Can't Remember To Forget You

1 Can't Remember To Forget You


Notas iniciais
Oi gente!!
Esta é a minha primeira real songfic como deve ser e também o meu primeiro AkaKuro por mais estranho que pareça XDDD Espero que não achem a fic chata e que gostem!!!!

De novo, era acordado por uma satisfação angustiante e por remorsos sufocante que não o deixavam pensar. Era sempre assim todas as manhãs depois de aquilo acontecer. E sempre deixava uma nota em cima da mesa, um fio de esperança, de luz, ao qual se segurava para tentar garantir que aquilo nunca voltaria a acontecer. Mas era sempre escusado.

I left a note on my bedpost
Said not to repeat yesterday's mistakes

Levantava-se sem olhar para trás e rapidamente recolhia as suas roupas do chão e tentava arrumar o seu cabelo ruivo espetado. Repreendia-se sempre que reparava nos leves movimentos que o corpo ainda presente na cama fazia e libertava um suspiro amargo quando olhava de relance e apreciava o corpo branco e frágil, decorado com as marcas vermelhas que havia deixado no meio do acto. E então, ainda mais arrependido, deixava o local sem dirigir uma única palavra ao menor.

Saía para as avenidas frias de Tóquio, durante a manhã ríspida de inverno, e deambulava pela ruas da baixa, onde se encontravam os hotéis e restaurantes mais caros, com os pensamentos preenchidos do seu rosto. Quando o assunto era Kuroko Tetsuya, como um reflexo automático, a sua mente enviava-lhe milhares de memórias felizes que havia partilhado com o menor e um sentimento quente aquecia-lhe o peito. E o facto de haverem tantos momentos alegres dificultava a aceitação da distância que agora existia entre eles. Que agora tinha de existir.

What I tend to do when it comes to you
I see only the good, selective memory

Mas era tão complicado. Era tão complicado separar-se de alguém tão único, tão diferente, tão captivante. E doía profundamente vê-lo interagir com outros que não o mereciam, ignorantes, fracos, desmerecedores de possuírem uma peça tão valiosa, alguém tão valioso. Era sempre problemático segurar-se quando via o azulado cooperar durante os jogos com Kagami Taiga, quando o via sorrir para ele tão sinceramente. Um sorriso que, antes, nunca havia sido dirigido para ele e que nunca se dirigiria a si.

The way he makes me feel yeah, gotta hold on me
I've never met someone so different
Oh here we go

O seu pai sempre o avisara para nunca fraquejar ou perder controlo de uma situação inesperada, por mais tentadora que fosse. Contudo, ele ignorou as palavras sábias e cedeu, deixou-se enfraquecer, e quando deu por isso, Kuroko Tetsuya fazia parte da sua vida e nada poderia alterar isso. A única coisa que tinha capacidade para fazer era seguir aquele que penetrara as suas barreiras e encantara-lhe um feitiço.

He a part of me now, he a part of me
So where you go I follow

E agora quando se encontravam frente-a-frente nas finais do torneio, a aquecerem-se para um jogo de basquete, não havia qualquer vergonha dos atos que aconteceram na noite anterior entre eles. Mas o ruivo relembrava-se de como ele, de novo, se esquecera que tinha que esquecer o azulado, que tinha que avançar na vida. Ele estava sempre a esquecer-se que devia deixar Kuroko ir para a sua vida. Então sempre caía na tentação e voltava a cometer os mesmos erros. E imperadores não deviam cometer erros e ceder a provocações. Então, constantemente, tentava mandar aqueles desejos desacertados para longe da sua consciência.

Oh oh oh oh
I can't remember to forget you
Oh oh oh oh I keep forgetting I should let you go

Todavia, de cada vez que encarava os olhos azuis pálidos, como jóias índigos insólitas e brilhantes, a única memória que o preenchia era a dos beijos que partilhavam ao luar, naquele quarto de hotel silencioso, solitário, íntimo para os dois. E ele voltava a esquecer-se que não podia ter aquilo que já não lhe pertencia. Esquecia-se de tentar esquecer Kuroko Tetsuya.

Oh oh oh oh I can't remember to forget you
Ooh Can't remember to forget you

-X-

- A-Akashi-kun~~ a-ahn~~!!

Era impossível resistir à tentação que era o ruivo. Então, como um ciclo incansável, voltou a cair na cama ao lado do maior e adormeceu a fixar-se nas orbes hetercromáticas e sedutoras que eram os olhos dele. Era inútil pensar como havia repetido o mesmo erro de ontem, do passado. Desde que o conhecera, distância tornou-se apenas outra palavra porque, independentemente dos quilómetros que os separavam, do tempo em que estavam afastados, como ímanes acabavam de novo colados, noutro desconhecido quarto de hotel, a gastarem as suas vozes em gemidos repetidos que transbordavam em luxúria e culpa.

I go back again
Fall off the train, land in his bed
Repeat yesterday's mistakes

De todas as vezes acordava suado e sozinho, enrolado em cobertores finos e machados de algo que preferia não identificar. E tentava esconder como coxeava dos seus companheiros de time, que sempre o questionavam porque ele parecia estranhamente feliz mas ao mesmo tempo cansado e frustrado.

Não o deviam censurar, ele sabia como o outro não o conseguia esquecer, como não o queria esquecer. Ele sempre amou o Akashi, desde os primeiros momentos em que trocaram olhares. E sabia que os seus sentimentos seriam rejeitados (mesmo que o ruivo correspondesse-os) por causa de heranças e legacias que precisavam ser continuadas. "Cobarde" pensou logo ao ouvir a resposta do outro, de aparência confiante mas por dentro tão, tão fraca. Claro que nunca disse isso mesmo ao outro, não por medo mas sim porque queria certificar-se que não provocava uma briga e destruía uma das futuras "lembranças boas" que havia partilhado com o capitão. Afinal, Akashi era fraco por memórias.

What I'm trying to say is not to forget
You see only the good, selective memory

Mas, no final, ele não tinha razão para falar. Ele corria atrás do ruivo só para puder apreciar aquela sensação agradável que o outro emitia, para puder satisfazer-se no prazer que o outro lhe concedia tanto com um sorriso malicioso ou com um toque íntimo. Sempre se sentia estúpido quando acordava e via que não tinha sido ele que havia deixado mas sim fora deixado sozinho. Chamava de cobarde ao outro mas entendia perfeitamente que se ele fosse o primeiro a acordar não teria coragem de se levantar e deixar o hotel.

The way he makes me feel like, the way he makes me feel
I never seemed to act so stupid
Oh here we go

- Eu vou te mostrar o Basquete da Seirin e derrotar-te, Akashi-kun.

O objetivo sempre foi demonstrar-lhe como a vitória não era tudo, não foi? Sempre foi segui-lo até aos confins do universo para derrotá-lo, superá-lo, com a ajuda dos seus amigos, e mostrar-lhe como a união faz a força, como ele não era absoluto, como ele era um humano como todos os outros, como não precisava de estar sempre a ganhar para merecer tudo o que tinha.

Era nauseante pensar que havia-o perseguido cegamente e arrastado os seus verdadeiros amigos, que estavam agora sempre com ele, a apoiá-lo no que fosse preciso, apenas para concretizar o seu egoísta desejo.

He a part of me now he a part of me
So where he goes I follow follow

"Mas agora eu finalmente ganhei ao Akashi-kun. Tudo vai acabar." outra das mentiras que se contava para se iludir. Ele sabia como se esqueceria de tentar esquecer o ruivo, como ele voltaria a invadir a sua mente e todas as propostas de Kagami de saírem juntos, todos os convites de Kise para irem ao Karaoke sozinhos passarem tempo, todos os desafios de Aomine para jogarem um mano-a-mano como nos bons velhos tempos, todos seriam ignorados e trocados pelo vício humilhante que era ele. Que era Akashi.

E apenas a memória dos lábios do outro a acariciarem os seus num carinho que evoluía para um contacto mais aprofundado e apaixonante faziam-no esquecer de todas invitações dos amigos.

Oh oh oh oh I can't remember to forget you
Oh oh oh oh I keep forgetting I should let you go
But when you look at me, the only memory
Is us kissing in the moonlight
Oh oh oh oh I can't remember to forget you

-X-

- Foi um bom jogo, Akashi! Vamos jogar outra vez!

Era compreensível ter dificuldades em conter a raiva borbulhante que parecia querer rebentar com o seu peito e explodir. Kagami Taiga tinha a ousadia de vir falar com ele depois da derrota humilhante só para demonstrar como ele e o seu Tetsuya o haviam derrotado. Era impossível tolerar aquele sorriso brilhante tão falso e malicioso e como este se dirigia ao menor e o abraçava numa felicidade radiante que o enojava.

Ele não merecia o Tetsuya. O único que o merecia era ele. Ele pertencia-lhe. Ele matava quem quer que fosse para o possuir, roubava o bem mais precioso do mundo, dava todos o dinheiro que fosse necessário, mesmo que isso causasse a sua própria desgraça, apenas para puder ter o azulado com ele. Akashi faria de tudo por aquele rapaz. Mas mesmo assim ele havia escolhido o Kagami.

I rob and I kill to keep him with me
I do anything for that boy
I'd give my last dime to hold him tonight
I do anything for that boy

- A vitória foi tua Tetsuya. Foi um bom jogo. Mas no próximo ano é a Rakuzan que ganhará.

Não sentia o mínimo de excitação, de ânsia, de orgulho em ver o ex-capitão a rebaixar-se e humilhar-se a si mesmo por admitir tais verdades. A pequena vingança não era satisfatória como desejava e o verdadeiro objetivo de iluminar a mente do ruivo não parecia ter resultado.

Como ele faria de tudo para puder estar com o Akashi. Ele cederia todos os seus pertences, trocaria toda a felicidade que tinha agora, desistiria da vitória que acabará de ganhar após infatigáveis esforços tantos seus como da sua equipa. Por mais fraco que fosse manter-se-ia agarrado ao seu egoísmo perturbante e faria de tudo por aquele rapaz de olhos fascinantes.

I rob and I kill to keep him with me
I do anything for that boy
I'd give my last dime to hold him tonight
I do anything for that boy

"Temos que parar com isto Akashi-kun" foi o que pronunciou quando ficou a sós com o ruivo depois de vestir e receber o troféu da vitória e antes de puder ir celebrar com os seus colegas a grande ocasião.

- Eu não sei do que estás a falar, Tetsuya, eu—

- Por favor não persistas. — olhou para ele com olhos confiantes. A cobardia deixada de lado pela primeira vez. — Esquece-me tal como eu te vou esquecer. Não podemos continuar com uma relação platónica como esta.

- Eu não posso fazer isso Tetsuya. — cruzaram os brilhos determinados e encararam-se sem hesitações. — Eu amo-te. Eu preciso de ti.

- ....Deixa de me amar, então. — não pôde evitar morder o lábio e apertar a manga do casaco. Nunca havia pensado ver Akashi, de todas as pessoas, a admitir os seus sentimentos desta forma. — "Um amor infeliz é um amor que deixou de merecer existir." Foram as palavras que aconselhas-te sempre ao Kise-kun quando ele acabava com uma namorado de quem realmente gostava. Faz isso. Esquece-me. Eu também vou fazer isso. — e um sorriso leve foi libertado no ar, como um suplico para surgiu um alívio na tensão presente no ar. Akashi virou-se de costas para Kuroko e soltou um suspiro exausto.

- Eu faço isso então.

Mas os dois sabiam como isso seria mentira. Como a necessidade da existência do outro na vida deles, como as memórias que permaneciam nas suas mentes eram razões para viver, razões às quais agarravam-se e dependiam mais que qualquer outra coisa. Eles não conseguiam esquecer algo que os mantinha vivos. Então apenas iludiram-se que o amor infeliz deles acabaria.

I can't remember to forget you

Notas finais
Chegou ao fim de meu one-shot e, espero que, satisfeita XDDD
Por favor comente o que achou e favorite se tiver gostado, isso me ajuda muito!!!!!!
Bjs~~ da Mura-chan >3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!