Notas iniciais
Imaginem: dois rapazes conversam.

Alguma vez já amou
Pela beleza do gesto
Alguma vez já mordeu
A maçã a plenos dentes
Pelo sabor da fruta
Por sua doçura e raspas
Com pensamentos ardentes
Alguma vez já amou?

Sim, uma vez já amei
Pela beleza do gesto
Mas a maçã era dura
E eu me quebrei os dentes
Essas paixões imaturas
E amores indigestos
Me parecem negligentes

Os amores que duram
Fazem duros os amantes
Seus beijos muito maduros
Nos apodrecem o sangue

Os amores passageiros
Possuem febres ligeiras
Seus beijos muito verdes
São como vil brincadeira

Pois por querer amar
Pela beleza do gesto
O verme da maçã
Fica preso entre o dente
Nos rói o coração
O cérebro e o resto
Nos esvazia lentamente

Mas, uma vez que ousamos amar
Pela beleza do gesto
O verme da maçã
Que fica preso ao dente
Nos embalsama o coração
O cérebro e o resto
Nos perfuma internamente

Os amores passageiros
Precisam de esforços fúteis
Nos cansam o corpo inteiro
Com suas carícias fugazes

Os amores que duram
Não tornam belos os amantes
A carne, pois, amarguram
Com carícias desgastantes

Pois por querer amar
Pela beleza do gesto
O verme da maçã
Fica preso entre o dente
Nos confunde o coração
O cérebro e o resto
Nos mata lentamente

Mas, uma vez que ousamos amar
Pela beleza do gesto
O verme da maçã
Que fica preso ao dente
Nos ataca o coração
O cérebro e o resto
Com um sentimento potente