Can we whisper?
14 Capítulo 13 — Iniciativa.
Notas iniciais
Meu pai, dono de ideias muito excêntricas, em uma linda manhã de sábado que tinha tudo para ser o dia perfeito, me bombardeou com a notícia que Sue e seu filho viriam morar aqui, nesse mesmo apartamento. Eu não surtei como estava me repudiando para não fazer e fui calma em sua frente enquanto assentia despreocupadamente para que ele não notasse meus dentes cerrados.
Eu fui calma dentro do meu quarto também e tentei me lembrar das palavras de Alice em sua breve aula sobre como ser taciturna de uma maneira natural. Abstraia por alguns segundos e vá dormir, assim quando você se acordar sua raiva já estará de um modo diminutiva — Ordenei a mim mesma.
Funcionou por uma parte. Não posso dizer que foi completo porque quando eu me acordei Riley estava lá e ele me fez esquecer o porquê de eu estar com raiva falando as suas besteiras de sempre as quais me eram sempre úteis.
Tudo isso já fazia 2 meses, mas eu ainda não estava acostumada com tantas pessoas dentro de um só apartamento. Claro que tinha lugar para todas, tinha quarto para todo mundo separadamente, eu só não conseguia me acostumar com o quanto eu parecia estar mais dentro de uma casa de estranhos.
Era confuso acompanhar meu raciocínio que não tinha nada de lógico. Eu só não me acostumara com Sue e o quanto ela queria de modo discreto que eu a visse como minha mãe, ou qualquer coisa que me fizesse ficar mais simpatizante com ela. Isso nunca iria acontecer e somente Riley sabia disso porque eu deixara bem claro para ele, tentando explicar a minha estranheza quando estava perto dela.
Talvez eu até tivesse um pouco de afeto por ela antes, quando ela ainda não estava com o meu pai. Mas não agora que eu sabia que ela traíra a confiança de minha mãe sendo sua amiga e talvez de longe lançando olhares para o marido da mesma. Quem sabe esse… ato não acontecia desde quando estávamos nos Estados Unidos? Isso era bem provável.
E como eu disse, eu não perdoava traição. Em nenhuma hipótese. Isso só se provara completamente quando eu tentei ver o caso do meu pai com uma vista mais liberal, menos crítica. Como previsto, não consegui, mesmo que eu tentasse diariamente.
— E como estamos? — Indagou Riley invadindo meu quarto. De novo, sem pedir.
— Sabe, você tem que parar com esse seu mau costume de invadir meu quarto como se fosse o dono. Se você entrasse dois minutos antes, com certeza não iria ser legal. — Lhe lancei um olhar raivoso enquanto abotoava minha calça jeans.
— Aposto que seria legal, sim. — Ele disse, lançando-me um sorriso malicioso.
Reprimi a vontade de jogar o espelho que tinha em minha frente em sua cabeça e suspirei tentando, dessa vez, ser mais rápida ao colocar o casaco. Estávamos atrasados por minha culpa, mas isso não importava porque ele que tinha imposto esse horário para que saíssemos. Por isso, estava quase caindo de sono quando me levantei às seis e meia para me arrumar.
Eu sabia que Riley odiava atrasos e eu fazia isso de propósito.
Quando chegamos à mesma lanchonete que eu e Edward tínhamos “almoçado” pela primeira vez, essa mesma estava quase vazia, com exceção de três ou quatro mesas cheias. Isso era bom, afinal impedia as pessoas de ficar me olhando como se eu fosse um extraterrestre por estar com Riley tendo em vista que há poucos meses eu estava com Edward.
Ferrem-se eles, eu não estava fazendo nada errado. Estava só saindo com meu melhor amigo, eu, pelo menos, não observava nenhum mal nisso.
E também, que se ferrasse Edward e todas as lembranças que eu tinha dele.
— Como anda a Mia, Bells? — Perguntou Riley assim que se sentou à mesa, de frente para mim. Não era normal que ele falasse tão espontaneamente a respeito disso, mas eu gostei do modo como ele já acreditava que eu estava curada de tudo falando sobre aquilo daquele modo.
Eu dei de ombros, indiferente.
— Anda para longe de mim.
Uma sugestão de sorriso nasceu em seu rosto enquanto ele o disfarçava fingindo estar sério, fazendo-me mais pergunta a respeito da Bulimia. Eu tentava ser sincera quando ele, de repente, perguntava sobre algo que me deixava com vergonha de admitir. Ele pegava minha expressão rapidamente e me liberava da pergunta, vendo meu embaraço.
O garçom era o mesmo que tinha me atendido no dia em que eu tinha vindo para cá, no entanto ele não me olhou estranho de novo, apenas perguntou os nossos pedidos e logo trouxe as nossas bebidas. Riley me olhava de modo estranho enquanto eu bebericava de leve e o olhava da mesma forma, o indagando.
— Eu estava pensando em umas coisas.
— Em o quê? — Perguntei.
Instintivamente me inclinei para frente e o fitei, esperando que ele falasse o que tanto ele estava pensando. Afinal isso não era de hoje, eu o percebia pensativo enquanto me olhava, franzindo os lábios assim como fazia antes, quando ainda éramos dos Estados Unidos. Ele o fazia tanto que eu havia pegado o costume também, perdendo depois de algumas semanas.
Riley para o meu estresse balançou a cabeça e sorriu, erguendo a sobrancelha e não falando nada, mesmo que eu o pedisse com os olhos. Ele, enfim, não falou sobre o que tanto pensava, e desviou o assunto para outra coisa a qual não me interessava tanto. A minha curiosidade continuou intacta, fazendo-me divagar várias vezes sobre o que tanto ele pensava.
Eu não falei nada no carro, não falei nada durante o filme que assistimos quando chegamos, e nem resmunguei nada quando eu finalmente percebi que ele tentava me distrair para que eu não ficasse tanto tempo dentro do quarto. Charlie não olhava com bons olhos minha amizade com Riley, logo agora que ele estava morando no mesmo lugar que eu, mas ele fazia parte do pacote e não tinha como excluí-lo.
Ele pensava que éramos algo a mais do que só bons amigos. Enganando-se. Isso me estressava pelo motivo óbvio: Seus olhares que me censuravam e que eram respondidos por minha parte com olhares raivosos e incrédulos. Aliás, a taciturnidade de Alice não funcionava nessas horas, nem para essas situações.
Riley e eu éramos bons amigos, sempre seríamos, na verdade. Mesmo no momento em que ele se aproximou de mim quando estávamos na cozinha, e eu já sabia de suas intenções que não me eram tão comuns esses meses. Eu não ofereci resistência nenhuma, assustando-me ao tentar e não conseguir.
Seus lábios eram confortáveis, e as mãos em minha cintura me levavam de volta a Londres, quando não tínhamos esse problema todos de pais juntos. Tornando-nos remotamente irmãos, pelo menos na cabeça desvairada deles. Nós não éramos, e prova disso era esse beijo que tinha algo a mais.
Algo que eu não estava tão acostumada nos beijos de Riley. De minha parte e da dele. Paixão. Estava presente em tudo. No modo como ele mexia suas mãos em minha cintura, em minhas costas, o modo como seus lábios estavam colados nos meus, o modo como ele me olhou após desgrudá-los.
— Temos um problema aqui. — Disse ele, por fim.
— Eu acho que não. — Impertinente, murmurei.
Riley sorriu e beijou minha testa antes de pegar a pipoca que estava atrás de mim e puxar-me pelo casaco para que eu fosse com ele para a outra rodada de filmes os quais eu já estava cansada de assistir. Eram os preferidos dele e meus ao mesmo tempo, e sempre fazíamos isso quando não tinha nada para fazer e o tédio estava tomando conta de nossas mentes, ou seja, sempre.
Teve de novo algo diferente quando ele me puxou para perto dele, deixando-me encostar toda parte esquerda de meu corpo nele. Riley até passou um braço por minha cintura, cauteloso como se a qualquer momento eu pudesse gritar com ele e talvez resmungar que nunca mais se encostasse a mim porque ele não tinha permissão.
Era impossível que isso pudesse acontecer, ele sabia, mas eu não podia culpá-lo pelo fato de sempre ser cauteloso quando era comigo. Eu costumava ser muito instável antigamente.
— Quer? — Indagou colocando a bacia transparente de pipoca em minha frente, a milímetros de distância de meu rosto. Ele sabia que eu odiava isso, no entanto continuava fazendo como se não soubesse, assim como eu fazia para lhe irritar, atrasando-me.
Eu neguei com o rosto, sentindo meus olhos tremularem. A noite de ontem não foi uma das melhores, e o resultado disso foi dormir nos braços de Riley, sem sequer me dar conta que estava com sono o bastante para que o executasse naquela mesma hora, deixando-o assistir o resto do filme sozinho.
Eu só acho que ele esperou o filme acabar para que pudesse me colocar na cama, pois quando eu me acordei minha coluna doía assim como minha cabeça. Era normal que eu sentisse aquilo de semana em semana, mas mentalmente eu culpei Riley pelo ocorrido, fazendo uma nota para que aquilo não se repetisse.
Mas eu estranhamente queria que se repetisse. Foi bom, melhor do que todas as outras vezes.
Alguns meses depois…
Eu talvez pudesse chamar o que Riley e eu estávamos tendo de namoro. Ele queria que eu chamasse e que junto com isso considerasse também, mas eu estava meio — senão completa — indecisa sobre isso. Não por não ter certeza sobre o que eu sentia por ele — que era mais que amizade, ele já sabia —, era porque Charlie não gostava, ele já havia admitido para nós dois e estávamos juntos somente por ser escondido.
Eu não queria que fosse assim. Eu já tomara medo por coisas escondidas. No entanto meu medo por Charlie proibir definitivamente e me mandar para um colégio nos Estados Unidos era maior do que qualquer outra coisa, fazendo um ódio crescer toda vez que ele mencionava isso, provocando-me.
Ir para a casa de Renée foi o que eu pensei na primeira vez que ele falara-me sobre aquilo, mas ela não queria porque isso talvez atrapalhasse o tratamento de Rose e eu concordava com sua especulação. Afinal, não me restavam alternativas senão murmurar a Riley que eu queria que tivéssemos algo, mas que esse algo tinha que ser escondido.
Algo escondido. Por que as coisas tinham que ser tão irônicas para o meu lado? Eu odiava isso, e comecei a odiar mais ainda quando Edward voltou de Nottingham, em umas férias longas até demais da porcaria de universidade, trazendo com ele o meu último palpite. A tal de Amber que ele beijara quando ainda namorava comigo.
Como eu disse, eu não perdoava traição e continuava a mesma coisa. A volta dele não anulou nem reviveu nenhum sentimento dentro de mim. Tudo bem, talvez isso estivesse meramente errado. Talvez tivesse revivido o ódio intenso que eu ainda tinha por ele. Sempre teria e não adiantava evitar ir à casa de Alice só quando ele não estivesse por lá. O cheiro dele me causava repulsa e eu, em um lindo e perfeito dia decretei que não iria lá até que Edward já estivesse ido embora.
Poderia ser infantilidade de minha parte, e eu não ligava para isso já que Riley também me apoiava.
— Você tem que ir hoje. Você falou que me ajudaria a arrumar as coisas que faltam. — Alice resmungou, olhando-me de modo implorativo.
— Eu falei isso há 5 meses. Sinto muito, mas eu não sabia que as coisas seriam tão complicadas quanto está sendo. — Eu disse, apertando a barra de minha camisola, nervosa. — Não — Comecei quando Alice fez menção de falar o que eu já sabia que ela falaria. — Não é isso que você está pensando. É só que… sinto que Carlisle e Esme sentiriam muito se perdessem um filho somente porque uma desvairada avançou em seu pescoço.
Ela sorriu, balançando o rosto, não acreditando no que eu estava falando.
Eu só fui me vestir decentemente porque ela me convenceu que Edward não estaria na casa, e eu por um momento deixei que ela me convencesse com aquilo. Eu poderia muito bem ser superior se a Amber estivesse lá. E se ela fosse muito chata como Alice me dissera que ela era; eu tentaria ser taciturna.
Riley não pareceu tão confortável com a ideia, mas eu deixei que ele reclamasse tudo que tinha e depois murmurei que voltaria rápido, ainda a tempo de tomar seu chá com ele, às quatro horas. Eram dez horas da manhã quando eu saí, e por uma parte entendi o porquê de ele ficar chateado por eu ficar exatas seis horas fora de casa, deixando-o sozinho bem na hora que tínhamos para ficar juntos sem nos esconder.
— Sabe Bella, eu gostei da cor do seu cabelo e do seu corte. — Alice disse, sorrindo enquanto olhava-me de lado, voltando à atenção para a estrada. — Te deixa mais bonita.
— Foi você que fez e você já falou isso mil vezes. Obrigada. — Sorri timidamente para ela e baixei meus olhos, mordendo meus lábios. — Charlie não gostou, sabia? Ele disse que assim eu ficava mais atraente para os marmanjos. — Fiz aspas com as mãos.
— Aposto que ele estava se referindo a Riley e ao Griff que parece sentir algo por você.
— É… com certeza estava se referindo ao seu mais novo “filho”. Ele não para de falar que vai me mandar para uma porcaria de colégio nos Estados Unidos, mas se eu for… Riley também vai comigo de qualquer forma. — Torci com os dedos meu casaco, parando quando começou a doer.
Alice tinha esquecido a chave, por isso eu fui forçada a forçar a porta de trás a abrir porque ela estava de branco e salto, não podendo se melar da lama que a chuva deixara para trás. Eu andei de modo cauteloso pela cozinha, indo para a sala e vendo se não tinha ninguém na mesma para em seguida abrir a porta para ela.
Talvez, muito talvez mesmo a voz alta dela tenha chamado seus visitantes. Isso mesmo, no plural porque Edward estava lá também. Ela me pediu desculpa com os olhos enquanto eu voltava para a cozinha, incrivelmente constrangida ao invés de estar com a raiva excruciante que eu planejara sentir.
Sentei-me a mesa e passei a mão em meu rosto quente, tentando fazê-lo parar com aquela vermelhidão que eu sabia que habitava nele. Mexi em meu celular durante o tempo que Alice me fez esperar e escutar sua pequena briga sussurrante com Edward. Na verdade, eu estava tentando evitar perceber que o teor da briga era eu, não qualquer outra coisa que fosse normal de se acontecer.
— A casa é mais minha do que sua! — Ela gritou, dando um fim a discussão e marchando até onde eu estava.
Ela bebeu água antes de se virar para mim com uma expressão culpada.
— Impasse, desculpe-me. — Sussurrou ela. — Mas vamos continuar, vamos para o meu quarto! Você vai me ajudar a escolher o vestido que eu e você vamos usar.
— Eu já comprei meu vestido.
— Na verdade, não, não comprou. Você vai usar a opção que eu te der, certo? Você prometeu. — Ela me lembrou.
Bufei e andei ao seu lado para o seu quarto, sem avistar novamente Edward. Ele estava provavelmente preso em seu quarto com Amber e eu não dava a mínima para isso, como eu faria, talvez, a 6 ou 5 meses atrás. Um dia desses em que eu pensei no assunto, conclui que o que eu sentira por ele não fora amor e vice-versa.
Era óbvio. Foi somente uma paixãozinha que veio e foi rapidamente.
Afastando esses pensamentos para longe de mim, concentrei-me em tentar ser útil ao dizer o que combinava e o que não combinava para tal coisa. Meu vestido era perfeito, mais bonito do que um dia eu poderia imaginar, no entanto eu tinha certeza que nunca conseguiria me sentir confortável com uma coisa tão curta quanta aquela. Iria fazer frio e eu estaria desprotegida do mesmo.
Para minha infelicidade, teria aquecedor e eu não tinha como fugir disso.
Comemos hambúrguer quando Alice estava com fome e eu fiquei mais tranquila ao notar que somente o inseto que se chamava Amber ainda estava lá, sentada no sofá como se fosse dona de tudo aquilo. Sendo que não era. Era somente uma universitária que em questão de meses seria descartada por já ter sido muito usada.
— Edward também não se sente confortável com você aqui. Por que será? — Murmurou Alice lançando-me um olhar malicioso.
Revirei meus olhos e tentei não dar uma resposta que fosse a ofender. Fiquei calada visto que aquilo era o mais sensato a se fazer. Às vezes minha raiva acabava tirando palavras duras de minha boca e hoje era o aniversário dela, não podia ser simplesmente… idiota com ela e acabar com aquele dia perfeito que eu sabia que ela imaginava.
Enquanto Alice lavava o que havíamos sujado, Amber deslizou silenciosamente para o meu lado na mesa, olhando-me e esperando que eu retribuísse aquele olhar.
— Edward me falou de você, se eu me lembro. — Ela me lembrou. Sua voz tinha aquele tom de nojo que Alice me precavera, mas seu olhar era… normal, no mínimo.
Não respondi e mordi meus lábios para não explodir toda a raiva que eu estava. Por que diabos todo mundo falava sobre como Edward agira esses meses se eu nem perguntava? Não deveria ser muito educado da parte deles que me falassem aquilo se eu não queria escutar um pio sobre aquilo.
Doía a raiva que eu sentia ao me lembrar.
— Você não fala? — Ela me cutucou no braço, rindo.
— Falo para coisas que me interessem. — Dei de ombros, tentando fazer com que a minha voz na ficasse tão áspera quanto estava sendo.
— Por que vocês têm raiva um do outro? — Sondou, apertando seus olhos verdes em minha direção.
Olhei para as costas de Alice, esperando que ela me tirasse dessa situação, mas ela parecia entretida demais mexendo seus quadris em uma música que estava sendo transmitida de seus fones de ouvido.
— Você não sabe? — Perguntei incrédula.
— Ele não fala sobre você mais que o necessário. E quando eu pergunto, ele apenas balança a cabeça e diz que não é necessário que tenhamos aquela conversa porque não acrescenta nada em nossas vidas. Vocês namoraram? — Disparou.
Arregalei meus olhos e neguei com o rosto, incapaz de pronunciar alguma coisa sem ser que minha voz falhasse. Não era uma completa mentira o que eu havia negado, contudo se fossemos analisar melhor, provavelmente isso seria uma mentira das feias, já que um dia ou outro a palavra “namorados” habitava no meu vocabulário e no de Edward.
— Então o quê…?
— Isso não vai acrescentar nada em sua vida, Amber. — Murmurei, levantando-me da mesa.
— Não, não vai, mas eu preciso saber o porquê de Edward estar estranho comigo por causa de você. E também tem aquela foto na estante que vocês estão sorrindo, juntos, e eu posso ver muito bem a mão entrelaçada! Não sei se deixaram ou esqueceram aquela foto, mas acho que é provável que tenham esquecido.
Eu lhe olhei por alguns segundos, erguendo minhas sobrancelhas em total incredulidade. Dei as costas para ela e andei entre os sofás, indo direto a estante onde tinha mesmo uma foto minha e de Edward. Eu me lembrava dela somente agora, fazia tempo. Não tanto. A foto foi tirada no segundo jantar meu aqui, na casa dos Cullen e minhas bochechas estava corando porque eu tinha vergonha.
É claro. Esqueceram a foto aqui.
— Eles não esperavam que você percebesse isso, tenho certeza. — Murmurei e peguei o porta-retratos, arrancando a foto de lá e rasgando-a sem nenhum ressentimento real dentro de mim. Amber arregalou os olhos e tomou um pedaço da minha mão. — Relaxe, eles não vão achar que foi você.
— Vão sim. — Teimou ela.
— Aliás, que problema você tem? Deveria estar feliz por… por eu não mostrar nenhum interesse por Edward.
— Por que eu ficaria feliz se ele não é o mesmo enquanto está aqui? Com você…? — Gritou ela, alterada.
Franzi meu cenho e tomei o pedaço de foto da sua mão, olhando-o por alguns segundos. Era a parte de Edward, e o sorriso dele era quase infantil, por isso o rasguei em milhões de pedaços, o jogando no lixo sem me preocupar em incinerar para acabar com a prova que eu fizera isso. Eles deveriam saber que não se guardavam fotos de pessoas que agora estão separadas, não era normal de se fazer.
— O que você falou com a Amber? — Indagou Alice enquanto voltávamos ao quarto.
— Ela falou sobre como Edward quase nunca responde as perguntas quando se trata sobre mim, como ele é estranho quando está na mesma cidade que a minha e o porquê de ter uma foto minha com ele na estante e essas coisas. Tudo que eu fiz foi, se você desculpa minha ousadia, rasgar a foto.
Alice deu de ombros.
— Esme tem réplicas dessa no computador, tanto que aquela que você rasgou foi à quinta porque Edward já tinha rasgado escondido às outras. — Ela riu. Apenas balancei minha cabeça em sinal que eu escutava o que ela falava. — Ela achava vocês dois bonitinhos…
— Você não precisa falar-me sobre o que ela achava, está bem? Estou vivendo otimamente sem saber desses detalhes desnecessários.
Ela assentiu. Eu tentava não ser tão repulsiva com Alice, mas ela tornava isso impossível ao me informar sobre tudo que acontecia na vida de Edward, no quanto Esme gostava de quando estávamos juntos e essas coisas. Não que me fizessem oscilar na direção dele, querendo voltar ao que era antes, não era nada disso. Eu tinha certeza sobre o que eu sentia por Riley. Só que às vezes a raiva era tão grande que eu acabava falando as coisas erradas para ela.
Eu estava cansada quando ainda eram três horas da tarde e às duas horas restantes me pareciam torturante, por isso para tentar relaxar fui para a cozinha tomar um pouco de água e pensar sobre as combinações que Alice me fizera rever mais de mil vezes para não haver nenhum erro.
Não que eu fosse à pessoa mais apropriada e com o senso de moda mais apurado para isso, mas eu era a única que cedia por não saber dizer não a nada. E como era seu aniversário, para mim isso tornava as coisas mais difíceis do que já eram normalmente. Infelizmente, ainda tínhamos que escolher maquiagens, brincos e essas coisas que eu não fazia questão de pensar antes de colocar.
— Seu colar é… interessante, Isabella. — Querendo ou não, reconheci a voz de Edward atrás de mim, fazendo-me dar um pulo de medo e olhar para trás, com o copo de vidro tremendo em minha mão.
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