Notas iniciais
Desculpem a demora... (insira aqui uma desculpa esfarrapada que eu não quero usar). Boa leitura.

Suspirei ao ver Simon do lado de fora, a mochila apoiada sobre um ombro e o celular em mãos.

O dia estava nublado, como parecia sempre estar naqueles últimos dias. Eu também estava com a mochila apoiada sobre o ombro, mas em mãos eu carregava todas as entregas que eu deveria fazer. Eu preferia me adiantar logo, queria receber o dinheiro o quanto antes.

— Bom dia, Clary – falou Simon, sem olhar para mim.

Ele estava meio distante desde o dia anterior, quando nós havíamos sentado com Jace e os primos dele no Java Jones, eu só não entendia por que. Simon poderia ser enigmático quando queria.

— Nem tão bom assim – refleti, empurrando o ombro dele para que avançasse na rua. – Não vai se oferecer para levar isso para mim? – balancei as telas com pinturas em frente aos olhos dele, que suspirou e as pegou. — Obrigada, Sr. Boa Vontade.

— Me dá um tempo, Clary – ele revirou os olhos.

Franzi a testa.

— Me dá um tempo você, Simon – chiei. – O que você tem?

Ele me olhou como se meu cérebro houvesse sido reduzido ao tamanho de uma ervilha.

— Nada – falou, depois de alguns segundos. – Apenas vamos logo, senão iremos nos atrasar. E ainda temos prova hoje. Estudou?

— Não – admiti. – Mas deve estar fácil. E você, estudou?

— Um pouco. Mas tanto faz agora, eu acho. Quanto você deve receber hoje? – disse e olhando em volta.

— Uns bons dólares... Isso se todo mundo me pagar por isso hoje.

— É só dizer que o seu pai é representante da Máfia Holandesa nos Estados Unidos que eles vão te pagar – ele falou, guardando o celular.

— Pode dar certo.

— É claro que pode. É um plano brilhante.

Nós caminhamos em silêncio o resto do caminho, aparentemente preocupados demais com a possibilidade de um temporal. Eu não havia me lembrado de trazer o guarda-chuva, como você pode presumir.

Assim que chegamos, percebi que o dia seria muito mais legal do que eu esperava. Não havia quase nenhum carro no estacionamento dos professores, e isso garantia pelo menos quatro tempos livros de aula. Sorri com a ideia de tempo vago e me virei para Simon.

— Vou entregar isso – falei, pegando as telas das mãos deles. – Te vejo na aula de Sociologia.

Ele sorriu e assentiu, se afastando para o grupo Geek dele.

Comecei a procurar pelos meus “clientes” na frente do colégio. A primeira que eu encontrei foi Lucy, uma garota loira que fazia Aula Avançada de Artes comigo.

— Obrigada – ela falou. – Talvez eu faça outra encomenda, estou redecorando o meu quarto.

— São trinta dólares, você sabe – falei, ignorando o comentário dela. – Se quiser fazer outra encomenda me encontre na hora do almoço.

— Tudo bem – ela falou, e me entregou o dinheiro. – Boa sorte na prova de hoje.

Assenti e me virei, procurando pelo próximo cliente. Achei mais dois deles entre os garotos que se reuniam para falar sobre “enigmas da arte”, que eu não gostava muito. Arte só tem um significado, e ele não deveria ser entendido por alguém que não fosse o artista.

Fiz todas as entregas antes das oito, que era quando começavam as aulas. Tive que usar o truque de que meu pai era o representante da Máfia Holandesa nos Estados Unidos apenas uma vez, com uma garota que havia encomendado duas pinturas.

Entrei na sala já cansada, e quando o professor entregou a prova mal pude conter a sensação de alívio ao perceber que estava mesmo fácil. Terminei em apenas alguns minutos.

Como eu disse, os últimos quatro tempos foram vagos. Eu não tinha mais entregas para fazer, e não havia decidido ainda se isso era bom ou ruim. Encontrei com Simon, que parecia derrotado.

— O que houve? – perguntei.

— Eu acho que vou ficar reprovado em Trigonometria.

— Mas você já não tinha passado?

— Acho que sim, mas... ah, tanto faz.

Eu estava prestes a comentar sobre o temporal que estava armando, mas então meu celular vibrou, indicando uma mensagem. Deveria ser minha mãe. Peguei meu celular e quase dei um grito de surpresa quando vi o nome no identificador. Jace. Obriguei meus dedos trêmulos a apertarem o botão para ler a mensagem, que dizia:

Que tal sairmos na sexta? Eu conheço um restaurante melhor que o Java Jones, pode confiar em mim.

Nós havíamos trocado números no dia anterior, e eu não havia criado coragem para ligar, mas... parece que ele sim.

Simon estava olhando para mim de modo curioso.

— Quem é? – perguntou.

Suspirei e mostrei a mensagem para ele. Simon pareceu surpreso por um momento, mas depois corou (só que ele parecia mais com raiva do que envergonhado).

— E... você vai? – ele perguntou.

Refleti um pouco sobre o assunto enquanto nós caminhávamos em direção à minha casa. Estava ventando bastante agora.

— A-acho que sim – murmurei, corando. – Quer dizer, ele é o cara mais bonito que eu já conheci.

— Isso foi uma indireta para dizer que eu sou feio?

— Simon, não foi isso que eu quis dizer.

— Mas pareceu.

— Cale a boca, Simon.

— Você mal conhece esse cara, Clarissa.

— E daí? – grunhi, revirando os olhos. – Se eu tivesse o conhecido antes seria bonito do mesmo jeito.

— Não é esse o ponto!

Qual é o ponto, Simon?!

Ele parou no meio da calçada e suspirou. Parecia realmente com raiva, mas eu não entendia por que. Simon e eu éramos amigos desde que eu me lembrava, mas raramente o via desse jeito, tão alterado. Mesmo assim eu não consegui conter a raiva também. Qual era o problema dele?

— O ponto é que... – ele hesitou. – Clary... Ah, quer saber? Deixa para lá. Você sabe voltar para casa sozinha, não sabe?

Ele se virou e começou a andar para longe, na direção oposta à da minha casa. Eu ainda não conseguia acreditar nele.

— Simon! – chamei. – Simon, volte aqui! – eu estava irritada, e acho que só o estava chamando porque queria dar um tapa naqueles óculos dele. – Simon! – gritei novamente.

Me virei, indo para o lado oposto. Minhas bochechas queimavam de raiva, e tudo o que eu queria agora era dar um chute na canela de Simon, mas acho que não ajudaria em nada agora.

Mesmo assim, eu ainda não entendia a atitude dele. Quer dizer, será que tudo isso era porque eu iria sair com um cara que havia conhecido alguns dias antes?

Bem, eu duvidava que era isso.

Notas finais
O título do capítulo ficou horrível, mas ok, mandem reviews, o que importa é o conteúdo do capítulo kkkk c: