Curicaca

Bico longo

Pescoço mais longo ainda

Grandes asas negras

Voando, voando

Mas que ave altaneira!

Nas penas, branco também

Nos olhos, vermelhidão

Essa ave não tem escamas

Mas tem o temperamento de um dragão

Voando para longe ao amanhecer

Com seus gritos muito estranhos

Curicacas

É assim que se chamam

Medo

Ninguém tem medo de altura

Mas todos tem medo de cair

Ninguém tem medo do fogo

Apenas da queimadura

Igualmente, não tenho medo da morte

Isso é apenas mais uma etapa

Meu maior medo é não lembrar

Ter minha essência anulada

Pois, sem memória, o que é o ser humano?

Não é mais do que um animal

Uma concha vazia

Uma sombra do seu ser inicial

Não quero terminar assim

Por isso tenho medo

Mas sou teimosa, não aceito derrota

Se eu tiver que partir, será nos meus termos