Can You Let Me Try? (Liper)
1 You are the boy with a real nice smile.
Notas iniciais
Qualquer erro é só comentar que vou correndo corrigir.
Espero que gostem :)
Piper entrou na sala de física suspirando de alívio. Faltavam apenas 5 minutos para uma das mais esperadas aulas do ano – a última antes das férias de inverno. Não que passar as festas com a família fosse grande coisa, sua mãe fugira com outro homem quando ainda era um bebê, seu pai era um grande astro do cinema, e ela não tinha amigos, nem uma única pessoa que pudesse estar do seu lado nos momentos mais difíceis. Por um lado mais positivo, ter um tempo sem estudos era sempre bem vindo.
Sentou-se em seu lugar de costume e retirou o celular já com seus fones do bolso, aproveitando os minutos sem o professor presente. Física sempre será a matéria mais odiada do mundo por aquela pobre estudante e todo o resto da população mundial. Sério, quem quer saber o quanto a massa da Terra altera no tecido do Espaço-Tempo? Você acertou se respondeu manés!
Apenas 30 segundos de música se passaram antes dos risos começarem. Aquilo já virara rotina, toda santa aula que tinha com o palhaço-desempregado-Valdez, como fora carinhosamente apelidado por Piper, era sempre a mesma idiotice. Totalmente irritante e desnecessário, segundo ela.
Quando Sr. Teron, o enrugado e genioso velhinho que tinha o desprazer de ser professor na Escola da Vida Selvagem, passou pela porta, todos se calaram. Ninguém queria ver aquele cara com raiva, acredite, não é nada legal ver ele zangado suspendendo as pessoas que respirarem, ou seja, a classe toda.
O tempo passava e enquanto o professor tentava explicar a matéria, Piper se concentrava na coisa mais importante do momento – dormir.
– Dormindo na aula? Sr. Teron pode ver.
“Ótimo, simplesmente ótimo” pensou quando viu de quem viera o sussurro.
– Errou. Estava apenas babando no caderno para apagar minhas anotações. – Leo soltou uma pequena risada, o sarcasmo dela impressionava. – Não é como se você se importasse, Valdez.
– Nunca disse que me importava, McLean. – Respondeu sorrindo maroto.
Piper bufou por conta do sobrenome, o odiava. Aquela simples palavra a fazia lembrar de tudo, desde seu pai não presente até o motivo de estar estudando naquela escola cheia de gente problemática. Completamente frustrante.
– Meu nome é Piper, então me chame por ele. – Falou já com o rosto entre os braços, que por sua vez, estavam na mesa.
Leo percebeu que a irritara e resolveu se calar. Ele não tinha muito jeito com garotas, nem com ninguém. Seu passado era trágico e tudo que já lhe acontecera deixara várias marcas no garoto. A única coisa que permitia o deixar feliz era ver a felicidade alheia, mesmo que momentânea. Era bom perceber que conseguia fazer tantas pessoas rirem, fosse o mínimo dos sorrisos.
Os minutos passaram lentamente. Depois de três broncas e um longo discurso que os alunos foram obrigados a ouvir, o sinal finalmente tocou, anunciando a todos o final de um semestre. Piper fora direto esperar o carro que a iria levar para casa.
“Algum dia, quando eu estiver velho e cansado, vocês irão comandar esse país. Acham mesmo que os professores estão aqui apenas porque gostam da matéria que ensinam? Acima de tudo, não queremos que o nosso futuro seja péssimo por causa de adolescentes que não foram educados suficientemente bem. Agora, fiquem quietos, preciso passar as tarefas.”
Ela tivera que concordar com isso. Menos a parte de “quando eu estiver velho e cansado”. “Fala sério, se alguém nesse mundo pode ter 200 anos, é ele, com certeza!” pensou soltando uma risada.
– Rindo sozinha, Piper?
– O que você está fazendo aqui?
– Te vi por acaso e resolvi pedir desculpas, sabe, por ter te irritado. Sério, não foi minha intenção.
– Sim, me irritou bastante, mas tudo bem, sei que não fez por mal. Desculpado! – Disse sorrindo. Não era muito acostumada com gente conversando com ela por livre e espontânea vontade. Leo estava sendo legal.
– Obrigado. – Retribui o sorriso – Mas e aí, o que está fazendo nos portões da escola 10 minutos depois das férias começarem?
– Esperando alguém me buscar.
– Como assim “alguém”?
– Quer saber, acho que esqueceram de mim, vou sozinha. – Falou ignorando a pergunta.
– Onde você mora?
– Los Angeles, mas não tem problema, nem é tão longe.
– Você é louca! – Estava perplexo. Não, ela não era normal. – Garota, como você pretende ir até Los Angeles sozinha?
– Sei lá, talvez chamando um táxi pra me levar até o aeroporto, mas é só uma idéia. – Disse sarcástica – Vai dizer que achou que eu iria a pé?
– Errr... não, imagina. Lógico que não.
– Idiota.
– Por que não vai até a secretária e liga pra alguém? Muito mais simples do que se virar sozinha.
– Olha, Valdez...
– Leo.
– Leo, certo. A última coisa que quero é voltar pra lá. Aquele lugar cheira ao perfume barato da Sra. Chose.
– Depois eu sou o idiota. Vamos, eu vou com você, ó Grande Rainha da Beleza. – Disse inclinando-se e estendendo o braço. Piper o aceitou.
– Rainha da beleza?
– Sim, por quê? Você é bonita!
Ela automaticamente o fitou, sentindo suas bochechas queimarem por conta da afirmação do garoto. Nunca considerou-se bonita, nem nada do gênero. Muito pelo contrario, sempre se sentiu estranha perto de outras garotas, talvez pelo fato de odiar usar maquiagem, fazer as unhas e tudo relacionado. Mas naquele momento, olhando para os olhos de Leo, viu que ele fora sincero. Se sentiu linda.
– Nunca te falaram isso? – Perguntou indignado.
– Ninguém nem fala comigo.
– E é isso que eu chamo de inveja.
– Droga, Leo! Dá pra parar de fazer isso comigo?
– Isso o que, Pipes?
– Me encabular, dar apelidos, achar graça de tudo que digo! Argh, para de rir!
Leo riu um pouco mais e recebeu um tapa na cabeça como resposta. Ela era encantadora com essa coisa de ser tímida num momento e distribuir tapas em outro. Muito encantadora, diga-se de passagem.
– Sabe, você não parece ser essa garota agressiva vista de longe.
– E você não parece ser legal. Apenas irritante e metido a palhaço da turma.
– Wow, essa doeu.
– Era a intenção. – Os dois se olharam por um momento e começaram a gargalhar.
Fora até irônico o quanto estavam gostando da companhia um do outro quando, enfim, chegaram na secretária. Logo, Piper estava falando com uma das governantas da casa.
– E então?
– Saíram faz um tempo, já eram para terem chegado... Leo?
– Sim?
– O que você acha de mim?
– Mas que raios de pergunta é essa?
– Quando falei “alguém”, foi porque não sei mesmo quem vem me buscar. Meu pai é a única família que tenho, mas ele não é presente. Quando marcamos alguma coisa para fazer juntos, sempre acontece algum imprevisto envolvendo o trabalho. Às vezes fico pensando que não sou boa o bastante pra ter uma mãe. – Leo sabia bem o que era se sentir assim. Bem demais, para falar a verdade.
– Nunca mais pense isso, você é maravilhosa, Piper. – Ganhou um sorriso em troca dessas palavras. Um sorriso que fez o seu dia valer à pena.
O barulho de motor de carro desviou o olhar de ambos. Ao ver a grande limosine, Piper limitou-se a um rolar de olhos. Seu pai não estava sendo nem um pouco discreto, como sempre.
– Vem cá, você é filha de quem?
– Tristan McLean.
– EU SEMPRE SOUBE QUE EXISTIA ALGUM ATOR FAMOSO COM SEU SOBRENOME!!!!!!
– Menos né Leo. – Falou rindo da cara do garoto.
– Isso explica muita coisa! Por que não contou antes?
– Ser filha de Tristan McLean é estranho. Acredite, não é legal ver as garotas babando por ser pai... Tchau, Leo.
–Tchau. Acho melhor ir logo. – Disse assim que o som da buzina quase estourou seus tímpanos.
– Ei, porque não vai comigo? Parece que esqueceram de você também.
– Piper...
– Posso pedir para algum empregado chamar um táxi e te levar até onde tem que ir. Não aceito não como respos...
– Piper, me escuta.
– O que foi? – Perguntou risonha.
– Não preciso de nada disso, vou ficar por aqui.
– Como? Não vai passar as festas com sua família? Leo, isso não é certo, eles são...
– Eu não tenho ninguém, Piper. Nunca conheci meu pai, minha mãe morreu num incêndio na oficina dela e os poucos parentes que sobraram me odeiam.
Depois do que fora ouvido, Piper ficou sem palavras, a única coisa em que encontrou forças para fazer foi abraçá-lo. Ele retribuiu.
– Eu não sabia... Sinto muito, Leo. – Olhou diretamente para seus olhos.
– Pela morte dela ou por tocar no assunto?
– Pelos dois, seu idiota. Não deboche, isso é sério, to me sentindo mal pra caramba agora.
– Não sinta, a culpa não é sua. Já faz muito tempo, me conformei.
– Mesmo assim, duvido que não fique triste às vezes! Deve ser horrível.
– Posso até ficar, mas agora estou feliz
– Que droga, Leo! Nunca conheci alguém tão inconveniente como você antes. Por que está feliz?
– Porque você se importa comigo. É minha amiga, certo?
– Certo.
Piper não pode evitar um sorriso abobado surgir nos seus lábios – aquilo superara tudo que já haviam lhe dito de fofo em toda sua vida. Ele retribuiu o sorriso enquanto entrelaçava as mãos da garota nas suas.
– Nos vemos em janeiro, Pipes. – Beijou sua bochecha ainda sorrindo e deu meia volta para percorrer o caminho até os dormitórios.
Depois de alguns instantes atordoada, Piper ainda sentia as mãos e a bochecha queimando por conta da pele do garoto. Ela tinha a sensação de que acabara de conhecer a pessoa que a consertaria quando estivesse quebrada por dentro. Sim, Leo Valdez era seu garoto dos reparos.
Notas finais
Beijossssssss.
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