Candy Man - À Bordo Do Amor.

4 Capítulo 4 - Entre drinks, muita água e indecisões


Notas iniciais
Como o prometido, capítulo postado sem demoras! Espero que se divirtam e nos vemos na N/A final, ok?
Enjoy!

Capítulo 3: Entre drinks, muita água e indecisões.

O dia tinha de tudo para começar com o pé direito, não fosse por aquele pequeno ser asqueroso que resolveu dar o ar da graça logo cedo, ainda mais em um quarto onde seis mulheres estavam reunidas, se preparando para mais um glorioso dia perto de apetitosos marinheiros.

- Nessie? Você está acordada?

- Agora estou, anta.

Uma risada quente ecoou pelo quarto 253, o qual assistiu ao leve despertar de uma menina de cabelos cacheados e de uma ruiva para lá de quente. Ambas se levantaram cheias de preguiça, afinal, haviam se deitado muito tarde.

- Que horas são?

A ruiva consultou o relógio ao lado da cama. 10:30. Suspirou profundamente enquanto a acompanhante se espreguiçava, ainda abraçada a seu fiel escudeiro, um urso de pelúcia velho e bege.

- Vamos, temos de nos arrumar e encontrar as meninas. Estou mortinha de fome.

Sem mais demora a pequena se levantou e foi escolher a roupa que usaria no café da manhã, aproveitando para ligar o speaker no último volume. Logo estavam as duas a dançar entre os sapatos jogados pelo chão e a escolher suas roupas. Tão logo as roupas da ruiva estavam separadas, dirigiu-se ao banheiro para tomar seu merecido banho, afinal, o calor ali estava mais do que infernal. Entrou no Box. Ligou o chuveiro. Ou pelo menos foi essa a intenção.

- Nessie, o chuveiro não está normal! A água está muito fria e quase não sai água.

- OI?

A pequena estava balançando sensualmente os quadris no meio do quarto, apenas esperando a amiga sair do banho para entrar.

- O CHUVEIRO. Não funciona! – Victória terminou aparecendo na porta do banheiro.

A pequena sugeriu que fossem ao quarto do lado e sem cerimônias pegaram suas coisas e se juntaram às quatro amigas, esmurrando a porta e fazendo o maior estardalhaço para acordá-las.

- VAMOS LOGO, A GENTE QUER BANHO!

- E CAFÉ, ENTÃO ABRAM A PORTA! VAMOS, ACORDEM LINDINHAS!

Uma morena extremamente alta abriu a porta com a cara mais do que amassada, logo dando passagem às amigas, uma só de toalha e a outra com uma pilha de coisas para o banho. Rosalie, Bella e Alice ainda se espreguiçavam em suas camas.

- Meninas, o chuveiro falhou no nosso quarto, vou tomar um banho rápido com Nessie. TRATEM DE ACORDAR! Não podemos deixar aqueles gostosos sem o que fazer!

A última coisa que Victória ouviu antes de ligar o chuveiro foi a risada das amigas, uma risada que revelava que nenhum daqueles homens ficaria sem o que fazer enquanto o Candy Man as estivesse levando a bordo. Em alguns instantes as meninas começaram a se levantar de suas respectivas camas, ainda cheias de preguiça, ao som da cantoria que Renéesme e Victória faziam no banheiro. Alice foi direto para o guarda-roupas procurar por algo com que pudesse ir tomar o café da manhã, enquanto Rosalie e Bella digitavam freneticamente em seus celulares. Pelo que conhecia das meninas, a morena apostou que ambas estavam mandando mensagens para Esme, que, pelo que Nessie e Victória haviam narrado, não passara a noite no quarto – preocupação e carinho com a diretora da Bdance era a marca registrada das duas. Revirando os olhos, voltou a se concentrar na duríssima tarefa de escolher uma bela roupa, que impressionasse certo loiro. Alice não podia negar a si mesma: dentre todos aqueles homens, o que mais despertou seu interesse e sua atenção foi Jasper, o depravado que ficara com as pernas entrelaçadas às suas na noite anterior. Ela poderia não conhecer o sexo masculino tanto assim, uma vez que se mantinha ainda absolutamente intocada, mas compreendia que quando um homem mexia com uma mulher daquela forma era porque estava interessado. Pelo menos, isso era o que ela esperava. A dúvida era uma constante naquela cabecinha espevitada, porém preferiu deixá-la um pouco de lado para voltar à árdua tarefa que tinha pela frente. Precisava estar, no mínimo, perfeita.

Leah, por sua vez, diferentemente da amiga, mantinha a cabeça mais concentrada nas roupas do que nos homens, porque sabia que se envolver amorosamente estava fora de questão no momento, especialmente pelos traumas que seu ex-noivo lhe causara e também por, pelo visto, ser a única que tinha verdadeira consciência do que aqueles homens estavam atrás. Afinal, relações sérias não poderiam ser estabelecidas com marujos, que tão facilmente como chegaram a elas, zarpariam em uma semana, deixando as que acabassem envolvidas com os corações destroçados – e Leah sabia o quão ruim aquilo poderia ser. Só não podia negar que o coração apertava quando pensava que não poderia chegar a conhecer melhor o italiano que tanto fazia questão de desvendá-la. Era inconsciente tal pensamento, e bem por isso estava a se enraizar em Leah sem nem mesmo pedir permissão.

O que se seguiu a esse momento, onde Alice ficava indecisa com as roupas e com Jasper, Bella e Rosalie, ainda em suas camas, conversavam seriamente sobre algo, Leah já retirava a blusa para começar a se vestir e Victória, já de calcinha e sutiã, ao lado de uma Renéesme só de toalha saiam do banheiro, de banho tomado e extremamente cheirosas, deixando o ambiente com um leve toque de frutas cítricas e verbena, não seria previsto pelas meninas e muito menos pelos meninos.

- Rosalie, será que você poderia me passar a... AH MEU DEUS! SOCORRO! SOCORRO!

Ao grito desesperado de Nessie e seu súbito pulo para cima da cama onde estava Rosalie, todas ficaram alertas. Seguindo o olhar desesperado da menina e movidas pelos seus incessáveis gritos, todas ficaram na mesma situação: morrendo de nojo, medo e aflição. A correria que se iniciou dentro daquele quarto, que não era nem de perto pequeno, mas parecia estar claustrofobicamente apertado com aquelas 6 mulheres gritando e correndo para subir em algo, foi sem procedentes.

- SOCORRO! – gritavam todas juntas, em pleno desespero.

Rosalie, Bella, Renéesme e Alice se encolhiam na cama mais ao fundo do quarto, que era também a mais distante do bicho; Leah, que era a mais próxima, contentou-se em subir em um criado mudo e ficar a gritar mais desesperada do que todas as outras; Victória, por sua vez, pulava e se encolhia em cima de outra cama, onde estava sozinha.

O que se seguiu a essa cena, também, não poderia ser imaginado pelas meninas, nem mesmo em seus sonhos – ou pesadelos. Com um estrondo que as fez pular ainda mais, a porta do quarto se estatelou ao chão, revelando um Jasper com duas armas nada amigáveis já em punho, Jacob com três facas em cada mão e Emmett com sua corpulência e cara de “posso matar um homem a murros”, seguidos por Edward, que tinha em mãos um taco de beisebol, Giuseppe e James, o último segurando uma arma enorme nos ombros, que mais tarde as meninas descobriram ser uma metralhadora. Todos com feições que dariam medo até mesmo nos homens mais corajosos do mundo. Se, antes, com apenas gritos e 6 meninas o quarto já estava claustrofóbico, imagine agora, já que a elas somaram-se 6 homenzarrões com suas armas. O ar, subitamente, faltou dentro daquele recinto.

- O QUE FOI? – perguntou Jasper sendo o primeiro a adentrar o quarto, procurando por toda parte o “perigo iminente”.

- ALI! – gritaram as seis mulheres juntas, ainda a se contorcer de medo.

Todos os olhares novamente se colocaram sobre o ser asqueroso que balançava as anteninhas, tão confuso e assustado quanto os humanos daquele quarto.

- UMA BARATA? TUDO ISSO POR CONTA DE UMA PORRA DE UMA BARATA? – gritou James, perplexo que aquelas mulheres não fossem capazes de lidar com UMA, apenas UMA reles e insignificante barata.

Todos lançaram um olhar furioso para as meninas, que agora sentiam-se envergonhadas, menos Jacob, que acabou caindo no riso.

- Isso me lembra de minhas irmãs lá da tribo. Parece que está no sangue das mulheres temerem o que é mil vezes menor do que elas – e, tão displicente como falou isso, pegou a barata com extrema rapidez, recebendo outra leva de gritos desesperados e contorções em busca do local mais distante o possível do ser e um quase desmaio de Renéesme, que ficou subitamente pálida e morta de nojo. Arremessou-a pela janela do quarto.

- Viram? Ela já se foi, joguei-a no mar.

- VOCÊ NÃO MATOU AQUELA DESGRAÇADA?

- E matá-la porque, Rosalie? Ela lhe fez algum mal? Não! Então vamos seguir nossas vidas normalmente.

Com bufos de irritação do lado dos homens, todos baixaram a guarda e Jasper, que percebeu estar assustando as meninas com as duas armas apontadas, guardou-as de volta em seus respectivos suportes, que trazia atados à cintura.

- Por favor, não façam mais isso! De verdade.

Foi só então, quando Emmett se pronunciou, e quando todos já haviam percebido que não havia mais “perigo”, que os marmanjos finalmente repararam na situação em que flagraram as seis beldades que lhes tiraram o sono e a paz durante aquela noite. Todos os olhares recaíram, inicialmente, sobre Leah, que era a mais próxima. Com o que viram, alguns precisaram pigarrear para tirar o nó que se formou na garganta. Outros precisaram se mover desconfortavelmente pelo volume que se formou em suas calças.

A morena encontrava-se ainda com olhos assustados e extremamente corada pelos olhares que recebia, uma vez que estava, pobrezinha, apenas com o shorts de seu pijama e nada mais. Escondia os seios com as mãos e os braços, portanto, perguntando-se qual seria o melhor momento para cavar um buraco na terra e se enterrar nele.

A próxima vítima foi Victória, que se encontrava sozinha em uma cama, pelo que perceberam, o que deixou certo moço tatuado tentado a acompanhá-la. A ruiva estava apenas com uma calcinha e um soutien, amos pretos e de uma fina renda bem intrincada e bela. Essa, diferentemente da primeira, não corou, apenas foi suficientemente rápida para se cobrir com o lençol e lançar um olhar desafiador aos marujos, como se dissesse “experimentem se aproximar para verem o que acontece”.

Dessa, os olhares se seguiram para a cama onde estavam Alice, Bella, Rosalie e Renéesme, ainda abraçadas e amassadas em um cantinho minúsculo, formando um bolo de pernas, braços, cabelos e pijamas. Os marujos não puderam deixar de notar, porém, que a mais nova de todas encontrava-se apenas de toalha e que essa, no meio do caos, subira perigosamente, revelando muito de suas pernas bem torneadas e queimadas de sol. A pequena ficou escarlate e escondeu o rosto no pescoço da irmã, que lançou um olhar duro aos homens. Jacob foi o único incapaz de desviar os olhos, pensando no que aquela toalha revelaria se tivesse subido apenas mais um pouquinho. Ao mesmo tempo em que desejou descobrir, irritou-se, pois percebeu que havia pares de olhos demais ali e que o único que mereceria ver tal beldade era ele. Só ele. Seria aquilo um indício de ciúme?

Jasper, Emmett e Edward, ainda tensos com os gritos, só relaxaram ao pousarem os olhos em Alice, Rosalie e Isabella, respectivamente, cada qual com um pijama diferente – todos igualmente enlouquecedores. As duas morenas usavam uma espécie de baby-doll de seda, um em rosa e o outro em preto, enquanto a loura vestia uma curta camisola, revelando tanta perna quanto Nessie, o que fez o maior de todos os marujos soltar um longo muxoxo e sentir o volume em suas calças atingir o máximo.

Passado o momento onde ninguém conseguiu se pronunciar e sentindo o desconforto crescente daquela na qual mantinha seus olhos fixos, Giuseppe resolveu se pronunciar.

- OK, nós já vimos que não tem nada aqui para se preocupar, agora podemos ir!

Nenhum músculo se moveu. Giuseppe irritou-se, afinal. Aproximou-se da morena e, retirando sua camisa, estendeu-a a moça, que o olhou mais irritada ainda.

- E você espera que eu pegue essa porra com qual mão?

Não compreendendo o que a moça quis dizer, Giuseppe continuou a lhe oferecer a peça para que se cobrisse. Seu olhar demonstrando a confusão, ao que a morena explicou, rolando os seus.

- Se eu retirar uma das mãos de onde elas estão, será bem pior, não concorda?

Não só concordou como agiu. O sedutor italiano deu um sorrisinho e murmurou um ‘com licença’ ao retirar a moça de cima do criado mudo, sob seus enérgicos protestos, para logo em seguida cobri-la com sua camisa. Leah murmurou um contrariado “obrigada” e se agarrou naquela peça como se sua vida dependesse daquilo. Nunca havia passado tanta vergonha junta, ainda tão cedo. O sub-comandante se permitiu ficar parado um segundo, apenas gravando na memória como fora tocar toda a pele das costas de Leah, e a sensação que aquilo lhe causara.

- Ô bando de sem ter o que fazer, será que dava para nos darem licença ou está muito difícil? – resmungou Victória, ainda encoberta pelos lençóis.

Com o intimato direto, ainda que muito a contragosto, os marujos começaram a deixar lentamente o quarto, não sem antes perceber que além de belas, esculturais e na moda, elas ainda eram extremamente cheirosas. Deixar o quarto, afinal, fora mais tenso do que adentrá-lo. Quando ouviram os primeiros gritos de socorro, todos e cada um ali sentiram o coração apertar como nunca antes – já haviam passado por inúmeras situações como aquela, algumas até muito piores, onde nem mesmo o grito de socorro precedeu a batalha, mas o simples fato de imaginá-las feridas ou em perigo gelou o fundo da alma e alcançou, pela primeira vez, o coração de cada um, em cheio. Se algo acontecesse àquelas moças, se culpariam para sempre.

Tão logo deixaram o quarto, que agora jazia sem porta, rumaram cada um para suas cabines, soltando muxoxos, resmungos e gemidos. As imagens que captaram dificilmente seriam esquecidas durante o dia – o que só serviria para reacender ainda mais o desejo que já havia tomado conta de seus corpos e mentes. Emmett, como sempre o primeiro a se pronunciar, se admitiu soltar apenas um “cara”, passando as mãos pelos cabelos, ao que todos os outros concordaram. Realmente, elas eram mais, bem mais do que eles imaginavam.

No quarto que ainda remanescia no caos de sapatos, roupas e, agora, uma porta caída, ninguém ainda havia se mexido, ou feito coisa alguma. As seis meninas mais pareciam estátuas, cada qual perdida em seus próprios pensamentos. Dali, porém, nenhuma se sentia tão abalada e perdida quanto Renéesme que, ainda embora muito nova, presenciara o que poderia causar em um homem – e, em especial, o que causou em Jacob, que não desviou o olhar dela por um segundo sequer, algo que a incomodou e ao mesmo tempo a fez se sentir vitoriosa, desejada. Um leve sorriso começou a brotar em seus lábios, inocentemente, sem permissão. Isso, óbvio, não passou despercebido pela irmã, que ainda se segurava na pequena.

- Feliz com os olhares que atraiu e com as ereções que causou, Nessie?

Com o comentário tão desbocado de Bella, que era sempre tão certinha e doce, as meninas arregalaram os olhos e caíram na risada, finalmente acordando do transe e começando um falatório ensurdecedor, cada qual tentando narrar um olhar em especial que receberam, ou uma piscadela marota, ou algo mais que causaram. A única que permaneceu quieta em seu canto foi Leah, que não conseguia abrir a boca por estar intoxicada até a alma com o cheiro que a blusa de Giuseppe desprendia. Era um tom amadeirado, sensual, convidativo, algo que ela jamais havia percebido em um homem – nem mesmo em seu noivo. Aquele cheiro e a sensação que ele causava, subitamente, pareciam a coisa certa para o coração de Leah, que já batia frenético – porém não para sua mente sempre preocupada com a dor de mais uma separação. Percebendo a quietude em que se encontrava a moça da pele morena, Victória se aproximou e deu-lhe um apertado abraço, passando conforto e segurança, percebendo que a menina precisava daquilo. Tão logo se sentiu envolta naquele aperto, Leah correspondeu. Não trocaram uma palavra, mas o silêncio revelou coisas que palavras jamais poderiam expressar. Victória pode sentir o coração acelerado de Leah e soube, naquele momento, que precisaria ter uma conversa séria com certo italiano.

- Tudo foi muito lindo, muito engraçado, mas eu estou morta de fome e quero tomar café logo. ENTÃO VAMOS COM ISSO!

Todas voltaram a se arrumar, não sem antes se juntarem para encostar a porta no lugar, apenas para que quem passasse no corredor não pudesse ver o que se passava ali dentro. Dessa vez correram mais com o ritual de embelezamento e em apenas 20 minutos estavam todas prontas. Unindo-se mais uma vez para retirar a porta do quarto e ganhar o corredor, Alice se lembrou de fazer uma nota mental, para pedir que algum deles concertasse aquela coisa.

Não demoraram a encontrar os meninos, que as aguardavam em uma das dobras do corredor mais perto da sala de jantar, onde poderiam ter o esperado desjejum. Assim como na noite anterior, o falatório foi constante, assim como as provocações e as risadas, tendo o café passado sem grandes novidades. Seu término, porém, foi especialmente bom para Bella que, ao tentar pegar a jarra de suco, acabou por derrubá-la em cima da blusa de Edward, que apenas lhe sorriu, como se nada houvesse acontecido, e retirou a camisa, jogando-a no chão. Isabella disse que poderia lavá-la, se ele quisesse, e que sentia muito, ao que recebeu um belo sorriso e um olhar extremamente forte, dizendo que ele “só a deixaria lavar a blusa se ele pudesse observá-la enquanto o fizesse”. A morena, sendo a mais tímida do grupo, obviamente corou, mas ficou a pensar durante todo o restante do café se aquela não seria, de fato, uma excelente idéia para se aproximar daquele que mais lhe havia capturado os olhares.

- Bom dia, amores da minha vida!

Quem adentrou o recinto, sendo seguida pelo galante capitão do navio, fora Esme, que esbanjava um sorriso aberto e quente. As 6 dançarinas se entreolharam marotas e logo a seção interrogatório começou, para deleite e diversão dos 7 rapazes – incluído o capitão.

- Muito bom dia, dona Esme, até bom demais para quem não passou a noite no quarto onde deveria ter passado, não é mesmo? – questionou Alice, ao que a mulher sequer se abalou.

Tomando seu lugar à mesa e rindo das acusações que recebia, passou a rebater sábia e calmamente a cada pergunta que vinha, sem desprender a atenção das torradas que comia.

- E porque não voltou ao quarto?

- Carlisle e Eu tínhamos algumas coisas a fechar sobre nossa estada aqui, por isso passamos a noite em seu gabinete.

- E era tanta coisa assim que nem para dormir você retornou?

- E vocês realmente acreditaram que o galante Sr. Carlisle não iria me convidar a bebericar um bom vinho? Ah, façam-me o favor, meninas! Nós discutimos o que deveria ser discutido e logo depois ficamos a nos divertir. Ou só as Srtas. podem fazer isso?

- E onde você ficou, afinal? Acabou dormindo por lá mesmo?

- Não. Diferentemente de vocês, que terão que compartilhar um quarto, eu ganhei meu próprio aposento, até porque sou a dona dessa companhia e mereço certas regalias.

A discussão continuou, mas nenhuma ali fora páreo para a verdade que os olhos de Esme emanavam ou para a simplicidade com que dava as respostas, como se tudo realmente fosse verdade. Ao final, todas as 6 desistiram, sob os risos dos 7 marujos.

- Acabaram a discussão, ragazzas? Será que agora poderiam nos acompanhar até a piscina? Um longo dia de sol nos aguarda.

Giuseppe dirigiu-se a todas, porém deixou para mirar Leah ao final, a qual, finalmente, sustentou seu olhar e lhe deu um curto sorriso. Aquilo, afinal, era um bom passo, pensou o sub-comandante. Todas se levantaram e acompanharam os homens, que seguiram na frente. Ao chegarem ao local, as expressões do choque e alegria não poderiam ser maiores, para orgulho dos que as miravam tão interessadamente.

- Isso é para nós? – perguntou Rosalie, já tomando as saídas de praias, biquínis, chinelos, chapéus e cremes em mãos, olhando-os maravilhada. Tudo ali era, para sua surpresa, caríssimo e de marcas famosas. Gucci, Prada, Channel, Dolce&Gabanna e por aí vai, para o delírio das meninas.

- Sim. Pedimos que nosso navio fosse abastecido apenas com o melhor, para as melhores – disse Emmett, sorrindo abertamente por ver a loucura em que estavam as mulheres, a mostrarem as coisas umas para as outras dando gritinhos histéricos. Até mesmo Esme, que já era mulher feita, acabou por entrar na onda de euforia. Não era todo dia que estavam à bordo do famoso Candy Man sendo bajuladas dessa forma por seus marujos.

- Podem ir se trocar, nós as esperaremos.

Quinze minutos foi o que demorou para que sete divindades voltassem a surgir naquele recinto, uma mais linda do que a outra, todas a vestir somente biquínis minúsculos e alguns acessórios, o que só realçava sua beleza. Emmett e Jasper, que já se encontravam dentro do bar da piscina, preparando alguns drinks para todos, deram um soco discreto um no outro, felizes com a visão que tinham. Edward, que estava preguiçosamente deitado em uma cadeira de praia, se levantou para admirá-las, assim como James, Jacob e Carlisle, que sentaram-se na borda da piscina. Giuseppe foi o único que não ficou a encarar demais, contentou-se em dar um longo mergulho na piscina para colocar a cabeça no lugar – se não o fizesse, acabaria por agarrar certa morena sem cerimônia alguma.

A diversão e as provocações estavam apenas por começar. Assim que se instalaram em algumas mesas, as meninas logo foram para a piscina. Somente Esme, Leah e Renéesme ficaram a tomar sol em cadeiras emparelhadas, a papear baixinho sobre algo que fazia a pequena menina sempre dar risadinhas. As que mergulharam logo se viram entretidas pelas guerras d´água entre James e Jacob ou pela interessante conversa do capitão, que lhes contava mais sobre os tripulantes. Alice e Rosalie, porém, não se contentaram até estarem a bebericar os drinks de Emmett e Jasper com os dois, lá no bar, onde finalmente sossegaram.

Alguns minutos de conversa e diversão depois, todos resolveram realizar uma épica partida de volley, meninos contra meninas, algo que tirou risinhos sarcásticos e já vitoriosos dos 7 homens que foram buscar a rede e a bola – seria fácil demais ganhar de 7 dondocas tão frágeis e femininas. Eles só não contavam que elas tivessem seus próprios meios de ganhar esses tipos de partidas. Tão logo o jogo começou, com um saque de Leah, as meninas pontuaram. A morena jogou a bola sabiamente bem na direção de Giuseppe, que a olhava aparvalhado. Antes de sacar a morena fez questão de olhar bem fundo naqueles olhos e molhar mais os longos cabelos negros, deixando-os cair para trás e revelando um pequeno biquíni de cor verde que mal lhe cobria os fartos seios. Pronto. A confusão estava armada. Todos começaram a caçoar de Giuseppe, que murmurou um “vai ter volta” para Leah. A morena deu um pequeno sorriso, marota, provando ao homem que de anjinho ela não tinha nada. Quando foi dar o posto do saque para Rosalie, porém, foi interrompida sob protestos – segundo as regras que os meninos haviam ditado antes do jogo, quem sacou deve continuar sacando até que o outro time fizesse ponto. A tática não funcionou novamente, para desespero feminino. Giuseppe, já ligado na tática nada inocente, recepcionou bem a bola, passando-a para Jasper, que levantou para Emmett dar uma cortada que simplesmente não poderia ser pega.

- OW, mais calma aí, grandalhão, nós não somos de ferro e não conseguiríamos pegar uma bola dessas.

- Vocês é quem começaram!

O jogo seguiu-se sem muita surpresa, a não ser pelos poucos pontos que as meninas conseguiram marcar, sempre seguindo a mesma tática. O primeiro set se encerrou em 25 a 11. Uma verdadeira lavada, a qual não agradou às mulheres. Percebendo que a irritação começava a ficar verdadeira, optaram para deixar o segundo set para mais tarde – e perceberam que, da próxima vez, teria que ser time misturado, ou nunca haveria chance do outro time ganhar.

Ainda na onda dos jogos, resolveram organizar um campeonato de briga de galo, sugerido pela ala feminina da piscina, algo que foi instantaneamente aceito pelos homens, porque poderiam finalmente tocá-las de verdade. As duplas formaram-se rapidamente, sendo que todas, sem exceção, acabaram por gerar momentos de ciúme, uma vez que ninguém conseguiu ficar com seus respectivos musos ou musas. As duplas ficaram as seguintes: Alice e Emmett, Victória e Giuseppe, Rosalie e Edward, Bella e Jasper, Esme e Jacob, Renéesme e Carlisle e Leah e James. Os homens, no entanto, não perderam a chance de melhorar ainda mais as coisas. Sugeriram que, conforme a classificação final, cada dupla deveria tomar certa quantidade de shots de uma autentica tequila mexicana que levavam à bordo. Após algumas negativas e discussões acabaram conseguindo fazer as meninas toparem, sob a condição de que, caso Renéesme ficasse numa colocação muito ruim, e que devesse tomar muitos shots, ela poderia recusar até a metade – algo que a menina discordou, mas acabou acatando, porque eram 6 contra uma e não haveria como ganhar.

E lá se foi a primeira dupla a disputar. O prêmio? Escolher todo o menu do jantar e poder ficar sem ter de se embebedar. Os primeiros a “batalharem” foram a dupla Leah e James contra Alice e Emmett. Após muita briga e muito empurra empurra, com torcidas alucinadas na beira da piscina, Leah conseguiu derrubar Alice dos ombros de um insatisfeito Emmett. Competitivo como era, detestou ver-se perdendo assim, logo de cara. Alice se desculpou, o que fez o menino amolecer e esquecer tudo, afinal sabia que poucas eram as chances com ela – a garota era verdadeiramente pequena, tinha proporções mais próximas de uma fada do que de um ser humano – porém mesmo assim quis fazer dupla com a garota, pois sentia uma amizade forte por essa. Enquanto Leah e James ainda comemoravam, as próximas duplas iniciaram a batalha. Rosalie e Edward contra Esme e Jacob. A luta demorou tanto quanto a anterior e teve por vencedor a dupla Esme e Jacob.

Assim se seguiu até que a batalha final, entre Victória e Giuseppe e Renéesme e um feliz Carlisle, se iniciasse. As melhores amigas batalharam com unhas e dentes em cima dos ombros dos moços, que mal conseguiam se manter em pé, rindo com vontade. Até mesmo puxões de cabelos rolaram na final – tudo para poderem ficar sem beber, apenas rindo da cara dos perdedores que deveriam se afogar na tequila. Quase 10 minutos de briga acabaram sendo definidas por uma finta muito bem colocada de Victória, que forçou Renéesme para um lado e acabou jogando-a para o outro, fazendo a menina finalmente tombar na água, sob muitos gritos e aplausos. Emmett passou 10 pratas para Jasper, que havia ganho a aposta de quem das duas ganharia. Victória e Giuseppe comemoraram felizes, afinal, poderiam escolher o cardápio. Lembrando-se do que havia pensado no quarto, quando abraçara Leah, Victória não perdeu tempo. Assim que abraçou Giuseppe murmurou-lhe ao ouvido:

- Fico feliz que tenhamos ganhado, eu realmente preciso de um tempo a sós com você. Precisamos conversar sobre algo que sei que lhe interessa e atende pelo nome Leah Clearwater.

O olhar pasmo de Giuseppe fez Vicky se alegrar. A conversa certamente seria produtiva. A única ali que não pareceu nada satisfeita com a alegria da dupla foi Leah, que até mesmo virou o rosto para outro lado, temendo o que poderia vir depois. Tão logo saíram de seu momento de comemoração, onde ficaram jogando na cara de todos o quão ‘fodões’ eram, lembraram-se dos castigos e, segundo o quadro geral, Rosalie e Alice estavam em uma enrascada. A morena, que acabara em último lugar ao lado de um Emmett que parecia ansioso para começar a beber, não demonstrava felicidade como seu parceiro, que provavelmente estaria acostumado com a bebedeira – enquanto ela era uma verdadeira iniciante. À dupla caberiam 7 shots. Rosalie e Edward deveriam ingerir 6 shots – coisa que, para a loira, era muito. Apenas três shots a fariam ficar bêbada. 6 fariam um estrago em seu organismo. Esme e Jacob, 5 – algo que preocupou a mulher, afinal, seu parceiro era apenas um menino de 17 anos, que nem mesmo idade tinha para beber, embora se mostrasse indiferente, algo que revelava que aquilo, provavelmente, não era novo para ele. Leah e James, 4 – para desagrado do moço, que poderia beber a garrafa inteira sem ficar bêbado. Bella e Jasper, 3 shots. Renéesme e Carlisle apenas 2 shots – que, após muita discussão, as meninas aceitaram que ela pudesse tomar os 2, para a alegria da pequena e os risos dos 7 marujos. Victória e Giuseppe não precisariam tomar nada, mas, alegando que queriam dar apoio aos menos favorecidos, disseram que tomariam alguns, quando desejassem. E lá se foram todos para o bar, enquanto Emmett e Jasper, mais uma vez, assumiam o posto de barmans e começavam a descer doses atrás de doses. Emmett, enquanto colocava uma para alguém, já colocava uma para si próprio – ele tinha 7 para beber, afinal. Só o que omitiram das mulheres era que aquela era uma das mais fortes tequilas de que se tinha notícia.

Tudo começou calmo, até que o álcool começou a subir e todos ficaram um pouco mais “soltos” – leia-se, as mulheres ficaram extremamente afetadas e os homens nem tanto, mas fingiam estar tanto quanto elas para poderem aproveitar o momento. E, como se sabe, o álcool libera os anseios mais profundos da alma, o que levou cada pessoa dali a interagir com os que lhe chamavam a atenção. Ao cabo de meia hora Carlisle e Esme conversavam sensualmente e perto demais um do outro ao fundo do bar, com direito a risinhos cúmplices e toques sutis nos braços e pernas; Edward e Bella conversavam animadamente sobre pinturas do lado de fora da piscina, sentados na mesma cadeira de praia, se tocando de vez em quando, fosse proposital ou não; Giuseppe e Leah brincavam de quem ri primeiro, sendo que a moça mostrava-se muito mais alegre e confiante na presença do italiano, o qual vez ou outra dava um jeito de abraçá-la ou colocar seus cabelos atrás das pequeninas orelhas. Jasper, Emmett, Rosalie e Alice dançavam animadamente dentro da piscina, ao som do rádio portátil que Emmett fora buscar. Aproveitando a batida e os dons naturais para dança que os casais tinham, arranjavam desculpas para toda hora encontrarem-se nos braços uns dos outros, agarradinhos, testando os limites de seu controle. Nessie e Jacob encontravam-se sentados na borda e o menino contava à pequena sobre sua vida na tribo e suas aventuras à bordo do Candy, o que arrancava suspiros e exclamações de surpresa da menina, algo que o fazia irradiar por dentro. O casalzinho ainda conversou animadamente sobre comida – descobriram que as afinidades eram grandes, afinal, eram dois comilões de carteirinha. Dentre todos os casais ali, porém, nenhum era tão ousado ou descarado como James e Victória que, encontrando como desculpa uma brincadeira de “dar caldos” um no outro, agarravam-se livremente, travando batalhas entre braços, pernas, cinturas e mãos. Victória, mais de uma vez, sentiu James roçar a boca em seu pescoço, algo que acordou um velho monstrinho tarado dentro da ruiva que James via ser tão ardente.

Ficaram assim, sem fazer nada, apenas interagindo durante toda a tarde, e acabaram por almoçar à beira da piscina mesmo, sob muitos risos ocasionados pelo estado em que se encontravam Alice e Rosalie – as garotas mal conseguiam comer, e mais de uma vez tiveram de aceitar a ajuda de Emmett e Jasper, que se deliciaram em poder dar-lhes comida na boca. O pôr do sol já se aproximava e, enquanto alguns ainda demonstravam pique para ficar na piscina até que a lua começasse a brilhar, certa pequena já não agüentava mais ficar à beira da piscina. Agüentou, no entanto, o máximo que pode, só para poder continuar a se divertir e a ter a atenção de Jacob só para si. O belo rapaz estava agora a brincar com seus cabelos, enquanto ela encontrava-se deitada com a cabeça em seu colo. Os dois shots que havia tomado apenas serviram para deixá-la meio tonta, nada mais do que isso, então creditava essa aproximação à sua livre e espontânea vontade, sabendo muito bem onde estava se metendo. De todas ali, a que mais parecia determinada e disposta a aproveitar aquela semana nos braços de quem a havia despertado tanto interesse era justamente a mais nova. E foi pensando no quanto sempre fora determinada e corajosa que ela conseguiu se livrar da piscina e garantir a companhia de Jacob.

- Jake, eu realmente gostaria de tomar um banho. Acho que já vou indo – a menina disse, olhando-o bem no fundo dos olhos e notando que os do moço ficaram tristes e surpresos. Sorriu internamente com isso e logo emendou – Só tem um probleminha, algo que só você pode resolver.

- E o que é? – respondeu de pronto, feliz em saber que ela só desejava sua ajuda.

- Hoje mais cedo, quando fui tomar banho, o chuveiro do quarto onde estou com Vicky não quis esquentar e o jato não foi forte como o de ontem. Acho que alguma coisa aconteceu. Será que você poderia dar uma olhada? Se não for incômodo, claro, porque qualquer coisa eu tomo banho no quarto que vocês arrombaram a porta.

Ante a perspectiva de tê-la tomando banho, sozinha, com a porta aberta e passível de qualquer um poder entrar no quarto e vê-la, Jacob rapidamente se levantou, trazendo-a pelo braço consigo, afirmando energicamente que não seria problema algum. Ambos saíram sem serem notados – o restante dos casais estava entretido demais para reparar que eles haviam ido para o quarto, sozinhos. A alegria da pequena garota não poderia ser maior.

Outra que já demonstrava não agüentar mais aquele ambiente, em especial pelo barulho do rádio, era Leah. As 4 doses que tomara fizeram um estrago em sua cabeça, que já latejava de dor. A moça tentava manter-se concentrada no papo de Giu, mas a dor estava insuportável e vez ou outra acabava por deixar certas caretas transparecerem, o que preocupou o charmoso italiano.

- O que tens, mia bambina?

- Não é nada, não precisa se preocupar, Giuseppe.

- Eu insisto. Algo está te incomodando?

- Na verdade, sim. Estou com uma dor de cabeça muito forte.

A morena não careceu dizer mais nada. De pronto o moço correu para dentro do navio, rumando direto para sua cabine. Lá mantinha um kit de remédios, onde tinha alguns analgésicos para a dor de Leah. Antes de sair do quarto, porém, se olhou no espelho do banheiro e, olhando no fundo de seus próprios olhos, refletiu sobre o quão espetacular e misteriosa era aquela mulher de ar triste e o quanto poderia se divertir em sua presença – a espontaneidade da moça, além de seu jeito simples, deixavam-no em um estado de espírito difícil de descrever. Estaria conseguindo fazê-la baixar a guarda? Prometeu a si mesmo que faria de tudo para tê-la e que descobriria o que a tornara assim, tão distante.

De volta à piscina entregou o remédio à sua protegida, que o tomou. Aproveitou a deixa e ficou a fazer massagem na têmpora da morena, sem receber protestos, para seu alívio. Não poderia dar passos em falso, pois sabia que ao mínimo erro Leah voltaria a ficar fria e tristonha. Mal sabia Giuseppe que a moça não estava agindo daquela forma por conta da bebida e sim porque sua alma, há tanto cansada e envelhecida pela história de amor mal resolvida que havia vivido, voltava a se aquecer gostosamente – ainda que sem permissão.

Na parte onde a dança ainda rolava solta, Emmett segurava Rosalie em seu colo, dando gostosas gargalhadas quando fazia a loira “se afogar” dentro d’água, o que a irritava e a fazia se debater em seu colo, intensificando o contato dos corpos. O rapaz não podia deixar de pensar que nunca vira cabelos tão reluzentes e belos, ou então cabelos que combinassem tanto com uma boca tão carnuda e um par de olhos tão intensos e brilhantes. Rosalie, por sua vez, que se encontrava para lá de bêbada, aproveitava o apoio daquele enorme homem para passear as mãos inocentemente por todo seu tórax e braços, sob o pretexto de estar “se segurando”. Desde o momento em que havia colocado os pés naquele navio, soube que aquele grandalhão teria de ser seu e de nenhuma outra. Ele era o típico perfil que Rosalie tanto gostava, embora nem mesmo soubesse que tinha esse “perfil” tão definido na cabeça. Moreno, extremamente alto, corpulento e de um bom humor ímpar, algo que chegava a colocar em dúvida todo aquele tamanho – o homem mais parecia um menininho quando ria e mostrava aquelas lindas covinhas do que um verdadeiro guerreiro, que seria capaz de matar uma pessoa com alguns poucos socos. A loira via-se cada vez mais envolvida naquele abraço e pensava de segundo em segundo se seria assim tão errado roubar um beijo, uma vez que via seu desejo refletido no olhar do moreno.

Se Rosalie estava para lá de bêbada, Alice, que nunca fora acostumada nem mesmo a bebericar alguns drinks, estava acabada, mal conseguia ficar de pé e Jasper, seu companheiro de bebedeira – o loiro ignorou o fato de teria que tomar apenas 3 shots e acompanhou a moreninha nos 7 -, usava isso a seu favor, para mantê-la firmemente segura entre seus braços. E, ao contrário do que estava acostumado a pensar quando segurava uma mulher daquela forma, estava surpreso que aquela, embora despertasse como nunca seu interesse sexual, entretia-o apenas com suas risadas incontidas, com sua pequinês notável e com suas dancinhas tão toscas. Jasper queria possuí-la loucamente, mas acima disso acabou por descobrir, enquanto a mantinha de pé, que poderia passar uma noite inteira apenas a observá-la, ou a dormir abraçado com a pequena. Aquilo, de certa forma, o assustava, mas também o fazia conhecer uma parte de si que achava não existir – uma parte que desejava algo a mais do que sexo e noites de descaso, algo que desejava Alice e seriedade, comprometimento. Risos saiam de sua boca, descrentes com aquela descoberta e, ao mesmo tempo, fazendo-o se sentir estranhamente confortável.

James e Victória já estavam do lado de fora da piscina, cansados de sua brincadeirinha, e agora conversavam da mesma forma que Carlisle e Esme. Bella e Edward, nesse ponto, já estavam deitados na cadeira, brincando de não piscar.

Dentro do navio, mais especificamente no quarto onde Jacob e Nessie estavam, a confusão rolava solta. Na tentativa de consertar o chuveiro, Jacob, distraído por uma das piadinhas de Nessie, que o olhava atentamente, decorando cada parte daquele corpo, acabou por escorregar da cadeira onde estava e, tendo somente o chuveiro nas mãos, acabou por se segurar nele. O pobre coitado, obviamente, não agüentou os cento e poucos quilos do rapaz, que deu com a bunda no chão e de quebra levou o chuveiro consigo. Nessie, após um ataque de risos, aproximou-se de Jacob, que a fitava fingindo mau humor, mas que no fundo desejava tanto quanto a menina poder dar mais gargalhadas da situação um tanto ridícula pela qual passara. Quando a pequena se abaixou para ajudá-lo a levantar, calculou mal a distância, porque o grandalhão se levantou e seus corpos ficaram extremamente colados. A aproximação repentina não fez bem a ambos, que agora achavam que seria impossível um afastamento – muito pelo contrário, desejavam colar ainda mais os corpos. Os olhos de um estavam cravados nos do outro, tornando o momento intenso demais para ser esquecido ou ignorado. Pela cabeça de Nessie não passava nada a não ser gritos desesperados de “me beije”. Já pela de Jacob milhares eram os pensamentos, que rodavam sobre a idade da menina, o quanto queria descobrir qual o sabor daqueles lábios tão vermelhos e bem delineados, a ira que despertaria na super-protetora irmã mais velha e a confusão que causaria caso a menina não desejasse o mesmo e acabasse por agarrá-la ali, sem testemunhas para afirmar a atração que estava a acontecer.

- Renéesme – sua voz não passou de um sussurro – é melhor se afastar.

Quando colocou a mão na cintura da menina, com a intenção de fazer o que havia pedido, arrependeu-se. A pequena se arrepiou inteira e deu um leve tremor em seus braços, o que o fez perder de vez a noção. Não queria mais saber se era errado ou imoral, só queria tomá-la para si de vez.

- Jake.

Essa foi a última coisa que Nessie conseguiu murmurar até ter seu momento mais do que perfeito interrompido por passos no corredor. Em menos de um segundo Jacob estava de novo em cima da cadeira, tentando consertar o chuveiro que jazia em suas mãos, as faces tão rubras quanto as da menina. Essa, por sua vez, ficou imóvel e colada à pia, onde se apoiou, pois não confiou em suas pernas bambas e que não paravam de tremer. Uma rebelião formada em seu estômago. Após algum tempo ouviram a porta do quarto abrir-se e por ela entrar Leah e Giuseppe, que ficaram desconfortáveis em saber que o casal estava sozinho dentro do quarto, desde sabe-se quando. Incorporando instantaneamente a irmã mais velha e protetora, Leah olhou desconfiada para Nessie e disse que depois teria uma conversinha com ela. Nessie revirou os olhos.

- Não tem porquê haver conversinha, Lee. O Jacob só veio arrumar o chuveiro do nosso quarto, que está em estado deplorável, só isso. Não aconteceu nada para você se preocupar aqui. E nada para contar para minha irmã.

Leah avaliou por um momento e acabou decidindo deixar para lá, prometendo por meio de um olhar que aquilo ficaria entre as duas, o que fez Nessie sorrir e piscar para Jacob quando a morena não estava olhando. Pelo visto, Giuseppe também havia sido tirado da piscina para consertar a porta do quarto ao lado.

- Acho que estamos abusando de vocês, não é?

Jacob apenas sorriu para a menina. O momento que viveram há poucos minutos ainda vivo em sua cabeça e ainda fazendo o interior de seu corpo revirar enlouquecido, gritando e implorando por mais. Não tiveram tempo, porém, de continuar a conversar ou de prolongar as provocações, porque logo Victória adentrou o quarto e se juntou ao casalzinho, apressando Jacob, já que queria tomar banho de uma vez por todas e ir logo resolver o menu do jantar com Giuseppe. O menino conseguiu finalmente concentrar-se na tarefa e não mais se distrair com a presença de Nessie.

Meia hora depois...

Todos já haviam abandonado a piscina e estavam em seus quartos, fosse tomando banho ou então tirando um merecido cochilo depois de tanta bebedeira. O jantar seria servido somente às oito e meia e ainda eram seis da tarde, o que daria tempo de sobra para fazer tudo o que precisassem fazer. Rosalie e Alice, ainda embriagadas, foram levadas por Emmett e Jasper para o quarto e deixadas carinhosamente em suas camas, prontas para tirarem o tal cochilo. Jasper, num ímpeto de cavalheirismo, ainda cobriu a já adormecida Alice e depositou-lhe um beijo na testa. Mais tarde, enquanto tomava banho, pensou se aquilo estava realmente fazendo bem para si, se aquele envolvimento todo seria benéfico e, sendo o cabeça dura que era, chegou à conclusão de que precisaria voltar a ser o velho Jasper, e rápido. A cabeça debaixo deveria voltar a ditar mais suas ações do que seu coração, e foi assim, com essa decisão, que traçou um plano na mente. Um plano que sabia ser arriscado, mas que poderia, afinal, dar certo. Ou tiraria de vez a moreninha espevitada da cabeça, ou acabaria enlouquecido de vez.

O chuveiro fora concertado, assim como a porta, e, de todas as meninas, Victória foi a mais rápida. Tomou um curto banho, passou o creme no corpo, o perfume, vestiu seu elegante vestido preto frente-única com delicadas florzinhas de ouro logo abaixo do busto, onde o vestido começava a afrouxar, seus saltos dourados, os brincos, bracelete e anéis no mesmo tom do sapato e voilá. Deixou o quarto para uma aflita Nessie se arrumar. A pequena estava mais nervosa do que o normal e Vicky nem se deu ao trabalho de perguntar o porquê. Sabia perfeitamente que ela passara um bom tempo no quarto com Jacob, que viera “concertar o chuveiro”, e tinha certeza que alguma coisa deveria ter acontecido para a menina ficar naquele estado. Decidiu deixar isso para a madrugada, onde repassariam os fatos do dia, como sempre. No momento precisava descobrir onde os meninos estavam instalados, porque precisava conversar com Giuseppe.

A ruiva vagou pelos corredores sem saber para onde ir, passando por várias cabines. Nenhum deles havia mostrado o quarto a elas ainda e Vicky sorriu internamente ao pensar que adoraria ser a primeira a descobrir, ainda mais se fosse o de James. Andou por mais cinco minutos e se deu conta de que aquilo estava sendo extremamente improdutivo. Resolveu rumar para a beira da piscina e torceu para que o sub-capitão lá estivesse. Quando chegou, não era ele, e sim o capitão, Carlisle.

- Olá, Capitão!

- Boa noite, Srta. Victória. Posso lhe ajudar em alguma coisa?

- Na verdade, sim, pode. O Sr. poderia me dizer para que lado fica o quarto onde o Giuseppe está? Nós precisamos definir o menu logo, antes que fique tarde demais.

Carlisle deu coordenadas básicas que Victória tentou gravar rapidamente. Não era muito boa com localização, mas daria um jeito. Seguiu o que o homem falou e, quando chegou à porta de um quarto, bateu sem demora. Quem lhe atendeu foi Giuseppe, que logo a convidou a adentrar o recinto, que dividia com Edward e James. Ao ouvir que James estava no banho ainda, enquanto Edward tirava uma soneca espaçosamente jogado em uma cama mais ao fundo, o coração de Victória disparou. Ela podia ouvir o som da água batendo contra o corpo do moço e ficou a divagar alguns segundos sobre como seria observar aquilo. A perfeição, no mínimo.

- E acho também que deveríamos ter algum tipo de risoto, ou um molho para acompanhar, além de... Hey, Vicky, você está me ouvindo?

A ruiva voltou a focar no italiano que se impacientava a sua frente pelo momento de devaneio, onde ele já havia quase terminado de descrever suas idéias.

- Perdão, GiuGiu, acabei me perdendo um pouco. Você pode repetir?

O homem repetiu o que tinha pensado para o jantar e a linha que ele seguiu, para a surpresa de Victória, era parecida com a dela.

- Certo, eu concordo plenamente que mereçamos comer deliciosas lagostas, junto com uns camarões bem grandes e algum outro tipo de peixe, que pode tanto ser o salmão, como você sugeriu, ou filés de St. Peter, que são bem leves. Para acompanhar, ao invés de risoto ou molho, que faria o prato ficar pesado, pensei em alguns aspargos grelhados junto com vegetais, como brócolis, cenoura e batatinhas, levemente passados na manteiga. O que acha, Giu?

- Perfeito! No estilo do que eu pensei, porém bem melhor! E para bebermos? Você entende alguma coisa de vinhos, ou o que poderia acompanhar?

- Eu sou um verdadeiro zero à esquerda nesse assunto, desculpe.

- Mas eu não sou!

Victória, antes mesmo de se virar e se deparar com um James apenas de toalha, já estava arrepiada. Apenas a voz rouca dele seria capaz de fazê-la ficar tonta. A combinação corpo molhado, desnudo, voz sensual, olhar penetrante e o delicioso perfume que saiu do banheiro, caminhando lentamente em ondas de fumaça até a ruiva, a fizeram abrir a boca, literalmente, algo que não passou despercebido pelo moço. Os olhos de Victória começaram nos cabelos molhados de James, que colavam desalinhados em sua face. As gotas que caíram dali guiaram a moça pelo tórax bem desenhado, seguindo para a barriga de uma dureza quase inacreditável, dividida no tanquinho mais bem estruturado que Victória já pousara os olhos e chegando, por fim, até onde a toalha estava amarrada, para desagrado da ruiva, que desejava ver tudo e poder continuar seguindo aquelas gotinhas até os dedos dos pés do moço. O olhar voltou, então, curioso, aos braços e peitoral, onde várias tatuagens repousavam, com desenhos, tamanhos, cores e formatos diferentes, exóticos. A mulher sentiu-se tentada em levantar-se de onde estava apenas para rodeá-lo e conseguir ver os desenhos que se seguiam por todas as costas do marujo. James, por sua vez, ficou ali parado, sorrindo de lado, esperando a menina acabar com seu tour.

- Pronto, ruiva, ou ainda deseja ver mais alguma coisa? – perguntou cruzando os braços e sorrindo.

Longe de ser a mais santa da companhia, ou a mais recatada, a ruiva levantou uma sobrancelha em desafio e, ignorando que estava na presença de dois outros homens, deu continuidade à provocação iniciada.

- Na verdade, sim, eu gostaria de ver um pouco mais. Apenas mais uma coisinha.

James não conseguiu controlar a risada, que foi longa e quente, chegando a jogar a cabeça para trás. Sorrindo satisfeita, Victória voltou a atenção para um boquiaberto Giuseppe. Ela realmente era ousada, pensaram os dois homens.

- Poderíamos ir até a cozinha, então? O menu precisa ser passado aos cozinheiros, antes que fique tarde para fazerem tudo isso.

- Certo. James, você poderia anotar em um papel o nome do vinho que deverá ser servido com lagostas, camarões e filés de peixe, por favor?

O tatuado dirigiu-se até a escrivaninha mais próxima, de onde tirou papel e caneta e anotou o nome dos vinhos. Quando ficou de costas, Victória sentiu outro arrepio percorrer sua espinha, porque viu, finalmente, as costas de moço – embora tivesse passado toda a tarde na piscina com o marujo, não atentara para as tatuagens que cobriam quase todo o corpo de seu desejado. Soltou um pequeno gemido, que somente Giuseppe ouviu, aos risos, dando-lhe um beliscão.

- Oferecida – murmurou para a ruiva, que sorriu travessa.

Em poucos minutos saíram para a cozinha, deixando James apenas na companhia de Edward. O mais aventureiro de todo o Candy, ao constatar os poderes sobrenaturais que os olhares daquela ruiva tinham, perguntou-se se agüentaria muito mais tempo sem arrastá-la para sua própria cama. Com um sorriso safado, torceu para que o momento não estivesse muito longe, porque não agüentaria mais dias como aquele que viveram, cheio de provocações e momentos de tirar o fôlego, sem conhecer aquele corpo maravilhoso mais a fundo.

Mais meia hora depois...

- Você tem certeza do que está me falando?

Giuseppe e Victória, logo depois que passaram o menu a um aflito chefe – afinal, o pobre teria apenas duas horas para confeccionar um verdadeiro banquete — , rumaram para a beira da piscina, para supervisionar o trabalho dos garçons, que deveriam por a mesa ali para o jantar daquela noite. Aproveitaram, então, para iniciar a conversa que Victória dissera precisar ter com o sub-capitão.

- Sim, tenho certeza absoluta, Giuseppe. O coração dela só dispara assim quando ela está verdadeiramente interessada. E eu juro que o senti quase saindo pela boca. Na verdade, a última vez que o senti daquele jeito foi quando ainda pensava em Sam, seu ex-noivo.

A ruiva já havia contado toda a história do que fizera Leah se tornar triste, fria e amarga, algo que chocara Giuseppe de uma forma indescritível. Como alguém poderia largar uma flor tão rara como aquela moça a apenas alguns dias do casamento, ainda mais ela, que era o mais próximo da perfeição? O homem não podia compreender. E pior! O noivo a havia traído com a prima, sua então melhor amiga, para logo depois fugir com a que ele agora intitulava em sua cabeça como a maior traíra de todas. Realmente, ele compreendia de onde vinha a tristeza e o porquê dela ter se juntado à Bdance, largando toda a família para trás sem dó ou piedade. Ao final, quando Victória afirmou que ele poderia acabar com aquela tristeza toda, porque ela acreditava que Leah estava interessada no moço, seu contentamento foi enorme, assim como sua preocupação. Se antes, quando não sabia o que havia acontecido, já sabia que não poderia dar passos falsos, agora tinha a certeza disso. Conquistá-la seria como ultrapassar um campo minado – algo a ser feito com extremo cuidado e atenção. Leah precisaria, afinal, perceber que as intenções dele eram de todo boas e puras – ele realmente queria ter aquela mulher para si, e não apenas por uma noite.

Giuseppe, assim como a morena que não mais lhe daria sossego, tinha todo um passado de decepções e de “Sam’s” em sua vida. Foram mulheres grudentas, possessivas, infiéis, descompromissadas e por aí vai, a lista de seus “quase amores” sendo tão ou pior do que o passado de Leah. O italiano conhecia o sofrimento, porém, sendo o romântico que era, algo que sua nacionalidade ditava, nunca desistira de encontrar alguém para si, alguém com quem dividir a cama e o coração até o fim de seus dias. Quando colocou os olhos pela primeira vez em Leah, na noite anterior, sua cabeça logo pendeu para o lado, sinal de que ela era a escolhida de todas aquelas mulheres. Quando começou a conhecê-la melhor, porém, foi que teve a confirmação de que sua busca poderia ter chegado ao fim – bastaria usar seu charme e suas artimanhas para convencê-la de que ele poderia ser o cara certo.

Feliz com a conversa para lá de produtiva e pela ajuda que estava recebendo daquele anjinho endiabrado que o fitava feliz, levantou-se de seu lugar e, num ímpeto, puxou a ruiva do local onde ela se encontrava, pegando-a no colo e girando-a, agradecendo em seu ouvido com muito carinho pelas informações e pelo apoio. A ruiva, que só sabia rir, mal podia agradecer. Uma forte amizade se estabelecia ali, para o que desse e viesse.

Só não percebeu que, ao fazer isso, certa morena adentrava o local. Grande foi o erro do sub-capitão. Vendo tal cena, a moça sentiu seu coração tomar uma forte fisgada – mais uma vez se via presa a seu carma: começar a se entregar para alguém que desejava a outra pessoa. A boca de Leah praticamente despencou. Agora, que voltava a sentir a alma em paz, feliz, quase se entregando novamente, percebia que nunca poderia confiar plenamente em homem algum – isso seria expor-se demais a algo que, no final, certamente a machucaria, como fosse uma lei natural da vida. Toda sua paz e sua confiança voaram para bem longe, fazendo seu coração novamente gelar e tudo voltar à estaca zero, de onde nunca deveria ter saído. Giuseppe, quando pousou os olhos na moça e percebeu a enrascada em que havia se colocado, tudo por um mal entendido, sequer teve tempo de tentar concertar as coisas. Colocou Victória no chão o mais rápido que pode e tentou chamar por Leah, mas essa já havia retornado pelo corredor de onde viera.

- O que foi? – perguntou uma aflita ruiva, já tendo um palpite sobre o que o italiano deveria ter visto.

- Leah – murmurou, perdendo o rumo e um pouco das esperanças.

A ruiva não perdeu tempo. Deixou o amigo parado feito bobo ao lado da piscina e correu para o quarto – precisava esclarecer uma história com certa morena idiota, que certamente entendera tudo errado. Correu para onde estavam todas reunidas, já preparando as roupas para a apresentação que aconteceria após o jantar – aquela seria, finalmente, a grande estréia das moças, a primeira vez em que dançariam para os marujos, que já mal podiam esperar por isso. Afinal, era por esse motivo que estavam ali.

- Já decidiram o menu, Vicky? Que horas iremos jantar? – perguntou-lhe Nessie assim que colocou os pés no quarto, que estava mais bagunçado ainda com os figurinos trazidos por Esme.

- Sim, tudo resolvido. Às oito e meia, como estava combinado. Dessa vez jantaremos do lado de fora do navio, ao lado da piscina. Os preparativos já começaram por lá – a ruiva falava calmamente, mas seus olhos ainda estavam nervosos e não desgrudavam de Leah, que sequer a fitava, concertando um pedaço de sua roupa de maneira bruta e bem mal humorada.

Revirando os olhos, a ruiva sentou-se do lado da morena e, grosseiramente, puxando-lhe pelo braço, murmurou em seu ouvido, para que só a amiga ouvisse:

- Espero que você não tenha pensado merda do que viu, porque eu estava justamente adiantando as coisas para o seu lado. Pensei que você fosse menos burra e tivesse entendido que quem eu quero e vou levar para a minha cama é o James, e não aquele italianozinho meia-boca.

Leah sentiu que deveria se ofender ou se irritar com a amiga, mas já a conhecia muito bem e sabia que aquela era a forma que Victória falava quando alguma coisa a preocupava ou a deixava irritada. Ela não era de meias palavras, portanto a morena conseguiu apenas sorrir com o que ouviu. A ruiva, ao perceber que o clima mudara completamente depois do que disse, acreditando que fizera Leah compreender que o que vira fora apenas uma demonstração de amizade entre Giuseppe e ela, pensou ter concertado as coisas. Porém, ela não havia chego nem perto disso. Embora Leah sorrisse, era um sorriso e uma calma forçados. No fundo, sabia que Victória nunca faria nada para magoá-la e já sabia perfeitamente bem que quem a ruiva desejava era James, portanto não fora vê-la nos braços de Giuseppe que a abalara – tinha plena confiança na amiga. O que a fazia ficar em dúvida e com o coração apertado como nunca era não saber se a recíproca era verdadeira, ou seja, se Giuseppe também não tinha intenções para com a ruiva. Ele poderia muito bem desejá-la, seria algo normal. A pequena alegria que Leah sentira naquela tarde, onde passou todo o seu tempo ao lado do charmoso sub-capitão, se fora tão rapidamente quanto viera, como ela pensou. Não poderia confiar em homens e voltar a baixar a guarda, de forma alguma.

Pelo visto, o italiano, que já voltara à “vida” e começava a traçar um novo plano de re-aproximação e conquista, teria muito trabalho pela frente.

Uma hora depois...

Todos já aguardavam ansiosos pelo jantar, cada um em seus lugares. Uma elegante mesa havia sido posta ao lado da piscina, que agora jazia calma e com balões de diversas cores a boiar em sua superfície, dando um efeito bonito de se ver. A toalha de mesa, de um tom pastel bonito, contrastava com as vibrantes cores das roupas que cada uma das moças vestia. Cada qual com uma cor de vestido, que, pelo que pensaram os moços, eram representantes perfeitas de suas personalidades. Victória, de preto, esbanjava sensualidade. Esme, de amarelo, era o centro das atenções com sua elegância e classe, como fosse um sol particular. Alice, de rosa, mostrava sua altivez e seu lado feminino, sempre encantadora com suas risadas contagiantes e seu jeito carinhoso de falar. Bella, de azul, representava a encarnação da serenidade, dos bons modos e do espírito clássico. Ela inteira poderia ser uma obra de arte da era Renascentista, pensou Edward. Leah, de vermelho, incitava o desejo e a paixão, coisas que seu coração estava acostumado a sentir e ignorar, porém que ardiam incontroláveis. Renéesme vinha com o verde, cor que sempre representou, para Jacob, os bons momentos, a infância, a liberdade e a suavidade, coisas que via refletirem-se nos gestos e na forma de ser de sua Nessie. Rosalie, por sua vez, estava de roxo, cor que remetia ao mistério e à profundidade que envolviam seu jeito de ser e seu passado, assim como remetiam à nobreza e à elegância com que a moça se portava, como se fosse uma verdadeira rainha – e facilmente poderia ser.

Não tardou para que os pratos chegassem até a mesa, para alegria das bocas esfomeadas que aguardavam pelo menu surpresa. Ao verem as delícias que continham em seus pratos, assobios e gritos de alegria irromperam, assim como parabenizações verdadeiras a Victória e Giuseppe, que acertaram em cheio nas combinações. Aquele jantar foi o mais silencioso momento do dia até então, porque todos estavam com fome demais para falar e deliciados por extremo com os sabores que se combinavam na boca. A suavidade do filé de St.Peter complementavam o sabor forte do camarão, assim como a lagosta dava o toque final. Os vegetais eram o charme, davam umidade ao prato e acompanhavam a tudo feito uma luva. Os vinhos que James indicara apenas realçavam mais os sabores, algo que fez Victória brindá-lo pelas boas escolhas, deixando o marujo orgulhoso.

Poucos minutos depois, onde só se ouviam as exclamações de “oh, meu deus, que delícia!” e a mastigação, todos estavam satisfeitos e fartos com a comilança.

- Eu preciso de um mês de academia depois disso, devo estar uma baleia – comentou Bella, ao que Edward revirou os olhos.

- Porque vocês mulheres sempre têm de ser tão exageradas?

- Não é exagero, Edward, olhe bem! Eu comi mais do que deveria, por pura gula.

Edward acatou o que a morena lhe disse e, dando uma analisada descarada na moça, a fez corar.

- Não vejo baleia alguma aqui. Vejo um belo de um corpo, mas se você ainda tiver dúvidas quanto a isso, posso lhe analisar mais a fundo em meu quarto, enquanto você tira o vestido para eu poder ver mais de perto.

- EDWARD!

Os risos foram gerais e Bella teve de deixar o cabelo cair em sua face, pois não ficara mais vermelha, e sim da cor do vestido de Rosalie. Alice sorriu para a amiga, que só revirou os olhos. A morena mordeu o canto do lábio, algo que levou Edward a desejar ainda mais que ela o permitisse “analisá-la”. Ela ficava absolutamente encantadora quando tímida e isso levava Edward, sempre tão centrado e cabeça no lugar, a perder a linha de raciocínio por longos momentos, além de liberar seu lado mais “soltinho”. Ele realmente perdia o controle perto daquela pequena, se perdia.

O rapaz mal podia esperar para vê-la dançando, momento no qual, segundo o que as amigas da moça lhe haviam dito, ela deixava toda sua tensão sexual ser liberada, além de uma natural e genuína sedução, o que certamente faria o moço enlouquecer. Vê-la deixando o lado mais íntimo de si ser liberado, sem corar, deveria ser, no mínimo, memorável. E foi com esse pensamento e uma urgência desesperada que ele resolveu apressar as coisas. Tal momento não poderia tardar mais.

- Vocês pretendem iniciar a apresentação a que horas?

- Nossa, calminha aí, amigo, nós acabamos de comer. O que vamos fazer requer muito esforço e rodopios, caso o Sr. não saiba, então precisamos de uns quinze minutos para digerir a comida, aí iremos nos arrumar – disse Rosalie.

Os quinze minutos passaram voando, porque resolveram conversar tudo o que não haviam conversado durante o jantar. Os assuntos eram variados: iam desde o que seria servido no almoço do dia seguinte até qual seria a trilha sonora perfeita para a semana que estavam apenas começando a viver. Edward passou o tempo todo de olho no relógio e, ao ressaltar que já havia dado quinze minutos, todos riram de seu desespero. Quando as meninas se levantaram de seus lugares, rumando mais uma vez para seus quartos, para se arrumarem, Jasper murmurou faceiro no ouvido do irmão:

- Tão desesperado assim para ver a Bella requebrando, meu irmão? Desse jeito não vai agüentar nem mesmo 3 minutos! Aposto que vai acabar sujando as calças como um menininho inexperiente.

- Vá se foder, Jasper. Eu é que aposto que a pequenininha da Alice vai fazer isso com você.

- Aposta feita, Edzinho.

Mais comentários como aqueles começaram a surgir por toda a mesa, afinal, todos aproveitavam o momento entre homens para fazer todos os comentários maliciosos que podiam.

- Só quero ver aquele rabo enorme da Rosalie balançando!

- Mal posso esperar para ver a Alice rodopiando por aí. Espero que ela perca o equilíbrio e caia diretamente em meu colo, de onde não vai mais querer sair.

- Renéesme vai passar mal quando eu deixar meu auto-controle de lado, se vai, porque vai ser tortura demais vê-la sensualizar por aí sem poder fazer nada.

Muitos risos e comentários depois, seguiram para uma das mais amplas salas do navio, que ficava a alguns passos do quarto onde estavam instalados os moços. A tal sala agora estava equipada com um pequeno bar ao fundo, uma enorme aparelhagem de som e luzes, um palco grande e algumas mesas e cadeiras espalhadas, além de um espaço vazio, que serviria depois como pista de dança – após a apresentação, o local se tornaria uma balada improvisada, onde os primeiros avanços reais poderiam ser feitos nas relações.

Toda a decoração era em vermelho e preto e as luzes rodavam sensualmente pelo local, como se prevendo o que ali dentro ocorreria durante aquela semana. Ao adentrarem o local, os rapazes não puderam deixar de associá-lo aos antigos cabarés, e elogiaram a idéia e a decoração, que ficaram a encargo de Carlisle. O capitão, como sempre, tivera excelentes insights e um tremendo bom gosto.

Uma batida de coração a menos para cada um quando as luzes apagaram por breves dez segundos e a cortina, que existia no palco, se fechou, o que anunciou que o espetáculo estava para começar. Todos correram para as mesas e tomaram seus lugares, a respiração quase presa de nervoso, a barriga revirando. O momento pelo qual tanto haviam esperado era chegado. Finalmente poriam os olhos na aclamada academia de dança como verdadeiramente eram: dançarinas profissionais, treinadas para enlouquecer aos homens que colocassem os olhos em si. Se os moços acreditavam já estarem apaixonados sem ver o que estavam prestes a ver, depois daquilo não restariam dúvidas. Fogo seria ateado em suas almas, loucura em sua mente e desejo incontrolável em seus corações. Suas almas, mentes e vidas seriam vendidas àquelas mulheres – e, mesmo sabendo disso, estavam ansiosos para que ocorresse logo.

Notas finais
N/A: Olá, amores e amoras! Como eu disse, estou de volta e postando regularmente, como as srtas. podem ver! Bom, esse foi o nosso 4º capítulo, cheio de ceninhas dos casais, certo? Espero que isso tenha agradado, e que vocês comentem muito sobre, ok? Posso adiantar que o próximo capítulo será ainda mais "apimentado" do que esse, afinal, a primeira apresentação está por vir! Que acham? O Capítulo 5 - "Corredores muito longos, corações muito apertados" promete algumas pegações...SIM, OS PRIMEIROS BEIJOS/AMASSOS IRÃO ROLAR! E aí, alguém tem alguma aposta sobre quem será o primeiro casal? Let the games start! hahaha!
Espero muitos e muitos comentários, ok, amores? Esse cap. deu um trabalho DO CÃO pra ser escrito, e o próximo nem se fale! Então vamos lá, mãos a obra!
Beijos beijos da Vivi :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.