uma expressão pesada, como se estivesse de luto. Ciri nunca tinha visto aquela expressão em seu rosto antes. — O destino não foi muito gentil com você, não é?

Ciri levantou o capuz novamente, sentindo-se vulnerável, e viu Jaskier tentando ao máximo engolir seu choro, e foi quando ele notou Plotka atrás dela, a égua bufando com os cascos inquietos e orelhas surpresas.

— ...Plotka? — Ele disse em um sussurro incrédulo, seus olhos arregalados.

Ela ouviu o farfalhar das folhas da vegetação por perto e virou-se para encarar Geralt, que estava ofegante e fuzilando-a com o olhar.

Ciri, — Sua voz saiu ríspida e assombrada. Haviam folhas em seu cabelo e roupas. — Eu disse pra você não ir longe.

E em seguida sua atenção moveu-se até Jaskier, que arregalou os olhos ainda mais.

— Jaskier. — Geralt assentiu, seu corpo inteiro tenso como linha de alaúde. Jaskier pareceu se recompor e ajeitou suas roupas antes de pegar seu alaúde do chão e depositá-lo em suas costas, segurado por uma faixa de couro em seu peito.

— Geralt, — respondeu e sorriu novamente para Ciri, que sentiu um aperto em seu peito. — Parece que você achou sua criança surpresa.

A garota não perdeu tempo e correu para abraçá-lo, seus braços pequenos envolvendo o corpo do outro com força, como se tivesse medo de perdê-lo novamente.

Por mais que Ciri adorasse a companhia de Jaskier e estivesse aliviada por ele ter decidido acompanhá-los na jornada até Kaer Morhen, ela não estava se sentindo muito bem.

Estavam numa taverna, um abrigo quente para o clima úmido e congelante do lado de fora, e finalmente conseguiriam ter uma refeição agradável para a noite. Jaskier e Geralt estavam aproveitando o ensopado de vegetais, mas infelizmente Ciri não se viu com muito apetite.

Jaskier estava com uma taça de vinho nas mãos.

Ela observou o cálice nervosamente, tentando ao máximo controlar sua mente para não se lembrar da mancha de vinho nas vestes de sua avó.

— Ciri? — Jaskier,sempre o mais perceptível, notou seu desconforto. — O que foi? Não está com fome?

Geralt estava encarando-a agora, seu rosto em uma expressão mal humorada que usava para disfarçar sua preocupação.

— Não. — Ela respondeu e tentou ignorar o hálito pesado de vinho que Jaskier exalava toda vez que abria os lábios.

— Se você estiver doente ou algo do tipo, sabe que pode falar com a gente, né?

Ciri foi capaz de entender as entrelinhas, mas era difícil explicar algo que nem ela conseguia entender.

Se você estiver com problemas, pode contar com a gente.

— É só... o vinho. — confessou em um sussurro. Jaskier e Geralt olharam a taça de vinho em confusão.

— Você não gosta de vinho? — Jaskier perguntou, sua voz agora mais baixa e gentil. Sempre adotava aquele tom quando percebia algo errado e tentava acalmá-la.

Ciri balançou a cabeça em negação, mas não pôde evitar sua respiração trêmula. Por algum motivo aquilo estava a afetando mais do que o normal. Talvez aceitar que algo a fazia mal causava tal reação.

— Bom, eu vou devolver isso então, sem problemas. — Ele levantou-se do banco para levar o cálice embora, mas acabou tropeçando no processo e a taça foi em direção ao chão, estilhaçando em pedaços e manchando o chão de vermelho.

— Opa! Poxa, que—

— Jaskier, você—

Podia ouvir as vozes dos dois se misturando ao fundo, mas Ciri só tinha olhos para a mancha vermelha, o líquido espalhando-se por entre a madeira e impregnando o ar com o cheiro de vinho. Sentiu sua pele gelar, seu coração palpitando rapidamente e chiando em seus ouvidos, afogando todo e qualquer som ao seu redor.

— Ciri!!

Alguém a pegou pelos ombros e seu instinto foi de fugir, seu corpo inteiro recuando o toque.

Não toque em mim! — Ela gritou, olhos úmidos e arregalados passando da mancha de vinho no chão até Jaskier, que estava com uma expressão preocupada.

Houve um silêncio. Geralt era quem estava com as mãos em seus ombros, e em seus olhos dourados havia algo assustado, como se estivesse com receio ou, pior ainda, medo.

Nunca tinha visto ele com tal expressão.

Ciri olhou a sua volta e viu que alguns visitantes estavam os observando, curiosos e incomodados. A garota desviou os olhos novamente até o chão.

— Okay, acho que acabamos por aqui, — Jaskier pronunciou com uma voz firme e decidida. — Geralt, vá até o balcão para pagar pelo nosso quarto. Três camas.

Geralt hesitou em deixá-los, mas a situação parecia séria, pois depois de alguns longos segundos o bruxo assentiu e obedeceu. Jaskier virou-se para ela, seus ombros tensos, e ofereceu um fraco sorriso.

— Vai ficar tudo bem, Ciri, — Ele disse com a mesma voz gentil de antes. Ela não entendeu a tentativa dele para reconfortá-la até que notou suas pequenas mãos pálidas e trêmulas. — Vamos cuidar disso.

— Eu posso lidar com isso sozinha. — Ciri protestou, não querendo ser tratada como uma princesa de porcelana como sua avó fazia. Tinha passado por situações horríveis e sobrevivido, afinal.

Aquilo pareceu ser a coisa errada a se dizer, Ciri pensou quando notou o rosto fechado de Jaskier.

— Mas você não precisa, — Ele se aproximou e a garota involuntariamente deu um passo para trás. Jaskier pareceu ainda mais ressentido.

— Desculpa, eu não... — Ela tentou se explicar, mas estava quase tão confusa quanto ele.

— Eu sei, querida, — Havia uma tristeza nos olhos azuis do bardo que a deixou sem respostas. — Eu sei.

Ela estava quase em um transe, seus pés caminhando pela taverna graças a Jaskier, que puxava sua mão delicadamente, como se estivesse com medo de quebrá-la. Ciri, por sua vez, não se importou, pois logo estavam dentro de um dos quartos alugados. O ambiente era quente e abafado, mas por algum motivo Ciri não conseguia parar de tremer.

— Ciri, — A voz firme e gentil de Jaskier chamou sua atenção — Sente-se. — Ele assentiu para uma das camas, e a garota obedeceu.

Ela levantou a cabeça para observar os dois, curiosa e apreensiva. Geralt não estava olhando-a nos olhos, seus ombros tensos e cabeça baixa. Ciri não tinha a mínima ideia do que ele estava pensando. Jaskier apenas oferecia um olhar atenuado para ela e seu corpo se remexia de um jeito inquieto, como se quisesse fazer algo, mas não soubesse o quê.

— O que eu fiz agora? — Ciri quis saber.

— Você só... congelou, eu acho, — Jaskier respondeu, hesitante, e agachou-se para poder olhar diretamente em seus olhos. — Depois que a taça quebrou, você não respondia a nada e começamos a ficar preocupados. Foi quando Geralt agarrou seus ombros que você saiu do transe.

Geralt resmungou e cruzou os braços.

— Princesa, o que aconteceu? — O bardo retomou. — Eu sei que tem algo de errado, mas não podemos consertar se você nos deixa no escuro desse jeito.

Ela desviou o olhar e ignorou seus lábios trêmulos. Jaskier apenas esperou ela se recompor e continuou.

— Você tem reações traumáticas com vinho e não gosta de ser tocada, — Sua voz quebrou no fim, e Ciri percebeu que havia algo doloroso em suas feições, seus olhos um tom azul menos saturado do que de costume. — Princesa, alguém já... Alguém já te tocou sem sua permissão?

Ciri ficou um pouco confusa, e encarou Geralt para alguma explicação, mas o bruxo apenas a fitou de volta, a postura dele inclinada e nervosa, como se estivesse contando os segundos para sua resposta.

— Sim. — Ela respondeu, lembrando-se do soldado Nilfgaardiano que a sequestrou durante a invasão em Cintra e dos meninos que eram seus amigos até cercá-la e ameaçá-la.

Aquilo pareceu ter um efeito inesperado, pois Jaskier fechou os olhos e apertou os punhos, trêmulo. Geralt apenas empalideceu e adotou uma expressão ameaçadora no rosto.

— Quem, — Jaskier engoliu em seco, e havia algo vulnerável em sua voz. — Quando foi isso, faz muito tempo?

Ciri não entendia muito o quê os dois queriam dela ou porque aquilo seria importante.

— Quando Cintra foi invadida, um soldado Nilfgaardiano me sequestrou enquanto eu fugia, — Ela viu Geralt passar a mão pelo rosto, parecendo cansado. — Mas eu não entendo porque isso seria importante.

— Ele fez algo com você? — Jaskier apertou a mão dela, buscando reconfortá-la. Ciri balançou a cabeça em negação.

— Não, ele só... me pegou pela perna e eu entrei em pânico. Consegui despistá-lo depois disso.

Jaskier pareceu desabar no chão do quarto com um suspiro aliviado.

— Jaskier?

— Não foi nada, princesa, — Ele tentou confortá-la — Eu só pensei que... Que alguém tinha te feito mal.

Ciri o fitou, confusa, até que Geralt se aproximou.

— Tem muitas pessoas por essas redondezas que gostariam de te fazer mal — O bruxo explicou, seus ombros ainda tensos — E te torturar de várias maneiras.

— Geralt! — Jaskier exclamou.

— Ela precisa saber, Jaskier.

E foi o jeito como os dois olharam para ela, com apreensão e medo, com medo de tocá-la, que Cirilla percebeu.

— Oh, vocês pensaram... Q-Que eu... — Suas bochechas coraram com a implicação. Nunca tinha pensado na possibilidade dela ser violada daquele jeito. — Nada assim aconteceu, eu prometo.

— Caso alguém se aproximar de você com essa intenção — Geralt respondeu, seus olhos dourados brilhando mesmo no escuro do quarto. — Fuja e venha correndo para nós.

— E vamos cortar a cabeça do nojento. — Jaskier continuou.

Ciri assentiu, sentindo algo aflorar em seu peito.

— Você pode tocar pra mim? — Ciri perguntou no calar da noite. Jaskier parou de escrever em seu caderno e dirigiu sua atenção para ela.

— Com todo o prazer, princesa.

— Me chame de Ciri.

Geralt escondeu uma risada do outro lado da fogueira.

— Claro, princesa. — Jaskier respondeu e pegou seu alaúde. Ciri rolou os olhos, mas esperou ansiosamente enquanto o trovador testava algumas notas. — Alguma preferência?

Ciri hesitou. Estavam abrigados nas montanhas, apenas a alguns dias de Kaer Morhen, e logo finalmente estaria segura. Sentiu seu corpo relaxar, e por algum motivo se viu com saudades de sua mãe.

— Aquela música que você tocou no jardim do castelo, — A garota explicou e notou o olhar confuso do outro. — Quando eu tinha sete anos, você entrou no jardim escondido e tocou pra mim, lembra?

Ela viu Jaskier abaixar a cabeça, os cabelos castanhos cobrindo seus olhos, e Ciri queria muito saber o que ele estava pensando.

— Pode deixar, princesa. — Ele respondeu e ofereceu um sorriso, mas pareceu falso, e começou a dedilhar as primeiras notas.

E com o som do alaúde cobrindo seus pensamentos, Ciri se deixou levar pela melodia e pelas lembranças daquela noite no castelo, que até agora estava escondida em um canto escuro de sua mente.

De repente Jaskier parou de tocar e observou Geralt se aproximando dela com uma preocupação intensa no rosto. Havia um peso nos olhos do bardo, como se estivesse lendo seus pensamentos.

— Ciri... — Geralt pareceu querer confortá-la, mas não sabia como. Ciri ficou confusa até perceber que haviam lágrimas em seus olhos e bochechas. Estava chorando.

Veio um nó em sua garganta e não queria gritar, fugir ou sentir, só chorar. E foi isso que ela fez, com os joelhos na grama e os cabelos cobrindo o rosto, uma garota em prantos com o luto em suas mãos.

Sentiu os braços de Jaskier gentilmente a envolvendo, protegendo-a do mundo afora.

— Você precisa disso, Ciri. — O bardo comentou, e por um momento Ciri não entendeu. — Durante todo esse tempo, eu nunca te vi chorar.

E era verdade. Não era porque não queria, mas não tinha conseguido o fazer até agora. Seus soluços abafavam os sussurros confortantes de Jaskier, que apenas a segurou enquanto o mundo desabafa ao seus pés.

Mas de algum jeito, pela primeira vez em muito tempo, Ciri sentiu que nem tudo estava perdido.

Notas finais
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!