Canção do Infinito

25 Vozes humanas/ A boneca


Vozes humanas

O som das vozes humanas

Ecoando em uma mente distraída

Perfuratrizes irritantes

Destruindo o meu sonhar acordado

Egoisticamente exigindo atenção

Com reclamações, opiniões e fofocas

Em vidas pequenas

E um monte de conversa fiada

Eu me afasto e finjo não ouvir

O fútil tagarelar

De palavras sem razão de se dizer

Espalhando sempre falsidade aonde quer que vão

Escondo minha repugnância

Ante a vazia mesquinhez

E toda a maledicência implícita

Dessa estranha raça

Que se diz humana

A boneca

Sentada na estante, lá no alto

Quase fora de vista

Pobre ornamento, brinquedo esquecido

Apenas juntando poeira

Linda boneca com seus cachos castanhos

Vestido de renda e rosto de porcelana

Por fora ela é perfeita

Por dentro ela chora e esperneia

Um dia essa boneca foi amada

Mas essa felicidade ela viu ruir

Pois o tempo passa e agora tudo o que resta

É a boneca no alto da estante, abandonada

Seus olhos opacos ainda podem ver

Sabe suas falas de cor, caso alguém queira ouvi-la dizer

Sozinha ela chora, chora e espera

Por alguém que a tire dali

Alguém que a abrace apertado

Que brinque e seque suas lágrimas

Alguém que jamais a abandone

Que a ame e a ensine a voltar a sorrir