PARK JIMIN
— Jungkook, por que está me dando isso? — Perguntei confuso, já que fazia alguns meses desde que Jungkook e eu havíamos terminado, na minha mente não fazia sentido algum ele estar agora me entregando uma carta. — Sério, eu não entendo.
— Leia, você vai entender, Minnie.
Depositou um beijo em minha testa daquela maneira que fazia toda a minha pele se arrepiar pelo contato e se afastou, deixando-me ali inundado em todas as lembranças que eu tinha com ele. Doeu pensar em tudo aquilo, mas eu tinha certeza que a carta em minhas mãos doeria ainda mais. Jungkook me fez chorar, mas a nossa distância conseguiu me fazer sofrer o dobro.
Como eu teria um período vago acabei indo para uma sala vazia, já que precisava de um pouco de silêncio para conseguir ler o que continha dentro do envelope. Sentei bem ao fundo para não ser incomodado caso alguém entrasse ali, larguei minha mochila e me acomodei, soltando um audível suspiro antes de tirar a folha de dentro da dobradura que a envolvia.
Na verdade, havia mais de uma folha, tudo escrito frente e verso.
"Caro Minnie,
Eu sei que já faz mais de quatro meses, mas não é porque terminamos que eu não sinto sua falta, não é porque quebramos nosso vínculo amoroso que eu deixei de me preocupar com você.
Todos os dias da minha vida eu penso no dia em que te vi pela primeira vez. Eu estava subindo a escada, você estava descendo e nós acabamos nos esbarrando. Meu caderno de desenhos quase caiu, mas você o segurou e sorriu de forma tímida para mim. Aquele momento foi o instante onde percebi que era possível o coração acelerar tanto que fazia parecer que eu teria um ataque cardíaco.
E isso se repetia toda vez que te via.
Como eu já amava desenhar, você passou a ser minha fonte de inspiração, e parecia que todos os meus desenhos incolores haviam se tornado coloridos novamente. Você deu vida aos meus desenhos.
No dia em que você me assustou e meu caderno caiu, pensei que meu coração fosse pular do meu peito, já que você estava vendo todos os desenhos que eu fiz onde seu rosto estava estampado. Vergonha maior que aquela eu jamais poderia sentir.
Entretanto, ganhar suas bochechas coradas e o sorriso que fazia seus olhos tornarem-se risquinhos foi uma das melhores coisas que já me aconteceram. Acho que nunca desenhei com tanta vontade quanto na noite daquele dia, porque foi essa exata feição sua que eu coloquei no papel.
Quando eu descobri que você ia em um encontro com Yoongi senti meu coração se despedaçar. Eu estava me apaixonando, era bem óbvio, mas meu coração doeu muito por saber que você sairia com outro.
Depois de receber uns tapas de Taehyung, cheguei primeiro na sua casa, afinal eu merecia você mais do que o Yoongi merecia, e por isso me esforcei ao máximo para chegar na sua residência e te levar para sair.
Sabe o quão feliz fiquei quando você dispensou ele para ir comigo? Eu nem sabia onde iria te levar, mas estava tão contente que não me importaria nem se tivéssemos ficado sentados na calçada olhando as estrelas, desde que ficássemos juntos, entende?
Foi uma noite incrível, nós olhamos as estrelas mesmo, mas foi da sacada do meu quarto, escorados na beirada. Você em minha frente, meus braços em sua volta e meu queixo em seu ombro. Eu me sentia agitado, mas ao mesmo tempo extremamente calmo. Era uma sensação boa e única, queria estar ali e não queria largar você nunca mais.
Quando, ainda naquela noite, você se virou para mim e sorriu antes de envolver meu pescoço com os braços, eu senti que poderia morrer naquele instante que partiria feliz. Nossa, você não tem noção do quanto eu estava nervoso. Eu já tinha tido um breve caso, mas definitivamente nunca havia me apaixonado antes de te conhecer.
E no momento em que você me disse que tinha feito o certo ao dispensar Yoongi para sair comigo eu me senti ainda mais feliz e apaixonado. Não te levei para fazer nada demais, não te levei a um restaurante ou para qualquer lugar que ele poderia ter levado. Eu apenas fui com você para a minha casa, te apresentei aos meus pais e te fiz jantar conosco, depois olhamos as estrelas abraçados e ficamos ali, trocando sorrisos e nenhuma palavra.
Ainda assim você parecia feliz e eu também acabei ficando feliz. Era uma sensação quase mágica.
Confesso que te beijei por impulso. Eu não sabia se era o momento certo, ou ao menos se você estava abrindo uma brecha para que eu tivesse tal atitude, mas no meu ponto de vista não haveria outro momento que não fosse aquele. Parecia que eu iria morrer se não fizesse aquilo, era como se o mundo fosse acabar caso eu não tomasse aquela atitude.
E eu não me arrependi, porque te beijar se tornou meu vício já no primeiro segundo. Sua boca parecia ter sido feita para encaixar-se na minha, suas mãos projetadas para acariciar meus cabelos, seu corpo esculpido para ficar grudado no meu. Parecíamos ser feitos um para o outro. A sensação não podia ser melhor.
Estava tarde quando te deixei em casa. Eu queria que você dormisse na minha casa, mas sabia que você poderia interpretar errado e eu não queria cometer nenhum erro com você. Queria apenas que tudo desse certo da maneira que deveria ser.
A sessão de beijos em frente à sua casa também foi mágica, eu não queria me desgrudar nunca mais, não queria ter que me desvencilhar do seu perfume, seus lábios, ou da forma que sua mão encaixava perfeitamente na minha. Eu apenas queria ficar grudado em você pelo resto da minha vida.
Na segunda-feira, quando nos vimos, encarei Yoongi com raiva por ele estar gritando com você. Eu queria mandá-lo para o inferno por levantar a voz para alguém tão incrível. Sabia que você queria que eu o mandasse longe ao mesmo tempo que desejava se defender sozinho. Apenas saiba, quando temos alguém que se preocupa conosco, nunca precisamos nos defender sozinhos. Isso não nos deixa mais fracos, e sim muito mais fortes justamente por termos alguém ao nosso lado.
O soco que levei dele pode até ter machucado, mas o meu orgulho ficou intacto por eu poder esfregar na cara dele que eu era melhor e que, ao contrário dele, eu nunca te magoaria.
Não pensei que as coisas fossem desandar e que você fosse deixar de confiar na pessoa que mais jurava te amar. Não estou te culpando, Minnie, eu só queria ter tido chances de me explicar antes de você terminar tudo, ainda mais dizendo que nunca me perdoaria e que eu era um monstro.
Eu não sou o vilão da nossa história.
Mas, voltando. Te pedir em namoro seria o próximo passo para estarmos finalmente juntos. Lembro o quão clichê fui de te levar para um parque de diversões, e mais clichê ainda quando te pedi em namoro na roda-gigante. É, eu era bem previsível, mas acabou sendo fofo. Era um dia frio e você usava o meu casaco, nós estávamos abraçados enquanto o brinquedo girava e girava.
Eu segurei sua mão, que estava fria, com a desculpa de que te esquentaria e, sem que você percebesse, coloquei o anel em seu dedo. Não te dei muito tempo para pensar, porque em um segundo eu estava me declarando e no outro você já tinha aceito meu pedido totalmente clichê de namoro.
Eu queria dizer muito mais do que eu de fato conseguia, foi difícil, mas tentava a todo custo mostrar que esse ser humano aqui, que tinha apenas quinze anos na época, era totalmente viciado em cada centímetro do que você era. E mesmo que você fosse mais velho, eu ainda queria poder ser tudo para você. Queria ser tudo que mais ninguém poderia ser.
Você lembra da nossa primeira vez? Nervosismo era pouco perto do que eu sentia. Eu estava à beira de um colapso. Só queria que fosse uma noite especial, que você se sentisse especial e que fosse bom. Só que eu não tinha como garantir que tudo saísse perfeito.
Eu lembro que você me disse que era especial apenas por ser comigo, e que você não tinha medo algum de perder a virgindade comigo por dois motivos.
Um deles era porque você confiava em mim.
O outro era porque você me amava.
E quando nós caímos aos beijos na sua cama eu só conseguia repetir inúmeras vezes o quanto te amava. E ainda amo, muito.
Nós fizemos três anos de namoro. Nem parece, não é?
É, porque você terminou comigo justamente nesse dia. No dia em que deveríamos ficar juntos, deveríamos comemorar. Você não quis me ouvir, não quis que eu te explicasse o que havia acontecido.
Eu ia fazer uma loucura naquele dia. Eu ia te pedir em casamento para nos casarmos quando terminássemos o colégio. Do jeito que eu sempre fui um idiota apaixonado isso não seria tão louco assim. Eu só... queria poder ter explicado, mas em nenhuma das quinhentas mil vezes você permitiu. Por que, Jimin? Meu amor não era o bastante para você confiar em mim?
Agora talvez você consiga entender o que eu sempre tentei dizer.
Eu nunca, NUNCA, traí você.
Honestamente, Minnie, você acha mesmo que eu iria encostar no garoto que tanto quis afastar de você? Eu não queria Yoongi, eu o queria bem longe de nós dois. Eu só queria você, sempre quis só você.
Por que não quis me ouvir?
Por que preferiu acreditar nele?
Isso foi falta de confiança ou a dor de um coração partido?
Ele não tinha provas, apenas palavras.
Acha que eu estaria insistindo até agora caso tivesse mesmo beijado ele ou ido ainda mais além que isso?
Ele nunca superou o fato de eu ser seu namorado, ele sempre tentou nos separar. Essa foi apenas mais uma tentativa, a qual infelizmente deu certo.
Eu só sei que ainda espero pelo dia que você possa aceitar conversar comigo, esclarecer tudo que não esclarecemos.
Talvez assim eu faça você ver o quanto ainda te amo.
E sempre vou amar.
Será que não podemos mesmo mais ser amigos? Ou, quem sabe, não possamos ser mais que isso novamente?
Com amor,
Seu Kookie."
Eu tentava com todas as forças não chorar, mas parecia impossível. Eu conhecia Jungkook, sabia que era verdade. Como pude ser tão burro ao ponto de acreditar no Yoongi e duvidar do garoto que eu amo?
Céus, eu mereço muito que Hoseok venha até mim e bata com a minha cabeça na parede!
Sem muito mais pensar apenas guardei aquela carta — linda — na mochila e saí correndo daquela sala. Sabia que Jungkook só poderia estar em três lugares durante um período vago: na biblioteca, na quadra ou na sala de artes.
Em qualquer um dos três lugares ele com certeza estaria com seus lápis de desenho e seu caderno, rabiscando, fazendo esboços ou criando mais uma de suas belas artes. Eu, em nosso aniversário de dois anos de namoro, o presenteei com um kit de desenho que custou quase um rim, mas que só de ver o sorriso dele já foi o bastante. Ele ainda usa aquele kit.
Fui diretamente na sala de artes, porque ele sempre preferia ficar ali, já que era vazia e silenciosa. Como sempre, não me enganei, ele estava ali.
Me encarou assim que eu passei pela porta. Atirei minha mochila no chão e corri até ele, o grudando no abraço que tanto queria dar a ele nos últimos meses. Jungkook me segurava com força, passando-me a segurança que sempre me fez sentir. Era uma sensação de paz enorme apenas por estar agarrado nele.
— Jungkookie, me perdoa. — Pedi, só assim percebendo o quanto estava chorando. — Eu te amo tanto, Kookie, tanto.
— Shh, meu amor, fica calmo. — Acariciou meus cabelos, me fazendo desabar ainda mais. Tanto que chegou no ponto de ele me pegar no colo e me colocar em cima de uma classe, continuando a me abraçar. — Eu estou aqui, não precisa chorar.
— Eu sou um idiota.
— Não, você não é. — Garantiu, acariciando ainda meus cabelos e agora também minhas costas.
— Como você consegue estar calmo assim comigo depois das besteiras que eu te disse? Eu só faltei dizer que te odiava! Eu sou um monstro, Jungkook!
— Jimin! — Me olhou, botando uma mão sua em cada bochecha minha. — Se eu estivesse irritado não teria escrito aquela carta. Eu só queria entender, só queria poder me explicar. Queria apenas dizer que nunca fiz nada. Prometi que nunca iria te machucar e estou cumprindo isso todos os dias.
— Eu te amo. — Voltei a chorar, ganhando um sorriso.
— Eu também te amo, Minnie. Mais do que eu gostaria de admitir.
Jungkook sorriu para mim, e foi assim que me perdi novamente naquele sorriso e também em seu olhar. Eu me perdi em Jungkook. Eu o amava e parecia estar me apaixonando de novo. Como podia isso acontecer?
— Lembra o que você perguntou? Sobre podermos ser amigos novamente?
— Lembro. — Sorriu ainda mais largamente.
— Nós definitivamente podemos ser muito mais que amigos de novo.
Fale com o autor