Cantar, Encantar
1 Capítulo Único
Notas iniciais
O estudante japonês criado nos EUA, Tatsuya Himuro, observava da varanda do seu apartamento a cidade de Los Angeles, após uma temporada em Akita, uma das principais cidades do Japão. Refletia sobre o contraste das duas cidades, enquanto na cidade japonesa a paisagem era o pátio do colégio interno católico onde estudava, na cidade americana o cenário era a rua com os carros passando, pessoas andando, pessoas de bicicletas utilizando as ciclofaixas, pessoas andando de patins, skate, até mesmo um ou outro ser se locomovendo com segway.
Com os pais viajando, tinha todo o tempo do mundo para admirar a paisagem, refrescar a cabeça do estresse dos estudos, de ser capitão do time de basquete e do Conselho Estudantil da escola, no qual era Presidente, além de outros fatores pessoais também. Sentia falta de respirar a brisa quente da cidade, da família, dos amigos em L.A e um deles era justamente o ex-capitão da falada “Geração dos Milagres”, o super time de basquete ginasial fenômeno no Japão, Shuuzo Nijimura. Haviam combinado do rapaz passar a noite no apartamento, para matarem saudades um do outro e, no dia seguinte, jogarem basquete de rua.
A noite caiu. Por sorte, o céu não estava tão poluído e dava para contemplar a lua cheia e poucas estrelas ali. Encantava-se com a mudança de cenário, agora com carros e motos iluminando a rua com seus faróis, pessoas arrumadas para aproveitar o que a noite tem de melhor, risadas de alguém que contagiava o efêmero, um flerte ou outro vindo de pessoas que percebiam Tatsuya no seu observar, até ver atentamente alguém dando um aceno de mão para ele, segurando várias pizzas e refrigerantes – era Shuuzo. Rapidamente voltou o manear da mão e gritou:
— Shuu, pode entrar, o porteiro já está avisado!
Himuro andou da varanda até a porta da sala e aguardou uns poucos segundos, até ouvir o bater da porta vindo do amigo. Abriu a porta para Nijimura, cumprimentou o rapaz e pegou os comes e bebes, enquanto o outro rapaz colocava os sapatos retirados no lugar adequado e adentrava o local tão nostálgico, na época em que Himuro não vivia na ponte aérea Tóquio – Los Angeles.
Xxxx
A dupla contemplava a noite sentados em um colchão inflável de casal, com revestimento externo e travesseiro embutido, na varanda do apartamento, comendo bons pedaços de pizza, tomando seus refrigerantes, ouvindo Alice In Chains e colocando o papo em dia entre risadas, conversas aleatórias e um veneno ou outro sobre os desafetos. Depois de um bom tempo, Tatsuya parou a música, pegou o violão que trouxe junto com o restante das coisas, sentou com ele no colchão, onde junto com Nijimura começaram a cantar “Again”, da própria banda grunge Alice In Chains que ouviam antes:
“(...) Hey, I kwon I made the same mistake
Yeah
I,
I won't do it again
No (…)”
De certa forma, a música refletia um pouco a atual situação amorosa de Himuro: ser “estepe” de alguém que nitidamente era apaixonado por outra pessoa. Até agradeceu pela pessoa ter terminado com ele, de uma maneira tosca, porém sem possibilidade de nada além da amizade, além de agradecer também por não ter se apaixonado por esse alguém.
Enquanto cantavam outra música do Alice In Chains, “Angry Chair”, Nijimura apenas observava o quanto o tempo fez bem para Tatsuya: os cabelos negros com a franja longa cobrindo os olhos, junto com a pinta embaixo do olho direto, dando um ar ainda mais charmoso ao rapaz, a boca um pouco carnuda, o timbre forte no canto, os músculos dos braços, peito, abdômen e pernas estarem ainda mais definidos, por causa da combinação basquete mais exercícios físicos... Se quando se conheceram, Nijimura ficou sem palavras para descrever a beleza do rapaz, agora “Himuro Tatsuya” virou adjetivo para beleza, igual “Beyoncé” para falar de coisas extraordinariamente boas.
Himuro continuava a cantar, porém também não deixara de analisar Shuuzo. Sempre achou o rapaz muito atraente justamente por ele ser um homem forte, além do sorriso cativante, o olhar mais os traços do rosto que demonstram força, os charmosos lábios finos, aquela pequena falta de ar ao vê-lo sem camisa, ostentando ainda a boa forma física dos tempos de basquete e, atualmente, karatê. Fora a inteligência e vários pontos em comum com Tatsuya.
“(...) I don't mind, yeah, I don't mind
I don't mind, yeah, I don't mind
Lost my mind, yeah, I don't mind
Can't find it anywhere, I don't mind (…)”
Aplaudiram o show particular e Nijimura perguntou:
— E aí, vamos tirar uma do Uncle Acid and The Deadbeats? – era uma banda inglesa de Stoner Rock/ Doom Metal, que os dois amigos adoravam.
— Opa, é claro! Uma do novo álbum deles, o “The Night Creeper”, ou uma mais antiga?
Tatusya começou os acordes iniciais de “Death Valley Blues”, uma música nem tão antiga assim, pois ela era do penúltimo álbum da banda, lançado em 2013, “Mind Control”. Logo em seguida, começaram a cantar os primeiros versos da canção:
“I know you know
There's nothing to go
Your eyes decieve your mind (...)”
Conforme prosseguiam o cantar, olhares com segundas intenções eram trocados. Himuro e Nijimura eram solteiros, um sabia da sexualidade do outro, por que esconder um clima que já rolava há muito tempo? Shuuzo aproximou do amigo, sentando bem ao lado dele, em seguida, ainda cantando, começou a inclinar seu rosto de forma a diminuir a distância entre seu rosto e o rosto de Tatusya, visando o contato com os lábios... Naquele momento, eles cantavam já com os lábios levemente encostados um contra o outro.
“(...) You came to me
Could not see through me
I showed the world to you (…)
So quicky
I've got you in the palm of my hand (…)”
A cantoria silenciou com os lábios de Nijimura e Himuro em um transe de prazer imenso, obtido através do passional beijo dado naquele instante. Era um beijo calmo, porém faminto, o circular das línguas durante o ato era a prova, ao mesmo tempo em que uma gostosa sensação de relaxamento invadia a mente deles, uma gostosa conexão, indicativo que aquela noite não iria terminar tão cedo...
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